AÇÕES BAHIA - PROJETOS INSTITUCIONAIS 0626 | DIGIT
CMVC - Junho
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CORTINA E CIA COLCHÕES

A comunidade de Vitória da Conquista, a Bahia e o movimento negro estão em luto pela perda de Elizabeth Ferreira Lopes, carinhosamente conhecida por todos como Beta. Importante liderança social e comunitária, Beta nos deixou nesta quarta-feira (5 de novembro), mas seu legado de luta, sua liderança, resistência e esperança permanecem inabaláveis, sendo uma chama que jamais se apagará.

Beta não foi apenas uma militante do movimento social; foi a personificação da ousadia da mulher negra, causa à qual se dedicou desde muito jovem, aos 14 anos de idade. Sua trajetória confunde-se, portanto, com a própria história de mobilização e conquistas da população afro-brasileira da Bahia.

Sua liderança foi central na Associação Cultural Agentes de Pastoral Negros (APN’s), onde atuou como coordenadora-geral, transformando a organização na mais relevante do movimento negro em Vitória da Conquista e região. Os APNs, sempre sob sua orientação, foram fundamentais no debate sobre ações afirmativas e políticas públicas de reparação étnica na cidade.

No final da década de 1990, Beta fundou o Pré-vestibular Dom Climério, que mais tarde se tornaria o Dandara dos Palmares. Este projeto social se tornou um farol, contribuindo decisivamente para que quilombolas, negros e negras e estudantes de baixa renda acessassem o ensino superior.

Sua filosofia de vida estava ancorada nesta convicção: “Nós acreditamos na educação. Sabemos que só através da educação em todos os sentidos é que vem o desenvolvimento e o crescimento de todo o povo”. O Dom Climério não apenas preparou para o vestibular, mas pavimentou o caminho para a cidadania plena através do conhecimento.

A militância de Beta foi fundamental para o reconhecimento e a defesa dos direitos dos povos tradicionais. Ela foi uma força vital no trabalho de reconhecimento de dezenas de comunidades remanescentes de quilombos em Vitória da Conquista e região. Seu comprometimento foi além: os APNs, em um feito inédito, fundaram a primeira Casa do Estudante Quilombola do Brasil, denominada Zumbi dos Palmares.

Para além dos conselhos e das salas de aula, Beta compreendeu a importância de apropriação dos espaços culturais. A militância de Beta e dos APNs floresceu a partir de um contexto de efervescência de movimentos que, em Vitória da Conquista, tinham no Carnaval de rua – com seus blocos afro, batucadas e afoxés – a matriz do surgimento dos movimentos negros. Os estudos acadêmicos atestam a importância dessa carnavalização como uma prática política, um momento de rompimento do status quo, de uso do corpo e da música para afirmar a identidade e lutar contra o racismo.

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