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Donald Trump conseguiu o presente de aniversário que tanto desejava. Na noite deste domingo, quando completou 80 anos, o presidente dos Estados Unidos anunciou um acordo de cessar-fogo com o Irã, o fim do bloqueio americano aos portos do país persa e a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Minutos depois do anúncio de Trump, a mídia estatal iraniana confirmou o bom resultado das negociações, mediadas por Catar e Paquistão. O fim das hostilidades, iniciadas em fevereiro com um ataque conjunto de EUA e Israel ao Irã, vai entrar em vigor na sexta-feira, quando o tratado de paz será formalmente assinado. A cerimônia deve acontecer na Suíça e contar com as presenças de Trump e de seu vice, J.D. Vance, que atuou como negociador. O próprio Vance disse que o acordo e a reabertura de Ormuz são apenas um primeiro passo, e que o segundo ponto é a garantia de que o regime iraniano não tentará produzir ou comprar armas nucleares. (CNN)

O efeito do anúncio foi imediato, com o preço do petróleo caindo cerca de 4% tão logo o cessar-fogo foi confirmado. (Reuters)

Mesmo com o acordo, Trump está profundamente irritado com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por conta de ações militares que elevaram as tensões com o Irã ao longo do fim de semana. “Ele perdeu a po**a do juízo”, teria esbravejado Trump neste domingo, segundo assessores, ao ser informado de um forte ataque de Israel a supostos alvos do Hezbollah em Beirute, capital do Líbano. Em sua rede Truth Social, o presidente americano foi mais polido, mas igualmente irritado. “O ataque desta manhã em Beirute não deveria ter acontecido, em particular quando estamos tão perto de fechar um acordo de paz com o Irã”, escreveu. Após o anúncio da paz entre EUA e Irã, o governo de Israel anunciou que vai manter suas tropas no Sul do Líbano e reagir “ com toda a força” a qualquer ação iraniana. (Times of Israel)

Para ler com calma. Donald Trump e Vladimir Putin cometeram o mesmo erro: subestimar a capacidade de países militarmente mais fracos — Irã e Ucrânia, respectivamente — para resistir ao poderio bélico e levar conflitos a um impasse. (New York Times)

Longe do Golfo Pérsico, Trump recebeu um presente amargo por seus 80 anos. Obedecendo a uma ordem judicial, operários começaram neste fim de semana a remover o nome do presidente da fachada do Kennedy Center, o mais tradicional espaço de arte e cultura pertencente ao governo federal em Washington. Tão logo assumiu seu segundo mandato, em janeiro deste ano, Trump destituiu toda a diretoria da instituição, intitulou-se presidente do Conselho de Administração e determinou que seu nome fosse acrescentado à fachada. (AP)

E o presidente americano comemorou o aniversário com uma inusitada competição do UFC nos jardins da Casa Branca. (BBC)

O tempo anda quente na direita. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu o rompimento total com o Novo após o ex-governador de Minas Romeu Zema voltar a criticar a relação de seu irmão Flávio, pré-candidato do PL, com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Em entrevista no YouTube, Zema afirmou que “quem anda com bandido merece ser visto com cautela”. “Teria como eu aplaudir alguém que se aproxima do maior banqueiro bandido do país?”, indagou o pré-candidato do Novo. Eduardo Bolsonaro reagiu no X, afirmando que Zema queria estar no lugar do irmão e defendendo o rompimento. As críticas do ex governador a Flávio Bolsonaro têm gerado tensão no Novo, especialmente no Paraná e em Santa Catarina, onde a legenda tem uma relação umbilical com o bolsonarismo. (UOL)

