O grupo Hamas libertou todos os 20 reféns ainda vivos que eram mantidos na Faixa de Gaza há cerca de dois anos. Israel também libertou palestinos detidos em prisões no país. As medidas fazem parte da primeira fase do plano de cessar-fogo proposto pelo presidente Donald Trump.
É a primeira vez que o grupo e seus aliados não mantêm nenhum refém vivo no território palestino. Todas as 20 pessoas estão agora sob custódia israelense. Elas fazem parte dos 251 sequestrados pelo grupo terrorista em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas invadiu o território israelense. Os corpos de outras 26 pessoas, que foram declaradas mortas, continuam em Gaza e devem ser libertados em breve.
O governo de Israel deve libertar 250 palestinos que cumprem penas longas de prisão. Os hospitais em Gaza se preparam para receber os reféns e pessoas se reúnem aguardando o retorno.
Israel afirmou que vai retomar neste sábado (26) o lançamento aéreo de comida para a Faixa de Gaza. O anúncio acontece poucos dias após denúncia de mais de cem organizações de ajuda humanitária contra as restrições impostas por Tel Aviv a comboios de alimentos e em meio a cenário catastrófico de fome em massa no território conflagrado.
Após o anúncio da retomada da ajuda por avião, o Exército israelense declarou em outro comunicado que criará corredores humanitários para permitir o movimento seguro de comboios da ONU na entrega de ajuda à população palestina.
A criação de vias seguras é um pedido de organizações de ajuda humanitária, que afirmam não ser possível trabalhar no território, que é constantemente bombardeado pelas Forças Armadas israelenses em meio ao conflito em andamento contra o Hamas.
O Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel na noite de domingo (15), intensificando o conflito entre os dois países, que já dura quatro dias. As sirenes soaram em diversas regiões, incluindo Tel Aviv e Jerusalém, enquanto as defesas aéreas israelenses foram acionadas. Vários edifícios residenciais foram atingidos, e explosões ocorreram próximo de uma refinaria em Haifa.
De acordo com autoridades israelenses, o Irã já disparou 370 mísseis balísticos desde o início dos ataques, visando infraestrutura e áreas residenciais. A rede elétrica foi afetada na região central de Israel, e imagens de Tel Aviv mostram destruição nas ruas, com vitrines quebradas, carros danificados e escombros espalhados.
Os ataques da noite causaram a morte de pelo menos oito pessoas em Israel, elevando o total para 24 mortos no país. No Irã, autoridades informam que 224 pessoas morreram e 1.277 foram hospitalizadas. Em resposta, Israel atacou centros de comando da Força Quds e matou o chefe de inteligência da Guarda Revolucionária Iraniana.
Os ataques aéreos noturnos realizados por Israel no sul da Faixa de Gaza deixaram pelo menos 82 mortos na madrugada desta quinta-feira (15). A maioria das vítimas, segundo autoridades locais, são mulheres e crianças da cidade de Khan Younis.
De acordo com o Ministério da Saúde da Palestina, os bombardeios afetaram gravemente a infraestrutura urbana e danificaram redes de esgoto, vias de acesso e setores internos do Hospital Europeu de Gaza, que agora está fora de operação. A unidade contava com 28 leitos de UTI, 12 incubadoras neonatais, 260 leitos de internação, 25 de emergência e 60 destinados ao tratamento oncológico. A agência de defesa civil de Gaza confirmou o número de mortos ao jornal britânico The Guardian.
Os ataques ocorrem em meio à visita do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Oriente Médio. A viagem tem foco em acordos econômicos e, nesta quinta, Trump segue para os Emirados Árabes Unidos.
Autoridades de Israel confirmaram que três reféns mantidas pelo Hamas foram entregues neste domingo (19) à Cruz Vermelha, como parte do acordo do cessar-fogo na guerra em Gaza, que começou a valer nesta manhã.
Romi Gonen, 24, Emily Damari, 28, e Doron Steinbrecher, 31, estavam presas há mais de um ano. Gonen estava no festival de música invadido pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Damari e Steinbrecher foram sequestradas dentro de suas próprias casas, no kibbutz (vilarejo agrário) Kfar Aza, no sul de Israel.
