Depois de tentar explicar os áudios em que aparece pedindo dezenas de milhões de reais a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai prestar contas aos seus colegas de partido nesta terça-feira. O encontro, organizado pela direção do PL, reunirá deputados e senadores da legenda e será a primeira discussão ampla da cúpula partidária desde o surgimento do caso. Até agora, Flávio vinha se reunindo reservadamente com aliados próximos, como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho e o seu pai, Jair Bolsonaro. As conversas entre Flávio e Vorcaro ganharam contornos de crise após reportagem do Intercept Brasil revelar que o senador cobrava milhões do banqueiro sob a alegação de que precisava de recursos para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente. E não é só o PL que está incomodado. Integrantes da cúpula do Centrão passaram a defender a neutralidade nas eleições presidenciais para não contaminar candidaturas locais. (Globo)
E o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, um dos suspeitos de ter recebido parte dos recursos aportados por Vorcaro na produção do filme, cobrou publicamente uma reação mais rápida da campanha do irmão, o senador Flávio Bolsonaro, diante da crise. Eduardo afirmou que a equipe do pré-candidato do PL à Presidência precisa estar “mais engajada” em uma estrutura de gerenciamento de crises e dar respostas mais céleres a episódios de desgaste político. (Folha)
Enquanto isso, a vinda a público das conversas entre Flávio e Vorcaro aprofundou a permanente tensão entre os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle. Nos bastidores, aliados dos irmãos passaram a levantar suspeitas de que o vazamento teria partido de setores do grupo político que defende Michelle como alternativa presidencial ao senador do PL. Interlocutores da ex-primeira-dama rejeitam a hipótese e atribuem o avanço do caso às investigações conduzidas pela Polícia Federal. (CNN Brasil)
Mas nem só recursos de Daniel Vorcaro alimentaram o esquema de financiamento de Dark Horse. Deputados estaduais ligados ao bolsonarismo em São Paulo destinaram ao menos R$ 700 mil em emendas parlamentares a empresas e entidades associadas à produtora do filme. Levantamento mostra que os recursos foram direcionados entre 2023 e 2026 a organizações ligadas à empresária Karina Gama, sócia-administradora da Go Up, produtora responsável pelo longa. Entre as entidades beneficiadas está o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina, que recebeu emendas de deputados estaduais bolsonaristas. (Folha)
E aliados do presidente Lula entram hoje com uma ação no STF pedindo que Dark Horse não seja exibido no Brasil antes das eleições de outubro. Advogados do grupo Prerrogativas e o deputado Rogério Correia (PT-MG) alegam que o filme é propaganda eleitoral “dissimulada” e pode funcionar como “peça de comunicação política de enorme impacto”. Eles pedem ainda investigação sobre os recursos usados para financiar o longa. (Globo)
Já a Polícia Federal transferiu Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da corporação em Brasília, onde ele está preso preventivamente desde março no âmbito da Operação Compliance Zero. Até agora, Vorcaro ocupava a mesma sala especial onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou detido por alguns meses. Segundo pessoas próximas ao banqueiro, a nova cela é destinada a presos em trânsito pela superintendência e teria estrutura mais precária. (Metrópoles)
Um ato da Mesa Diretora do Senado pode impedir que o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, volte a ser analisado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal ainda em 2026, após a rejeição inédita sofrida pelo indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no plenário da Casa. Editada em 2010, a norma estabelece que autoridades rejeitadas pelo Senado não podem ter suas indicações reapreciadas na mesma sessão legislativa — que, no Congresso, corresponde ao ano parlamentar. Interlocutores do Planalto argumentam que a proibição não está prevista na Constituição e sustentam que um ato da Mesa Diretora não necessariamente se sobrepõe ao regimento interno da Casa. (Globo)
O entorno do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recebeu com surpresa a articulação em favor do reenvio do nome de Messias. Segundo interlocutores do senador, a hipótese é vista como “estranha” diante do desgaste político provocado pela rejeição inédita. Nos bastidores, aliados do presidente do Senado afirmam que a relação entre Lula e Alcolumbre se deteriorou de vez desde a derrota no plenário da Casa. Até agora, os dois não trataram diretamente do assunto. (g1)
E uma pesquisa do Datafolha aponta que 51% dos entrevistados acham muito importante a indicação de uma mulher para o STF, contra 18% que não veem o gênero como relevante. Para 46%, é desejável que o indicado tenha perfil religioso, o mesmo percentual dos que acham importante a vaga ser ocupada por uma pessoa negra. (Folha)
O presidente Lula voltou a defender a exploração de petróleo na Margem Equatorial pela Petrobras e afirmou que o Brasil precisa ocupar e explorar a região “com a maior responsabilidade”. Lula associou a defesa da exploração ao cenário geopolítico internacional e citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao afirmar que o Brasil não pode deixar riquezas naturais sem exploração. Segundo o presidente, Trump já demonstrou interesse em territórios e áreas estratégicas internacionais, como Canadá, Groenlândia, Golfo do México e Canal do Panamá, e sugeriu que o Brasil precisa garantir presença na Margem Equatorial antes que haja pressões externas sobre a região. (g1)
INTERNACIONAL
O presidente americano, Donald Trump, afirmou que decidiu adiar um ataque militar planejado contra o Irã após pedidos feitos por líderes do Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Em publicação na rede Truth Social, Trump disse ter ordenado que as Forças Armadas americanas permaneçam prontas para realizar uma ofensiva “em larga escala” contra o Irã “a qualquer momento” caso não haja acordo. Segundo o presidente americano, os países do Golfo avaliam que existe uma chance real de entendimento entre Washington e Teerã. (CNN)
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