Quase cinco anos após um dos crimes mais bárbaros e revoltantes da história recente de Vitória da Conquista, o Caso Sashira volta ao centro do debate público — não apenas pela expectativa de Justiça, mas também pela indignação que insiste em acompanhar cada novo capítulo dessa tragédia.
O julgamento de Rafael de Souza Lima, apontado pela Polícia Civil como mentor e principal acusado do assassinato da jovem Sashira Camilly Cunha Silva, está oficialmente marcado para o dia 10 de fevereiro de 2026, às 8h, conforme informações obtidas pelo *Blog do Sena*. A sessão do júri popular, no entanto, não será realizada em Vitória da Conquista, mas sim em Feira de Santana, a cerca de 404 quilômetros de distância — decisão que reacende a dor, a revolta e o sentimento de injustiça da família.
O crime, ocorrido em 2021, chocou não apenas Vitória da Conquista, mas toda a Bahia, alcançando repercussão nacional. Sashira tinha apenas 19 anos, era estudante, cheia de sonhos e teve a vida interrompida de forma cruel. De acordo com as investigações, ela foi atraída pelo ex-namorado e assassinada com requintes de crueldade. O corpo da jovem foi abandonado em um terreno baldio na zona rural de Planalto, município a cerca de 50 quilômetros de Conquista, sendo encontrado dias depois, já em avançado estado de decomposição.
À época, a brutalidade do crime gerou comoção coletiva, protestos e pedidos por Justiça. Para a família, o luto nunca veio sozinho: veio acompanhado da dor diária e da sensação permanente de que aquela tragédia poderia ter sido evitada. Sashira é lembrada como uma jovem alegre, inteligente, cheia de planos e muito querida por todos que a conheciam.
Desde então, o processo judicial se arrastou por anos, marcado por audiências adiadas, recursos e entraves jurídicos. Cada novo adiamento foi, para os familiares, como reviver o crime. Agora, com a confirmação da data do júri, o sentimento é ambíguo: esperança de finalmente ver o acusado diante dos jurados e revolta pela retirada do julgamento da cidade onde tudo aconteceu.
A transferência do júri para Feira de Santana ocorreu por meio do chamado “desaforamento”, instrumento previsto no Código de Processo Penal, que permite a mudança de comarca em casos de risco à ordem pública, dúvida sobre a imparcialidade dos jurados ou questões de segurança. No Caso Sashira, a justificativa aceita foi a de que a grande repercussão do crime em Vitória da Conquista poderia comprometer a imparcialidade do júri.
Para a família, porém, a decisão soa como mais uma injustiça: além da dor de perder Sashira, agora precisam enfrentar uma longa viagem para acompanhar um julgamento que, para eles, deveria acontecer exatamente onde a jovem viveu, estudou e foi assassinada.
Mesmo diante da distância e do sofrimento que o tempo não apagou, familiares, amigos e apoiadores prometem se mobilizar para estar em Feira de Santana no dia 10 de fevereiro de 2026. A presença será mais do que um ato de apoio: será um grito por Justiça e um símbolo de resistência contra a violência que continua ceifando vidas de mulheres todos os dias.
Quase cinco anos depois, o Caso Sashira permanece como um lembrete cruel de que o feminicídio destrói não apenas uma vida, mas famílias inteiras e comunidades inteiras. Para quem ficou, resta a esperança de que o julgamento represente, ao menos, uma resposta firme do Estado diante de um crime que marcou para sempre Vitória da Conquista.
*Com informações do Blog do Sena.*