A cada dia que passa vai ficando mais claro que as relações entre o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seus aliados e o banqueiro Daniel Vorcaro são mais profundas do que os Bolsonaro tentavam fazer crer. Em entrevista coletiva nesta terça-feira, Flávio confirmou que se encontrou com Vorcaro em sua casa após a primeira prisão do banqueiro. A aliados, Flávio alegou ter procurado Vorcaro para encerrar qualquer negociação com o empresário após a prisão “Fui ao encontro dele para botar um ponto final nessa história”, disse, afirmando que teria buscado outro investidor para o filme Dark Horse caso soubesse antes da situação do banqueiro. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. Dias depois, acabou solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. (UOL)
Em meio ao temor de novos vazamentos, Flávio Bolsonaro se reuniu com deputados e senadores do PL para tentar conter o desgaste provocado pela crise. O senador afirmou aos parlamentares que não exist “mais nada” a ser revelado sobre sua relação com Vorcaro. Parlamentares relataram desconforto com versões contraditórias, respostas improvisadas e o receio de novos vazamentos envolvendo a relação entre Flávio e o dono do Banco Master. Nos bastidores, o PL vê um prazo de 15 dias para avaliar os desdobramentos da crise e a viabilidade da candidatura do senador. (Globo)
Dois detalhes chamaram a atenção no encontro do PL. A ausência do deputado Nikolas Ferreira (MG), principal nome da bancada na Câmara, e o visível constrangimento do senador Sérgio Moro (PR) com as declarações de Flávio Bolsonaro. (Metrópoles)
E os potenciais aliados não estão convencidos. Reservadamente, dirigentes de siglas como União Brasil, Progressistas e Republicanos avaliam que a crise envolvendo o Caso Master ainda está longe do fim e que novas revelações podem ampliar o desgaste político do filho do ex-presidente Jai Bolsonaro. (Folha)
Para completar, Flávio Bolsonaro ainda tentou esconder as pesquisas que começam a captar os estragos da crise. A equipe do senador acionou o TSE contra a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg (íntegra) divulgada nesta terça-feira. Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 48,9% das intenções de vot em uma simulação de segundo turno, enquanto Flávio soma 41,8%. Na pesquisa anterior, realizada em abril, os dois apareciam tecnicamente empatados, com leve vantagem do senador — 47,8% a 47,5%. Os advogados alegam que a pesquis induziu os entrevistados ao reproduzir o áudio enviado por Flávio a Vorcaro, embora a gravação só tivesse sido mostrada após as respostas serem preenchidas. (Metrópoles)
Tentando aliviar o clima tenso entre os parlamentares, Flávio Bolsonaro apresentou na reunião do PL o primeiro trailer do filme milionário sobre a saga do ex-presidente Jair Bolsonaro. (YouTube)
Mas não demorou muito e mais revelações jogaram água na fervura. Novos áudios obtidos pelo Intercept Brasil mostram uma relação mais próxima entre o deputado e produtor do filme Dark Horse, Mario Frias (PL-RJ), e Daniel Vorcaro. Em uma das gravações, Frias agradece ao banqueiro pelo apoio ao longa e afirma que o filme “vai mexer com o coração de muita gente” e será “muito importante para o país”. A gravação desmente as declarações anteriores do deputado de que não havia dinheiro de Vorcaro no filme (Intercept)
Já a produtora de Dark Horse afirmou que o banqueiro foi responsável por mais de 90% dos recursos usados até agora na produção do longa. Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp, disse que o filme já consumiu cerca de US$ 13 milhões — aproximadamente R$ 65,7 milhões — e está em fase de pós-produção. (g1)
Vera Magalhães: “A forma como parte da elite econômica e política espera para ver se a candidatura de Flávio Bolsonaro fica de pé escancara um fenômeno conhecido: a enorme condescendência desses estamentos com todo tipo de instabilidade que a família Bolsonaro é capaz de provocar, algo inexistente em relação a qualquer outro grupo político”. (Globo)
Flávia Tavares: “Flávio Bolsonaro e Neymar: por que a direita e o futebol cometem o mesmo erro? Mesmo com o escândalo do filme Dark Horse e a rejeição batendo 52% na pesquisa Atlas/Bloomberg, o PL fechou fileiras para defender sua candidatura para 2026. Por que o campo conservador aceita ser refém de um sobrenome de teto baixo? A resposta está em uma lógica de apelo idêntica à que fez a Seleção Brasileira e o técnico Ancelotti ficarem reféns de Neymar na Copa do Mundo.” A análise completa no Cá entre Nós. (Meio)
Um impasse sobre o tempo de transição adiou para a próxima segunda-feira a apresentação do relatório na PEC que institui a jornada de trabalho de 40 horas e extingue a escala 6×1. O governo defende a entrava em vigor imediata ou uma transição de até dois anos, enquanto o Centrão, com apoio do empresariado, quer pelo menos quatro anos. (Folha)
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que amplia benefícios a partidos políticos, flexibiliza regras de prestação de contas e cria novas dificuldades para a cobrança de multas eleitorais pela Justiça Eleitoral. O texto prevê parcelamento de multas partidárias em até 15 anos e abre brechas para regularizar despesas consideradas irregulares pela Justiça Eleitoral. A proposta também permite o pagamento de dirigentes partidários sem vínculo formal de trabalho e cria uma exceção que pode facilitar o disparo em massa de mensagens automatizadas por números ligados a partidos políticos. (Estadão)
SAÚDE
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou para “a escala e a velocidade” da epidemia de ebola que afeta a República Democrática do Congo (RDC), onde estima-se 131 mortes e 513 casos suspeitos. A organização convocou uma reunião do comitê de emergências nesta terça-feira para avaliar a situação, enquanto a agência de saúde da União Africana declarou uma “emergência de saúde pública” continental. Sem vacina ou tratamento específico para a cepa bundibugyo, responsável pelo atual surto, a OMS disse estar avaliando possíveis imunizantes candidatos ao combate à variante. (Folha)