Por: Jeremias Macário
Não atingindo a todos, mas, com certeza a grande maioria dos parlamentares do Congresso Nacional, o cancro do Brasil, não passa de cafajestes, cínicos e caras de paus. De elite para elite, eles legislam em causa própria, e o país que se lasque. Cada vez mais se superam no contraditório, no absurdo dos absurdos. Os mais esclarecidos (infelizmente são poucos no Brasil) sabem muito bem que o IOF – Imposto sobre Operações Financeiras é pago por ricos ou pessoas com maior poder aquisitivo, como o próprio nome já diz. O pobre não entra nesse balaio de cobranças. É mais uma vez a burguesia reagindo contra a distribuição de renda. No entanto, com suas tramas ardilosas, eles se aproveitam da ignorância do povo para generalizar e dizer que o brasileiro não suporta mais aumento de imposto. São mesmos uns safados, algozes, aproveitadores da fraqueza alheia e sanguessugas da nação. Vivem mamando nas tetas da população desvalida. Ninguém mais concorda com elevação de impostos porque encarecem nossos bolsos e vivemos num Estado máximo onde se recebe o mínimo, mas o IOF recai sobre aqueles que mais têm. Por falar em máximo, temos um dos Congressos mais caro do mundo, num país de profundas desigualdades sociais. Confira o artigo de Jeremias Macário.
É certo também que o governo federal precisa cortar seus gastos e melhor planejar suas finanças, mas esses políticos trapaceiros não têm nenhuma moral de criticar o executivo no que se refere a redução de despesas. Eles aceitam cortar seus salários, suas verbas de indenização, seus penduricalhos, suas mordomias e acabar com essa máfia das emendas?
Um deputado federal, com salário e todos os benefícios juntos, custa ao Brasil mais de 300 mil reais por mês. Um senador, mais ainda. Um trabalhador recebe pouco mais de mil e quinhentos reais para sustentar uma família e dá um duro danado como escravo do patrão. Esses políticos têm de verba paletó a verba cueca. É a casta mais privilegiada do país.
Esse Congresso Nacional, as assembleis legislativas e as câmaras de vereadores são escórias do Brasil. Aquela Casa de malfeitores de Brasília ultrapassa o limite das aberrações, ao ponto de derrubar um decreto constitucional do IOF e, ao mesmo tempo, aprovar aumento do número de deputados, de 513 para 531. Os caras não têm o mínimo de pudor!
Em seus discursos da tribuna, vez ou outra, eles soltam aquela mentira deslavada, uma fake news, de que tudo é feito pelo bem do Brasil. Entretanto, aprovam um Fundo Eleitoral de mais de cinco bilhões de reais, um código ambiental em que abre brechas para os desmatamentos e grilagens de terras, legislam na base do toma lá, dá cá, querem mais grana das emendas, dentre outra extensa lista de males e estragos que só fazem quebrar o país.
Eles não têm o mínimo escrúpulo de escancarar suas bandidagens. Cobram redução de gastos do executivo e, do outro lado, aumenta os seus com a entrada de mais deputados, provocando um efeito cascata nas assembleias legislativas dos estados.
Com suas manobras políticas, nos enganam e nos roubam à luz do dia. Não passam de batedores de carteira das antigas e fazem isso sabendo que contam com o apoio dos mais excluídos, por incrível que pareça, hoje uma massa de direita, de extremistas e fanáticos. Não sei mais quem são os piores. Nem Freud explica tamanho fenômeno paradoxal!
Não estou aqui sendo advogado do governo federal, do qual tenho minhas críticas, mas temos um Congresso pegajoso, nojento, carnívoro, de meliantes de colarinho branco, cuja maioria deveria estar no banco dos réus ou presos em solitárias por nos tratar como otários, imbecis, burros e objetos de desprezo e manobra. É uma malta de saqueadores e salteadores da pobreza.
Com esse Congresso de bancadas das elites burguesas capitalistas, de ruralistas lagartas, de evangélicos conservadores fundamentalistas, da bala, de defensores do sistema financeiro ganancioso e selvagem, de gente da pior espécie, o nosso Brasil só tende a se afundar e nunca vai sair desse buraco, ou fundo do poço.
Brigam o executivo com o legislativo, brigam o judiciário com os outros dois poderes, brigam entre si para defender a continuidade de seus bacanais e orgias e sobra para o povo que só leva fumo. Eles são os dragões que nos consomem com suas labaredas de fogo.
