O presidente nacional do Democratas, ACM Neto, e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta fizeram duras críticas contra o governo federal pelo atraso na vacinação contra a covid-19 no país e pela insistência no negacionismo, o que, na visão deles, tem afetado o combate ao coronavírus e pode provocar danos ainda maiores, principalmente neste momento em que a doença atinge seus maiores números em todo o Brasil.
As declarações ocorreram durante live de Neto com Mandetta pelo Instagram na noite desta terça-feira (2). A pauta principal foi a pandemia, que tem se agravado por todo o país e, inclusive, vitimou 1.726 pessoas nesta terça, o que representa o maior número diário de vidas perdidas de todo o período. A média de óbitos está acima dos 1.000 casos há mais de 40 dias.
Mandetta alertou para o risco de se ter uma “Manaus generalizada no Brasil”. “Tem a cepa nova, mas tem muito de comportamento. Estamos sem Ministério da Saúde, do mesmo modo que não temos perspectiva de vacina. Assim como o Ministério da Saúde não ter uma campanha de rede nacional dizendo ‘para, não faça aglomeração, use máscara, faça distanciamento’. Mas tem posição contrária”, disse o ex-ministro.
Ele lembrou também que o Brasil ficou de fora da primeira leva de vacinas entregues pela Covax, a aliança mundial criada para garantir uma distribuição de doses aos países em desenvolvimento. “O Brasil poderia ter pedido 50%, pediu 10% (em relação à cota da Covax). O Brasil não resolveu a parte da burocracia. São 8 meses desde que assinamos a cota do Covax”, criticou.
ACM Neto destacou que o Brasil perdeu muito tempo discutindo ciência x economia. Ele pregou a necessidade de uma união nacional e criticou a falta de liderança no país. “Num momento como esse, é deixar a divergência de lado, todo mundo tem que dar as mãos. Agora, não interessa se é de direita ou de esquerda. Quando olhamos os países que estão conseguindo superar isso com menos traumas, são nações que têm liderança. Israel, Reino Unido, EUA, com Biden, ou mesmo com o Chile, que já tem quase 16% da população imunizada. Percebemos o Brasil atrasado no processo de vacinação”, afirmou.
Ele defendeu que prefeitos e governadores possam comprar vacinas. “Na prática nenhuma prefeitura nem governo conseguiu concretizar a compra de vacinas. Se a Pfizer fez um protocolo que o governo federal não acha adequado, deixa prefeitos e governadores comprarem. A única solução é a vacina”, reforçou, enfatizando, ainda, que o momento não permite o retorno das aulas. “Em sã consciência, neste momento, não pode ter prefeito e governador que autorize a retomada das aulas”.
Mandetta ainda considerou uma “bobagem absurda” de que todo mundo pegar a doença e, assim, se terá uma imunidade de rebanho. “Vai ser uma tragédia monumental. A velocidade do vírus é maior. O vírus está entrando na faixa etária mais baixa. Essa doença é uma roleta russa. De março a abril vamos conviver com esses números, que já não são bons, com tendência de piora”, disse.
Ele ainda considerou uma “agressão” do governo Bolsonaro com os governadores a divulgação de valores repassados aos estados, mas sem contextualização. A grande maioria dos recursos, na verdade, era proveniente de repasses constitucionais. “Fiquei impressionado com a agressão com governadores”, frisou. “A gente poderia ter evitado muito do que perdemos se tivesse uma união nacional. Se não puder curar, controle. Se não puder curar e controlar, conforte. O governo propôs uma cura equivocada, apostou na falta de controle e não deu conforto às famílias”, criticou.
O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) afirmou que pretende concorrer ao Planalto em 2022, como candidato a presidente ou a vice. A declaração foi dada nesta quarta-feira (22) no programa Ponto a Ponto, da Band News TV.
