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CORTINA E CIA COLCHÕES

Nesta sexta-feira dia 9 de janeiro, às 9 horas, na Praça 9 de Novembro, centro de Vitória da Conquista, movimentos sociais, entidades do movimento negro, estudantes e organizações populares realizarão protesto denunciando o fechamento da Casa do Estudante Quilombola Dandara dos Palmares.

A Adusb estará presente no ato, reafirmando sua solidariedade de classe e seu compromisso histórico com a defesa da educação pública, do direito à permanência, diplomação e da luta antirracista.

Desmonte sistêmico: das escolas rurais à universidade

O fechamento da Casa do Estudante Quilombola, realizado em 5 de dezembro de 2025, não é um fato isolado, mas faz parte da política municipal em se recusar a assegurar condições dignas para que a classe trabalhadora possa estudar com dignidade. Dados levantados com base no cruzamento de diferentes fontes e documentos, incluindo informações obtidas via Lei de Acesso à Informação, levantamento do Conselho Quilombola do Sudoeste Baiano e pesquisa da UESB sobre o encerramento das atividades de escolas do campo, revelam que a Prefeitura de Vitória da Conquista fechou 14 escolas em comunidades quilombolas num intervalo de cinco anos. Esta situação reafirma o projeto de exclusão social dirigida especialmente à população negra, reafirmando assim um projeto de sociedade racista do governo Sheila Lemos, que contou com a devida conivência do legislativo local .

A política de “nucleação”, então instituída, obriga crianças e adolescentes a percorrerem longas distâncias para estudar, desenraizando-os de seus territórios. Essa estratégia adotada pelo governo, principalmente na área da educação, consiste em fechar escolas pequenas (geralmente rurais, indígenas ou quilombolas) e transferir estudantes para unidades maiores e centralizadas, chamadas de escolas-núcleo. Agora, ao fechar também a citada Casa do Estudante, o poder público municipal ataca a outra ponta do ciclo educacional, inviabilizando a permanência daquelas/es que conseguiram, com muita luta, chegar à universidade. Trata-se de um projeto de exclusão que atinge a juventude negra do ensino fundamental ao superior.

O fechamento de escolas e a recente desativação da Casa do Estudante Quilombola não são apenas escolhas administrativas equivocadas; são violações de direitos garantidos por lei. A postura da Prefeitura desrespeita a Lei nº 12.960/2014, que proíbe o fechamento de escolas do campo sem justificativa técnica e anuência da comunidade, e ignora a Convenção 169 da OIT, que obriga os governos a consultarem os povos de comunidades tradicionais, mediante procedimentos apropriados, cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente. Trata-se de uma política de apagamento que, ao negar a pedagogia quilombola e as condições de permanência estudantil, aprofunda o racismo estrutural e institucional no município.

Prioridades invertidas: R$ 400 milhões para obras, zero para permanência

A violência simbólica e política do fechamento da Casa do Estudante se agrava pelo contexto orçamentário. A medida foi anunciada no mesmo dia em que a Prefeitura encaminhou à Câmara de Vereadores um pedido de empréstimo de R$400 milhões, sem a devida transparência sobre a destinação dos recursos.

A mensagem deixada pela gestão municipal é que para o capital e para obras de infraestrutura sem explicação detalhada, há pressa e verba abundante. Para políticas públicas voltadas à população negra e quilombola, como a manutenção de um espaço de moradia, sobram o abandono, o descaso e o corte de verbas.

A invisibilidade de uma população majoritária

Segundo o Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Bahia é o estado com a maior população autodeclarada quilombola do Brasil, com aproximadamente mais de 397 mil pessoas integrando esse grupo étnico, o que corresponde a cerca de 30% da população quilombola recenseada no país. Vitória da Conquista figura entre os dez municípios com maior população quilombola do Brasil, somando cerca de 12 mil pessoas e 33 comunidades certificadas pela Fundação Palmares, sendo apenas uma urbana, o Beco de Vó Dôla.

Apesar dessa força demográfica, a presença quilombola não se traduz em direitos. O reconhecimento formal das comunidades não tem garantido acesso à terra, saúde ou educação. Pelo contrário, a retirada de equipamentos públicos demonstra que, no plano municipal, prevalecem decisões racistas e voltadas aos interesses da elite.

O gargalo do Ensino Superior na Uesb

A luta pela Casa do Estudante Quilombola é vital porque o acesso à universidade já é, por si só, restrito. Na Uesb, embora existam ações afirmativas, os números ainda são insuficientes para a demanda regional. Das mais de 1.000 vagas anuais (1.019 em 2025; 1.029 em 2026), mais da metade vai para ações afirmativas, mas sem cota específica exclusiva para quilombolas nessa modalidade, diluindo essa população em categorias amplas. Houve avanço com a oferta de vagas extras, mas ainda insuficiente para atender a real necessidade desta população. No PSAI 2026.1, foram 38 vagas exclusivas para quilombolas, uma por curso.