Como se não bastassem as polêmicas provocadas pelo irmão mais novo, Flávio Bolsonaro vem enfrentando uma dificuldade para preencher a vaga de vice em sua chapa. O assunto, que já vinha preocupando a cúpula do PL, ficou em segundo plano com a revelação de que o senador pediu dinheiro a Daniel Vorcaro e o novo tarifaço americano. Mas, com a data de registro das candidaturas se aproximando, o problema voltou. Pesquisas do partido mostram que os nomes cogitados até o momento pouco ou nada agregam em termos de votos. Uma corrente no PL defende que a vice seja uma mulher, para diminuir a desvantagem de Flávio no eleitorado feminino identificada pela pesquisa Genial/Quaest. (Folha)

Elio Gaspari: “Junho é cedo para se prever o resultado de uma eleição marcada para outubro, mas alguma coisa vai mal com Flávio Bolsonaro. Como o pai, ele cavalga o antipetismo, e só. Os eleitores independentes migraram e passaram ao largo de Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Em 2026 o antipetismo está num nicho, encolhido por falta de agenda”. ( Folha e Globo)

Meio em vídeo. A democracia brasileira corre riscos reais a cada nova crise? Os ataques recentes às instituições e os protestos pedindo a volta do autoritarismo acenderam um alerta sobre a fragilidade do nosso sistema político. Para entender por que o passado militar ainda assombra o presente, o Diálogos com a Inteligência recebe a socióloga e cientista política Cristina Buarque de Hollanda (IESP/UERJ e NYU Abu Dhabi).

Autora do livro Disputed Pasts: Forgetting and Remembering Dictatorship in Brazil, Cristina analisa, junto de Christian Lynch, como o apagamento da memória e as disputas sobre a história da ditadura militar alimentam o extremismo atual. (Meio)

Viver

O confronto mais aguardado da primeira rodada da Copa do Mundo terminou sem vencedor. Brasil e Marrocos empataram em 1 a 1 diante de um estádio lotado em Nova Jersey, em uma partida que confirmou a força da seleção africana e expôs fragilidades já conhecidas da equipe de Carlo Ancelotti. Superior na etapa inicial, Marrocos abriu o placar com Ismael Saibari após erros da defesa brasileira. O empate veio em um lance individual de Vinicius Jr., autor de um golaço. A seleção melhorou depois do intervalo com alterações no meio de campo, mas seguiu com dificuldades para criar chances claras. Com o resultado, a Escócia lidera o Grupo C, após vencer o Haiti por 1 a 0. (CNN)

Depois da estreia, Carlo Ancelotti admitiu que o Brasil “não começou bem o jogo” e atribuiu a atuação, em parte, à ansiedade da equipe. O treinador disse ter “bastante claro” o que precisa ser corrigido e sinalizou possíveis mudanças para enfrentar o Haiti na sexta-feira, com Danilo e Luiz Henrique cotados para ganhar vaga entre os titulares após a boa atuação no segundo tempo contra Marrocos. (GE e Folha)

O empate também quebrou uma sequência histórica da seleção brasileira. Pela primeira vez desde 2006, o Brasil foi superado por um adversário no número de finalizações em uma partida de Copa. Marrocos chutou 14 vezes contra 12 da equipe de Ancelotti. Nem mesmo na derrota por 7 a 1 para a Alemanha, em 2014, a seleção havia terminado atrás nesse quesito. (UOL)

Meio de Campo. Idelber Avelar escreve sobre como uma mudança nas regras, feita para ampliar o tempo de comerciais na TV americana, pode matar um dos atributos mais belos do futebol: o ritmo de jogo. (Meio)

E enquanto o mundo acompanhava a Copa, Nova York viveu uma noite histórica no sábado. O New York Knicks venceu o San Antonio Spurs por 94 a 90, fechou a série final em 4 a 1 e voltou a ser campeão da NBA após 53 anos de jejum. (BBC)

