Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Nesta terça-feira (28), o UP Notícias entrevistou o jurista, advogado, político e ex-ministro da Justiça do Brasil, José Eduardo Cardozo. Durante a entrevista, o ex-ministro discutiu sobre a reforma do Poder Judiciário e do sistema político como um todo, liberdade de expressão e limites legais que devem ser seguidos e também descreveu a política nacional como “desconjunta”.
José Eduardo Cardozo foi ministro da Justiça entre 2011 e 2016, participou da Advocacia Geral da União (AGU) para defender a ex-presidente Dilma Rousseff durante o processo de impeachment e atua hoje como advogado, professor de Direito das universidades PUC e ESPM e comentarista político do quadro “O Grande Debate” do canal CNN Brasil.
Cardozo afirmou que o Brasil “desconjuntou” institucionalmente após o processo que levou ao impeachment de Dilma em 31 de agosto de 2016. “Parece que quando há aquilo que eu chamo de golpe de Dilma Rousseff, nós passamos a ter um enfraquecimento cada vez maior do executivo. O parlamento conseguiu construir a ideia do orçamento impositivo. Tudo que gera conflito é levado ao Judiciário. O Judiciário nem sempre respeita os limites da sua atuação”, explicou.
O ex-ministro afirmou que o sistema brasileiro está defasado, o que gera corrupção, descontrole e falta de governabilidade. “O único caminho é uma reforma política que possa recolocar o Brasil nos eixos. Se nós não fizermos isso, eu não tô vendo saída no fundo do túnel não. O problema é que a sociedade ainda não percebeu que o nosso sistema político é o responsável disso”, declarou Cardozo.
Um dos principais pontos discutidos na reforma do sistema judiciário é o aumento na agilidade e eficiência do sistema de justiça. O Judiciário brasileiro registrou mais de 83 milhões de processos em tramitação no ano de 2023, um número recorde, e começou o ano de 2026 com 75 milhões de processos pendentes, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
“A justiça brasileira é sobrecarregada já, acho que há mais de um século e a coisa cada vez mais se agrava. Isso implica em duas situações: na morosidade ou na falta de tempo para reflexão por parte de magistrados para tomarem decisões jurídicas justas e de qualidade. Então, eu acredito que isso precisa ser revisto. Nós precisamos adotar formas em que a justiça seja mais ágil, mais coerente e, portanto, mais harmoniosa”, reiterou o ex-ministro da Justiça.
Confira a entrevista completa com José Eduardo Cardozo: