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A crise diplomática entre Brasil e Argentina se aprofundou neste início de semana, com o governo brasileiro atuando de forma conjunta para criticar o presidente argentino Javier Milei por suas falas em que chama o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “presidiário” e “ladrão” na convenção nacional do PL que oficializou o senador Flávio Bolsonaro como candidato do partido à Presidência. Após as declarações, Lula reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e autorizou o Itamaraty a endurecer a reação pela via diplomática. Segundo auxiliares do presidente, a orientação é evitar um confronto público de Lula com Milei e preservar a relação histórica entre Brasil e Argentina. Nos bastidores, auxiliares de Lula afirmam que o governo vê Milei como um aliado, ou “capanga”, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e avalia que o argentino tenta, há meses, atrair o presidente brasileiro para um embate político. (Folha)

“É a maior [crise] desde a redemocratização ”. Foi assim que Celso Amorim, assessor de assuntos internacionais do Palácio do Planalto, definiu a situação com a Argentina. Para ele, este é o pior momento desde a grande crise entre os dois países em 1973, quando o Brasil assinou o Tratado de Itaipu com o Paraguai. (CNN Brasil)

O presidente Lula se limitou a ironizar Milei, ao ser questionado sobre os ataques do último fim de semana. Ao deixar uma cerimônia de recepção ao presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, Lula foi perguntado por jornalistas sobre as falas do argentino e respondeu de forma breve: “Quem é esse cara?”. (Poder360)

Sob determinação do Planalto, ministros, lideranças partidárias e integrantes do Congresso vieram a público para rebater Milei em seus ataques contra Lula e o governo. Nenhum deles, no entanto, foi tão visceral quanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Em entrevista a uma rádio de Pernambuco, o ministro afirmou que “o palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil e falou de Brasil quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta e a inflação lá é muito mais alta”. (UOL)

O PT, por sua vez, por meio da federação Brasil da Esperança, formada com PV e PCdoB, protocolou uma notícia de fato na Procuradoria-Geral Eleitoral pedindo a abertura de investigação sobre a participação de Milei na convenção nacional do Partido Liberal. Na ação encaminhada ao procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet, a federação afirma que Milei pode ter interferido de forma indevida no processo eleitoral brasileiro. (Metrópoles)

Já Javier Milei não se intimidou com a reação e voltou a atacar o governo brasileiro e o presidente Lula, ao acusar o Brasil de financiar uma suposta campanha internacional contra a Argentina durante a Copa do Mundo de 2026. Milei afirmou que o governo brasileiro foi o principal financiador da alegada ofensiva, respondendo por cerca de 25% dos recursos utilizados. Segundo ele, a campanha também teria contado com apoio do governo do México, liderado por Claudia Sheinbaum, e do Partido Democrata dos Estados Unidos. O presidente argentino, no entanto, não apresentou evidências para sustentar as acusações. (g1)

Mais tarde, Milei voltou à carga ao compartilhar nas redes sociais uma série de publicações com críticas a Lula. Entre os conteúdos republicados pelo presidente argentino estão mensagens que acusam Lula, sem apresentar provas, de ter enviado uma equipe para apoiar a campanha presidencial de Sergio Massa nas eleições argentinas de 2023. Outra publicação relembra a visita de Lula à ex-presidente Cristina Kirchner, condenada por corrupção e atualmente em prisão domiciliar, classificando o petista como “ex-presidiário”. (Globo)

E o chefe de gabinete de Milei, Diego Santilli, minimizou a crise diplomática e pediu que o governo brasileiro “ não exagere” na reação aos ataques do presidente argentino. Em entrevista ao jornal La Nación, Santilli defendeu o discurso feito por Milei na convenção nacional do PL e atacou o governo brasileiro: “Eles vieram aqui para fazer campanha, disseram coisas terríveis sobre o presidente e conseguiram fazer as visitas que queriam”. (La Nacion)

Míriam Leitão: “A situação econômica da Argentina tem alguns bons indicadores e outros bem ruins, a popularidade de Milei caiu, mas permanece em piso alto, de 30%. O presidente argentino continua a ser o favorito para as eleições do ano que vem. O ideal é que a crise seja superada, mas por enquanto não se sabe como se sairá dessa enrascada em que Milei colocou a relação bilateral”. (Globo)

Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, foi sorteado para ser o relator da ação que questiona o vídeo produzido com inteligência artificial para simular um pronunciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, exibido durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. A ação é da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e argumenta que o vídeo fez referência direta ao cargo em disputa e fez pedido explícito de voto. Também reforça que as regras do TSE proíbem o uso de conteúdo sintético para favorecer uma candidatura, mesmo quando há autorização para reproduzir a imagem ou a voz e informe que é feito por IA. (g1)

Com a reconciliação entre Michelle e Flávio Bolsonaro, a ex-primeira-dama passou a defender o nome da deputada federal Priscila Costa (PL-CE), para ocupar a vaga de vice do enteado. Dirigentes do PL afirmam que Michelle é resistente à ideia de ela mesma compor a chapa e a escolha de Priscila seria vista como um gesto de prestígio ao grupo político da ex-primeira-dama. (Globo)

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, foi oficializado nesta segunda-feira como candidato do Partido Novo à Presidência da República. Em seu primeiro discurso como candidato, Zema fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao PT, e ao STF. Na área de segurança pública, prometeu classificar facções criminosas como organizações terroristas e construir um mega-presídio na Amazônia para abrigar lideranças do crime organizado. O candidato também confirmou que a chapa ainda não tem um nome para vice-presidente. (g1)

