INTERNACIONAL:
Após três meses de uma guerra que duraria “poucas semanas”, os Estados Unidos estão a um passo de fechar um acordo de paz com o Irã. Ou não, dependendo da hora em que se fala com as autoridades americanas. Ao longo do fim de semana, o presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, deram sinais dúbios sobre as negociações. No sábado, Trump publicou em sua rede Truth Social que um acordo preliminar estava “em grande parte acertado”, mas moderou o tom no domingo, orientando seus negociadores a “não fazerem um acordo na pressa” e gabou-se de “nunca ter feito um negócio ruim”. Já Rubio disse no domingo que Trump daria “boas notícias” ao longo do dia, mas depois jogou o anúncio para hoje. A Casa Branca tem pressa em reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e cujo fechamento vem impactando os preços nos EUA. Trump também quer que o Irã entregue seu suprimento de urânio enriquecido, que pode ser usado para fabricar armas nucleares, mas Teerã diz que esse ponto só deve ser discutido em 30 ou 60 dias. Rubio admitiu o impasse, dizendo que “não se escreve um ‘lance’ nuclear em 72 horas num guardanapo”. (New York Times)
Os detalhes do provável acordo ainda não foram divulgados, mas Trump já enfrenta críticas dentro do próprio Partido Republicano. Congressistas da ala mais conservadora do partido e que apoiaram o conflito iniciado por EUA e Israel dizem que Trump está “cometendo um grande erro”. Já o presidente conclamou a população a não “ouvir fracassados que criticam algo que não conhecem”. (Guardian)
Quem também não está feliz é o primeiroministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a despeito de Trump ter lhe telefonado para garantir que o Irã irá se desfazer do material nuclear. O premiê respondeu que seu país se reserva o direito de reagir a ameaças “em todas as frentes”, incluindo o Líbano. A relação entre os dois ficou tensa nas últimas semanas, com Netanyahu insistindo para que os ataques ao Irã fossem retomados. (Times of Israel)
Enquanto isso… Um homem foi morto no sábado do lado de fora da Casa Branca após trocar tiros com agentes do serviço secreto. De acordo com as autoridades, Nasire Best, de 21 anos, sacou uma arma da mochila e disparou contra os agentes. Na confusão, um transeunte foi ferido por uma bala perdida. Best, que já tinha passagem pela polícia por invasão, apresentava distúrbios de comportamento, isolando-se de amigos e afirmando ser Jesus. (Washington Post)
BRASIL
Uma das principais bandeiras eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o fim da escala de trabalho 6×1 deve ser votado pelos deputados nesta semana. Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), vão se reunir hoje para discutir o impasse sobre outro ponto da PEC que está travando o tema: a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. O governo gostaria que essa mudança entrasse em vigor imediatamente, mas admite uma transição de até dois anos, enquanto a oposição, com apoio de empresários, quer um prazo de até dez anos. O relator da PEC, Leo Prates (Republicanos-BA), e os ministros do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e das Relações Institucionais, José Guimarães, também devem participar do encontro. (CNN Brasil)
A relação com Daniel Vorcaro abalou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas não atingiu seu eleitorado mais fiel, segundo a última pesquisa Datafolha. De acordo com os dados, divulgados na sexta-feira, o candidato do PL caiu de um empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) (ambos com 45%) para uma desvantagem de quatro pontos, 47% a 43% em favor do petista. Por outro lado, 88% dos eleitores declarados de Flávio Bolsonaro defendem que o senador mantenha sua candidatura, mesmo diante do escândalo. (Folha)
Mariliz Pereira Jorge: “Esse efeito imediato captado pelo Datafolha era mais do que esperado. Acontece que ainda faltam meses para as eleições. Um erro recorrente da análise política no Brasil é tratar o eleitor bolsonarista como racional. Estamos falando de um eleitorado do qual grande parte defendeu o uso de cloroquina na pandemia”. Confira na coluna De Tédio a Gente Não Morre. (Meio)
O bolsonarismo também teve boas notícias na sexta-feira. A Suprema Corte de Cassações, última instância da Justiça italiana, negou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli e determinou sua libertação, que aconteceu em seguida. O processo, porém, ainda será examinado pelo ministro da Justiça italiano. Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por invadir, com a ajuda de um hacker, os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e fugiu para a Itália, na qual também tem cidadania. A ex-deputada estava presa no país europeu desde julho do ano passado, e sua extradição havia sido autorizada por todas as instâncias inferiores da Justiça italiana. (g1)
Com autorização de tribunal da Flórida, advogados das empresas Rumble e Trump Media notificaram por e-mail no domingo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em um processo sobre violação da liberdade de expressão. Segundo o documento, o ministro tem 21 dias para apresentar sua defesa e não ser julgado à revelia. Em fevereiro de 2025, Moraes suspendeu o acesso à plataforma Rumble no Brasil após a empresa desobedecer a uma ordem para retirar do ar, inclusive nos EUA, perfis que atacavam a democracia. As companhias alegam que a ordem viola a Primeira Emenda da Constituição americana, que garante liberdade de expressão plena. (Poder360)
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Viver
A China lançou no domingo a missão Shenzhou-23, uma etapa importante para a ambição de enviar humanos à Lua até 2030. O foguete levará a espaçonave Shnezhou e seus três tripulantes para a estação espacial Tiangong, Palácio Celestial em chinês, onde um deles permanecerá por um ano inteiro. A experiência permitirá estudos sobre os efeitos da microgravidade prolongada, essenciais para potenciais missões futuras à Lua ou Marte. (g1)
E a SpaceX realizou com sucesso o 12º voo de teste do Starship a partir de sua base em Boca Chica, no Texas, estreando a versão V3 do megafoguete. O modelo é o mais potente já construído pela empresa e peça fundamental para os planos da Nasa de levar astronautas de volta à Lua pelo programa Artemis. Durante a missão suborbital não tripulada, a espaçonave principal enfrentou problemas em um dos motores. Apesar das dificuldades o teste foi um avanço importante no desenvolvimento do sistema de transporte espacial totalmente reaproveitável de Elon Musk. (New York Times)