O brasileiro, de lombo calejado de levar bordoadas e mente oca alienada se tornou masoquista de si mesmo. Não tenho orgulho, só vergonha de ser brasileiro. Os intelectuais e os bons se calam, se silenciam, enquanto os burros falam e expelem vômitos repugnantes de suas bocas.
Com esse Congresso brasileiro, a gente tem até saudades dos tempos dos coronéis malvados, dos senhores escravocratas, dos cangaceiros nordestinos dos bandos de Antônio Silvino e Lampião que invadiam os povoados e cidades com seus punhais e fuzis. Pelos menos, sabia-se de verdade quem eram eles, muitos até poupavam os mais pobres.
Acabo de receber uma mensagem de um primo lá de Juazeiro onde ele reproduz um comentário de revolta e protesto, de autoria de Rivelino Libarino, sobre a abertura do São João de Petrolina. Em seu artigo, afirma que entre os presentes registrou-se a ausência do principal personagem no evento, no caso, o nosso sagrado forró.
Enquanto lia sua matéria ia passando em minha cabeça o mesmo filme que aconteceu e está acontecendo em Vitória da Conquista onde a prefeita terceirizou a nossa festa junina e a transformou num carnaval misturado com arrocha, axé, sertanejo e outros ritmos que nada têm a ver com a nossa tradição.
O que estão fazendo com o nosso São João e o nosso forró, e isto já vem ocorrendo há anos em todo Nordeste, é uma profanação, uma heresia, onde os prefeitos deveriam ser julgados, sentenciados e punidos por tentar nos enganar, como vem fazendo a nossa prefeita, colocando na imagem um movimento na Praça Nove de Novembro e dizendo que a entrada é grátis no Parque de Exposição.
Nada é grátis quando o dinheiro sai dos cofres públicos. Não sabia que tem São João organizado pela prefeitura (dinheiro do contribuinte) com ingresso pago! Infelizmente, a nossa mídia ainda entra nessa onda quando fala que tal show público é de graça. Como é de graça? É subestimar a nossa inteligência e tratar a população, a maioria inculta, de idiota.
Deveriam perder o cargo e até serem presos porque estão cometendo um crime que é matar e sepultar uma cultura popular de séculos, porque não se muda uma tradição, símbolo de uma expressão nordestina. Além do mais, existem os superfaturamentos, os desvios de recursos nas contratações de artistas lixo, com astronômicos cachês.
A Justiça faz vistas grossas, e os intelectuais, acadêmicos, os movimentos culturais, inclusive os artistas forrozeiros da terra, praticamente ficam em silêncio. Não se sai daquele bê-á-bá ou blábláblá de sempre, de apenas condenar e achar que estão acabando com o nosso senhor forró, quando, na verdade, já acabaram.
A festa junina autêntica, o forro pé de serra, o chamado arrasta-pé o forrobodó, a sanfona, o zabumba e o triângulo são hoje peças e personagens secundárias de decoração no maior evento nordestino. No meio colocam algumas quadrilhas em horários de pouca gente, como no início ou final de tarde.
Não me venham com essa de modernização que não cola. Mudanças existem, inclusive nas pessoas, de forma a se amadurecer mais e acompanhar os novos tempos, as novas tecnologias, mas cultura popular, tradição artística secular não se muda, se preserva, conserva e se apoia para que nunca morra.
A prefeita de Conquista, por exemplo, cometeu o maior crime em sua gestão que foi comercializar a festa e ainda permitiu que ela seja realizada no Parque de Exposição Agropecuária, excluindo milhares de conquistenses de curtir o tradicional São João, quando se tem o Espaço Glauber Rocha, na zona oeste, construído com o dinheiro do povo para nele realizar atividades culturais.
Por falar nisso, o Glauber Rocha hoje é utilizado por empresas de prestação de serviços (também foi terceirizado), um total desvio de finalidade. Pode-se dizer que ele hoje é um elefante branco. É lá que o São João deveria ser realizado, sem custo de pagar outra área particular.
Em todo o tempo em que estou em Conquista, 34 anos, se é que esteja enganado, um São João nunca foi feito no Parque de Exposições, com camarotes e cantores que nada têm a ver com o nosso forró, num estilo totalmente diferente.