A Universidade de São Paulo lançou o projeto Nossos Genes na sexta-feira, iniciativa que oferece gratuitamente aconselhamento genético e exames para até 5 mil casais brasileiros que pretendem ter filhos nos próximos anos. Coordenada pelo Centro de Estudos do Genoma Humano e de Terapias Avançadas da USP, a pesquisa pretende identificar casais com maior probabilidade de transmitir determinadas condições genéticas aos filhos, como fibrose cística e atrofia muscular espinhal (AME). A participação também inclui consultas com especialistas, que vão fornecer informações que possam auxiliar no planejamento familiar. (Folha)

Um estudo publicado na revista Science mapeou pela primeira vez uma impressionante rede densa de fungos microscópicos que percorrem todo o planeta. Os filamentos somam cerca de 110 quatrilhões de quilômetros, uma extensão quase um bilhão de vezes maior que a distância da Terra ao Sol. Esses organismos se ligam às raízes das plantas levando água e nutrientes e recebendo o carbono produzido pela fotossíntese. Ao conduzir o carbono para o solo, essas redes retiram o equivalente a 4 bilhões de toneladas de CO2 da atmosfera todo ano, ou 11% de tudo que a humanidade emite. (g1)

Cultura

O cantor americano Oliver Tree e o youtuber argentino Gaspi morreram na colisão entre dois helicópteros neste domingo, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. O acidente deixou seis vítimas ao todo, incluindo os pilotos Alexandre Souza e Charles Marsillac, o produtor musical brasileiro Lucas Frota e o diretor de videoclipes argentino Lucas Vignale. Segundo testemunhas, as aeronaves se chocaram no ar antes de caírem no pátio de uma concessionária de veículos elétricos, provocando uma explosão. Conhecido por sucessos como Miss You e Life Goes On, Oliver Tree acumulava centenas de milhões de reproduções nas plataformas digitais. Já Gaspi era um dos youtubers de humor mais populares da Argentina. (g1)

Inspirado no cotidiano da maior cidade do Brasil, Mauricio de Sousa criou o Paulistinha, novo personagem produzido pelo estúdio, mas que não vai fazer parte da Turma da Mônica. O personagem vai participar de várias ações do município, incluindo campanhas que conscientizem sobre a importância da vacinação ou do plantio de árvores. A novidade acompanha a programação que homenageia os 90 anos do cartunista. O autor também ganhará uma estátua na avenida Paulista, em frente ao parque Trianon. Segundo a prefeitura, o conjunto de homenagens custará ao todo R$ 11 milhões e será custeado pela administração municipal. (Folha)

Superando a cinebiografia de Freddie Mercury, Bohemian Rhapsody, o longa Michael, de Antoine Fuqua, se tornou a cinebiografia musical de maior bilheteria de todos os tempos, com US$ 911,9 milhões em todo o mundo. A marca foi alcançada após o filme estrelado por Jaafar Jackson estrear nos cinemas japoneses. A película da Universal relata a vida de Michael Jackson, da infância difícil ao lançamento da turnê Bad. Espera-se que a produção seja o segundo longa a arrecadar US$ 1 bilhão nas bilheterias globais em 2026, depois de Super Mario Galaxy: O Filme. (Deadline)

Cotidiano Digital

A Anthropic anunciou na sexta-feira a desabilitação geral do acesso aos sistemas de inteligência artificial Mythos 5 e Fable 5 após o governo dos Estados Unidos ordenar a suspensão do uso por residentes em outros países. De acordo com a empresa, a ordem do governo, a mais ampla em relação a empresas de IA, se deveu a “questões de segurança nacional” relativas a um “pequeno número de vulnerabilidades” previamente identificadas. A Anthropic afirmou que modelos de outras empresas também apresentam essas vulnerabilidades e que já vem adotando medidas de segurança, consideradas “muito rígidas” por usuários. (CNN)

Em uma medida polêmica, já adotada por países como a Austrália, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou na manhã de hoje a proibição do uso de redes sociais por menores de 16 anos. Em seu pronunciamento, o premiê afirmou que o ambiente das redes é projetado para viciar os usuários, além de facilitar o acesso de bullies e abusadores a menores. O banimento, que entrará em vigor no primeiro semestre do ano que vem, tem apoio de associações de pais, mas deve enfrentar resistência pesada das Big Techs. (BBC)

