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AÇÕES BAHIA - PROJETOS INSTITUCIONAIS 0626 | DIGIT
CORTINA E CIA COLCHÕES
AÇÕES BAHIA - PROJETOS INSTITUCIONAIS 0526 (1)

O que está havendo com essa “camarotização” do São João, Pé de Serra e a invasão sertaneja nos festejos juninos do Nordeste.

Entre as grandes tradições populares do Nordeste, as Festas Juninas se destacam pela participação popular e pelo clima criado em torno aos festejos, uma espécie de Natal antecipado. Não é por menos que, para a maioria dos nordestinos, junho é melhor mês do ano.

Diferente do Carnaval, que concentra sua força em duas capitais da região – Salvador e Recife – os festejos juninos se espalham para além das metrópoles e ocupam as praças das médias e pequenas cidades. Caruaru e Campina Grande, que disputam o título de maior festejo junino, estão localizadas no Agreste de seus respectivos estados, Pernambuco e Paraíba. Na Bahia dos 417 municípios, 244 realizaram grandes festas no dia de São João.

Essas festas vêm crescendo a cada ano. As prefeituras têm investido em grandes estruturas de palco, na contratação de artistas nacionais e na construção de arenas para as realizações dos shows, a exemplo da prefeitura do município de Cruz das Almas, localizada no Recôncavo Baiano, que, desde o ano passado, retirou os grandes shows da praça localizada no centro da cidade e os levou para a arena Circuito Luiz Gonzaga, um amplo espaço preparado para receber mais de 200 mil pessoas por noite.

Todo esse investimento pelas prefeituras e pelos governos estaduais é justificado pelo impacto das festas na economia. De acordo com o Ministério do Turismo, só este ano foram movimentados R$ 6 bilhões e cerca 28 milhões de turistas circularam pelo Nordeste.

Essa forte mercantilização tem ocasionado dois processos que estão mudando o perfil das Festas Juninas no Nordeste. Coisas que tiveram início há alguns anos, mas que, neste, ganharam maiores dimensões e repercussão nacional: a “camarotização” e a invasão dos artistas sertanejos nas programações. Festa de São João longe do povo.

As festas nas praças públicas dão o tom dos festejos juninos no Nordeste. Enfeitadas com bandeirolas e outros símbolos que remetem à tradição junina, esses espaços públicos começaram a ser ocupados por camarotes, antes localizados nas laterais do palco. Este ano eles passaram a ocupar “espaços VIP”, em frente aos palcos, ofertados a quem desembolsasse centenas de reais.

Esse é um processo de privatização das festas públicas, incentivado pelo poder público, onde se reduz o espaço destinado ao público geral. Em Campina Grande, metade do espaço em frente ao palco principal foi destinado a um camarote privado, com capacidade para 6.800 pessoas, com ingressos que chegavam a R$ 600 por dia.

O processo de mercantilização da Festa Junina em Campina Grande é de tal forma avançado que, desde 2017, a prefeitura licita a organização da festa para uma empresa. Em 2023 e 2024, a responsável é a Artes Produções, vencedora da última licitação pelo valor de R$ 955.655,91.

Com esse avanço da mercantilização, o Pátio do Povo vai deixando de ser do povo. Isso também acontece com grande força em Caruaru. Um camarote privado também ocupou 50% do espaço, em frente ao palco principal do Pátio de Eventos.

Na Bahia, a “camarotização” vem ganhando espaço desde o ano passado, em cidades como Santo Antônio de Jesus, Cruz das Almas, Senhor do Bonfim, Jequié e São Gonçalo dos Campos. Mas o processo ainda não avançou para cercadinhos, com “áreas vip” em frente ao palco.

“Sertanejização”

O outro filho da mercantilização dos festejos é a invasão sertaneja na programação. Os artistas do gênero mais tocado no mercado musical brasileiro foram atrações nas principais festas, recebendo os maiores cachês e exigindo mais tempo de apresentação que os demais artistas.