Contudo, de nada adianta garantir a vaga para ingressar na educação superior se a Prefeitura Municipal nega a estrutura para que o estudante do campo possa viver e estudar na zona urbana. É necessário e urgente ampliar o acesso na educação superior, defender políticas afirmativas efetivas, não só para a entrada na universidade, mas também lutar para que estes estudantes tenham reais condições de permanência e diplomação.

Por reparação e justiça

Investir em políticas públicas para a população quilombola não é favor, é obrigação constitucional e reparação histórica. Educação pública de qualidade, permanência estudantil e respeito aos territórios são inegociáveis.

A Adusb convoca a categoria e a sociedade para somar forças neste dia 9. Sem reparação não há justiça, e sem investimento público não há inclusão.

Fonte: ADUSB

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A paralisação das atividades acadêmicas no dia 12 de abril foi aprovada na Assembleia Extraordinária da Adusb, que aconteceu na tarde desta terça-feira, 4, no campus de Jequié. Docentes consideraram que, diante da conjuntura política, a atividade é fundamental, tendo em vista os 8 anos de arrocho salarial e as pautas de reivindicações não atendidas pelo governo estadual.

LEIA O QUE DIZ A NOTA DA ADUSB

Análise de Conjuntura 

As perdas salariais já somam 53% referentes aos 8 anos de Governo Rui Costa (PT) e, desde o início do governo Jerônimo Rodrigues (PT), o Fórum das Associações Docentes das Universidades Estaduais busca abertura de negociação. Já se passaram diversas reuniões, com a Serin (Secretaria de Relações Institucionais), com a Saeb (Secretaria de Administração do Estado da Bahia) e com o Fórum de Reitores e Reitora.

Esses encontros aconteceram desde o dia 23 de janeiro, mas não houve nenhuma resposta concreta. Além disso, o Fórum dos Sindicatos Baianos também tem reivindicado o aumento para as servidoras e servidores estaduais. Ainda na construção da luta conjunta, neste 5 de abril, acontece um panelaço em frente à governadoria, em Salvador, convocado pela CTB.

Paralisação 

Diante desse cenário, a paralisação das atividades docentes no dia 12 de abril foi aprovada pela assembleia, já que não existe perspectiva para negociação com o governo estadual. Nesta quarta-feira, 5, acontece uma reunião do Fórum das ADs para organizar o ato, que deve ocorrer em Salvador.

“A nossa base está inquieta com toda essa conjuntura de arrocho salarial, não abertura de negociação e a falta de perspectiva para que as nossas pautas sejam atendidas. É daí que vem a necessidade de reunir os docentes das quatro Universidades Estaduais para reivindicar as nossas pautas e lutar pela melhoria das condições de trabalho da nossa categoria”, reitera Alexandre Galvão, presidente da Adusb.

60º Encontro Regional Nordeste III

Acontece entre os dias 14 e 15 de abril o 60º Encontro Regional Nordeste III do Andes-SN, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Durante a assembleia, foram retirados os nomes que representarão a Adusb no evento.

Vão participar Alexandre Galvão, Alba Benemérita, Andréa Gomes, Daniel Mello, Iracema Lima, Jorge Nascimento e Silvana Nascimento. Acesse a programação do Encontro. 

Fundo de mobilização para as atividades

Para realizar as atividades anteriormente expostas (Paralisação e Encontro Regional Nordeste), a diretoria solicitou à assembleia a utilização do Fundo de Mobilização. O aporte foi aprovado.

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A presidente da associação de professores da UESB, Soraya Adorno, conversou ao vivo de Salvador com os jornalistas Deusdete Dias e Maciel Júnior, no Redação Brasil desta quinta-feira (6), e falou sobre a relação tumultuada entre o governo do Estado e a categoria, em greve desde abril. A docente lamentou que o governador Rui Costa tenha deslocado forças policiais para proteger a Secretaria de Educação, onde os grevistas estão acampados desde terça-feira (4).

Soraya Adorno também condenou a postura do governo de negar abrigo aos professores nas dependências da Secretaria de Educação depois que um temporal atingiu a capital baiana. Segundo ela, faltou sensibilidade ao comando policial, que os obrigou a permanecer ao relento, apesar das argumentações da categoria, que esclareceu os riscos de um novo temporal.

“Todas as nossas barracas que estavam em frente a Secretaria de Educação do Estado da Bahia molharam, nossas roupas, nossos colchonetes, todos os nossos pertences. Já prevendo que a chuva iria continuar, […] entramos na Secretaria Ciência e Tecnologia para nos abrigar e fomos recebidos pela Polícia Militar, do governo Rui Costa, de maneira ostensiva, violenta, sem compreender que nós […] não poderíamos continuar ao relento”, conta Soraya Adorno, presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Confira a participação de Soraya Adorno direto de Salvador para o Redação Brasil

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