A Nvidia informou a seus clientes chineses que seu novo processador central “Vera” para data centers de IA pode estar disponível já em agosto, segundo três fontes ouvidas. A iniciativa é uma tentativa da empresa de recuperar espaço na China depois que sua participação de mercado no país caiu praticamente a zero por causa dos controles de exportação americanos sobre chips avançados. O Vera é a primeira CPU independente da Nvidia projetada para IA agente e, de acordo com a empresa, é até 1,8 vezes mais rápida que processadores concorrentes. Inclusive, uma grande empresa chinesa de computação em nuvem já planeja encomendar mais de 300 servidores com o chip para testes iniciais. (Reuters)

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O governo iraniano afirmou que o mundo deve estar pronto para o petróleo a U$200 por barril, enquanto suas forças atingiram navios mercantes na última quarta-feira (11). Os preços do petróleo, que subiram no início da semana para quase U$120 subiram quase 5% ontem.

Autoridades estadunidenses e israelenses afirmaram que seu objetivo é acabar com a capacidade do Irã de projetar forças além de suas fronteiras e destruir seu programa nuclear. A guerra desencadeada por ataques aéreas conjuntos dos EUA e Israel há quase duas semanas já matou cerca de 2 mil pessoas, a maioria iranianos e libaneses.

O Departamento de Estado dos EUA também alertou que o Irã e as milícias alinhadas podem estar planejando atacar a infraestrutura de petróleo e energia de propriedade dos EUA no Iraque e alertou que as milícias já haviam atacado hotéis frequentados por norte-americanos em todo o Iraque, inclusive na região do Curdistão iraquiano.

O cenário de 2026 marca um novo pico na alta do preço do petróleo, registrando valores não vistos desde a crise energética iniciada em 2022, em decorrência da guerra entre Rússia e Ucrânia.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (23) que Israel e Irã chegaram a um acordo para encerrar as hostilidades. Segundo ele, um cessar-fogo “completo e total” deve entrar em vigor dentro de cerca de seis horas.

O comunicado foi feito por Trump em sua rede social, a Truth Social. Conforme o presidente norte-americano, os dois países já começaram a reduzir suas operações militares, e a expectativa é que o conflito seja encerrado de forma definitiva em até 24 horas.

Trump mencionou que o processo será gradual, com um “desenrolar periódico” das ações, até que a trégua esteja plenamente implementada.

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Os governos do Irã e dos Estados Unidos confirmaram o ataque com mísseis contra bases militares americanas no Catar e no Iraque. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra projéteis cruzando o céu de Doha, capital catariana, momentos após o início da ofensiva.

 

Segundo o G1, o Departamento de Defesa dos EUA confirmou que a base aérea de Al-Udeid, no Catar, foi alvo de mísseis balísticos de curto e médio alcance lançados pelo Irã nesta segunda-feira (23). Até o momento, não há relatos de vítimas entre as forças americanas. As autoridades dos EUA não informaram se houve danos à estrutura da base ou o que pode ter sido destruído no ataque.

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O Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel na noite de domingo (15), intensificando o conflito entre os dois países, que já dura quatro dias. As sirenes soaram em diversas regiões, incluindo Tel Aviv e Jerusalém, enquanto as defesas aéreas israelenses foram acionadas. Vários edifícios residenciais foram atingidos, e explosões ocorreram próximo de uma refinaria em Haifa.

De acordo com autoridades israelenses, o Irã já disparou 370 mísseis balísticos desde o início dos ataques, visando infraestrutura e áreas residenciais. A rede elétrica foi afetada na região central de Israel, e imagens de Tel Aviv mostram destruição nas ruas, com vitrines quebradas, carros danificados e escombros espalhados.