Durante a entrevista, Mandetta disse que pretende concorrer em uma chapa à presidência e garantiu que vai estar “em praça pública” para lutar por seus ideais. O ex-deputado federal também afirmou que não vai abrir mão de sua participação nas próximas eleições gerais por discordância de seu partido.
“Em 2022 eu vou estar na praça pública, lutando por algo que eu acredito. Se o Democratas acreditar na mesma coisa, eu vou. Se o Democratas achar que ele quer outra coisa, eu vou procurar o meu caminho. Eu vou achar o caminho. Como candidato, ou carregando o porta-estandarte do candidato em que eu acreditar. Mas que eu vou participar das eleições, eu vou”, disse.
Poucos minutos após surgir a informação da saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde, o ex-ministro da pasta, Luiz Henrique Mandetta, usou o Twitter para se manifestar. Ele pediu orações, ciência e paciência.
“Oremos. Força SUS. Ciência. Paciência. Fé! #FicaEmCasa”, escreveu.
Mandetta foi demitido da pasta no dia 16 de abril após uma série de divergências com o presidente Jair Bolsonaro sobre as medidas para conter a proliferação do novo coronavírus. Um dia depois, Teich assumiu o cargo em seu lugar.
No momento, de acordo com o último boletim do Ministério da Saúde, o Brasil tem 13.993 mortes e 202.918 casos confirmados relacionados à doença.
O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro em uma entrevista à TV norte-americana CNN. Divulgada nesta quarta-feira (13), a conversa com a jornalista Christiane Amanpour abordou a condução do combate à pandemia no Brasil.
Quando questionado sobre se as divergências com o presidente levaram a sua demissão, Mandetta afirmou:
A frase sobre a história foi dita por Bolsonaro no dia da posse de Nelson Teich no comando do Ministério da Saúde, 17 de abril. Na ocasião, com a presença de Mandetta, ele afirmou:
“Aqui não tem vitoriosos e nem derrotados. A história lá na frente vai nos julgar”.
No dia 6, em entrevista ao Gaúcha Atualidade, Mandetta afirmou que não cabia a ele julgar se as decisões do presidente eram certas ou erradas.
Matéria: gauchazh.com
Uma pesquisa do Instituto Datafolha publicada na última sexta-feira (17) no site do jornal Folha de S. Paulo revela que a maioria dos brasileiros foram contra a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde.
Na opinião de 64% dos entrevistados, o presidente Jair Bolsonaro “agiu mal” ao desligar Mandetta. Por outro lado, 25% aprovaram a decisão de Bolsonaro. Já 11% não soube responder.
O instituto ouviu 1.606 pessoas por telefone, e a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Bolsonaro demitiu Mandetta na última quinta-feira (16) após uma série de divergências relacionadas às medidas de isolamento para conter a proliferação do novo coronavírus. O presidente é favorável ao retorno à normalidade durante a doença.
Fonte: Bahia Notícias
Luiz Henrique Mandetta escreveu de próprio punho uma carta aos servidores do Ministério da Saúde e distribuiu hoje para todos os servidores da pasta, por meio da comunicação interna. “Continuem a construção. Três pilares lhe sustentam. A luta pela vida, a luta pelo SUS e a luta pela ciência. A verdade será nosso guia”, escreveu o ministro. No texto, ele afirma que ele foi só um tijolo na construção da muralha do SUS, que teria nos servidores o cimento que permite o trabalho.

Anunciado como substituto de Luiz Henrique Mandetta (DEM) no comando do Ministério da Saúde nesta quinta-feira (16), o médico oncologista e empresário Nelson Teich tem pontos de vista próximos aos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre políticas de isolamento social e o equilíbrio entre quarentenas e retomada da atividade econômica. Teich e Bolsonaro se reuniram mais cedo hoje.
Teich teve o apoio da classe médica e contou a seu favor a boa relação com empresários do setor da saúde. O argumento pró-Teich no Ministério da Saúde é o de que ele trará dados para destravar debates “politizados” sobre a COVID-19.
