Na última segunda-feira, 06, o jornal A Tarde publicou uma entrevista com o português José Bartolomeu, presidente da Via Bahia, concessionária que administra as BR’s 116, divisa Ba-Mg à Feira de Santana e 324, trecho Salvador X Feira, o título poderia ser “A falácia da Via Bahia e de seu presidente”.

Na entrevista o português cita diversas vezes “revisão”, “insegurança jurídica”, mas quase que esquece dos viadutos obrigatórios e necessários para mobilidade e segurança dos usuários e moradores das citadas vias. Duplicação? “Estamos falando da conclusão da duplicação”. Cumprimento das obrigações? “Cumprimos mais de 90% de todo o investimento previsto”. Credita ao solo tipo massapê, os principais problemas da BR 324, tendo provocado o gasto de “mais de 80% do previsto para a manutenção só da BR 324”. Cita sempre a diferença entre o contrato de sua empresa e os das demais concessões, questionando que “falta um pouquinho de compreensão” por parte da ANTT em relação a este fato.

As respostas às perguntas da entrevista parecem-se com as de alguns políticos em debates eleitorais: independente do assunto perguntado, a resposta é quase padrão e de acordo com sua conveniência.

Quando cita a necessidade das revisões quinquenais, esquece, por conveniência, de citar que antes deste prazo vencer, a duplicação de todos os trechos com volumes diários acima de 6.500 veículos já deveria ter sido iniciada ou mesmo concluída por sua empresa. Assim como, foi esquecido o fato de não ter concluído até hoje, o trecho iniciado entre Feira e o Paraguaçu, onde uma ponte foi construída e outra encontra-se interditada a anos, obrigando os veículos a trafegarem a velocidades baixíssimas e os trechos duplicados estão em condições ruins, com muitos defeitos, e o solo neste trecho não é massapê. A entrevista parece ou é uma piada?

Cita como exemplo de serviço relevante prestado pela empresa, o fornecimento de internet aos usuários que param nos postos de atendimento, ou seja, caso seus carros quebrem em função de um dos inúmeros buracos ou defeitos da BR 116, estes devem chegar a um dos 15 postos e avisar à Via Bahia. Não tem manutenção adequada, duplicação, viadutos, mas tem internet. Talvez seja o caso da empresa mudar de ramo, se tornando uma operadora de internet, passando o posto de concessionária para uma empresa capaz de fornecer um serviço compatível com o que foi contratado. Em relação à estes postos, vale citar que os mesmos, apesar de situados em rodovias com tráfego diário acima de 13.000 veículos, possuem apenas quatro vagas para automóveis e nenhuma específica para veículos de grande porte, caso apenas dois caminhoneiros parem ao mesmo tempo em um destes postos, sua capacidade máxima foi atingida, impedindo a entrada e saída de outros veículos. Os postos só possuem pista de aceleração e desaceleração em um dos lados da pista, obrigando os usuários, seus clientes, que estejam viajando na pista em sentido contrário a cruzar a pista para utilizá-los. Independente destes problemas, ainda tem os mais críticos em relação à segurança de todos os usuários: o situado próximo à cidade de Poções fica no topo de uma lombada; o próximo ao acesso de Santa Inês, em uma curva perigosa e a poucos metros de uma ponte. Exemplos claros da falta de capacidade da empresa desde a implantação dos mesmos e seu descaso com a segurança dos usuários destas vias. Mas têm internet cedida extracontratual gratuitamente pela Via Bahia.

O português declara que a falta de revisão fez acumular um crédito de R$ 7 bilhões e impede a criação de 10.000 postos de trabalho e um acréscimo no PIB baiano superior a R$ 20 bilhões. Tudo culpa da ANTT, apesar de afirmar que “nunca propusemos qualquer aumento de tarifa ao Ministério e nem à agência”. Em nenhum momento citou a aumento do fluxo de veículos, com aumento do faturamento proporcional ao mesmo. Idem para a construção da terceira faixa em alguns trechos em aclives (obras obrigatórias), eliminando o acostamento, mais uma vez deixando a segurança do usuário em segundo plano e a economia e lucro da concessionária em primeiro. Mas passa ao largo das diversas multas aplicadas à empresa pela ANTT e nunca pagas, conforme informações da agência.

A obra de ficção ou piada de mal gosto do português continua quando cita as condições destas BR’s “85% da qualidade da rodovia é bom, é ótimo”. A pesquisa CNT que compara o período de 2015 a 2019 das rodovias federais na Bahia, os trechos ruins passaram de 8,2 para 13,7% e os classificados com bons de 41,4 para 35,4%, regulares de 39,1 a 38,5%. O de ótimas foi de 8,1 para 11,2% (fonte: bahianoticias.com.br). Por estes números, somados os trechos bons e ótimos, chegaríamos ao máximo de 46,6%. A de 2021 cita as de gestão privada Bahia com 84,1% (inclui outra concessionária).

Poderia ser lembrado ao português o seguinte: a parte que, desde o início, não cumpre o contrato é a Via Bahia; o solo massapê já existia quando seu conterrâneo Cabral chegou por estas terras, não apareceu em 2009; todo o trecho da BR 116 sob sua responsabilidade já deveria estar duplicado; diversos projetos de viadutos (como os de Conquista) estão prontos desde antes da tão citada primeira revisão quinquenal; que internet nos postos de atendimento é uma necessidade da própria empresa e que os usuários das BR’s não aceitam esta cortesia em troca da manutenção da qualidade das rodovias; que ele pode se espelhar nas estradas portuguesas ou do sudeste e sul do país como exemplo de boas concessionárias e estradas.

Já lemos piadas melhores de portugueses.

Movimento Duplica Sudoeste