No início de junho, o cantor Flávio José, representante do tradicional forró pé-de-serra, protestou no palco de Campina Grande, por ter seu tempo de show reduzido. “Eu não tenho nenhum show para sair daqui correndo para fazer. Não foi ideia minha. Infelizmente, são essas coisas que os artistas da música nordestina sofrem”, disse. A atração seguinte, o sertanejo Gusttavo Lima, se apresentou por 2h30. ” Um show horroroso, que não tem absolutamente nada haver com as tradições Nordestina”… Esses Shows de personagens do Agro, são patrocinadores do Sul, Sudeste e Centro Oeste e das Redes de Comunicação, a Globo e as demais, que simplesmente, vão Alienando as pessoas, no cotidiano, para depois “Vender os seus produtos, o pacote do Agronegócio”, os mesmos financiadores dos tais Rodeios “…

O cantor cearense Fagner, que tem um disco histórico com Luiz Gonzaga, também reclamou durante seu show em Campina Grande: “Vamos fazer uma despedida porque tem uma programação, não é isso? Vai ter um sertanejo aí, desses patrocinados pelo Agro, não é isso?”, alfinetou. Portanto, querem silenciar a SANFONA, ZABUMBA E TRIÂNGULO do nosso Tradicional Forró de São João… Mas, não conseguirão, porque o nosso Povo Nordestino, não é besta e sabe exatamente quem é quem e separar, muito bem, quem presta, de quem não presta, ou seja quem são os Artistas que fazem o Verdadeiro FORRÓ PÉ DE SERRA, DE QUEM NÃO FAZ, NÃO SABE E NUNCA FARÁ… A não ser, o processo de INVERSÃO DE VALORES. O que está havendo com essa “camarotização” do São João, Pé de Serra e a invasão sertaneja nos festejos juninos do Nordeste.

Entre as grandes tradições populares do Nordeste, as Festas Juninas se destacam pela participação popular e pelo clima criado em torno aos festejos, uma espécie de Natal antecipado. Não é por menos que, para a maioria dos nordestinos, junho é melhor mês do ano.

Diferente do Carnaval, que concentra sua força em duas capitais da região – Salvador e Recife – os festejos juninos se espalham para além das metrópoles e ocupam as praças das médias e pequenas cidades. Caruaru e Campina Grande, que disputam o título de maior festejo junino, estão localizadas no Agreste de seus respectivos estados, Pernambuco e Paraíba. Na Bahia dos 417 municípios, 244 realizaram grandes festas no dia de São João.

Essas festas vêm crescendo a cada ano. As prefeituras têm investido em grandes estruturas de palco, na contratação de artistas nacionais e na construção de arenas para as realizações dos shows, a exemplo da prefeitura do município de Cruz das Almas, localizada no Recôncavo Baiano, que, desde o ano passado, retirou os grandes shows da praça localizada no centro da cidade e os levou para a arena Circuito Luiz Gonzaga, um amplo espaço preparado para receber mais de 200 mil pessoas por noite.

Todo esse investimento pelas prefeituras e pelos governos estaduais é justificado pelo impacto das festas na economia. De acordo com o Ministério do Turismo, só este ano foram movimentados R$ 6 bilhões e cerca 28 milhões de turistas circularam pelo Nordeste.

Essa forte mercantilização tem ocasionado dois processos que estão mudando o perfil das Festas Juninas no Nordeste. Coisas que tiveram início há alguns anos, mas que, neste, ganharam maiores dimensões e repercussão nacional: a “camarotização” e a invasão dos artistas sertanejos nas programações. Festa de São João longe do povo:as festas nas praças públicas dão o tom dos festejos juninos no Nordeste. Enfeitadas com bandeirolas e outros símbolos que remetem à tradição junina, esses espaços públicos começaram a ser ocupados por camarotes, antes localizados nas laterais do palco. Este ano eles passaram a ocupar “espaços VIP”, em frente aos palcos, ofertados a quem desembolsasse centenas de reais.

Esse é um processo de privatização das festas públicas, incentivado pelo poder público, onde se reduz o espaço destinado ao público geral. Em Campina Grande, metade do espaço em frente ao palco principal foi destinado a um camarote privado, com capacidade para 6.800 pessoas, com ingressos que chegavam a R$ 600 por dia.

O processo de mercantilização da Festa Junina em Campina Grande é de tal forma avançado que, desde 2017, a prefeitura licita a organização da festa para uma empresa. Em 2023 e 2024, a responsável é a Artes Produções, vencedora da última licitação pelo valor de R$ 955.655,91.

Com esse avanço da mercantilização, o Pátio do Povo vai deixando de ser do povo. Isso também acontece com grande força em Caruaru. Um camarote privado também ocupou 50% do espaço, em frente ao palco principal do Pátio de Eventos.

