O Brasil é um país de empreendedores. Segundo uma pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), cerca de 52 milhões de brasileiros entre 18 e 64 anos estavam envolvidos com alguma atividade empreendedora em 2018.
Em pleno 2022, num período onde as empresas ainda estão se reerguendo após dois anos de pandemia, é notório perceber que muitos jovens ainda buscam o empreendedorismo como fonte alternativa de renda, e porquê não, como principal atividade comercial.
E foi isso que a jovem de Vitória da Conquista, Maiana Andrade de Jesus Peixoto fez. Ela é dona do ateliê da Mai e já lançou o projeto MAP Brand.
“Hoje a empresa está em crescimento, contamos com mais duas pessoas, além de mim Maiana e com fé muito brevemente vamos ter mais pessoas na equipe. Hoje além do Ateliê da Mai, lançamos nossa marca MAP Brand e o objetivo é poder ajudar muitas pessoas nessa jornada, não só através das criações e realizações de sonhos, mas ter a possibilidade de empregar e ajudar várias famílias”. Destaca a empreendedora.
Veja as fotos do Ateliê da Mai:
Confira a entrevista na íntegra com a empreendedora:
1- Como é a vida de empreendedora?
Empreender não foi uma escolha de início, procurei um hobby que me identifiquei muito e quando eu menos esperei simplesmente virou um negócio. Desde o início tem sido muito desafiador, por que eu aprendi a empreender no dia a dia e conforme o negócio ia se estabilizando, lidar com coisas que eu não tinha me preparado, não tinha estudado era e ainda é bem difícil. As coisas acabam se centralizando muito em torno de mim ainda, por ser uma empresa de pequeno porte, porém conforme o tempo passa e estudo mais fica mais fácil lidar com os desafios.
2- Por quê decidiu empreender na área da costura?
Quando eu estava no último ano da faculdade(sou formada em administração) queria algo pra distrair a cabeça, estava na época do TCC e tava passando por alguns problemas pessoais. sempre tive uma vida agitada, de trabalho e estudo e quando eu tinha algum tempo livre ficava agoniada, por isso resolvi buscar cursos pra acalmar os ânimos, já que na época eu trabalhava um turno e estudava o outro e meio que me sobrava algum tempo livre ainda, e vinha de uma vida de trabalhar em dois lugares e ainda estudae. Quando deixei um trabalho me sobrou um tempo e queria preencher, na época lembro que fiz dois cursos , um de corte e costura e outro de culinária, no de corte e costura eu literalmente não sabia pegar em uma agulha e no de culinária já era mais fácil pq já cozinhava algum tempo. O de corte e costura era um pouco superficial e um pouco devagar, no primeiro mês eu já estava louca, apaixonada querendo criar, e mal sabia mexer nas máquinas, acho que não passou mais um mês comprei duas máquinas e comecei a fazer as coisas sozinha em casa e nos dias que tinha aula levava pra a professora Carla (quem me ensinou a olhar a costura com amor) só conferir se estava certo. Deixei de acompanhar a turma e comecei a fazer as coisas sozinha, acabei sendo autodidata em boa parte das coisas, já modelava e costurava sem saber se ia da certo, só tentava sozinha, sempre costumo dizer que a costura que me escolheu.
3- Quais os desafios? E as dificuldades do dia a dia?
Hoje acho que meu maior desafio é conciliar a estudar todas as áreas. Não adianta eu só saber de modelagem e costura e não saber o resto, como marketing, finanças, relacionamentos e etc. As dificuldades do dia a dia é acompanhar o ritmo frenético que as nossas vidas estão mudando, ainda mais no mercado de moda que é extremamente volátil e dinâmico, a todo momento está tendo mudanças e acompanhar isso acaba sendo bem difícil e por isso precisamos nos preparar. Alem disso, lidar com situações do tipo “faça com costureira que é mais barato “, Como uma das profissões mais antigas do mundo, a costureira ainda não é valorizada? A partir do momento que a gente nasce a gente já depende do trabalho de costureiras, em lençóis, na nossa primeira roupinha e em todas as áreas a partir daí, aa costureiras conseguem facilitar nossa vida em todos os sentidos, por exemplo para se praticar um exercício temos vestimentas apropriadas para nós da conforto. Educar as pessoas nesse sentido todos os dias tem sido bem desafiador pq é uma cultura impregnada em várias áreas que precisa ser transformada. Hoje utilizo muito das redes sociais que é um espaço imenso para passar a mensagem. São muitas pessoas que nos acompanham todos os dias, lá a gente mostra nosso dia a dia, a construção das roupas, o perrengues e além de ser um “rosto jovem “ para passar isso.
E sempre reforço o nosso esforço e como nós preparamos todos os dias no ateliê pra desenvolver processos que na indústria é segmentado pra várias pessoas e por que nosso estudo diário e frequente não pode ser valorizado?!
Outra dificuldade é lidar com perfeccionismos, buscamos sempre entregar o melhor para nossos clientes, buscando qualidade e experiências através da roupas, e até que ponto saber se é suficiente.
4- É um sonho que você realiza?
A princípio não. Com o tempo o que era hobby foi se transformando em minha fonte de renda, e hoje já possuo grandes sonhos dentro da costura. Sempre me identifiquei com moda e ter a possibilidade de fazer minhas próprias roupas me enchiam os olhos e o coração. A além disso, não precisar de ninguém para realizar. Desde novinha gostava de ir na costureira, não gostava de usar as roupas que tinha nas lojas de departamento ou algo assim, não sei dizer ao certo se era por muitas pessoas usarem roupas iguais, me incomodava. Roupas não são só roupas na minha percepção. roupas passam mensagens, roupas extrai o nosso interior e a gente mostra as outras pessoas quem somos, por isso cada um tem um estilo, tem seu jeitinho, tem sua personalidade. Hoje além da possibilidade de realizar os meus sonhos, no ateliê conseguimos realizar os sonhos de outras pessoas e é onde meu coração vibra. Pessoas sonham em formar, se casar, em aniversários, ou uma festa ou até no dia a dia e as roupas estão com um dos principais artigos para se sentir bem, literalmente ligado ao nosso interior , é como se fosse uma afirmação de como queremos nos sentir especiais. Por exemplo um vestido de noiva. As mulheres idealizam o vestido dos sonhos por meses ou as vezes por anos, ter a possibilidade de transformar o que ela pensou em realidade é único. O mesmo serve pra madrinhas que querem estarem lindas em momentos especiais de outras pessoas que amam ou a formanda que passa 5 ou 6 anos em um faculdade, concluir e começar uma nova fase da vida tem que ver celebrado com a roupa perfeita pra ocasião. No ateliê temos uma frase que define muito isso “momentos especiais merecem roupas especiais “. É assim que queremos estar presentes nas vidas das pessoas.
Os sorrisos de alegria quando experimentam as roupas faz ter a certeza que estamos no caminho certo.
5- O que é o seu empreendimento e seus objetivos para o futuro?
Hoje o ateliê ainda é uma empresa pequena e em crescimento, contamos com mais duas pessoas além mim Maiana e com fé muito brevemente vamos ter mais pessoas na equipe. O objetivo é poder ajudar muitas pessoas nessa jornada, não só através das criações e realizações de sonhos, mas ter a possibilidade de empregar e ajudar várias famílias.
Você pode conhecer mais o ateliê de Maiana através do Instagram:
http://@atelie.damai
http://@mapbrand_