O governador Rui Costa (PT) criticou nesta quarta-feira (10) o prosseguimento das investigações que apuram irregularidades na compra de respiradores pelo Consórcio Nordeste na esfera federal, com auxílio do Ministério Público Federal (MPF).

A gestão baiana alega que foi vítima de um golpe da empresa que recebeu o pagamento pelos equipamentos que nunca chegaram.

“A Polícia Civil prendeu três pessoas e estava avançando nas investigações. Infelizmente, por um procedimento do Ministério Público Estadual que declinou da ação, foi criada uma polêmica de quem vai tocar as investigações”, disse o governador em entrevista ao Bahia Meio Dia.

 

Em tom de crítica, Rui sinalizou que a ida das investigações ao MPF paralisou o processo que visa devolver os recursos aplicados na compra dos respiradores aos cofres do estado. “Infelizmente no Brasil se criou uma disputa política, uma confusão jurídica e com muita  contaminação política, relegando a vida humana ao segundo plano”, falou.


O petista ainda disse que não se importa com quem irá tocar as apurações e negou que a compra tenha utilizado recursos federais. A possibilidade de uso de verba federal no processo investigado contribuiu para que o MPF assumisse a apuração.

 

ENTENDA O CASO

A compra dos ventiladores que agora é algo de investigação por deputados, Polícia Civil e o Ministério Público Federal foi concretizada pelo governo da Bahia, que pagou adiantado pelos produtos que nunca foram entregues.

Foi a gestão do governador baiano que, inicialmente, denunciou e deflagrou a Operação Ragnarok para apurar irregularidades na empresa que recebeu pelos equipamentos, a Hempcare Pharma.

 

No entanto, a investigação tomou outros rumos. Dias após a deflagração da Ragnarock pela Polícia Civil da Bahia, a dona da empresa Hempcare, Cristiana Prestes, um dos alvos da operação, citou o ex-chefe da Casa Civil do estado, Bruno Dauster, como o principal responsável pelas negociações envolvendo os respiradores. Segundo ela, que chegou a ser presa, Dauster foi quem a procurou e ele conduziu “99,9%” das tratativas. O chefe da Casa Civil da Bahia foi exonerado após a declaração .

Após ter seu nome associado à compra mal sucedida de respiradores, o ex-secretário afirmou que sempre agiu “com absoluta transparência e rigor ético” e que deixou a pasta para evitar a politização do tema.