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Por Alexandre Tavares

O Turismo é conhecido no meio econômico como “Indústria sem chaminés”, termo que retrata ser a atividade um importante segmento da economia que traz desenvolvimento ecologicamente e socialmente corretos e que é hoje a atividade econômica que mais cresce e se desenvolve em todo o planeta. Essa classificação se firma na forma em que o produto turístico é apresentado e vendido ao consumidor e aos prestadores de serviços turísticos (trade turístico), pois ela só terá sucesso se for motivada e acompanhada pela conservação ambiental, cultural e histórica e alicerçada em valores como remuneração justa aos serviços prestados, compromisso com a qualidade no atendimento e nos equipamentos de hospedagem, alimentação, transporte e serviços do receptivo, como animação turística, serviços de guias e outros, isso aliado ao comprometimento das administrações públicas em buscar investimentos e ofertar financiamentos ao desenvolvimento das atividades praticadas, além de manter e ofertar infraestrutura adequada aos serviços, como por exemplo o transporte com estradas, portos e aeroportos adequados e suficientemente preparados para receber o turista.


O Brasil é um país com um excelente potencial turístico, mas que precisa adequar a sua “indústria” a um mercado extremamente exigente – pesquisas da EMBRATUR realizadas nas duas décadas passadas, na era anterior ao whatsApp e redes sociais, mostram que um turista bem atendido divulgava o fato à duas outras pessoas enquanto o turista insatisfeito divulgava a outras 10 pessoas, imagine-se nos dias de hoje como ficaria essa disseminação de informações? Uma ameaça ao nosso desenvolvimento turístico, pois aqui ainda se pratica a máxima de explorar o turista e não o turismo. Finalmente depois de três décadas o Brasil se tornou a partir de 2014/2015 o maior destino turístico internacional na América do Sul, recebendo em 2017 cerca de 6,5 milhões de turistas estrangeiros, à frente da Argentina, Chile e do Perú – que com dois produtos (Machu Picchu e a gastronomia) era o primeiro destino da América do Sul das décadas de 1970 até o ano 2.000. Muita coisa foi feita para chegar a esse patamar, e não foi fácil. Em meados da década de 1990 a EMBRATUR – Instituto Brasileiro do Turismo iniciou o PNMT – Plano Nacional de Municipalização do Turismo, iniciativa que dentre outras coisas instrumentalizou a prática do planejamento estratégico para o desenvolvimento do turismo nas unidades municipais que faziam parte do antigo RINTUR – Roteiro de Informações Turísticas. A partir daí, foi uma sequência de planos e projetos que visavam a autonomia dos municípios em relação ao desenvolvimento turístico e que deu certo para aquelas unidades que seguiram a cartilha.

Hoje, com o Programa de Regionalização do Turismo, o Ministério do Turismo atua com a inserção de produtos turísticos a partir dos municípios alocados em rotas regionais, em que se agrupam esses produtos por similaridades geográficas, ambientais e histórico culturais buscando o desenvolvimento das regiões turísticas em que se firmam os municípios de oferta principal, os de oferta complementar e oferta de apoio ao turismo. A Rota Turística Caminhos do Sudoeste foi criada em 2015 com objetivo de promover o desenvolvimento turístico regional a partir de uma integração entre os municípios com potencial turístico, incluindo esses no Mapa do Turismo do Brasil – iniciativa do Ministério do Turismo para divulgar os serviços turísticos e cadastrar os prestadores de serviços turísticos em todo país. O Mapa é um excelente veículo de divulgação do turismo nas esferas regionais, nacional e internacional, pois o Mtur registra um número muito grande de acessos ao produto turístico brasileiro através do site do Mapa.

Mas, para tanto se faz necessário que o trade turístico insira e cadastre suas ofertas através do site, e que os municípios façam a sua parte: criação e instalação dos conselhos municipais de turismo, criem dotação orçamentária específica para o turismo e instalem órgãos municipais de turismo (secretaria, diretoria, coordenação, etc). Mas, só isso não é suficiente, é preciso que o trade e municípios desenvolvam ações para transformar o potencial turístico em “Produto Turístico”, que nada mais é que dotar de infraestrutura suficiente os atrativos (potencial) ao receptivo turístico, coisa que ainda estamos longe, pois se pensarmos nas vocações turísticas da Rota Caminhos do Sudoeste, com sua natureza exuberante em fauna, flora, cachoeiras, montanhas e vales; o grande volume de negócios e eventos, a riqueza cultural das manifestações folclóricas e festas populares e a riqueza arquitetônica de casarões urbanos e rurais, dentre várias outras – percebemos que temos inúmeros entraves ao bom desempenho do segmento na região, como a falta de estradas adequadas, falta de informações turísticas, insuficiência e baixa qualidade da hospedagem e serviços de alimentação, baixa qualificação dos prestadores de serviços, dentre outros e, principalmente a falta de visão e vontade política dos gestores municipais. Portanto, muitas coisas ainda precisam ser feitas para a instalação da “Indústria sem Chaminés” na Rota Caminhos do Sudoeste, mas acredito que a primeira a ser feita é aumentar a prática do sorriso – que é a alma do turismo – o sorriso abre portas e incentiva o retorno, não é à toa que o principal slogan de nosso estado é: “Sorria, você está na Bahia”.

Por Alexandre Tavares
Diretor do TRIP CLUBE
Engenheiro Agrônomo, pela Universidade Federal do Amazonas

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