A sessão da Câmara Municipal de Vitória da Conquista realizada nesta sexta-feira (25) foi marcada por um amplo debate sobre os problemas urbanos da cidade, a fiscalização de obras públicas, ações comunitárias e a movimentação política no município.
Infraestrutura, meio ambiente e serviços públicos
O descarte irregular de resíduos sólidos em pontos estratégicos do município foi um dos alertas levados à tribuna pelo vereador Adinilson Pereira (União Brasil). Citando acúmulos de lixo às margens da BR-116 e em localidades como o loteamento Jaraguá e a região de Lagoa das Flores, o parlamentar cobrou rigor das secretarias de Serviços Públicos e de Meio Ambiente.
“A entrada da nossa cidade está ficando feia e precisa a Secretaria de Serviços Públicos abrir o olho e fiscalizar”, declarou Adinilson, afirmando que seguirá levando as denúncias ao plenário.
A prestação de serviços municipais também fundamentou o pronunciamento de Paulinho Oliveira (PSDB), que criticou a falta de retorno de setores da Prefeitura às indicações protocoladas pelos vereadores. O parlamentar ponderou que os pedidos do Legislativo traduzem as necessidades diretas dos bairros.
“Quando chega uma indicação para um gerente, um coordenador ou um secretário, nada mais é do que uma solicitação da população. Ele não está fazendo nada para o vereador, está fazendo para o povo”, destacou Paulinho, pedindo que divergências políticas não atrapalhem o atendimento às demandas comunitárias.
Obras, investimentos e embates políticos
A destinação de recursos públicos e a paternidade de obras geraram discussões acaloradas entre os parlamentares. O vereador Subtenente Muniz (PDT) celebrou o anúncio da reforma e ampliação da Escola CAIC, localizada na Zona Oeste, que receberá um investimento de R$ 13 milhões após três décadas de gestão municipal, além de mencionar projetos para a reestruturação de uma creche comunitária na região.
Por outro lado, Alisson da Educação (União Brasil) fez críticas a políticos que, segundo ele, apresentam promessas de obras estruturantes apenas em anos eleitorais.
“Quero dizer à população para não acreditar em obras que estão no papel. Me preocupa quando colegas aqui desta Casa vêm defender obras, como entregas de escolas pelo Governo da Bahia, sendo que os recursos foram dos precatórios do FUNDEB”, afirmou Alisson.
Em resposta, Luciano Gomes (PCdoB) deu as boas-vindas ao colega, mas defendeu o reconhecimento de intervenções estaduais no município, a exemplo das obras na Avenida Presidente Vargas e da licitação para a pavimentação asfáltica entre os povoados de Barrocas e Cabeceira da Jiboia.
“Desmerecer obras tão importantes para Vitória da Conquista é muito ruim. Os atrasos nas obras são culpa de processos licitatórios, não do Governo. O que foi feito, a gente precisa reconhecer”, pontuou Luciano.
Ainda no tocante aos recursos estaduais e à presença em comunidades rurais, Ricardo Babão (PSDB) ressaltou sua atuação junto a lideranças para a chegada de pavimentação asfáltica. O vereador criticou figuras políticas que aparecem em regiões rurais apenas em véspera de pleito para gravar vídeos em intervenções que não acompanharam.
A aplicação de verbas públicas em equipamentos esportivos também foi questionada por Alexandre Xandó (PT), que criticou a atual situação do Estádio Municipal Murilo Mármore (Murilão), reformado via financiamento do FINISA e entregue em 2023.
“Três milhões de reais jogados fora! Estive lá e a situação de degradação da obra está a mesma. Uma obra entregue em 2023 e que em 2026 não tem mais nada do que foi investido. Isso é um absurdo”, denunciou Xandó, informando que acionará o Ministério Público.
Relações institucionais e a Mesa Diretora
A relação entre os poderes e os bastidores do Executivo municipal pautaram a fala da vereadora Dra. Lara (Republicanos), que abordou pronunciamentos recentes feitos por ela e pela prefeita Sheila Lemos, pontuando que o seu partido não compõe mais a base governista.
“Não possuo nenhum cargo na prefeitura. Meu esposo, vice-prefeito, também não tem nenhum cargo relevante. A prefeita governa sozinha e usa os partidos conforme sua conveniência”, afirmou Dra. Lara, que declarou vir sofrendo perseguição política.
Em contrapartida, a composição da Mesa Diretora da Casa foi celebrada pela vereadora Léia Meira (PSD), que destacou o protagonismo feminino com a confirmação de duas vereadoras na nova formação sob a condução do vereador Ivan Cordeiro. Léia também registrou o andamento da perfuração de um poço artesiano no povoado de Furadinho, reforçando seu compromisso com o abastecimento de água na zona rural.
Conscientização, bem-estar animal e mobilidade
O vereador Andreson Ribeiro (PCdoB) aproveitou o expediente para parabenizar os profissionais de comunicação pelo Dia Nacional do Rádio e ressaltar a relevância das campanhas relativas à Semana Nacional de Trânsito. Andreson também elogiou as medidas da gestão municipal voltadas à substituição de carroças de tração animal por veículos motorizados, destacando a importância da iniciativa para o combate ao trabalho infantil e para o bem-estar dos animais.
Eventos religiosos, esportivos e integração comunitária
As tradições de fé e o calendário cultural de Vitória da Conquista ocuparam espaço relevante nos discursos dos parlamentares. Ricardo Gordo (PSB) destacou os preparativos para a construção da nova Unidade Básica de Saúde (UBS) do Conveima 1, além de registrar as celebrações da festividade de Nossa Senhora do Rosário — que envolve a entrega da Rua Padre Aguiar totalmente pavimentada — e eventos dedicados a São Vicente de Paulo e São Cosme e Damião.
A integração entre esporte e religiosidade marcou o pronunciamento da vereadora Cris Rocha (MDB), que convidou os munícipes para a primeira edição da Francisca Run, corrida promovida pela Paróquia Nossa Senhora de Fátima e Santo Antônio de Lisboa agendada para este sábado (26), com percurso até o Centro Cultural Gláuber Rocha.
“É um evento muito especial, que vai reunir três coisas que são pilares do meu mandato: fé, saúde e esporte. O nosso mandato estará sempre à disposição para apoiar iniciativas que levam lazer e qualidade de vida para a nossa população”, destacou Cris Rocha.
A dimensão social e cultural do calendário religioso também foi abordada por Alexandre Xandó (PT), que lembrou as celebrações de São Cosme e Damião tanto no catolicismo quanto nas religiões de matriz africana, ressaltando a tradição da distribuição do caruru como um gesto de combate à fome nas comunidades periféricas da cidade.