Elas foram entregues pelo Hamas à Cruz Vermelha e devem seguir para Israel em helicópteros do exército de Israel. Elas serão levadas para um hospital antes de voltarem para casa.
Em troca, Israel deve liberar 95 prisioneiros palestinos: 70 mulheres e 25 homens. As autoridades israelenses ainda não forneceram detalhes de quem são essas pessoas e como isso acontecerá.
A entrega está sendo transmitida ao vivo e acompanhada por dezenas de pessoas da Praça de Reféns em Tel Aviv.
Ao todo, 33 reféns israelenses devem ser liberados nesta primeira fase da trégua, que deve durar ao menos seis semanas. Durante esse período, haverá negociações para uma segunda fase, que incluiria a libertação de todos os reféns e estabeleceria as bases para o fim da guerra.
Primeira trégua em mais de 15 meses de guerra atrasou três horas. A previsão era começar às 8h30 (3h30 no horário de Brasília), mas o Hamas atrasou a entrega de uma lista com os nomes dos reféns para o governo de Benjamin Netanyahu até 11h15 (6h15 em Brasília). Nesse meio-tempo, houve um novo bombardeio em Gaza, que deixou ao menos 19 mortos.
A guerra entre Israel e o Hamas devastou a Faixa de Gaza e matou ao menos 46.800 pessoas, segundo o Ministério da Saúde do território palestino. O conflito começou quando o grupo extremista fez uma série de atentados a Israel em 7 de outubro de 2023. Morreram 1.200 e outros 251 foram sequestradas, segundo o Exército israelense.
As Forças de Defesa de Israel afirmaram neste sábado (18) que o acordo de cessar-fogo assinado com o Hamas começará às 8h30 de domingo (19) no horário local (madrugada pelo horário de Brasília).
“O acordo entrará em vigor no domingo, 19 de janeiro, às 08:30 (horário de Jerusalém). Como parte dele, as tropas implementarão os procedimentos operacionais no campo, de acordo com os termos estabelecidos”, diz trecho do comunicado emitido pelo Exército israelense.
O acordo de cessar-fogo assinado entre o governo de Israel e o Hamas foi aprovado oficialmente após uma reunião do Conselho de Ministros israelense, nesta sexta-feira (17). Na votação, segundo o site Axios, 24 ministros votaram a favor, enquanto oito foram contrários.
O gabinete de segurança já havia recomendado a aprovação do acordo. A decisão veio após Israel e Hamas afirmarem que tinham acertado os últimos pontos depois que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ameaçou voltar atrás na trégua, diante dos desafios enfrentados dentro de seu próprio governo para a aprovação, já que alguns membos se posicionaram contra o cessar-fogo.
A primeira fase do acordo prevê a libertação total de 33 reféns, de forma gradual. As informações são de que pelo menos três devem sair já neste domingo (19), de acordo com a previsão de liberação dos reféns feita pelo Gabinete de Segurança de Israel, órgão formado após o início da guerra na Faixa de Gaza. Não foi detalhado quantos reféns serão libertados no domingo e também não houve divulgação dos nomes.
Cerca de cem pessoas que foram sequestradas pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 ainda estão sob poder do grupo, e a devolução deles é um dos pontos do acordo, que prevê também que Israel liberte centenas de palestinos presos em Israel e interrompa os bombardeios na Faixa de Gaza.
Da parte israelense, o último passo agora é a aprovação do acordo também no Conselho de Ministros — há alas mais e menos radicais entre os ministros de Netanyahu, mas a previsão é que o conselho também aprove.
Autoridades do governo de Israel anunciaram nesta quinta-feira (26) que rejeitaram a proposta de cessar-fogo com o Hezbollah feita por Estados Unidos e França.
O ministro israelense das Relações Exteriores, Israel Katz, afirmou que não haverá um cessar-fogo com o grupo extremista libanês Hezbollah.