É um desastre, senhora prefeita, e aqui fica minha palavra de repúdio. Esse ato vergonhoso vai ficar marcado para sempre na história de Vitória da Conquista. A senhora deveria ser responsabilizada por acabar com a nossa cultura, a começar pelos equipamentos culturais, todos fechados e sendo destruídos pela poeira do tempo.
Entram os safadões, a Ivetona, o Leu dos rebolados carnavalescos, o boiadeiro sertanejo, os piseiros, arrocheiros e lambadeiros e sai o nosso saudoso forró. Expulsaram a chicote o sanfoneiro, o forrozeiro, o xote, o baião da festa junina. Tiveram a grande proeza de assassinar a nossa cultura, genuinamente nordestina.
*Jeremias Macário jornalista, escritor e fomentador cultural. (Editor do site aestrada.com.br)
Foto: Xilogravura “Forró de Regina”, Regina Drozina
A DOR DA FINITUDE
Dizem que a morte é matreira;
É o líquido eterno da vida finita;
Outros que é o amargo sem sentido,
E que a vida é sombra passageira,
Que traz na lida a dor da finitude,
Com seu baú de coragem e medo,
Nos laços do intrincado segredo.
A finitude pode até curar sua dor;
O sábio manda conhecer a ti mesmo;
Um que nada muda em sua forma;
O outro que tudo vai e se transforma;
Você se depara com o ser ou não ser,
E o poeta na sua escala fora dessa bitola
Não se conforma e se embriaga no amor.
Tudo passa, é mutável e se transforma,
Tudo fica no lugar, e mudança é ilusão.
Nada começa, nada se acaba, nada torna;
A flecha que voa está parada lá no ar;
É tudo finito, infinito, mistério e confusão,
E uns preferem o delírio etílico da festa;
Mergulhar nas ondas que se quebram no mar.
NAS CILADAS DA LUA CHEIA
Os lobos ficam moucos na lua cheia,
Do Planalto prateado do céu tropical,
Onde os bandos fazem sua farta ceia,
Vinda do arado suado braço serviçal.
As hienas viram renas na lua cheia,
Para a engorda gulosa do grande dia,
Enchendo seus trenós em cada aldeia,
Para mais quatro anos de mordomia.
Os ratos armam ciladas na lua cheia,
Os malignos vendem gato por lebre;
A mente pobre segue o canto da sereia,
E quem sempre paga o pato é a plebe.
Depois desta festa da lua cheia,
A chama da fé começa a minguar,
Até o fio da esperança vai-se embora,
Chora o velho, a senhora e a criança,
Na falta da justiça, do remédio e do pão,
E do direito digno de viver e sonhar,
De nunca mais ser boiada de patrão.
No aboio, ou no rasgo da guitarra,
Vamo s´imbora, gente forte e valente,
Não mais na espera do Deus dará!
Vamos acabar de vez com essa farra
Dessa corja bicharada do nosso lar,
Sem mais raposas uivando em nosso luar.
FREGUÊS DE TODO MÊS
Para poucos o colosso, para muitos o osso;
O cristianismo pegou dos celtas e romanos
O solstício, e veio o capital inventou Noel
E os profanos de Cristo lotearam todo o céu.
Você corre e corre atrás do metal vil,
E nem dá conta que não passa de freguês;
Se esbalda no bar no final de semana;
Em casa ouve um som do antigo vinil
Que fala de liberdade e se acha bacana,
E a conta chega todo o final do mês.
Olhe meu camarada para seu espelho;
Você corre, corre e todo fim de mês
Entra na maldita lista de besta freguês;
Faz conta, conta e só bate no vermelho.
Você corre e voa como cavalo alado;
Discute, briga e solta seu baseado;
Busca como um louco pela verdade,
E pensa no filósofo da antiga idade,
De que a vida dada é um bem incerto,
E que a morte conserta um mal certo.
O brutal sistema sempre nos frita,
Nos faz de brita todo regime maldito,
Seja no verão, primavera ou inverno,
E cada um tem seu deus e seu inferno.
Esmagado como cana que vira bagaço,
Você abre o site burocrata do formulário;
Faz o passo a passo pra abrir os cadeados,
E segue o rigor dos minutos e do horário,
E ele pede sempre mais e mais dados,
E testa seus nervos esticados de aço,
E no final ainda lhe chama de fracassado.
