O presidente Jair Bolsonaro determinou, nesta segunda-feira (23), a revogação do artigo 18 da Medida Provisória (MP) 927, que permitia a suspensão de salário do trabalhador por quatro meses diante da pandemia de coronavírus. A MP foi publicada nesse domingo (22).
O anúncio da revogação foi feito pelo presidente no início desta tarde por meio das redes sociais.
Segundo a MP 927, o empregador poderia suspender por até quatro meses o contrato de trabalho para participação do empregado em curso ou programa de qualificação profissional não presencial.
Foi determinado que a suspensão não dependeria de acordo ou convenção coletiva e poderia ser acordada individualmente com o empregado ou grupo de empregados.
Polêmica nas redes sociais
Após a publicação da MP 927, houve uma repercussão negativa nas redes sociais. Por volta das 14h desta segunda-feira (23), a hashtag ‘Essa MP’ ocupava o quatro lugar dos assuntos mais comentados no Brasil.
“No mundo todo estão sendo aprovados pacotes bilionários de ajuda a empresas e trabalhadores. Afinal, com cortes generalizados de salário, as empresas vão vender para quem? Essa MP só irá agravar a crise e aumentar a desigualdade. Tem que ser revogada rápido”, escreveu um internauta horas antes do presidente Jair Bolsonaro anunciar a revogação.
O presidente Jair Bolsonaro editou uma medida provisória, publicada em edição extra do Diário Oficial da União na noite deste domingo (22), que permite que contratos de trabalho e salários sejam suspensos por até quatro meses durante o período de calamidade pública.
A medida é parte do conjunto de ações do governo federal para combater os efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus.O governo federal defende a proposta como forma de evitar demissões em massa.
Segundo a MP, a suspensão de contratos deve ser feita de modo que, no período, se garanta a participação do trabalhador em curso ou programa de qualificação profissional não presencial oferecido pelo empregador ou alguma entidade.
A medida provisória também estabelece que o empregador não precisará pagar salário no período de suspensão contratual, mas “poderá conceder ao empregado ajuda compensatória mensal” com valor negociado entre as partes.
Além disso, nos casos em que o programa de qualificação previsto não for oferecido, será exigido o pagamento de salário e encargos sociais, e o empregador ficará sujeito a penalidades previstas na legislação.
A suspensão dos contratos não dependerá de acordo ou convenção coletiva, mas poderá ser feito de forma individual ou coletiva. A suspensão do contrato será registrada em carteira de trabalho física ou eletrônica.
Acordos individuais entre patrões e empregados estarão acima das leis trabalhistas ao longo do período de validade da MP para “garantir a permanência do vínculo empregatício”, desde que não seja descumprida a Constituição.
Benefícios como plano de saúde deverão ser mantidos. Além da suspensão do contrato de trabalho e do salário, a MP estabelece, como formas de combater os efeitos do novo coronavírus.
No que diz respeito ao teletrabalho, estão entre os principais itens da MP: Não será preciso alterar contrato para o empregador determinar o teletrabalho e a posterior volta ao trabalho presencial.
– O empregado deve ser informado da mudança com no mínimo 48 horas de antecedência.
– Um contrato escrito, fora o contrato tradicional de trabalho, deverá prever aspecto relativos à responsabilidade da aquisição, manutenção e fornecimento de equipamento tecnológico para teletrabalho e o reembolso de despesas arcadas pelo empregado
– Quando o empregado não dispor do equipamento necessário para o trabalho remoto, o empregador poderá disponibilizá-lo de modo que depois seja devolvido pelo empregado
– Vale para estagiários e aprendizes
Sobre a antecipação e a possível suspensão de férias, a MP estabelece que:
As férias antecipadas, sejam elas individuais ou coletivas, precisam ser avisadas até 48 horas antes e não podem durar menos que 5 dias
Além disso, as férias podem ser concedidas mesmo que o período de referência ainda não tenha transcorrido. Quem pertence ao grupo de risco do coronavírus será priorizado para o gozo de férias
– Profissionais de saúde e de áreas consideradas essenciais podem ter tanto férias quanto licença não remunerada suspensas.
– Flexibilização dos pagamentos de benefícios referentes ao período
– Ministério da Economia e sindicatos não precisam ser informados da decisão por férias coletivas
Confira a Medida Provisória na íntegra:
http://www.in.gov.br/en/web/dou/-/medida-provisoria-n-927-de-22-de-marco-de-2020-249098775