Mais cedo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que não havia respondido à proposta das potências ocidentais. Ao chegar aos EUA, onde vai discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas, ele reafirmou que Israel continuará a atacar o Hezbollah em território libanês com “força total” até que os residentes no norte do país possam regressar às suas casas em segurança.
Aviões e tanques israelenses atacaram diversas localidades na Faixa de Gaza, disseram moradores, enquanto o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, se reunia neste domingo (18) com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em meio a apelos dos Estados Unidos por uma campanha militar mais focada.
A expectativa é que Sullivan pressione Israel para que ataque os militantes do Hamas de forma direcionada, e não com ofensivas em grande escala à cidade de Rafah, no sul de Gaza, disse a Casa Branca antes das discussões.
As informações são da agência de notícias Reuters.
As forças israelenses também avançaram mais profundamente nas estreitas vielas de Jabalia, no norte de Gaza, durante a noite e neste domingo, retornando a uma área que disseram ter destruído no início do conflito, disseram moradores
O gabinete de guerra de Israel discutiu nesta segunda-feira (15) uma série de opções para retaliar o Irã após o ataque sem precedentes com mísseis e drones do último sábado (13). Autoridades de Tel Aviv, porém, manifestaram preocupação em não ampliar a guerra na região, segundo a imprensa local.
O Canal 12, mencionando um relatório do governo ao qual teriam tido acesso, disse que a intenção é fazer ações coordenadas com os Estados Unidos, sem desencadear outra guerra regional, mas passando a mensagem de que um ataque dessa magnitude não vai ficar sem reação. O governo americano, porém, tem afirmado que não se juntaria a Israel em qualquer ataque direto ao Irã.
Não foram divulgados detalhes sobre quais ações estão sendo avaliadas pelas autoridades israelenses. O chefe do Estado-Maior de Israel, general Herzi Halevi, disse que Tel Aviv irá retaliar. Já Daniel Hagari, porta-voz das forças israelenses, limitou-se a dizer que a resposta acontecerá “na ocasião e no horário certos”.
Ele visitou uma base militar no sul do país que foi alvo da artilharia iraniana e divulgou um vídeo de uma cratera em um terreno desértico no local —os militares relataram que a instalação sofreu apenas danos leves. “Faremos tudo o que for necessário”, disse Hagari em referência à proteção do Estado de Israel.
Teerã lançou o ataque em resposta ao bombardeio à embaixada iraniana em Damasco, na Síria, que matou membros da Guarda Revolucionária do Irã, em 1º de abril. Nesta segunda, o porta-voz da diplomacia iraniana, Nasser Kanani, disse que líderes ocidentais deveriam “apreciar a moderação iraniana nos últimos meses” em vez de criticar o regime. Segundo analistas, o ataque de sábado também foi calculado de maneira que não detonasse uma guerra regional.
“Em vez de fazer acusações, os países [ocidentais] deveriam culpar a si mesmos e responder à opinião pública pelas medidas que adotaram contra os crimes de guerra cometidos por Israel”, disse Kanani, em referência ao conflito na Faixa de Gaza, iniciado em 7 de outubro, e aos ataques atribuídos a Israel contra alvos aliados de Teerã na Síria e no Líbano —Tel Aviv não costuma assumir a autoria dessas ações.
Já Hossein Amirabdollahian, chanceler do Irã, manifestou-se sobre a eventual retaliação israelense. Em linha com outras declarações já divulgadas pelo regime, ele reiterou que Teerã “responderá imediatamente e com mais força” em caso de novo ataque, mas enfatizou que o país persa não quer aumentar tensões.
O gabinete de guerra do governo de Israel já havia se reunido no domingo (14) para discutir as próximas ações, mas concluiu o encontro sem anunciar novas medidas. Enquanto as negociações se desenrolam, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, instou a comunidade internacional a “permanecer unida” contra o Irã e ao que chamou de “agressão que ameaça a paz mundial”, segundo nota divulgada por seu gabinete.
O primeiro ataque de Teerã contra Israel desde 1979, ano em que a República Islâmica foi estabelecida no país, levou diversos líderes a se pronunciarem pedindo moderação.
