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A campanha eleitoral contaminou de vez a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e azedou ainda mais a relação entre os ministros. No fim da noite de segunda-feira, Luiz Fux suspendeu a decisão anterior de Flávio Dino e determinou que as plataformas e redes retirem da internet postagens com a informação inverídica de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tinha a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A remoção das publicações havia sido determinada pelo ministro André Mendonça no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas foi desautorizada por Dino sob a alegação ferir a liberdade de expressão. A campanha de Bolsonaro usou o mesmo artifício dos responsáveis pelos vídeos, apensando sua ação a um processo que já estava sob a relatoria de Fux. O presidente do Supremo, Edson Fachin, deve levar a controvérsia ao plenário amanhã. A intenção é buscar uma resposta colegiada para o impasse e reduzir a tensão entre STF e TSE. (CNN Brasil)

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reagiu e reclamou diretamente com Fachin de uma “indevida sobreposição de competência” do Supremo sobre a Justiça Eleitoral, além de afirmar haver risco de enfraquecimento institucional do TSE. O ministro mencionou ainda risco de “captura institucional” e de “erosão democrática” caso a Corte Eleitoral fique subordinada a decisões individuais tomadas fora de sua estrutura. (Metrópoles)

Porém… Como conta Malu Gaspar, em 2022, o próprio Nunes Marques derrubou no STF duas decisões do TSE que cassavam deputados bolsonaristas. A diferença é que agora as partes estão “invadindo” processos de terceiros sem ligação com os assuntos. (Globo)

Juristas criticaram a decisão de Flávio Dino que restabeleceu publicações sobre Nossa Senhora Aparecida em meio à disputa eleitoral. Segundo eles, o caso expõe uma prática que pode contornar o sorteio de processos no STF. O ministro atendeu a um pedido do humorista Antonio Tabet apresentado dentro de uma ação que já estava sob sua relatoria, originalmente relacionada a publicações sobre Deltan Dallagnol. O criminalista Marcelo Crespo afirmou que esse mecanismo pode permitir a apresentação de novos pedidos diretamente a ministros cujo entendimento já é conhecido. Para ele, o problema ocorre quando a ligação entre o fato novo e o processo anterior é “forçada ou artificial”. (Estadão)

Nas ruas, a religião tomou conta da campanha. Flávio Bolsonaro ergueu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante caminhada de campanha no centro de São Paulo. A imagem foi entregue a Flávio por uma pessoa que participava do ato. Mais tarde, em um podcast católico, o candidato comparou a informação de que pretende retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida à facada em seu pai em 2018. Já a primeira-dama Janja da Silva usou um pingente de Nossa Senhora Aparecida durante evento ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Palácio do Planalto. (g1)

A polêmica também invadiu os setores religiosos. O bispo dom Vicente Ferreira, da Diocese de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, criticou a família Bolsonaro após Flávio acusar, sem apresentar provas, pessoas ligadas à CNBB de ajudarem a disseminar a informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida. A CNBB também rebateu Flávio e afirmou que não produziu, autorizou ou participou da divulgação de informações falsas relacionadas às eleições. (Metrópoles)

Lideranças evangélicas, por sua vez, saíram em defesa de Flávio Bolsonaro. Em comunicado, o Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), criado pelo pastor Silas Malafaia, acusou o presidente Lula e seus apoiadores de utilizarem a notícia falsa para atingir Flávio e estimular uma “guerra religiosa” entre católicos e evangélicos. (CNN Brasil)

Enquanto isso…Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira mostra avanço do presidente Lula nas intenções de voto entre católicos e evangélicos, em meio à controvérsia religiosa. Entre os católicos, Lula passou de 43% para 48%, enquanto Flávio oscilou de 27% para 29%. Entre os evangélicos, Lula passou de 23% para 27%, enquanto Flávio foi de 49% para 46%. (Metrópoles)