Os ataques da noite causaram a morte de pelo menos oito pessoas em Israel, elevando o total para 24 mortos no país. No Irã, autoridades informam que 224 pessoas morreram e 1.277 foram hospitalizadas. Em resposta, Israel atacou centros de comando da Força Quds e matou o chefe de inteligência da Guarda Revolucionária Iraniana.

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A mídia iraniana confirmou a morte do presidente do Irã, Ebrahim Raisi, de 63 anos, e do ministro das Relações Exteriores, Hossein Amir Abdollahian, após um acidente de helicóptero na província montanhosa do Azerbaijão Oriental.

A mídia estatal iraniana Press TV e as agências de notícias semioficiais Tasnim e Mehr relataram que todos os que estavam a bordo foram mortos.

Estavam na aeronave também o governador da província do Azerbaijão Oriental, Malek Rahmati; o condutor da oração de sexta-feira de Tabriz, Imam Mohammad Ali Alehashem; bem como comandante, copiloto, chefe de tripulação, chefe de segurança e outro guarda-costas.

magens de drones dos destroços tiradas pelo Crescente Vermelho e transmitidas pela agência de notícias estatal Fars mostraram o local do acidente em uma encosta íngreme e arborizada, com pouco resto do helicóptero, além de uma cauda azul e branca.

Pelo menos 73 equipes de resgate foram até o local, perto da vila de Tavil, na província iraniana do Azerbaijão Oriental, de acordo com Pir-Hossein Kolivand, chefe do Crescente Vermelho Iraniano, informou a Tasnim.

Quem é Ebrahim Raisi?

Nascido em 1960, o presidente Ebrahim Raisi começou sua carreira como promotor no início da década de 1980 e passou de procurador-geral de Teerã em 1994 para chefe de justiça do país em 2019.

Raisi assumiu o cargo de presidente em 19 de junho de 2021, depois de vencer uma eleição historicamente não competitiva.

Muitos iranianos se recusaram a participar de uma eleição amplamente vista como manipulada. Houve a adesão de 48,8% dos eleitores – menor número desde o estabelecimento da República Islâmica do Irã, em 1979.

O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou Raisi em novembro de 2019, citando sua participação na “comissão da morte” de 1988 como promotor, e um relatório das Nações Unidas indicando que o judiciário do Irã aprovou a execução de pelo menos nove crianças entre 2018 e 2019.

(Com informações da CNN Internacional)

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O gabinete de guerra de Israel discutiu nesta segunda-feira (15) uma série de opções para retaliar o Irã após o ataque sem precedentes com mísseis e drones do último sábado (13). Autoridades de Tel Aviv, porém, manifestaram preocupação em não ampliar a guerra na região, segundo a imprensa local.

O Canal 12, mencionando um relatório do governo ao qual teriam tido acesso, disse que a intenção é fazer ações coordenadas com os Estados Unidos, sem desencadear outra guerra regional, mas passando a mensagem de que um ataque dessa magnitude não vai ficar sem reação. O governo americano, porém, tem afirmado que não se juntaria a Israel em qualquer ataque direto ao Irã.

Não foram divulgados detalhes sobre quais ações estão sendo avaliadas pelas autoridades israelenses. O chefe do Estado-Maior de Israel, general Herzi Halevi, disse que Tel Aviv irá retaliar. Já Daniel Hagari, porta-voz das forças israelenses, limitou-se a dizer que a resposta acontecerá “na ocasião e no horário certos”.

Ele visitou uma base militar no sul do país que foi alvo da artilharia iraniana e divulgou um vídeo de uma cratera em um terreno desértico no local —os militares relataram que a instalação sofreu apenas danos leves. “Faremos tudo o que for necessário”, disse Hagari em referência à proteção do Estado de Israel.

