Vítima da Covid-19, um médico foi homenageado pelos colegas do Samu com um cortejo de ambulâncias nesta sexta-feira (14). Os veículos carregavam uma fita preta, em sinal de luto, e seguiram pelas ruas da cidade até o cemitério.

Francisco Honorato tinha 43 anos e era carinhosamente chamado de “Chicão”. Já no Samu, foi um dos primeiros médicos a chegar na tragédia da creche Gente Inocente de Janaúba (MG), que terminou com a morte de 10 crianças e três professoras.

O médico deu entrada na Santa Casa em 3 de agosto. Ele foi levado ao CTI no dia 6 e passou por entubação. Francisco tinha diabetes e faleceu nesta quinta-feira (13).

A coordenadora de enfermagem do Samu, Geane Cristie, diz que o médico “dava tudo para salvar o paciente”. Ele trabalhou no serviço por seis anos.

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do Norte de MG, Francisco foi o primeiro profissional da categoria a morrer por coronavírus na região.

“Era alguém que se dedicava muito, que amava a medicina e lutava pelo próximo. Estava na frente da batalha, lamentamos profundamente”, diz Carlos Eduardo Queiroz, que também foi colega de Francisco em um hospital de Montes Claros.

Medicina por amor

Antônio Cedrin também é médico e trabalhou com Chicão no Samu e na Santa Casa. Para ele, o colega e amigo será lembrado como profissional que exercia a medicina com comprometimento e muito amor.

“Acompanhar um colega, que labuta no dia-a-dia e que ombreia com você determinada missão, e o seu estado deteriorar apesar de todo esforço e de todo recurso utilizado é doloroso. Fica para a gente aquele pessoa com a cara de durão, que era grande porque tinha que caber naquele corpo enorme um coração gigante” G1.