Lembre-se que você tem as fronteiras,
De norte a sul tem arames e muralhas;
Do outro lado vivem os frios canalhas;
E nem adianta pedir para abrir passagem
Nessas tormentas fileiras da vazia viagem.
Olhe meu camarada para seu espelho;
Você corre, corre e todo fim de mês
Entra na maldita lista de besta freguês;
Faz conta, conta, e só bate no vermelho.
SEM ESSA DE NOVO
Amigo mano, sem essa de ano novo!
Mesmo assim te desejo um novo ano!
Na vida nada se cria, tudo se copia.
As luzes se apagaram. O show acabou!
Você continua sendo escravo do patrão;
O sinal indica não entrar na contramão,
E o pássaro astronauta levanta seu voo.
O pobre continua sendo um estorvo;
Meu camarada, não existe ano novo!
No Planalto assombrado pia o corvo,
E o ano conta os meses e os santos dias,
No calendário freguês das companhias.
Nas noites vagam as tristezas e alegrias;
Os amores começam e se vão pelas vias;
Ninguém mais aprecia noite de lua cheia;
Preferem mesas suculentas da santa ceia
No sertão só vingam cacto e mandacaru,
E o homem labuta na terra o ano inteiro;
Ronda no céu pela carniça o tenaz urubu,
E nas cidades, só se vê retirante estradeiro.
Mano véio, sem essa de ano novo!
Mesmo assim, te desejo um novo ano!
Seja bonito, corcunda ou como for,
Siga o mais velho, amando a sua flor.
LÁGRIMAS DE MARIANA
Salve, oh nossa eterna Mariana!
Mãe santa sempre teu nome,
No vale dos desvalidos,
Correr chuvas de lágrimas,
De lama e de sangue,
Lá do Fundão profano
Até o mar do mangue,
Espraiando sede e fome,
Do monstro de usura insana,
Capital do vil metal desumano.
Do Doce no azul das matas,
Agora um amarelo amargo,
Escorrem lágrimas de dor
Dos filhos nativos das canoas,
Do Bento engasgado de barro,
Uma onda engoliu todo largo,
E detritos varreram margens
De Colatina até Valadares;
Contaminaram doces lagoas,
E as paisagens de Linhares.
Chovem lágrimas de Mariana!
Da igrejinha flor da praça,
Da terra sem suas marés,
Do pescador derrama o pranto,
Sufocado pela mina assassina,
De pasta tóxica da Samarco,
Que cobre até o topo da colina
Da nação índia dos Aimorés,
Guerreiros da flecha e do arco,
Irmãos do rio Doce e da caça.
Chovem lágrimas de Mariana!
Do cristalino das meninas,
Do lendário negro véio cantador,
De histórias gerais das Minas;
Chora nosso São Francisco;
Choram as cordas da viola,
Choram cordelistas de sacola,
Nas batidas do poeta cantador,
De uma triste canção de uma mina,
Que um dia no estouro arrebentou
O sonho de um povo violado lutador.
NA ESPERA DA GRAÇA
O tempo se arrasta tinhoso,
Como agente espião do mundo,
No árido perdido do nada,
Do riacho rachado profundo,
Onde pia de fome a perdiz;
O boi berra de sede na baixada,
E vai o velho com sua enxada,
Vagando no vento lamentoso,
Na procura de uma agreste raiz,
Alimento do Deus que assim quis.
A seca devorou toda roça,
Tombou o jumento e o cavalo,
Da mandioca, a última massa,
E assim, o roceiro só leva coça,
Como castigo que vai e volta;
Enfrenta a dor da perda com roça,
Laça a palavra vinda do altar,
Solta sua fumaça tragada ao ar,
Esperando dos céus uma graça,
Sempre com as mãos cheias de calo.
A procissão de pedra passa,
Como cobra cortando a praça,
Para o alto do Cruzeiro Sagrado.
E o povo canta, ora e chora:
Perdoai Senhor, perdoai Senhor!
Com a benção da Senhora Vossa!
Perdoai todos nossos pecados,
Por termos cometido tanto mal,
Que nem a planta deu sua flora,
Perdoai Senhor, perdoai Senhor!
Nos dê a água, ao invés do sal.
