No quadro ‘Língua Portuguesa em 1 minuto, desta quinta-feira (15), a professora e jornalista Josy Rodrigues ensina a escrita correta das horas. Ela explica como abreviar as horas ‘arredondadas’ de forma correta e as exceções que existem nas regras gramaticais.
Ouça na íntegra:
Se há uma questão em Língua Portuguesa que gera bastante polêmica, sem dúvida alguma, é o uso correto das quatro formas dos “porquês”.
Para iniciar a polêmica, digo que, em minha opinião, não há motivos para tantas opções. Podemos pesquisar e verificar quais são as formas mais utilizadas e, assim, reduzi-las de acordo com o uso.
Por enquanto, ainda temos as quatro formas dentro dos padrões normativos gramaticais. Então, vamos entendê-las.
1. PORQUE (junto e sem acento): É uma conjunção explicativa. Usamos, por exemplo, para responder perguntas. Essa forma pode ser substituída por “POIS.”
Ex.: Eu faço exercícios sempre, porque (pois) me sinto muito bem!
2. PORQUÊ (junto e com acento): É um substantivo e, portanto, vem acompanhado de artigo, numeral, adjetivo ou pronome.
Ex.: Você só arruma desculpa para não sair, é um porquê atrás do outro!
3. POR QUE (separado e sem acento): Usa-se quando for “o motivo pelo qual” ou quando for sentença interrogativa.
Ex. (1): Agora eu sei por que você sempre vai embora mais cedo.
Ex. (2): Por que a gente nunca vai jantar no restaurante japonês?
4. POR QUÊ (separado e com acento no “que”): Quando o “que” estiver em final de sentença, ou seja, ao lado da pontuação, precisa sempre ter o acento, em todos os casos.
Ex. (1): Ele está triste por quê? Por quê?
Ex. (2): O quê? E eu posso fazer o quê?
Não há muito mistério para entender o uso correto dos porquês. O problema é que na hora de colocar em um texto, por exemplo, ocorrem muitas confusões. A dica é: entenda cada conceito e exemplo que coloquei acima e procure escrever!.
Não tem jeito. Assim como um jogador de basquete passa horas por dia jogando a bola na cesta pra conseguir acertá-la sem dificuldades, você também precisa treinar para escrever cada vez melhor.
Nosso Português não é tão difícil. Infelizmente, desde os anos iniciais da escola, colocaram problemas em vez de soluções em nossa cabeça. A língua pode ter suas características preservadas, sem ferir os traços culturais e etimológicos. Afinal, as mudanças são naturais e previstas nas línguas do mundo todo. Uma dessas mudanças, por exemplo, poderia ser a redução das formas de uso dos “porquês”.
Minha proposta é pensar em uma gramática de um português brasileiro, com nossos traços culturais e de uso efetivo. Alguns professores e linguistas já estão colocando isso em prática. Talvez, daqui alguns anos, consigamos entender nossa língua e usá-la com mais eficiência e, principalmente, sem medo de errar.