A literatura, quando encontra o carnaval, ganha alegoria, samba-enredo e a avenida. É esse encontro que marca a passagem de Itamar Vieira Junior, um dos autores brasileiros de maior projeção internacional na atualidade, pela 9ª Feira Literária de Mucugê – Fligê, que acontece entre os dias 13 e 16 de agosto, na cidade histórica da Chapada Diamantina.
O vínculo de Itamar com a feira remonta ao lançamento de “Torto Arado”, pela editora Todavia. Foi na Fligê, um mês após a publicação, que o escritor apresentou pela primeira vez ao público seu romance, em uma sessão de autógrafos que marca as histórias do escritor e da Feira Literária de Mucugê. Publicado em 2019, o livro soma mais de 1 milhão de exemplares vendidos e venceu prêmios como o Jabuti, o Oceanos e o LeYa.
Na Fligê 2023, Itamar viveu outro momento marcante: o primeiro encontro presencial com a artista e liderança indígena Célia Tupinambá, citada em seu segundo romance, “Salvar o Fogo”. Em 2024, foi o escritor homenageado da edição, reconhecimento que consolidou sua trajetória como uma das mais relevantes da literatura brasileira contemporânea. Agora, na 9ª Fligê, o autor chega à sua quarta passagem pela feira.
A programação de Itamar começa na sexta-feira (14), às 10h, na Praça dos Garimpeiros, com a Conversa Literária “Letra e Som”, um encontro com o cantor e compositor paraibano Chico César — dois autores que fazem da palavra matéria-prima tanto da literatura quanto da canção.
Mais tarde, às 16h, no mesmo local, acontece o capítulo que dá contorno especial à passagem de Itamar pela Fligê deste ano: a Mesa Especial “Literatura e carnaval: Torto Arado na passarela do samba”. A Unidos de Vila Isabel, escola de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, vai levar para a Sapucaí o enredo “Torto Arado – sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora em parceria com o pesquisador Vinícius Natal.
A proposta transforma o universo do romance em narrativa carnavalesca centrada na luta quilombola e no Jarê, religião de matriz africana tradicional da Chapada Diamantina que nunca havia sido tema de um desfile na avenida. Na mesa, Itamar se encontra com Gabriel Haddad, Leonardo Bora e Fábio Costa, diretor da GRES Unidos de Vila Isabel, para conversar sobre a transposição do romance para o desfile de 2027 — um encontro que aproxima dois universos culturais que, à sua maneira, têm a terra, a memória e a resistência como matéria-prima. O momento conta ainda com apresentação artística de Dandara Ventapane, primeira porta-bandeira, e Raphael Rodrigues, primeiro mestre-sala da escola.
Além dos dois encontros, Itamar também passa pela Fligêzinha, espaço dedicado às infâncias, para o lançamento de “Chupim” (Todavia), sua única obra voltada para o público infantil.