Da última chuva guarda no frasco,
Como beato penitente nordestino,
Crente como beduíno,
De uma graça sempre a esperar,
Que nos liberte deste bruto carrasco,
Desta coberta curta do puxa e encói,
Desta amarga taça de tanta trapaça,
Dos malditos governos dos capitais,
Cheios de pontes e fachadas de cal,
Que prometem o milagre do maná,
E ao invés da água, só nos mandam sal.
No próximo dia 14 de junho, a partir das 20 horas, vamos ter uma noite cultural com o lançamento do livro “ANDANÇAS”, a mais nova obra do jornalista e escritor Jeremias Macário que dessa vez mistura ficção com realidade, ao contrário do “Conquista Cassada” que foi um trabalho de pesquisa sobre a ditadura civil-militar em Vitória da Conquista, na Bahia e no Brasil e vai estar lá no evento.
Na ocasião, vai ocorrer também o lançamento do nosso “CD Sarau A Estrada” com cantorias de artistas da música, causos e declamações de poemas. Para completar, a artista plástica Elizabeth David vai abrilhantar mais ainda a noite com uma exposição de seus belos quadros. Portanto, vai ser uma noitada cultural com a apresentação de várias linguagens artísticas, na Casa Regis Pacheco, na Praça Tancredo Neves.
“Andanças”
Contos, causos, histórias e versos, “Andanças” é um livro que mistura ficção com realidade, ou, como queira, um fantástico realístico, mas que também contém pesquisas em temas específicos, romanceados e curiosos sobre a ditadura civil-militar de 1964, e na viagem título “Pelas Brenhas do Mundo” de um anônimo andarilho mochileiro das décadas de 60 e 70, os anos livres e revolucionários que mudaram hábitos, costumes e conceitos ultrapassados.
Sem a preocupação com estilo ou escola literária, o livro “Andanças”, de 368 páginas, formato de 16 cm por 23,5 cm, capa em quatro cores, ilustrações no miolo e arte final de Beto Veroneze, pode ser lido de trás pra frente, de qualquer ponto, sem sequência linear. Tem também poemas, muitos dos quais já foram musicados por artistas locais, como Walter Lajes, Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.
A obra do autor, que já escreveu “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo no Sudoeste” e “Uma Conquista Cassada – Cerco e Fuzil na Cidade do Frio”, retrata cenas do Nordeste, do homem do campo, do retirante da seca, da coivara, do jeito matuto catingueiro; e fala de amor, ódio, raiva, tempo, saudade, mulheres, erotismo, vida e morte.
Sobrou ainda espaço para a cultura da corrupção, da gatunagem e do levar vantagem em tudo. Nos versos rolam a imaginação, o fingimento, o olho visível no invisível e o foco no real e no irreal.
Trata-se de uma publicação colaborativa (muitos amigos assinaram o “Livro de Ouro”, numa espécie de pré-venda), onde o leitor vai curtir e viajar na imaginação, sem regras. A obra nasceu da veia jornalística do autor e tem o tempero realístico e sentimental. De um modo sutil, é também um autorretrato da sua vida em alguns contos e causos.
Entre outros lançamentos, trabalhos, artigos, crônicas e comentários, “Andanças” é mais uma publicação que demandou dedicação e sacrifício, mas também contou com a ajuda de muitos amigos que alavancaram o trabalho literário.
“Conquista Cassada”
Sobre “Uma Conquista Cassada”, de 460 páginas, o livro fala da ditadura civil-militar (1964-1985) em Vitória da Conquista dentro do contexto nacional do que foi o regime na Bahia e no Brasil com todas suas cenas de prisões, torturas, horrores, mortes e desaparecidos políticos, vítimas da brutalidade de uma época que não pode mais acontecer em nosso país.
O trabalho, que também estará presente no lançamento de “Andanças”, para possível aquisição do leitor, foi lançada há cinco anos pela editora da Assembleia Legislativa da Bahia, com apoio do deputado estadual Jean Fabrício. A pesquisa é de fundamental importância histórica para jovens estudantes, professores, interessados e estudiosos do assunto, para que tomem consciência dos fatos que ocorreram no período tenebroso onde a liberdade foi substituída pela repressão.
Conheça de perto como se deu a ditadura em Vitória da Conquista com relatos inéditos que nenhum outro livro já contou. Na verdade, “Uma Conquista Cassada” são seis livros em um que também faz tributo à década de 60 quando o novo tomou o lugar do velho com novas ideias que revolucionaram o mundo.