Depois de ter a viagem adiada por conta de novos bombardeios, o grupo de 19 brasileiros que tenta deixar a Faixa de Gaza conseguiu embarcar novamente em um ônibus fretado pela Embaixada do Brasil na Palestina e chegou ao sul do território neste sábado (14), segundo o embaixador brasileiro, Alessandro Candeas.
O grupo conseguiu fazer o trajeto entre o abrigo no norte de Gaza, onde estavam, e a cidade de Khan Younes, no sul, e aguardavam sinal verde da Embaixada do Brasil na Palestina para seguir até a fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito.
O porta-voz do Exército de Israel, Jonathan Conricus, confirmou a presença de reféns brasileiros entre as pessoas capturadas pelo grupo Hamas. Ele estima que sejam três cidadãos do país. No entanto, de acordo com o colunista Guilherme Amado, do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, o Itamaraty afirmou desconhecer que há brasileiros entre os reféns do grupo
O conflito entre Israel e grupo extremista Hamas se estende ao quinto dia de guerra, com início no último sábado (7). O governo brasileiro busca aeroportos alternativos para a repatriação de 50 brasileiros que estariam na Faixa de Gaza.
A informação sobre brasileiros capturados pelo Hamas já havia sido divulgada, há dois dias, pela CNN Internacional. Na matéria, fala-se também de norte-americanos, mexicanos, tailandeses e brasileiros. Existem, ainda, peruanos desaparecidos.
O Ministério da Defesa de Israel também confirmou a presença de reféns argentinos, ucranianos, estadunidenses, alemães, franceses e italianos. Nem a Embaixada do Brasil em Tel-Aviv nem o Escritório de Representação do Brasil em Ramala têm essa informação.
Existe pelo menos uma brasileira desaparecida, Karla Stelzer, que estava na festa de música eletrônica no sul de Israel atacada pelo Hamas.
BRASILEIROS MORTOS NO HAMAS
Os brasileiros Ranani Glazer e Bruna Valeanu, ambos de 24 anos, tiveram suas mortes confirmadas pelos familiares e pelo Itamaraty nesta-terça (10).
Os dois estavam na festa rave em área próxima à Faixa de Gaza, onde morreram 260 pessoas no sábado (7), quando os ataques começaram.
Nesta terça-feira (10), milhares de pessoas acompanharam o funeral de Bruna Valeanu. De acordo com relatos de pessoas que estiveram no local, compareceram ao sepultamento brasileiros e cidadãos de Israel, comovidos com o assassinato da jovem.
A agência das Nações Unidas para refugiados palestinos disse para a AP nesta quarta-feira (11) que nove de seus funcionários foram mortos em ataques aéreos desde o início dos bombardeios israelenses em Gaza no sábado.
“A proteção dos civis é fundamental, inclusive em tempos de conflito”, disse Juliette Touma, diretora de comunicações da agência, conhecida como UNRWA.
“Eles deveriam ser protegidos de acordo com as leis da guerra.”
Touma disse que os ataques mataram funcionários da ONU dentro de suas casas.
Ela também informou que 18 escolas da UNRWA transformadas em abrigos foram danificadas no bombardeio e que a sede na cidade de Gaza também foi danificada, sem causar vítimas.
O Ministério da Defesa de Israel afirmou que o país lançou um ataque de larga escala contra múltiplos alvos ligados ao Hamas, na Faixa de Gaza. A informação foi divulgada nesta terça-feira (10), que é o quarto dia do conflito no Oriente Médio.
Segundo os militares, mais de 200 locais ligados ao grupo terrorista foram bombardeados. Entre os alvos estão infraestruturas usadas pelo grupo para funções operacionais e armazenamento de armas.
Além disso, os militares israelenses informaram que bombardearam dois túneis usados pelo Hamas para entrar em Israel.
As forças armadas de Israel não informaram onde os túneis foram localizados. Os bombardeios aconteceram um dia depois de 70 militantes conseguirem se infiltrar em uma região agrícola ao sul do país, na segunda-feira (8).
Túneis já foram usados pelo Hamas no passado para o contrabando de armas entre o Egito e a Faixa de Gaza. Em 2006, Israel também descobriu passagens subterrâneas que poderiam dar acesso ao país feitas por outro grupo, o Hezbollah.
As forças militares disseram ainda que conseguiram reestabelecer o controle na fronteira com a Faixa de Gaza, sem novas infiltrações na segunda-feira (9).
Desde que o conflito começou, no sábado (7), mais de 1.500 pessoas morreram e milhares ficaram feridas, tanto em Israel quanto na Faixa de Gaza.
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, declarou guerra após o Hamas lançar um ataque surpresa e de grande escala neste sábado (7), em ação que já é considerada uma das maiores ofensivas contra o país nos últimos anos. Ao menos 295 pessoas morreram, e autoridades dizem que o número de vítimas pode aumentar.
Em mensagem de vídeo, Netanyahu disse que o grupo extremista islâmico que controla a Faixa de Gaza pagará “um preço sem precedentes” pela ofensiva, que teria usado mais de 5.000 foguetes. “Estamos em guerra. Esta não é uma operação simples”, afirmou.
A ofensiva surpresa combinou a infiltração de homens armados em cidades israelenses com uma saraivada de foguetes, disparados da Faixa de Gaza. Segundo as Forças Armadas de Israel, dezenas de militantes se infiltraram por terra, mar e ar, alguns dos quais com a ajuda de parapentes.
A imprensa israelense relatou tiroteios entre bandos de combatentes palestinos e forças de segurança em cidades do sul de Israel. O chefe da polícia de Israel disse que houve “21 cenas ativas” no sul de Israel, indicando a extensão do ataque.
Em Gaza, o barulho dos lançamentos de foguetes pôde ser ouvido e os moradores relataram confrontos armados ao longo da cerca de separação com Israel, perto da cidade de Khan Younis, no sul, e disseram ter visto um movimento significativo de combatentes armados.
Também em Gaza, as pessoas correram para comprar mantimentos, antecipando os dias de conflito que se avizinham. Alguns deixaram suas casas e foram para abrigos.
Pelo menos 11 pessoas morreram e 50 ficaram feridas em um ataque com mísseis russos ao atingir um shopping center no centro da Ucrânia nesta segunda-feira (27), disse o governador local, Dmytro Lunin, à Reuters.
Lunin também escreveu no Telegram que 21 pessoas foram hospitalizadas e 29 receberam primeiros socorros sem hospitalização.
Kyrylo Tymoshenko, vice-chefe do gabinete do presidente Volodymyr Zelensky, disse que há feridos em estado grave após o ataque com mísseis na cidade de Kremenchuk.
Segundo Zelensky, o shopping contava com mais de mil civis dentro das suas instalações.
No momento ainda não havia detalhes sobre as vítimas, mas Zelensky disse: “É impossível imaginar o número de vítimas”.
Kremenchuk, uma cidade industrial de 217 mil habitantes antes da invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro, fica no rio Dnipro, na região de Poltava, e é o local da maior refinaria de petróleo da Ucrânia.