O novo ministro assume o cargo no momento em que o Brasil se prepara para enfrentar as semanas de pico da pandemia. Segundo o boletim do Ministério da Saúde divulgado nesta quinta-feira (16), o país passou dos 30 mil casos de COVID-19 e chegou quase 2 mil mortos pela doença.
Teich é formado pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e tem mestrado em Economia da Saúde pela Universidade de York, na Inglaterra. Ele chegou a ser cotado para assumir a Saúde logo após a eleição de Bolsonaro, em novembro de 2018, mas o lobby do DEM — partido de Onyx Lorenzoni (ministro da Cidadania, ex-Casa Civil), Ronaldo Caiado (governador de Goiás) e Mandetta — falou mais alto. Ele já foi sócio de Denizar Vianna, atual secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos do Ministério da Saúde.
Nesta manhã, Mandetta participou de uma live do FIS (Fórum de Inovação Saúde) e não citou Teich nominalmente, mas comentou sobre “um dos nomes que está saindo aí”. “O Denizar conhece bem, eu também o conheci em Londres, é um pesquisador. Mas não conhece bem o SUS”, opinou.
Saiba mais sobre o que Teich já disse sobre as principais questões no enfrentamento da COVID-19.
Isolamento inteligente
Em texto publicado em seu LinkedIn, Teich defende um “isolamento inteligente”. Ele diz que o chamado “isolamento vertical”, defendido por Bolsonaro e aliados, “tem fragilidades e não representaria solução definitiva”.
Para ele, a melhor estratégia seria um modelo semelhante ao aplicado na Coreia do Sul, com testagem em massa e “estratégias de rastreamento e monitorização, algo que poderia ser rapidamente feito com o auxílio das operadoras de telefonia celular”.
Medida semelhante foi adotada por alguns governadores, como em Santa Catarina e São Paulo, sob duras críticas dos primeiros-filhos Carlos e Eduardo Bolsonaro, que chegaram a dizer que a ação é “ditatorial”.
O MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), que havia planejado ação parecida em nível nacional semanas antes, apagou a publicação no Twitter em que fazia o anúncio.
Saúde ou economia?
Para Teich, a estratégia atual é desastrosa, porque trata temas “complementares como se fossem antagônicos”. “A situação foi conduzida de uma forma inadequada, como se tivéssemos que fazer escolhas entre pessoas e dinheiro, entre pacientes e empresas, entre o bem e o mal” , escreveu.
No entanto, ele não detalha qual seria seu plano de ação. Para ele, uma visão polarizada e a adoção de “posições radicais” só atrapalhariam o entendimento da situação.
Na publicação, Teich defende a criação de um sistema de dados, que integraria os estados e possibilitaria um gerenciamento melhor de leitos e insumos. Ele também advoga por um alinhamento entre as orientações dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Bolsonaro x Mandetta
Desde o início da crise do coronavírus, Mandetta e o presidente vinham se desentendendo sobre a melhor estratégia de combate à doença. Enquanto Bolsonaro defende flexibilizar medidas como fechamento de escolas e do comércio para mitigar os efeitos na economia do País, permitindo que jovens voltem ao trabalho, o agora ex-ministro manteve a orientação da pasta para as pessoas ficarem em casa.
A recomendação do titular da Saúde segue o que dizem especialistas e a Organização Mundial de Saúde (OMS), que consideram o isolamento social a forma mais eficaz de se evitar a propagação do vírus.
Os dois também divergiram sobre o uso da cloroquina em pacientes da COVID-19. Bolsonaro é um entusiasta do medicamento indicado para tratar a malária, mas que tem apresentado resultados promissores contra o coronavírus. Mandetta, por sua vez, sempre pediu cautela na prescrição do remédio, uma vez que ainda não há pesquisas conclusivas que comprovem sua eficácia contra o vírus.