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, enfatizou a necessidade de evitar um agravamento da crise em uma série de ligações com seus homólogos de Egito, Arábia Saudita, Jordânia, Turquia, Reino Unido e Alemanha, de acordo com declarações do Departamento de Estado.
Já o chanceler britânico, David Cameron, chamou o ataque de “um fracasso total”, embora “imprudente e perigoso”. A ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, foi além quando questionada sobre um eventual direito de retaliação de Israel e disse que “o direito à autodefesa significa repelir um ataque”. O presidente da França, Emmanuel Macron, também pediu que Israel evite uma escalada militar.
Na guerra de versões que permeia a guerra, Hagari, o porta-voz militar de Israel, disse que os mortos no bombardeio contra o consulado iraniano em Damasco estavam envolvidos em atividades de “terrorismo contra Israel”, o que Teerã nega.
“O que sei é que os que morreram em Damasco eram membros da força Quds [ala da guarda responsável por operações no exterior]. Eram pessoas envolvidas em terrorismo contra o Estado de Israel”, disse ele, sem atribuir responsabilidade a Tel Aviv na ofensiva. “Entre esses agentes terroristas estavam membros do Hezbollah e assessores iranianos. Não havia um único diplomata lá, pelo que eu saiba. Não sei de nenhum civil morto nesse ataque”.
Militares israelenses disseram ainda que as ofensivas do Irã não desviariam o objetivo de Tel Aviv de eliminar o Hamas em Gaza e de resgatar os mais de cem reféns que continuam em cativeiros no território palestino. Nesta segunda, dezenas de bombardeios voltaram a atingir a cidade de Khan Yunis, no sul da Faixa. Dezoito corpos foram retirados dos escombros, segundo a Defesa Civil local.
Após seis meses de guerra, 33.797 palestinos foram mortos nas ofensivas israelenses em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas. A maior parte das vítimas, segundo líderes da facção, é de mulheres e crianças.
Folhapress
O conflito entre Israel e Hamas tem origem na disputa por territórios que já foram ocupados por diversos povos, como hebreus e filisteus, dos quais descendem israelenses e palestinos. Em diferentes momentos, guerras e ocupações, eles foram expulsos, retomaram terras, ampliaram e as perderam.
De acordo com o professor de direito e de Relações Internacionais Danilo Porfírio Vieira, desde o século 19, a comunidade judaica, principalmente na Europa, começou a se mobilizar em torno de uma ideia de nacionalidade e do retorno ao que considera seu território “bíblico”, perdido durante o Império Romano.
Quando o Império Otomano perdeu a 1ª Guerra, aquela região do Oriente Médio foi dividida entre franceses e britânicos. A região do Líbano e da Síria ficou sob controle da França e, regiões como Kuwait, Iraque, Jordânia e Palestina, sob colonização britânica. Nesse período, ganhou força entre os judeus refugiados pelo mundo a ideia de retornar à Palestina para criar um estado judaico.
“O projeto inicial era a compra de territórios de propriedades dentro de uma região que estava, desde a década de 1920, sob controle do Império britânico (Mandato Britânico da Palestina)”, afirma o pesquisador, com pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP) sobre a “Irmandade Muçulmana”, organização que acabou gerando, na Palestina, o Hamas.
Na 2ª Guerra Mundial, com o Holocausto, a comunidade internacional voltou a discutir a ideia de um estado que abrigaria o povo judeu. Após o nascimento da Organização das Nações Unidas (ONU), o Estado de Israel foi criado. Isso se deu com o apoio dos norte-americanos e até mesmo do Brasil. Representantes internacionais também defendiam a criação do Estado Palestino.
Durante as negociações, o litoral setentrional ficou sob controle dos israelenses e, o meridional, dos palestinos. A região interiorana ao sul da Palestina foi para os israelenses. Por seu caráter histórico e por ser sagrada pra árabes, judeus e cristãos, Jerusalém iria se tornar uma cidade autônoma, dentro da Palestina e sob o jugo dos britânicos.