Durante a Sessão Ordinária desta quarta-feira, 07, realizada pelo Sistema de Deliberação Remota (SDR), o presidente da União dos Músicos de Vitória da Conquista (UNIMUS), Carlos Moreno, usou a tribuna livre para relatar as dificuldades da classe de músicos e artistas em tempos de pandemia. “Fomos os primeiros a ter as nossas atividades suspensas e certamente seremos os últimos a voltar”, disse.
Ele explicou que a categoria foi bastante afetada com a suspensão dos trabalhos, e daí surgiu a ideia de criação da UNIMUS. “Sofremos muito no início da pandemia com a interrupção do nosso trabalho, inclusive com a realização de lives, e até o momento ainda não temos previsão de retorno das atividades”, disse, relatando ainda a reunião da UNIMUS com o comandante da Polícia Militar, Coronel Ivanildo, propondo parcerias: “Conversamos com o alto comando da polícia, pois naquele momento não existia decreto, eram apenas ações paliativas, formamos parcerias com a PM, com entidades representativas e saímos felizes da reunião, mas continuamos buscando outras alternativas”.
Segundo Moreno, a classe também se reuniu com a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer em busca de solução para a categoria. “Colocamos a nossa parceria para atuarmos em conjunto. Ficou acertado que a secretaria marcaria uma reunião com a prefeita Sheila Lemos, porém até o momento não tivemos retorno”.
O presidente da UNIMUS aproveitou para pedir explicações sobre a aplicação da Lei Aldir Blanc no município e clamou por ajuda com medidas de sobrevivência diária. Ele lembrou dos recursos que eram investidos nos músicos durante o São João e o Natal da cidade, e pediu que esses valores sejam utilizados em prol da classe artística. “Já pedimos uma audiência com a prefeita e contamos com o apoio dos vereadores para que isso aconteça, pois acreditamos que juntos podemos buscar melhorias e solução para a nossa categoria”, concluiu.
Um dos símbolos da retomada do carnaval de rua do Rio de Janeiro, a cantora Preta Gil virou assunto em diversos portais do Brasil ao defender o adiamento da folia em 2021 por conta da permanência da pandemia da Covid-19. Em uma live com Zeca Camargo para o UOL, disse: “Não tem como. Só depois da vacina. É burrice insistir, se martirizar e ficar sofrendo por uma coisa que é tão óbvia”.
“Deveria cancelar. Pular mesmo e, em 2022, quem sabe. É complicado nesse momento. Como vamos celebrar a vida com tanta gente morrendo? Como viver a maior festa popular com tantos doentes?”, indagou. Em setembro, Ivete Sangalo já tinha comentado sobre esta dúvida. “Faz parte da etiqueta da empatia eu não me deprimir com a ausência do Carnaval, porque esse definitivamente não é o maior problema que nós temos. É preciso ter distanciamento crítico e alguma maturidade”, falou. Claudia Leitte, por sua vez, colocou a esperança “no divino”. “Só se Deus não quiser, também estou com saudades”, comentou durante uma live em maio.
A discussão está em alta aqui na Bahia. Se, por um lado, empresários do entretenimento estudam a realização de festas privadas na capital caso a festa momesma realmente não ocorra, por outro o governador Rui Costa (PT) voltou a dizer que Réveillon e outras comemorações que gerem aglomeração não serão autorizadas enquanto uma vacina não estiver disponível. Já o prefeito ACM Neto prometeu bater o martelo sobre a situação até o final de novembro.
