Em virtude da disseminação global do novo coronavírus (Covid-19), o Governo do Estado, através da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), publicou no Diário Oficial desta quinta-feira (26), em caráter emergencial, um edital voltado para impulsionar pesquisas científicas que tenham foco em combater a Covid-19.
No total, serão disponibilizados R$ 220,000.00 aos pesquisadores doutores de todas as instituições de ensino superior do Estado que tenham projetos científicos relacionados ao tema.
O novo edital almeja ser um aliado na busca por soluções que possam auxiliar no diagnóstico, na prevenção ou no tratamento da doença pandêmica. A secretária da Secti, Adélia Pinheiro, afirma que em tempos como este a ciência é uma importante aliada da humanidade. “A luta que enfrentamos mostra, mais uma vez, o valor da ciência e da pesquisa, além da importância do financiamento para a área.
O diretor da Fapesb, Márcio Costa, reitera a relevância do edital baseado em outras ações da Fundação. “Estamos lidando com uma ameaça da qual não há muito conhecimento acerca de questões como contágio, manifestação da doença e cura. Quando a humanidade ainda não alcançou o domínio de um assunto necessário para o bem-estar social, é aí que entram a ciência e a tecnologia, ambas com a capacidade de surgir com soluções científicas que garantam a melhoria na qualidade de vida.
A Fapesb já foi precursora no combate a outras doenças como a zyka, que foi descoberta por pesquisadores da Bahia. Tenho certeza que nossos cientistas estão imbuídos na missão de enfrentar também esta nova ameaça”, declarou.
Os interessados podem se inscrever no site da Fapesb, a partir desta terça, e têm até às 17h do dia 2 de abril de 2020 para enviarem suas propostas. O resultado final será divulgado no dia 15 de abril. Para mais informações e também para conferir o edital na íntegra é necessário acessar o portal http://www.fapesb.ba.gov.br
A Bahia teve mais 147 bolsas de pesquisa cortadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes). O anúncio foi feito na segunda-feira (2) e detalhado nesta terça (3). Este é o terceiro corte neste ano. Ao todo, 237 bolsas deixarão de ser oferecidas somente no estado.
De acordo com a Capes, com o novo corte, espera-se economizar R$ 954.621,68 na Bahia. Em todo o país, a economia deverá ser de R$ 544 milhões, com 5.613 bolsas cortadas a partir deste mês. No Brasil, a Capes vai deixar de oferecer cerca de 11 mil bolsas e não serão aceitos novos pesquisadores neste ano.
A capes alega que por causa do contingenciamento orçamentário, a medida é necessária para garantir o pagamento dos bolsistas já cadastrados. Na Bahia, a notícia mexeu com a comunidade científica, que teme prejuízo no desenvolvimento das pesquisas.
Patricia Conceição é estudante de mestrado do instituto de saúde coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ela deve concluir a pesquisa que está fazendo na área de política e saúde e defender a tese até o início do ano que vem, mas está apreensiva com os cortes anunciados.
“Se a bolsa não sair agora, nesse mês, eu não pago meu aluguel. Tem estudante que não vai poder vir para a faculdade porque não tem dinheiro para o transporte. Tem estudante que vai ter que voltar para sua cidade, porque é do interior e está aqui estudando com a bolsa. Então, mexe não é só com a pesquisa, é com a vida do estudante toda”, disse Patricia Conceição.
Os cortes são feitos nas chamadas bolsas ociosas, período de substituição de alunos que estão concluindo os estudos para os novos candidatos que vão ocupar as vagas.
No Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, são 31 bolsistas de mestrado ou doutorado, mas, por enquanto, nenhuma vaga ociosa. Para o coordenador de pós-graduação, Luís Eugênio Portela , a situação fica cada vez mais complicada, porque reduz as oportunidades para alunos que querem se dedicar exclusivamente as pesquisas.
“A gente perde os que têm mais possibilidade de se dedicar em tempo integral para isso e os que têm mais necessidade da bolsa para sua sobrevivência. São pesquisadores que estão deixando de ser formados e conhecimento que está deixando de ser produzido”, disse Luís Eugênio Portela .
Além dos cortes de vagas da capes, O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), que tem 2.399 mil bolsas ativas para estudantes baianos da iniciação científica até pós-doutorado, anunciou que só tem recursos para o pagamento da bolsa referente ao mês de agosto. Na UFBA, são cerca de 260 vagas.
Para o coordenador de ensino de pós graduação, Sérgio Ferreira, se não tiver um suplemento da verba, todos esses estudantes vão ficar sem receber a partir do próximo mês, o que pode prejudicar as pesquisas.
“Um prejuízo para os alunos que estão concluindo seus trabalhos, bem como para os professores, os orientadores, que têm projetos que são financiados por órgãos nacionais, órgãos internacionais, e que poderão ficar descobertos por conta dessa parada”, disse Sérgio Ferreira.
Alan que estuda na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Juazeiro, no norte do estado, até adiantou o mestrado para garantir o doutorado, mas agora já não sabe mais de vai conseguir. Situação que preocupa e desanima os estudantes.
“A pesquisa que eu desenvolvi e iria concluir não vai ser mais possível se eu não tiver subsídios para poder realizá-la. Eu teria que buscar outras alternativas para me sustentar, e, de fato, isso vai atrapalhar e impossibilitar que eu continue trabalhando com a pesquisa”, disse Alan.
Fonte: G1
Por Giana Mattiazzi, TV Bahia