A imunidade contra a Covid-19 da vacina Sputnik V, produzida na Rússia, deve durar entre um e 2 anos, estimou um cientista que participa da produção da substância. A declaração foi dada por Denis Logunov, diretor adjunto do Trabalho Científico do Instituto de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia de Gamaleya, durante uma coletiva de imprensa virtual que aconteceu na manhã desta segunda-feira (19).
Segundo Logunov, o tempo real de imunidade “depende das pessoas”, mas mais informações estarão disponíveis ao final da pesquisa. Ele citou que a proteção contra a Ebola, por exemplo, durou dois anos. “Contra a Mers [Síndrome Respiratória do Oriente Médio] tínhamos duração de quase dois anos, um ano com certeza. Mas quanto tempo a população vai ser protegida, só vamos saber quando terminar essas fases [de testes]”, admitiu, durante um encontro organizado pelo Instituto Bering Bellingshausen para as Américas.
“Claro que temos muitos planos científicos, temos vários animais em testes, morcegos, hamster, e estamos observando como eles reagem. Isso também vai aumentar nosso conhecimento sobre a vacina e sobre seu funcionamento”, complementou.
Kirill Dmitriev, CEO do Fundo de Investimento Direto da Rússia (RDIF) e principal porta-voz da Sputnik V, avaliou que o grupo de desenvolvedores conseguiu superar o “ponto fraco” da vacina, que era a imunidade pré-existente ao adenovírus – utilizado como base para a proteção contra o novo coronavírus. A ideia foi usar as duas injeções, com dois vetores diferentes, para garantir a cobertura contra a doença. “É muito segura. Usa dois adenovírus diferentes. Mais de um ano, se calhar dois anos, a duração da vacina. E vemos que se tivermos duas injeções de dois vetores iguais, essa imunidade vai ser menor, de 3 a 6 meses. Pensamos que vai durar mais e vai ter eficácia por mais tempo”.
Ele também garantiu que os testes não apontaram efeitos colaterais graves. “Tem alguns efeitos colaterais, mas tivemos só um pouquinho de febre depois de ter vacinado essas pessoas. E isso destaca a nossa vacina de outras, porque como já sabem muitas fábricas pararam os ensaios por causa dos efeitos, e nós não tivemos isso porque nossa vacina usa a plataforma mais segura”, apontou – se se referindo aos estudos de Oxford (veja aqui) e Johnson & Johnson. *Bahia Notícias.