Na última quarta-feira, 11, o presidente da Câmara Municipal, Luciano Gomes (PL), reuniu-se com os moradores do Loteamento Cidade Bonita, os quais solicitam o apoio do legislativo para resolver o impasse com a Prefeitura Municipal com relação a um terreno que, segundo o executivo, pertence a uma área de preservação da Serra do Periperi. A desocupação da área e reintegração de posse ao município ocorreu há quase dois anos, mas até então não houve ação de acolhimento às 200 famílias que se encontravam no local.

A presidente da Associação de Moradores do Cidade Bonita, Iranilde Marinho, disse que a prefeitura não demonstrou interesse em dialogar com as famílias para encontrar uma solução, e que a Câmara se comprometeu, por meio de uma comissão, a intermediar o impasse, mas que até então não houve resposta.

Acompanhando o caso desde o início, o advogado dos ocupantes, Thassio Santana, que fez seu TCC sobre os conflitos entre meio ambiente e direito à moradia, defende que o direito à moradia é tão importante quanto o do meio ambiente equilibrado, e que ao retirar os ocupantes, não houve resultado positivo para o meio ambiente, pois a área desocupada é utilizada para descarte de animais mortos e entulho, não havendo qualquer ação da prefeitura no sentido de sequer reflorestar o local.

“A gente questiona qual é o real interesse do município, porque nada foi feito no terreno nesses dois anos, enquanto isso as famílias que lá estavam vivem em condições subumanas, em casas de parentes, em garagens, porque são pessoas carentes que não têm para onde ir”, afirmou.

Após ouvir as famílias, o presidente da Câmara decidiu convocar a comissão para uma nova visita ao Cidade Bonita, no dia 19 de setembro, às 14h, para verificar in loco qual a situação do terreno. “Nós recebemos as famílias aqui na Câmara, ouvimos as reivindicações e vamos a uma visita ao local para entendermos de fato o que está acontecendo. Depois disso, o legislativo tentará intermediar esse conflito de forma que possamos respeitar a decisão da justiça de não agredir o meio ambiente, mas também garantir a dignidade às pessoas que lá estão por meio de um diálogo com o Governo Municipal”, concluiu.