As últimas atitudes do ex-auxiliar elevaram a temperatura do confronto e, na visão de auxiliares, o estopim da nova crise foi a entrevista dada por Mandetta ao programa “Fantástico”, da Rede Globo, na noite de domingo. O tom adotado pelo ministro foi considerado por militares do governo e até mesmo por secretários estaduais da Saúde como uma “provocação” ao presidente.
Fonte: CNN Brasil
Com informações do Estadão Conteúdo
O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, pediu demissão na manhã desta quarta-feira (15). A informação foi divulgada em nota oficial do ministério.
A saída de Wanderson ocorre em meio à pandemia do coronavírus. Ele é um dos principais homens de confiança do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Wanderson vinha sendo uma das autoridades do ministério que mais participavam das ações da pasta sobre o enfrentamento ao vírus e estava presente em boa parte das entrevistas coletivas da pasta sobre o tema.
Wanderson, assim Mandetta, é defensor do isolamento social como estratégia de contenção do vírus. A medida é criticada pelo presidente Jair Bolsonaro, que afirma que esta ação é prejudicial à economia, e vem sendo motivo de embate entre ele e o ministro Mandetta.
No Ministério da Saúde há 15 anos, Wanderson, do quadro técnico da pasta, coordenou a resposta nacional à pandemia da gripe do vírus tipo A H1N1, em 2009, e da epidemia da zika congênita entre 2015 e 2016.
Na secretaria, Wanderson foi responsável por ações de vigilância, prevenção e controle de doenças transmissíveis no Brasil, pela vigilância de fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, saúde ambiental e do trabalhador e também pela análise de situação de saúde da população brasileira.
Wanderson de Oliveira é doutor em epidemiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Ele tem especialização pelo programa de treinamento em epidemiologia aplicada ao SUS, pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Georgia, nos Estados Unidos. É especialista em epidemiologia pela Escola de Saúde Pública Johns Hopkins, também nos Estados Unidos, e é professor da escola da fundação Oswaldo Cruz, em Brasília.
Informações: G1.com
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou neste domingo (12) que se preocupa com as mensagens conflitantes no comando do combate ao coronavírus, em um ataque direto ao presidente Jair Bolsonaro.
“Eu espero uma fala única, uma fala unificada. Porque isso leva para o brasileiro uma dubiedade. Ele não sabe se ele escuta escuta o ministro da Saúde, se ele escuta o presidente, quem é que ele escuta”, em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo.
Mandetta ainda admitiu que a relação com o presidente “preocupa” e considera que “o governo olha muito pela economia”. “O ministério da Saúde entende a economia, mas chama pelo lado de proteção à vida”, disse.
O ministro também afirmou que o isolamento social nas últimas semanas ajudou a conter a transmissão e apelou aos brasileiros para que não desistam de cumprir as medidas. “Se iniciarmos precocemente uma movimentação, nos vamos voltar aquele mesmo padrão de onde você tinha um aumento dia a após dia o surgimento de brotes epidêmicos (surtos).”
Se não bastasse a posição exatamente contrária ao que o presidente tem dito e demonstrado, Mandetta incluiu no recado para a população mais um ataque a Bolsonaro. “Quando você vê as pessoas entrando em padaria, em supermercado, grudadas, pessoas se aglomerando, fazendo piquenique em parque, isso é claramente uma coisa equivocada”, afirmou.
Nos últimos dias, o presidente foi a uma padaria em Brasília, entre outros passeios tumultuados, e a apoiadores do presidente fizeram aglomerações em algumas cidades. “Quem vai escrever essa história é o comportamento da sociedade”, sentenciou Mandetta.
O ministro ainda alertou que os meses de maio e junho serão os de maior pressão sobre o sistema de saúde e “os mais duros”. Os cálculos de sua equipe apontam para o pico de transmissão no país entre o final de abril e o início de maio, mas a alta transmissão deve se manter por até dez semanas depois disso. “Sabemos que teremos dias muitos duros.”
Fonte: Revista Fórum.com