E o que será que pensam outros artistas baianos a respeito deste impasse? O Bahia Notícias entrou em contato com alguns dos nomes que fazem a festa por aqui. Apesar da declaração anterior de Ivete, desta vez, sua equipe informou que a baiana só irá comentar quando tiver certeza de como ficará o cenário. Léo Santana, Tony Salles – cantor do Parangolé – e Denny Denan seguirão a mesma linha de posicionamento. Já outros decidiram se manifestar e expressaram preocupação com a doença e com a proteção da população. Artistas como Márcio Victor (Psirico), Bell Marques, Rafa e Pipo Marques foram procurados, mas não responderam até o fechamento da matéria. Confira:
FELIPE PEZZONI, CANTOR DA BANDA EVA
“Entendemos que a saúde da população é importante e não podemos colocar as pessoas em risco. Preservar vidas é o principal objetivo. Lamentamos todo o contexto, pois o carnaval é gerador de renda para milhares de pessoas, centenas de empresas, movimenta a economia da cidade, gera arrecadação de tributos importantes para as políticas públicas. Sem falar que a nossa maior festa proporciona momentos de felicidades para baianos e turistas e é uma importante manifestação cultural. Torcemos para que a vacina chegue logo e medidas de valorização da vida sejam tomadas para que possamos retomar para as nossas atividades com segurança e muita alegria”.
TATAU
“Estamos vivendo um momento de muita incerteza, insegurança e medo, né? Esse vírus está apavorando todo mundo e a gente não tem ainda um prazo definido, apenas especulações sobre o começo da vacinação. Então, Carnaval é uma festa de segurança; é um momento muito mais de lidar com a segurança DO POVO! Acho que o adiamento nesse momento seria a coisa mais sensata de se fazer. Eu sou a favor da alteração de datas para a retomada dos eventos, principalmente um evento de grandiosidade como o Carnaval”.
LINCOLN SENNA, DO DUAS MEDIDAS
“Acredito que qualquer demonstração de modificação de datas já mostra uma questão de humanidade e preocupação com a integridade da população, a integridade do seu público. O que a gente torce é que, seja em qual data venha a acontecer, que aconteça na data em que a integridade física de todos nós esteja salvaguardada”.
BRUNO MAGNATA, DA LA FÚRIA
“Acredito que a festa deve ocorrer quando tivermos a certeza de que todos os envolvidos nela estejam seguros e protegidos. Se trata da maior festa popular do mundo, então é preciso pensar no coletivo, é preciso que a saúde de todos não seja colocada em risco. Se houver a vacina e todos puderem estar protegidos, acredito que poderemos voltar a ter nossa alegria compartilhada”.
KATTÊ
“Nós amamos o Carnaval, mas não podemos fazer uma festa popular gigantesca e colocar tantas pessoas em risco, num momento onde tantos já morreram por conta do vírus. Estamos esperando ansiosamente pela vacina e pelo momento que teremos segurança para comemorarmos com um grande e esperado Carnaval. Estou na torcida para que isso aconteça ainda em 2021”.
ALEXANDRE PEIXE
“Por mais que estejamos extremamente ansiosos para o retorno normal aos shows, acredito que falar do Carnaval de rua nos moldes tradicionais, sem uma data estabelecida para vacina, é simplesmente especular”.
DAN MIRANDA, DO ARA KETU
“Acho que, com a população em segurança, o Carnaval deve ser feito em 2021. Em uma nova data, talvez num formato reduzido. Muita gente precisa do Carnaval. Família, pessoas que estão sem trabalhar desde fevereiro/março. É preciso olhar para o nosso setor também. Eu torço todos os dias pela aprovação das vacinas para ter um passo mais otimista”.
DANNIEL VIEIRA
“Esse é um problema da humanidade nesse momento. Covid não é brincadeira, não é apenas uma gripezinha, ela está matando muita gente e o risco do contágio quando se tem uma aglomeração é muito maior. Então eu acho que infelizmente é necessário, sim, adiar. Acho que não tem pra onde correr. É muito melhor a gente adiar felicidade do que antecipar tristezas e mortes”.
Músicos e artistas serão inclusos no programa de auxílio “Salvador por Todos”, da prefeitura de Salvador. A informação foi revelada nesta quinta-feira (7) pelo vice-prefeito da capital baiana, Bruno Reis (DEM). O benefício de R$ 270 é entregue a diversas categorias de trabalhadores autônomos afetados pela crise financeira decorrente da pandemia do coronavírus na capital baiana.