Antonio Tabet: “Foram mais de mil postagens tiradas do ar e muitas delas sequer citavam o candidato Flávio Bolsonaro. Mensagens saíram do ar apenas pedindo para Nossa Senhora Aparecida rogar por nós ou ‘protejam Nossa Senhora Aparecida’. Eu não estou dizendo aqui e nunca disse que o candidato Flávio Bolsonaro teria esse intuito ou faria isso [revogar título de padroeira]. Agora, é normal que diante de uma sequência de eventos como essa, de evidências tão fortes como essa, as pessoas deduzam. E foi isso que aconteceu”. (UOL)

Eliane Cantanhêde: “Nas ruas, não se veem bandeiras, cartazes ou carros paramentados, seja pró Lula, seja a favor de Flávio, numa das eleições mais frias e desanimadas de que se tem notícia. Mas, no Supremo, só falta os ministros irem trabalhar de vermelho ou enrolados nas bandeiras de Brasil, EUA ou Israel”. (Estadão)

Pedro Doria: “Uma mentira contra um Bolsonaro e uma canetada contra o Tigrinho devolveram a Lula a eleitora que decide esta eleição. A mentira não pegou porque ela acreditou. Pegou porque disse em voz alta uma coisa que ela já sentia”. A análise no Ponto de Partida. (Meio)

A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira mostra o presidente Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% de Flávio Bolsonaro. Com a diferença de cinco pontos, os dois deixaram a situação de empate técnico registrada no levantamento anterior. Na comparação com a semana passada, Lula oscilou de 37% para 39%, enquanto Flávio passou de 33% para 34%. As variações individuais estão dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em eventual segundo turno, o cenário permanece mais apertado: Lula e Flávio aparecem empatados numericamente, com 42% cada. A aprovação do governo oscilou de 44% para 46%, enquanto a desaprovação passou de 50% para 49%. (g1)

A avaliação da campanha do presidente Lula é de que ele não deve ir ao debate presidencial da Globo marcado para esta quinta-feira. Embora não haja uma decisão final ainda, a tendência é que Lula procure dar uma entrevista a algum podcast de alto alcance no dia do debate. Para esse entorno do presidente, sua ausência e as eventuais acusações de “fujão” seriam menos prejudiciais do que o confronto com pelo menos quatro candidatos de direita, conta Caio Junqueira. (CNN Brasil)

Mensagens de WhatsApp obtidas pela Agência Pública, com apoio do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), indicam que familiares de Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas, ajudaram Alexandre Ramagem a deixar o Brasil e deram suporte ao ex-diretor da Abin durante sua permanência nos Estados Unidos. Cataratas foi condenado a 16 anos de prisão por liderar uma organização que explorava ilegalmente ouro e cassiterita na Terra Indígena Yanomami e utilizava uma frota de helicópteros adulterados. Ramagem deixou o Brasil em 9 de setembro de 2025, apesar de estar proibido de sair do país desde junho. Ele teria cruzado a fronteira entre Bonfim, em Roraima, e Lethem, na Guiana, de onde seguiu de avião para os Estados Unidos. (Agência Pública)

Viver

A queda no nível dos rios da Amazônia já mobiliza empresas do setor elétrico diante do risco de que o agravamento da seca nos próximos meses comprometa o transporte de combustível e a geração de energia em comunidades isoladas. Operadoras de usinas termelétricas pediram ao governo mais de R$ 100 milhões para antecipar a compra e formar estoques de 17,2 milhões de litros de óleo diesel antes do período mais crítico da estiagem. (Folha)

A República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou a marca de 8 mil casos de ebola no atual surto da doença, o mais grave já registrado no país. Segundo dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (28), são 8.067 infecções, com 3.901 mortes e 2.070 pacientes recuperados. A taxa de letalidade chega a 48,4%, o que significa que praticamente metade dos casos registrados terminou em morte. O surto começou na província de Ituri, no nordeste do país, e já alcançou sete províncias. Ituri, Kivu do Norte e Haut-Uele concentram a maior parte das ocorrências. Apesar de o crescimento do número de casos ter se estabilizado depois de uma rápida expansão, a epidemia ainda não pode ser considerada sob controle. (Globo)