Na Bahia, a “camarotização” vem ganhando espaço desde o ano passado, em cidades como Santo Antônio de Jesus, Cruz das Almas, Senhor do Bonfim, Jequié e São Gonçalo dos Campos. Mas o processo ainda não avançou para cercadinhos, com “áreas vip” em frente ao palco.

“Sertanejização”(Breganojas)*

O outro filho da mercantilização dos festejos é a invasão sertaneja na programação. Os artistas do gênero mais tocado no mercado musical brasileiro foram atrações nas principais festas, recebendo os maiores cachês e exigindo mais tempo de apresentação que os demais artistas.

No início de junho, o cantor Flávio José, representante do tradicional forró pé-de-serra, protestou no palco de Campina Grande, por ter seu tempo de show reduzido. “Eu não tenho nenhum show para sair daqui correndo para fazer. Não foi ideia minha. Infelizmente, são essas coisas que os artistas da música nordestina sofrem”, disse. A atração seguinte, o sertanejo Gusttavo Lima, se apresentou por 2h30. ” Um show horroroso, que não tem absolutamente nada haver com as tradições Nordestina”… Esses Shows de personagens do Agro, são patrocinadores do Sul, Sudeste e Centro Oeste e das Redes de Comunicação, a Globo e as demais, que simplesmente, vão Alienando as pessoas, no cotidiano, para depois “Vender os seus produtos, o pacote do Agronegócio”, os mesmos financiadores dos tais Rodeios “…

O cantor cearense Fagner, que tem um disco histórico com Luiz Gonzaga, também reclamou durante seu show em Campina Grande: “Vamos fazer uma despedida porque tem uma programação, não é isso? Vai ter um sertanejo aí, desses patrocinados pelo Agro, não é isso?”, alfinetou. Portanto, querem silenciar a SANFONA, ZABUMBA E TRIÂNGULO do nosso Tradicional Forró de São João… Mas, não conseguirão, porque o nosso Povo Nordestino, não é besta e sabe exatamente quem é quem e separar, muito bem, quem presta, de quem não presta, ou seja quem são os Artistas que fazem o Verdadeiro FORRÓ PÉ DE SERRA, DE QUEM NÃO FAZ, NÃO SABE E NUNCA FARÁ. São João: Artistas reclamam da descaracterização e da invasão de “sertanejos” na festa. Viva o forró!

15 de junho de 2023 Letícia Lins Cultura e Diversão:

Não faz muito tempo. Eu trabalhava em um jornal de circulação nacional e estive com o fotógrafo alemão Hans Von Manteuffeul em Caruaru, para fazer uma reportagem sobre o que já se propagava como “o maior São João do mundo”. Foi uma dificuldade. No palco do Pátio do Forró se alternavam atrações que, infelizmente, nada tinham ao ver com os ritmos juninos. Era complicado, para nós, divulgarmos fotos de bandas de dançarinas seminuas que nem de longe lembravam o o verdadeiro clima da maior festa popular do Nordeste, sempre temperado com chita, xadrez, sanfona, triângulo e zabumba. Cadê o São João? Pelo que se observa, o problema observado naquela época até se ampliou. Ou os nordestinos se mobilizam logo, ou o São João vai virar festa de música sertaneja e bandas apelativas, de gosto duvidoso. Uma “bagaceira”.

