Governo e Câmara dos Deputados encerraram as negociações e chegaram a um acordo sobre o texto que irá reduzir a jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas semanais e encerrar o que ficou conhecido como escala 6×1. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniram nesta segunda-feira e fecharam acordo de que a redução das horas trabalhadas não terá diminuição de salários e com transição de um ano. O texto resultante do acordo, apresentado à comissão especial da Câmara pelo relator Léo Prates (Republicanos-BA), prevê o fim da escala 6×1 e o corte inicial de duas horas 60 dias após a promulgação da PEC e nova redução de duas horas ao fim de 12 meses, mas trabalhadores que ganham acima de R$ 21.188,88 ficam de fora da regra. A oposição, porém, conseguiu adiar a votação por meio de um pedido de vista do deputado Mauricio Marcon (PL-RS). Com isso, a expectativa é de que a comissão vote o relatório amanhã, com a votação no plenário da Câmara ficando para quinta-feira. (g1)
O Planalto se animou. Aliados do presidente Lula apostam em aprovação ampla — e até unânime — da PEC que prevê acabar com a escala 6×1 na Câmara, repetindo o cenário da votação da proposta que ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. A avaliação é de que, como pesquisas indicam grande apoio popular à proposta, o Centrão e mesmo partidos de oposição devem aderir. (Estadão)
Mas, caso o governo consiga aprovar com folga na Câmara a PEC que extingue a escala 6×1 nos termos defendidos pelo Planalto, a proposta deve enfrentar resistência no Senado. Oposicionistas afirmam que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou abertura para pautar a chamada PEC da Hora Trabalhada, também apelidada por entidades empresariais de PEC da Livre Contratação, que prevê pagamento por hora e negociação individual de escala e carga horária. (UOL)
Mesmo que o Senado ponha entraves à redução da jornada, o Planalto já contabiliza a situação como um ganho político para o presidente Lula. O raciocínio é que o petista conseguiu incorporar ao seu discurso uma pauta de esquerda que tem amplo apoio social e que, caso ela seja derrotada, o presidente poderá apresentar seus adversários como inimigos dos trabalhadores. (Folha)
O debate sobre o fim da escala 6×1 divide economistas e especialistas em mercado de trabalho sobre os possíveis impactos da medida na economia brasileira. Enquanto parte dos estudos aponta aumento de custos para empresas, perda de vagas formais e efeitos negativos sobre o PIB, outras análises indicam que a redução da jornada não deve provocar desemprego relevante e que os custos podem ser absorvidos gradualmente pelas empresas. Pesquisadores concordam que a transição gradual tende a reduzir impactos econômicos. (Folha)
A Polícia Federal amanheceu na porta do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) para cumprir mandados de busca e apreensão determinados pelo ministro do STF André Mendonça. Castro é investigado por supostos aportes de alto risco feitos pelo Rio Previdência no Banco Master, de Daniel Vorcaro. O ex-governador já é alvo de investigação por suposto favorecimento ao grupo Refit, acusado de sonegação de impostos. (g1)
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, contradisse ontem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao afirmar, em entrevista a Andréia Sadi, que o parlamentar visitou Daniel Vorcaro após a primeira prisão do dono do Banco Master para tentar receber o restante dos recursos prometidos ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador, pré-candidato ao Planalto, vem alegando ter procurado Vorcaro para “botar um ponto final” na relação entre os dois. Valdemar minimizou a visita, dizendo ser “a coisa mais normal do mundo”, e afirmou que a aproximação entre eles começou antes de Vorcaro se tornar investigado. (g1)
Na tentativa de criar uma agenda positiva, Flávio Bolsonaro desembarcou nos EUA nesta segunda-feira para um possível encontro hoje com o presidente Donald Trump, mas os planos podem não sair como esperado. O próprio Flávio já admite que pode se reunir com o vice-presidente J.D. Vance, e não com Trump, cuja atenção está voltada para o conflito com o Irã. Embora o peso político seja muito menor, conversar com o vice ainda é melhor que o temor do PL de que adie o encontro, o que desgastaria o senador brasileiro. (CNN Brasil)
Em meio a essa situação, a campanha de Flávio Bolsonaro anunciou na segunda-feira a contratação de Alexandre Oltramari como marqueteiro do pré-candidato e de Eduardo Fischer como consultor estratégico. (Globo)
Pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (íntegra) mostra o presidente Lula (PT) com 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026, contra 43% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Brancos, nulos ou eleitores que afirmam não votar em nenhum dos candidatos somam 9%, enquanto 1% não soube ou preferiu não responder. Na rodada anterior, realizada em abril, Lula registrava 46% das intenções de voto, enquanto Flávio tinha 45%. (CNN Brasil)
Pedro Doria: “O escândalo das conversas vazadas com o banqueiro Daniel Vorcaro começou a cobrar o seu preço. Três pesquisas eleitorais consecutivas — Datafolha, Atlas e Nexus — confirmaram o mesmo diagnóstico: Flávio Bolsonaro perdeu cerca de 5 pontos percentuais no primeiro turno. A queda ainda é recuperável, mas o sinal de alerta acendeu na direita”. A análise completa no Ponto de Partida. (Meio)
O presidente Lula iniciou um tratamento complementar de radioterapia superficial no couro cabeludo após retirar um câncer de pele, em abril. Segundo o Hospital Sírio-Libanês, as sessões têm caráter preventivo e não devem provocar efeitos colaterais relevantes. A equipe médica de Lula informou anteriormente que a lesão estava localizada e sem sinais de disseminação. Trata-se de um carcinoma basocelular —o tipo mais comum de câncer de pele. Após a cirurgia realizada em abril, a dermatologista Cristina Abdala afirmou que o tumor costuma apresentar bom prognóstico quando diagnosticado precocemente. (g1)
INTERNACIONAL:
O governo americano confirmou que realizou ataques “em legítima defesa” contra alvos iranianos na região do Estreito de Hormuz, em meio ao cessar-fogo em vigor entre Washington e Irã e às negociações para encerrar o conflito. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, os bombardeios atingiram lançadores de mísseis e embarcações iranianas que, de acordo com os americanos, tentavam instalar minas marítimas na região. (CNN)