Dirigentes do chamado centrão condicionaram a manutenção da aliança com o governo federal em 2022 a uma moderação do presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com informações da Folha de S. Paulo, o chefe do Executivo e seus aliados foram pressionados a abandonar discursos golpistas e as ameaças ao sistema eleitoral.

Ainda segundo a publicação, o acordo envolve também um maior acesso dos parlamentares às verbas federais e mais tolerância por parte dos caciques do centrão com as falas negacionistas de Bolsonaro a respeito da Covid-19.

Uma sinalização do presidente neste sentido é a postura do presidente, que passou a afirmar aos apoiadores que o próximo pleito será mais confiável com a participação das Forças Armadas entre as instituições à frente da fiscalização do processo eleitoral.

O posto de diretor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será ocupado pelo general da reserva Fernando Azevedo e Silva, ex-ministro da Defesa de Bolsonaro. A área de tecnologia responsável pelas urnas eletrônicas e softwares utilizados nas eleições será subordinada ao militar.

Apesar do acordo, o presidente voltou a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial o ministro Alexandre de Moraes, alvo de palavrões. Segundo o jornal, os “arroubos”, entretanto, foram classificados por auxiliares como “desabafos” e não uma nova escalada golpista.