*A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria até que a análise do texto seja concluída pela Corte, foi alvo de críticas dos pré-candidatos de direita e gerou reações no Congresso no f im de semana. Enquanto parlamentares daoposição ameaçam articular uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que proponha uma anistia “ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, os presidenciáveis da direita criticaram o ministro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou a determinação como uma “canetada burocrática” do magistrado contra uma escolha do Congresso. Já Romeu Zema (Novo), afirmou que Moraes “se considera intocável” e “atropela o Congresso”. E Ronaldo Caiado publicou uma nota dizendo que a suspensão da lei “é um ataque à democracia e à separação dos Poderes”. (Globo)
*A insatisfação não se limitou aos políticos. Alguns integrantes do próprio STF manifestaram incômodo com a decisão de Moraes e avaliam que a Corte irá manter o que foi aprovado pelo Legislativo. O objetivo é evitar um novo conflito com os parlamentares, que aprovaram a redução das penas por ampla maioria e derrubaram um veto presidencial à medida. (Folha)
*Até ontem, 24 pedidos de aplicação da Lei da Dosimetria para os condenados do 8 de janeiro haviam sido suspensos por Moraes, entre eles o da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do Batom”, condenada a 14 anos de prisão por escrever, com batom, a frase “perdeu, mané” em uma estátua em frente ao STF. Moraes deu cinco dias úteis para o Legislativo apresentar uma resposta sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pela federação PSOL-Rede na última sexta. A federação alega que a derrubada do veto foi feita de maneira irregular, já que houve o fatiamento de um veto integral. O ministro afirma que as respostas do Congresso, da Advocacia-Geral da União e da Procuradoria Geral da República podem influenciar na execução e até na definição das penas. (CNN Brasil)
*O senador Ciro Nogueira (PP-PI) comprou uma cobertura triplex de R$ 22 milhões em um dos prédios mais luxuosos de São Paulo três meses após se tornar sócio do banqueiro Daniel Vorcaro e 26 dias antes de apresentar a “emenda Master”, apontada pela Polícia Federal (PF) como um dos elos entre o parlamentar e o banco envolvido na fraude bilionária contra o sistema financeiro. Ciro foi alvo de mandados de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero, por suspeita de atuar “em favor do banqueiro Daniel Vorcaro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”. Segundo a PF, ele recebia mesada de R$ 300 mil a R$500 mil do banqueiro. O senador e presidente nacional do PP nega as acusações. (Metrópoles)
*A operação contra Nogueira embaralhou a estratégia eleitoral do entorno do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a disputa deste ano e abriu uma nova frente de tensão na pré-campanha. Com o avanço das apurações, aliados começaram a debater a pertinência da aproximação com o Centrão. O parlamentar, por sua vez, vem buscando associar o escândalo ao PT, numa forma de tentar se afastar do desgaste. Ainda assim, a avaliação predominante é que não há espaço para movimentos bruscos neste momento e que o melhor caminho é “deixar decantar” os desdobramentos da investigação. (Globo)
*Para ler com calma. Delegados da PF e integrantes da PGR vem manifestando uma preocupação constante: evitar que as investigações do caso Master repitam vícios e erros da Lava-Jato. Como conta a coluna de Malu Gaspar, entre eles estão o “tsunami de delações” e a superexposição dos investigadores. (Globo)
*Após a rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF, o senador Rodrigo Pacheco (PSBMG) tem retomado o contato direto com dirigentes e líderes petistas para destravar a candidatura ao governo de Minas Gerais. Só na semana passada, ele se encontrou com ao menos seis integrantes da legenda, segundo a coluna Painel, da Folha. Uma das reuniões foi com o presidente nacional do partido, Edinho Silva (PT-SP), e a presidente do PT em MG, a deputada estadual Leninha. O encontro com Edinho ocorreu após o presidente do partido dizer a aliados que Pacheco não concorreria mais ao governo estadual. Além disso, Pacheco tem marcado encontros individuais com integrantes da bancada na Câmara dos Deputados. Parlamentares que se encontraram com o senador dizem estar mais confiantes na candidatura dele ao governo do estado. (Folha)
INTERNACIONAL:
*O presidente americano Donald Trump classificou a resposta do Irã à mais recente proposta dos EUA para encerrar a guerra como “totalmente inaceitável”. Os comentários foram publicados horas depois de Teerã ter afirmado que enviou uma resposta ao mais recente plano de paz por meio de mediadores paquistaneses, após uma troca de hostilidades em torno do Estreito de Ormuz nos últimos dias ter evidenciado a fragilidade do cessar-fogo estabelecido há um mês. Os detalhes da resposta do Irã não ficaram claros na publicação de Trump na rede Truth Social. Questionado, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse não poder “entrar em mais detalhes”. (The Washington Post) Em meio ao cessar-fogo de três dias anunciado por Trump, Rússia e Ucrânia trocaram acusações de violação do acordo e relataram novos ataques durante o fim de semana. Autoridades ucranianas afirmam que três pessoas morreram em ataques de drones russos nas regiões de Zaporíjia, Dnipropetrovsk e Kherson, além de outros 15 feridos. Já o Ministério da Defesa da Rússia acusa Kiev de desrespeitar a trégua, tendo de derrubar 57 drones ucranianos em 24 horas. A pausa nas hostilidades fazia parte de uma nova tentativa dos Estados Unidos de destravar as negociações de paz entre os países. (Folha)