A desocupação do Parque Nova Cidade e as medidas de apoio às famílias desabrigadas foram tema de uma reunião, nessa segunda, 12, entre vereadores da Bancada de Oposição, Professor Cori (PT), Fernando Jacaré (PT) e Nildma Ribeiro (PCdoB), moradores da ocupação, Defensoria Pública e representantes da Prefeitura Municipal – o procurador municipal, Murilo Mármore, e os secretários José Antônio Vieira (Infraestrutura Urbana), Luzia Viera (Meio Ambiente) e Irma Lemos (Desenvolvimento Social). O encontro aconteceu na Câmara Municipal.
47,2% da área da ocupação não faz parte do parque – O advogado Alexandre Xandó, representante de parte dos moradores, explicou que existe o receio de uma nova reintegração de posse e uma petição, de autoria da prefeitura, pede a prisão dos moradores. “Precisa sensibilidade com a causa”, disse. Ele afirmou que os moradores perderam a confiança na gestão municipal e avaliou que a reintegração não resolveu o problema das famílias, que continuam sem moradia. O advogado pediu uma posição mais objetiva da prefeitura sobre o apoio às famílias. Iranilde Marinho, moradora da ocupação, cobrou celeridade da prefeitura numa solução. Ela relembrou a reintegração e os momentos de medo e apresentou cartuchos recolhidos no dia da desocupação.
O número total de famílias que residiam na ocupação foi um dos pontos discutidos. A prefeitura apontou cerca de 40 famílias e a Defensoria quase 100. A assistente social do Núcleo de Apoio Psicossocial (NAP) da Defensoria Pública, Deborah Santana, afirmou que as pessoas identificadas pela prefeitura e pela Defensoria são uma amostra da ocupação. Ela advertiu que a Secretaria de Desenvolvimento Social deve fazer uma análise mais ampla para identificar o número exato de famílias que residiam na ocupação. Uma reunião, para o dia 16 de março, foi agendada entre Santana e a equipe da secretaria de Desenvolvimento Social. A expectativa é que os dois órgãos troquem dados e métodos de apuração.
A defensora pública, Jeane Meira Braga, pediu à prefeitura para alinhar as ações dos seus vários órgãos envolvimentos na situação. Ela apontou que 47,2% da área da ocupação não faz parte do parque. O dado veio de um estudo encomendado pela própria Defensoria. Jeane afirmou que essa parte pode ser enquadrada como área verde ou institucional, podendo ser liberada para projetos de habitação. A Secretaria de Meio Ambiente afirmou desconhecer esse dado. A ideia é verificar os dados e possivelmente dialogar com o Ministério Público para um novo estudo sobre o parque.
Luzia Vieira defendeu a recuperação ambiental da área – A secretária ressaltou que a degradação do parque causa impactos negativos na cidade como enxurradas em época de chuva. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, existe um Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público, de 2017, que prevê uma série de medidas para o parque, entre elas o estabelecimento de marcos físicos delimitando as fronteiras do espaço, a desocupação de moradias irregulares e a recomposição florestal. Xandó lembrou que o TAC também prevê o cadastro e assistência de famílias ocupantes de áreas do parque.
Já o secretário José Antônio frisou que o Brasil sofre com um alto índice de déficit habitacional e que a prefeitura é sensível à causa dos moradores. Entretanto, ele lembrou que as famílias foram notificadas antes da desocupação e sabiam que o local é impróprio para moradia.
A vice-prefeita e secretária de Desenvolvimento Social, Irma Lemos, lembrou que o problema é antigo. Ela apresentou um estudo realizado por sua secretaria e disse que tem buscado uma solução para as famílias. Irma informou que a secretaria estabeleceu algumas ações e deve beneficiar algumas famílias com o aluguel social, R$ 250,00. Entretanto, ela lembrou que o valor é pequeno e que, dificilmente, será o suficiente para custear o aluguel de uma casa.
Vereadores querem posicionamento da prefeitura – O vereador Professor Cori pediu explicações à prefeitura sobre quais medidas de apoio às famílias foram ou serão tomadas. O edil ainda frisou que é necessário checar quais, efetivamente, são as coordenadas geográficas do parque. Cori mediou a reunião e pediu que a prefeitura avance na discussão, apresentando uma solução.
O vereador Jacaré pediu objetividade à prefeitura e falou que “não se quer discutir a mesma coisa”. Ele afirmou que é preciso dar prosseguimento às negociações e identificar uma saída para o parque e para os moradores da ocupação.
Nildma destacou que algumas das propostas de apoio da prefeitura aos moradores não são adequadas. Segundo Irma Lemos, a prefeitura ofereceu abrigo na Casa do Andarilho, atendimento às crianças no Cras, quota de refeições no Restaurante Popular, mas as medidas foram recusadas pelas famílias. Nildma explicou que a Casa do Andarilho é de passagem e não aceira crianças, o que torna inviável a estadia das famílias. Situação confirmada pela moradora Iranilde Marinho. Ela tem duas netas que tem autismo. A vereadora quer uma ação mais ampla e definitiva para as famílias desabrigadas.
Durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Vitória da Conquista (CMVC), nesta quarta-feira, 28, a vereadora Viviane Sampaio (PT) acusou o prefeito Herzem Gusmão (MDB) de vitimizar o eleitorado conquistense com o “maior estelionato eleitoral vivenciado em Vitória da Conquista”. Segundo ela o Herzem Gusmão da campanha é bem diferente do Herzem Gusmão que hoje chefia as ações do Executivo Municipal.
Para ela, a forma como tem tratado os profissionais dos carros de som publicitário é só mais uma demonstração do “estelionato”. “Pudemos ver mais uma vez a incoerência do discurso do prefeito Herzem Gusmão na época da campanha e depois que assumiu o poder”, disse a parlamentar. “A maioria da população de Vitória da Conquista foi induzida ao erro do projeto da enganação, onde as promessas de campanha foram imediatamente esquecidas pelo prefeito assim que assumiu o poder”, apontou.
Viviane apontou que Herzem Gusmão chefia um governo que desrespeita até mesmo as decisões judiciais. “Infelizmente nós estamos num Governo sem Leis, que descumpre decisões judiciais”, avaliou. “É muito vergonhoso para nós que defendemos a população de Vitória da Conquista ser todo dia abordado com escola faltando funcionários, professor, com o Conquista Criança não funcionando em tempo integral por falta de alimentação, com as unidades de saúde carecendo de insumos, de materiais de profissionais”, disse ela.
Fonte: ASCOM/CMVC