A Starship entrou em órbita terrestre pela primeira vez nesta segunda-feira durante o 14º voo de teste da maior nave espacial do mundo, desenvolvida pela SpaceX para futuras missões à Lua e a Marte. A nave, que voou sem tripulação, alcançou a órbita cerca de 21 minutos depois de decolar da base da empresa no Texas. A SpaceX informou que a Starship retornaria pouco mais de três horas após a decolagem, com pouso no Oceano Pacífico. A operação foi concluída aproximadamente 1h05 após o lançamento. (g1)

Cultura

O The Town anunciou Slipknot e Marilyn Manson como as duas primeiras atrações de sua terceira edição, em setembro de 2027. Tanto a banda quanto o cantor se apresentam no Palco Skyline no dia 4 de setembro. O show do Slipknot será o único em festival de toda a nova turnê mundial da banda, a West Stadium Tour, anunciada para todo o mundo também nesta segunda. A banda chega ao Brasil agora com o baterista brasileiro Eloy Casagrande, ex-Sepultura, nos seus quadros. Já Marilyn Manson chega com uma polêmica nas costas, pois foi alvo de acusações de abuso sexual, em casos encerrados na Justiça, mas depois parcialmente reabertos em janeiro. O festival acontece nos dias 4, 5, 6, 11 e 12 de setembro de 2027. (Globo)

Três dias após reunir 60 mil pessoas em São Paulo no retorno aos palcos, o cantor Jão anunciou a turnê de Memórias Póstumas, seu quinto álbum de estúdio. O disco nasceu da morte do pai do cantor, que o fez ficar mais de um ano afastado das redes sociais. Os shows começam em 31 de outubro no Rio de Janeiro e passam por Belo Horizonte, Recife e Brasília antes de chegar a São Paulo mais uma vez em março de 2027. A venda geral abre no dia 1º de outubro. (Folha)

O documentário Oasis: Don’t Look Back in Anger, sobre o reencontro de Noel e Liam Gallagher depois de 15 anos separados, chega ao Disney+ e ao Hulu no dia 9 de outubro. Além das imagens já exibidas nos cinemas do Reino Unido e da Irlanda, onde o filme estreou após passar por Veneza, as plataformas vão trazer cenas inéditas da entrevista conjunta dos irmãos e performances completas de Wonderwall e Slide Away. O documentário foi produzido pelo roteirista Steven Knight com direção de Dylan Southern e Will Lovelace. (Variety)

Cotidiano Digital

Mais de 96% das empresas não financeiras brasileiras já adotam inteligência artificial em alguma medida, segundo a pesquisa Firmus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central. Do total, 34% usam a tecnologia de forma estruturada e recorrente em atividades meio, 20,1% nas atividades-fim e apenas 5,5% têm uso disseminado e integrado à maior parte dos processos. As aplicações mais comuns são geração e análise de textos, com 84,4%, e análise de dados, com mais de 80%. Ainda assim, 63,9% das empresas não têm estimativa de impacto da IA sobre volume ou custo de produção. (Valor)

A Meta lançou uma plataforma empresarial de inteligência artificial e contratou CJ Desai, até então CEO da Mongo DB, para liderá-la. A Meta Enterprise Platform vai priorizar três produtos: o agente Muse, um agente de negócios e uma ferramenta de programação. Para justificar a entrada no mercado corporativo, Mark Zuckerberg destacou que poucas empresas reúnem ao mesmo tempo modelos avançados de IA, agentes líderes, infraestrutura em larga escala e anos de trabalho próximo a empresas de diferentes setores. (CNBC)

Para ler com calma. A inteligência artificial vai transformar a economia global mais que a industrialização, a eletricidade e a internet. Essa é a aposta da Anthropic exposta no prospecto para sua abertura de capital (IPO), obtido com exclusividade pela Reuters. O IPO está previsto para o início de outubro. (Reuters)

Foto: Andressa Anholete/STF

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