Fiz a minha estréia na Feira Literária de Mucugê – Fligê. Em 2018, concluí mais uma Graduação, dessa vez no curso de Filosofia/UESB, escrevendo uma Monografia sobre uma obra fílmica difícil do cineasta sertanejo de Vitória da Conquista, Glauber Rocha, [Der Leone Have Sept Cabezas…] Tal qual Glauber Rocha, essa Fligê, eh uma usina de pensares, de performances, livros, bate-papos, trilhas, cachoeiras, gentes da Bahia, do Brasil, de fora do Brasil, os amigos de Jequié, Brumado, Salvador, Vitória da Conquista, todos a celebrando todas formas das letras. Falou-se de tudo, de economia, política, da juventude, dos idosos, do turismo auto-sustentável…os jovens da escola pública ousados no sentido de assumir o seu protagonismo declamando Castro Alves, mas também gritando Lula-livre, declamando seus cordéis exigindo quê a Morte da Marielle, seja devidamente esclarecida. A juventude mesmo com o frio intenso se mostrou ousada! Mas a Fligê também é/foi uma usina de afetos, de amores, de lançamentos de livros, autógrafos, de encontros, cinema, de bebidas, todas elas, de músicas, de crianças entretidas num teatro mágico feito só para elas. Eh uma lição contemporânea quê trás a discussão sobre os modos atuais de subjetivação, onde tudo acontece ao mesmo tempo! Talvez a Feira de Literatura de Mucugê trate do sujeito como a grande busca desenfreada de algo que confirme a existência do [Ser] contra as injustiças do presente! Aos organizadores da Fligê -2019, exalto os caminhos que vocês traçaram recuperando Freud -, “Criar não é chorar o que se perdeu e que não se pode recuperar, mas substituí-lo por uma obra que ao reconstruí-la, se reconstrói a si próprio.” Fica a expectativa de voltar para casa, para de novo tudo começar… é isso, “fazer é pensar”, o “homem que faz” e o “homem que pensa”.

*Joilson Bergher – Professor de Filosofia/ História e Metodologia do Conhecimento Superior.