Teerã lançou o ataque em resposta ao bombardeio à embaixada iraniana em Damasco, na Síria, que matou membros da Guarda Revolucionária do Irã, em 1º de abril. Nesta segunda, o porta-voz da diplomacia iraniana, Nasser Kanani, disse que líderes ocidentais deveriam “apreciar a moderação iraniana nos últimos meses” em vez de criticar o regime. Segundo analistas, o ataque de sábado também foi calculado de maneira que não detonasse uma guerra regional.

“Em vez de fazer acusações, os países [ocidentais] deveriam culpar a si mesmos e responder à opinião pública pelas medidas que adotaram contra os crimes de guerra cometidos por Israel”, disse Kanani, em referência ao conflito na Faixa de Gaza, iniciado em 7 de outubro, e aos ataques atribuídos a Israel contra alvos aliados de Teerã na Síria e no Líbano —Tel Aviv não costuma assumir a autoria dessas ações.

Já Hossein Amirabdollahian, chanceler do Irã, manifestou-se sobre a eventual retaliação israelense. Em linha com outras declarações já divulgadas pelo regime, ele reiterou que Teerã “responderá imediatamente e com mais força” em caso de novo ataque, mas enfatizou que o país persa não quer aumentar tensões.

O gabinete de guerra do governo de Israel já havia se reunido no domingo (14) para discutir as próximas ações, mas concluiu o encontro sem anunciar novas medidas. Enquanto as negociações se desenrolam, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, instou a comunidade internacional a “permanecer unida” contra o Irã e ao que chamou de “agressão que ameaça a paz mundial”, segundo nota divulgada por seu gabinete.

O primeiro ataque de Teerã contra Israel desde 1979, ano em que a República Islâmica foi estabelecida no país, levou diversos líderes a se pronunciarem pedindo moderação.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, enfatizou a necessidade de evitar um agravamento da crise em uma série de ligações com seus homólogos de Egito, Arábia Saudita, Jordânia, Turquia, Reino Unido e Alemanha, de acordo com declarações do Departamento de Estado.

Já o chanceler britânico, David Cameron, chamou o ataque de “um fracasso total”, embora “imprudente e perigoso”. A ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, foi além quando questionada sobre um eventual direito de retaliação de Israel e disse que “o direito à autodefesa significa repelir um ataque”. O presidente da França, Emmanuel Macron, também pediu que Israel evite uma escalada militar.

Na guerra de versões que permeia a guerra, Hagari, o porta-voz militar de Israel, disse que os mortos no bombardeio contra o consulado iraniano em Damasco estavam envolvidos em atividades de “terrorismo contra Israel”, o que Teerã nega.

“O que sei é que os que morreram em Damasco eram membros da força Quds [ala da guarda responsável por operações no exterior]. Eram pessoas envolvidas em terrorismo contra o Estado de Israel”, disse ele, sem atribuir responsabilidade a Tel Aviv na ofensiva. “Entre esses agentes terroristas estavam membros do Hezbollah e assessores iranianos. Não havia um único diplomata lá, pelo que eu saiba. Não sei de nenhum civil morto nesse ataque”.

Militares israelenses disseram ainda que as ofensivas do Irã não desviariam o objetivo de Tel Aviv de eliminar o Hamas em Gaza e de resgatar os mais de cem reféns que continuam em cativeiros no território palestino. Nesta segunda, dezenas de bombardeios voltaram a atingir a cidade de Khan Yunis, no sul da Faixa. Dezoito corpos foram retirados dos escombros, segundo a Defesa Civil local.

Após seis meses de guerra, 33.797 palestinos foram mortos nas ofensivas israelenses em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas. A maior parte das vítimas, segundo líderes da facção, é de mulheres e crianças.

 

Folhapress

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BRASÍLIA – Três dias após ser convocada pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã para prestar esclarecimentos sobre a nota do Itamaraty que deu apoio à operação dos Estados Unidos que culminou na morte do general iraniano, Qassem Soleimani, a encarregada de negócios da embaixada brasileira em Teerã, Maria Cristina Lopes, terá um novo encontro, nesta quarta-feira, com autoridades daquele país.

