Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que 10% dos estudantes que viveram a pandemia da Covid-19 jamais voltarão para as escolas. O levantamento, publicado neste domingo (23), aponta ainda que os alunos aprenderam apenas um quarto do conteúdo que teriam nas aulas presenciais e o progresso no ensino de matemática e português em certas séries regrediu em mais de uma década.

 

O estudo do Unicef avalia a dimensão do impacto da crise sanitária no contexto educacional. As informações apontam que uma geração inteira será profundamente afetada pelo fechamento de escolas nos últimos dois anos no mundo e que as perdas são “quase irrecuperáveis”.

 

De acordo com a coluna de Jamil Chade, do UOL, o fundo diz que há no Brasil uma erosão do ensino e um impacto severo. “Um estudo de São Paulo mostra que, em média, os alunos aprenderam apenas 28% do que teriam nas aulas presenciais e o risco de desistência aumentou mais do que três vezes”, diz o Unicef.

 

No estado de São Paulo durante o último ano houve uma perda de aprendizado em todos os níveis, com alunos pontuando abaixo das provas em cada série, comparado com os números de 2019. As maiores perdas foram entre os alinos mais jovens.

 

Em matemática, a regressão nos resultados foi de mais de 14 anos, já em português o retrocesso foi em dez anos. “Estes resultados são particularmente impressionantes, pois ilustram como o choque eliminou uma década ou mais de progresso constante no aprendizado”, diz o informe publicado neste domingo. Para chegar a essas conclusões, o Unicef usou estudos da Seduc-SP, Fundação Lemann, o Instituto Natura e o Datafolha.

 

A leitura foi uma das capacidades dos estudantes afetadas pela pandemia, fazendo com que a proporção de lunos da segunda série que estão fora do caminho para se tornarem leitores fluentes aumentasse de 52% para 74%.

 

Até o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi atingido e em 2021 registrou o menor número de candidatos desde 2007.