Por: Giorlando Lima
“Para começar e não deixar dúvida, eu votarei em Rui Costa para senador. E sou amigo da prefeita Sheila Lemos, por cujo governo torço e quero que dê certo, principalmente porque isso é bom para Vitória da Conquista e para a população. Mas essa história de hospital municipal, de Esaú Matos precário, merece um contraponto.
O Esaú Matos funciona, não reduziu atendimentos e continua sendo referência em atendimento materno-infantil. É pequeno diante do que faz e da quantidade de municípios que atende, mas isso é diferente de dizer simplesmente que o hospital é precário.
Em 31 de dezembro deste ano, Sheila completará seis anos à frente da Prefeitura e serão dez anos do grupo dela, liderado no início por Herzem Gusmão. Na mesma data, a gestão do PT chega a 20 anos.
Ou seja, o time de Rui estava no governo antes e o Hospital Esaú Matos era o mesmo. É hospital desde 1993 e é municipal desde 10 de outubro de 2001.
Uma semana depois da eleição pela qual se engalfinham os políticos, a unidade de saúde completara 25 anos sob gestão pública Anton hospital foi gerido pela Santa Casa de Misericórdia.
E o governo do PT, que tem repetido insistentemente que poderia ajudar a melhorar o hospital ou até fazer um novo e maior ou uma maternidade, conhece o Esaú Matos há 20 anos, dez em que o mesmo partido administrava o município e dez desde que o poder mudou de lado.
Rui diz que ofereceu ajuda federal para construir uma nova maternidade, desde que a Prefeitura apresentasse o projeto. Mas oferecer ajuda assim é quase dizer: “Me peça que eu dou”. E esperar que o outro peça também pode ser uma forma de omissão quando se tem poder para tomar a iniciativa.
Entre 1º de janeiro de 2007 e 31 de dezembro de 2016, o prefeito era Guilherme Menezes, que fez história com excelentes gestões. No período de dez anos, houve dois governadores: Jaques Wagner, até o final de 2014, e Rui Costa, até o fim do mandato de Guilherme.
Mesmo assim, não surgiu um hospital municipal construído com a colaboração financeira do governo do Estado, e o Esaú Matos já estava lá, bem pouco diferente do que é hoje.
Por que, em 20 anos, o governo do Estado não construiu uma maternidade regional para desafogar o Esaú Matos, torná-lo mais barato para o Município e resolver um gargalo que sempre conheceu?
Hoje, o Estado repassa cerca de R$ 8 milhões por ano para o hospital. É uma ajuda, sem dúvida, mas representa só cerca de um quinto do custeio. Os outros 80% ficam sob a responsabilidade do Município, que diz não ter fôlego financeiro para ampliar a unidade.
A política está assim, verborreica, tomada de narrativas, mas há ausência de interesses verdadeiros em parcerias. E é a isso que assistimos nessa batalha verbal do ex-governador Rui Costa e da prefeita Sheila Lemos, que também comete equívocos. Um deles é não explorar todas as possibilidades de buscar recursos fora do orçamento municipal.
O Esaú Matos é municipal na gestão e principalmente na conta, mas há muito tempo é regional no atendimento. Esse fato não surgiu agora não pode desaparecer depois da eleição.E esse recado vale para Rui Costa, Jerônimo, ACM Neto etc.
Mas o hospital, que é a referência regional em atendimento materno-infantil, não deveria ser uma preocupação apenas dos governos e dos políticos.
Para além deles, o Esaú também pode contar com a sensibilidade da sociedade.
Pela própria lei de sua criação, a Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista (FSVC), entidade mantenedora da instituição, pode receber contribuições, auxílios e doações de pessoas físicas e jurídicas, públicas ou privadas. Entretanto, a FSVC aparenta ter dificuldade para mobilizar essa participação. Nem a Prefeitura se comove.
Na Bahia, o Sua Nota é um Show de Solidariedade transforma o compartilhamento de notas fiscais em recursos para hospitais e entidades sociais. Em Vitória da Conquista, a Prefeitura criou o Sua Nota é uma Conquista, pelo qual o contribuinte pode destinar a entidades sociais sem fins lucrativos parte do ISS devolvido como cashback. A lei, porém, não inclui expressamente a Fundação entre as beneficiárias, e o programa nem sequer foi implantado. Poderia ser um caminho.”.