A reunião já estava agendada há algum tempo, com pauta relacionada a cultura, mas a expectativa é que a crise no Oriente Médio e a posição do governo do presidente Jair Bolsonaro sobre o episódio voltem a ser tratados.

No último domingo, durante a reunião na chancelaria do país persa, os iranianos disseram à diplomata brasileira que estavam “desapontados” com a postura do Brasil, país com o qual o Irã tradicionalmente manteve relações diplomáticas. O governo persa reclamou que o Itamaraty se solidarizou com os EUA de forma parcial, ignorando a importância do general da Guarda Revolucionária do Irã assassinado por forças americanas no Iraque para a nação iraniana.

Segundo fontes, Maria Cristina enfatizou que a nota divulgada na noite da última sexta-feira pelo Itamaraty não foi contra o Irã, mas contra a atuação daquele país no contexto atual. Ela ainda destacou que cada nação tem sua própria política externa, que precisa ser desenvolvida com pragmatismo.

Por Eliane Oliveira
Fonte: O Globo

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Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar atingir “muito rapidamente e fortemente” 52 alvos do patrimônio cultural do Irã em um ataque, autoridades e cidadãos interessados em História do mundo inteiro reagiram com indignação nas redes sociais.

De acordo com informações do jornal O Globo, desde o domingo (5) a hashtag #IranianCulturalSites tem se multiplicado, somando mais de 30 mil publicações sobre os vários sítios históricos iranianos. O Irã possui mais de 20 sítios listados pela Unesco, quase o dobro dos Estados Unidos. Dentre as antiguidades mais lembradas estão as ruídas da cidade de Persépolis, que foi construída em 518 a.C., como capital do Império Aquemênida, e conquistada e saqueada por Alexandre, o Grande, em em 330 a.C.. Outros patrimônios importantes são o antigo mercado de Tabriz, o Palácio de Golestão, as ruínas de Tchogha Zanbil e as cidades de Bam, Yazd e Pasárgada.

CRIME DE GUERRA    
Desde 1954, os Estados Unidos são signatários de um acordo internacional que visa proteger o patrimônio cultural em conflitos armados. Segundo especialistas, um ataque norte-americano aos sítios históricos do Irã seria considerado crime de guerra.

Segundo a publicação, os Estados Unidos foram também críticos severos da destruição de antiguidades por ações do Estado Islâmico em Mosul, no Iraque, em 2015, em Palmira, na Síria, em 2016 e do ataque aos Budas Maiyan, pelos talibãs no Afeganistão, em 2001.

Após se reunir com autoridades iranianas, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, reforçou que uma resolução de 2017 prevê condenação por atos de destruição do patrimônio.

Fonte: Jornal O Globo

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Qassem Soleimani, chefe da Guarda Revolucionária do Irã e um dos homens mais poderosos do país, morreu em um ataque aéreo dos Estados Unidos nesta quinta-feira (2) em Bagdá.

O Pentágono confirmou o bombardeio e disse que a ordem partiu do presidente Donald Trump. Em nota, o órgão culpou Soleimani por mortes de americanos no Oriente Médio e afirmou que o objetivo foi deter planos de futuros ataques iranianos (leia a íntegra mais abaixo).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, postou uma bandeira americana em uma rede social. Ele não falou sobre o episódio.

Nota do Pentágono

“Sob a direção do presidente, os militares dos EUA tomaram medidas defensivas decisivas para proteger o efetivo dos EUA no exterior, matando Qasem Soleimani, chefe da Guarda Revolucionária Islâmica Corps-Quds Force, considerada pelos EUA uma organização terrorista estrangeira.

O general Soleimani estava ativamente desenvolvendo planos para atacar diplomatas americanos e membros do serviço no Iraque e em toda a região.

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