Pedro Doria. “E hoje eu vou te contar por que ninguém da direita subiu no palanque de Flávio Bolsonaro no sábado — nem a própria família dele. Porque a pesquisa que saiu hoje mostra uma coisa que o mundo político já sabia: Flávio deixou de ser o único que compete com Lula. E porque tem dois vídeos por aí que ninguém mostrou ainda”.  (Meio)

O governo de Donald Trump pediu à Suprema Corte dos Estados Unidos que autorize a entrada em vigor de um decreto presidencial que restringe o voto pelo correio, intensificando a disputa judicial sobre as regras eleitorais a poucos meses das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro. Assinado por Trump no fim de março, o decreto determina que o Departamento de Segurança Interna elabore listas estaduais de cidadãos para auxiliar na verificação da elegibilidade dos eleitores e orienta o Serviço Postal a utilizar informações fornecidas pelos Estados para avaliar pedidos de votação por correspondência. A medida impacta especialmente eleitores democratas, os que mais usam o correio para votar. Mais de 20 procuradores-gerais estaduais do Partido Democrata contestaram a medida na Justiça. (New York Times)

Viver

Dois novos casos de possível cura do HIV foram anunciados por médicos que acompanham pacientes que interromperam o uso de antirretrovirais e, desde então, não tiveram o vírus detectado nos exames. Eles receberam células-tronco de doadores que tinham uma mutação rara chamada CCR5delta32, que impede as formas mais comuns do HIV usarem uma das principais portas de entrada das células. A Sociedade Internacional de Aids (IAS) já contabiliza 13 casos de cura ou remissão do HIV. (g1)

O número de novos casos de HIV caiu42,9% no mundo desde 2010, apesar de a queda ainda estar distante do necessário para alcançar a meta de eliminar a Aids como uma ameaça de saúde pública até 2030. Os dados são do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), apresentados durante a Conferência Internacional da Aids, que ocorre no Rio. Mas nem todas as nações acompanham a tendência de redução. O Brasil está entre os 21 países que viram o número de novas infecções aumentar em mais de 20% no mesmo período. (Globo)

Aliás, o Unaids alerta sobre o risco do ressurgimento de uma epidemia global de HIV, enfatizando que os cortes no financiamento internacional, a redução nos serviços comunitários e a restrição no acesso à prevenção podem comprometer o progresso alcançado nas últimas décadas. (Poder360)

Mas o Brasil tem um modelo considerado inovador por facilitar o acesso gratuito a medicamentos antirretrovirais capazes de reduzir em até 99% o risco de infecção pelo HIV. As profilaxias pré e pós-exposição (PrEP e PEP) são oferecidas em algumas das estações de metrô mais movimentadas de São Paulo como Brás, Consolação e Luz. (BBC Brasil)

Enquanto autoridades corriam para conter as chamas antes da chegada de uma nova onda de calor, França e Espanha lotavam abrigos com mais de 325 mil pessoas nesta segunda-feira. Os incêndios que devastam florestas na região vinícola francesa de Bordeaux e nos arredores da capital espanhola de Madri estão entre os piores das últimas décadas. Cerca de 2.500 bombeiros, além de 1.500 militares e 1.200 policiais, foram mobilizados para a região de Gironde. (DW)

Cultura

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou os finalistas do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico. Entre os indicados, estão a psicanalista Vera Iaconelli, o sociólogo Reginaldo Prandi, o jornalista Eugênio Bucci e as historiadoras Ynaê Lopes dos Santos e Mary Del Priori. Os ganhadores de cada categoria, que recebem uma estatueta e R$ 5 mil, serão revelados no dia 11 de agosto em cerimônia de premiação no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. (Folha)

Falando em livros, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) atualizou sua tradicional lista de obras mais vendidas do evento com alterações no ranking. O escritor português Valter Hugo Mãe, que aparecia na primeira posição com seu título O Século dos Imbecis, perdeu a liderança para Socorro Acioli, que decolou em vendas com Amar é Inadiável. Os Imortais, de Paulliny Tort, se manteve na terceira colocação. (Globo)

Uma adaptação teatral de Purple Rain, filme de Prince lançado em 1984, chegará à Broadway em 2027. O musical será apresentado no Majestic Theatre, com pré-estreias a partir de 12 de março e estreia oficial em 12 de abril. A peça será dirigida por Saheem Ali, com texto do dramaturgo e roteirista Peter Duchan, equipe musical liderada por Jason Michael Webb e coreografia de Ebony Williams. (Variety)

Cotidiano Digital

As respostas geradas por inteligência artificial do Google, conhecidas como AI Overviews, aumentaram de 15% para 43% do total de buscas em apenas um ano, segundo relatório da Similarweb. No mesmo período, as visitas ao Modo IA do Google saltaram de 126 milhões para 279 milhões. Com isso, os dados mostram uma mudança na forma como as pessoas usam a busca, com o Google deixando de ser uma porta de entrada para sites e passando a funcionar como um destino em si, o que também reduz o tráfego de referência para editores de conteúdo. (TechCrunch)

Dias após a OpenAI revelar que um de seus sistemas de IA invadiu uma biblioteca online durante um teste, a Microsoft lançou um conjunto de ferramentas de cibe segurança com inteligência artificial treinado a partir de décadas de dados coletados pela empresa em incidentes de hackers. A companhia afirma que a ferramenta deve liderar o ranking do teste CyberGYM, superando ofertas da OpenAI e da Anthropic e ainda com custo de cerca de metade do preço da concorrência. (New York Times)

A Meta passou a integrar a Meta AI, seu assistente virtual de inteligência artificial, às mensagens diretas do Threads em todo o mundo, permitindo que usuários compartilhem publicações, imagens, links ou vídeos diretamente com o assistente para tirar dúvidas ou aprofundar um tópico em conversa privada. O recurso já existe no Facebook, no Instagram e no WhatsApp. (Engadget)

Foto: Sergio Lima/AFP

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