Está aí o exemplo do cantor e sanfoneiro Flávio José. No último dia 2 de junho, ele teve que reduzir seu tempo de apresentação em Campina Grande, Paraíba, para ceder espaço para Gusttavo Lima, aquele “sertanejo” de cachês astronômicos normalmente bancados por prefeituras pobres e que terminam ficando na mira dos Tribunais de Contas. Chateado e com razão, ele fez um desabafo nas redes sociais que ganhou repercussão nacional. Contra a descaracterização e a invasão de “sertanejos”, fazem coro também, nomes como Maciel Melo, Bráulio Tavares, Edson Francisco. Este inclusive divulgou um protesto na Web, ao lado da filha, Maria Alice, de apenas cinco anos. “Não troco o forrobodó pela sofrência e pegação. Dispenso a depravação, que é coisa passageira. Fique aí com a bagaceira e devolva meu São João”. ALGUMAS REFERÊNCIAS: O conceito de cultura de massa e indústria cultural surgiu no século XX para descrever a produção artística e de entretenimento em larga escala, focada na padronização e no lucro. Os principais autores e suas obras clássicas de referência incluem:1. Theodor Adorno e Max Horkheimer Fundadores da Escola de Frankfurt, são os maiores críticos da mercantilização da arte, cunhando o termo “indústria cultural” para explicar a manipulação das massas. Livro fundamental: Dialética do Esclarecimento (1944).Coletânea essencial: Indústria Cultural e Sociedade (1947/coletâneas organizadas em português).2. Walter Benjamin Contemporâneo da Escola de Frankfurt, analisou como as novas tecnologias (fotografia e cinema) mudaram a forma como consumimos e percebemos a arte. Livro fundamental: A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica (1936).3. Edgar Morin Filósofo francês que estudou a cultura de massa sob uma perspectiva sociológica e antropológica, abordando seu diálogo com a cultura popular e o imaginário. Livro fundamental: Cultura de Massas no Século XX: O espírito do tempo (1962).4. Umberto Eco Semiólogo italiano que realizou uma análise profunda sobre os meios de comunicação e o papel do receptor diante dos produtos massificados. Livro fundamental: Apocalípticos e Integrados (1964).5. Néstor García Canclinia Antropólogo que analisa como a cultura de massa interage com as culturas locais, criando fenômenos de hibridação cultural na América Latina. Livro fundamental: Culturas Híbridas: Estratégias para entrar e sair da modernidade (1989). nais Seminário Interlinhas 2021 — Fábrica de Letras | 247 BAUMAN, Zygmunt. Ensaios sobre o conceito de cultura. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

NOTAS DE REFERÊNCIAS SOBRE O FORRÓ PÉ DE SERRA: O forró pé-de-serra (ou forró tradicional) é o formato original do gênero, caracterizado pelo trio de sanfona, zabumba e triângulo. Devido à sua importância histórica e cultural para o Brasil, o ritmo foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).Abaixo, estão listados os principais autores e obras, organizados em ordem alfabética, que discutem a história, a sociologia, as letras e o desenvolvimento dessa expressão musical:Araújo, Diego Corrêa de Obra: O forró pé-de-serra em São Paulo: histórias de vida. Abordagem: O historiador Diego Araújo documenta a trajetória e a resistência do forró na capital paulista através de entrevistas com músicos, compositores e produtores que ajudaram a difundir a cultura nordestina no Sudeste. Carlos, Antonio Obra: Série São Paulo é Forró do Gogó ao Mocotó (Vários volumes) e Referências do Forró. Abordagem: Baseada em mais de 200 entrevistas, a série de livros conduzida pelo jornalista foca nos protagonistas da cena pé-de-serra (artistas, radialistas e professores) e na sua dinâmica de mercado. Dias, Ivan & Dupan, Sandrinho. Obra: O que é o Forró? (2022).Abordagem: Um apanhado histórico da cultura forrozeira, diferenciando o estilo mais ortodoxo e rural de Luiz Gonzaga das vertentes mais urbanas de Jackson do Pandeiro, além de destacar a década de 1940.Fernandes, Cíntia S. & Herschmann, Micael Obra: Artigos acadêmicos como Revisitando Néstor Garcia Canclini: interculturalidade e políticas culturais (2011) e estudos sobre festas populares. Abordagem: Analisam as transformações socioculturais do forró, as tradições, os “artivismos” urbanos e a hibridação cultural do ritmo no ambiente metropolitano. Magno, Salatiel (Siqueira Alves, Salatiel Magno)Obra: O forró como narrativa de uma identidade sertaneja nordestina brasileira. Abordagem: Pesquisador e historiador, aborda como o trio Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira e Zé Dantas atuou na formatação de uma identidade cultural nordestina que migrou com sucesso para as áreas urbanas na indústria fonográfica. Marcelo, CarlosObra: O fole roncou! Uma história do forró. Abordagem: Uma das obras mais completas sobre o tema. Baseia-se em dezenas de entrevistas para narrar a ascensão do baião e do pé-de-serra desde os anos 1940, traçando um perfil de Gonzagão, Dominguinhos e outros ícones.

* Por Dirlei Bonfim – Poeta, Cantador, Ativista Cultural.

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