O secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, criticou o cantor Igor Kannário nesta terça-feira (25), afirmando que ele teve uma postura irresponsável e que expôs as guarnições da Polícia Militar que atuavam ontem no Campo Grande à violência. De cima do trio, comandando sua pipoca, Kannário criticou a PM, comandou vai à PM e chamou a polícia de “bunda mole”, entre outras críticas. “É repugnante, é inaceitável, não há justificativa para as palavras que foram proferidas por Igor Kannário”, afirmou.
Barbosa afirmou que é responsabilidade de Kannário qualquer violência que aconteça na sua pipoca, depois dos comentários feitos.
“Da mesma forma como ele se refere, que qualquer coisa que acontecer com ele é culpa da Polícia Militar, eu devolvo a ele a responsabilidade, no Carnaval, e dizer, qualquer coisa que aconteça com nossos policiais, e com o público dele, a partir do momento que ele incita e joga a população contra a polícia, a responsabilidade é dele também”, disse o secretário em entrevista à TV Bahia, nesta tarde.
Ele acrescentou ainda que depois da fala de Kannário, houve guarnição que foi hostilizada pelos foliões no chão. “O que a gente pede aos artistas e ao público em geral é uma compreensão do trabalho da polícia. Obviamente que tem situações que precisam ser aperfeiçoadas, repensadas, mas não ao ponto de se expor publicamente da forma como foi colocada ontem, chamando a polícia de bunda mole. Isso ocorreu, no dia de ontem, inclusive patrulhas que foram depois dessa situação admoestadas pelo público”, afirma.
Para Barbosa, Kannário não deveria mais ter pipoca subsidiada pelo dinheiro público, especialmente por já ter outros episódios similares de confronto com a PM. “E são situações que por lei são proibida de serem pagas e financiadas com dinheiro público, um cantor que agride, de forma recorrente, uma instituição que dá sua vida pela socidade”, diz o secretário. “Jogar a população contra a polícia é um risco muito grande. Ele é diretamente responsável por isso”.
“Vamos rebater judicialmente, responsabilizá-lo e buscar das autoridades que não patrocinem mais um artista que conduz o seu público, e dá esse tipo de tratamento a uma instituição tão respeitada quanto a nossa polícia”, finaliza.
Logo depois, o governador Rui Costa anunciou que já acionou a Procuradoria Geral do Estado (PGE) para que tome as medidas cabíveis contra Kannário.
“Acionei a Procuradoria Geral para que o Estado formalize uma representação junto ao Ministério Público da Bahia a respeito deste fato. Medidas cabíveis que estiverem no âmbito do MP precisam ser tomadas em respeito à PM e em defesa da honra de pais e mães de família que fazem parte da corporação”, diz o governador.
Conflito sem fim
O curto trecho entre o Castro Alves e a entrada da Avenida Sete no circuito do Campo Grande foi de embate constante entre Igor Kannário e Polícia Militar na tarde da segunda-feira (24).
Tão constante que o cantor mal conseguiu manter uma canção por mais de três minutos. A toda hora parava para criticar a ação da PM. Ele, tinha o microfone; a polícia, não.
Kannário novamente deu a entender que se sente ameaçado pela PM:
“Eu não fico feliz com isso (conflito com a PM), não. Eu fico triste demais. Porque no dia que eu parar de falar eles vão tomar conta de mim. E se eu tiver que morrer vou morrer feito homem nessa p*…”, diz
Na frente do Forte de São Pedro, Kannário pediu para que a música parasse para comentar mais uma vez a ação da polícia, que partiu para cima de alguns foliões.
“Filmem aí a ação da PM. Os caras batendo em mulher, batendo em criança. Que vergonha. Vamo parar pra ver se parado o povo também apanha”, disse, largando o microfone. E continuou: “Parabéns, PM. O Carnaval de Salvador sendo queimado pro mundo todo ver por conta da Polícia Militar da Bahia”.
O cantor e deputado federal criticou repetidamente o comportamento da polícia. “Eu não acho que segurança pública seja isso, não. Espancar as pessoas, os cidadãos que pagam seus impostos, spray de pimenta, isso não é segurança pública”, criticou.
Repetidamente, ele pediu que os meios de comunicação cobrindo o Carnaval registrassem a cena. “Alô, imprensa da Bahia! Tem que mostrar esse abuso de poder, esse desrespeito com cidadãos que pagam seus impostos e ajudam e pagar salário deles (policias)”, afirmou. “Depois dizem que Kannário procura confusão com a polícia. Não é isso não. É certo pelo certo. Quem tá errado tá errado”, disse.
Sobrou um elogio isolado para PMs de uma guarnição, metros à frente “Essa guarnição aqui tem educação. Parabéns! Tá fazendo o certo. Pedindo licença. Quem eu vir agredindo eu vou falar daqui de cima mesmo”.
Vaia a “agressores”
Mais cedo, Kannário pediu vaias à polícia baiana – e foi prontamente atendido. De cima do trio, ele viu a PM passando com agressividade para desfazer uma rodinha em meio aos foliões.
“Peço à imprensa, filma isso aí. Isso é abuso de poder, abuso de autoridade. Quero uma vaia para a Polícia Militar da Bahia”, afirmou, sendo atendido. Os foliões vaiaram e depois gritaram “Uh, é o Kannário”.
“Agressores, agressores! Venha me bater aqui em cima. Quero ver!”, provocou.
Depois, ele retomou a música Embrazando, mas um pouco à frente Kannário falou que a PM pode fazer algo contra ele. “Se acontecer alguma coisa comigo, quem mandou me matar foi alguém da Polícia Militar”, acrescentou.
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) não quis comentar as declarações do parlamentar. Já a Polícia Militar repudiou os comentários e falou em tomar as “medidas judiciais cabíveis”, afirmando que Kannário colocou em risco os PMs que trabalhavam na sua pipoca.
“A Polícia Militar da Bahia repudia as provocações e agressões feitas à tropa pelo Igor Kannário durante a passagem do trio na tarde desta segunda-feira (24), no Campo Grande. Além da atitude irresponsável e criminosa o também deputado federal incitou os foliões contra os policiais militares que faziam o policiamento do circuito Osmar”, afirma a nota. “É inaceitável que qualquer pessoa, ainda mais um parlamentar, tente comprometer a honra da instituição e de policiais militares que estão comprometidos e empenhados na defesa da sociedade baiana. Todas as medidas judiciais cabíveis que o caso requer serão adotadas”, diz o texto.
Após a repercussão, Kannário também divulgou nota afirmando que respeita a instituição da PM, mas “não vai se calar”.
Leia o texto, divulgado pela assessoria do artista.
“O deputado federal Igor Kannário vem a público esclarecer os fatos ocorridos nesta segunda-feira (24) durante a passagem da pipoca do cantor pelo circuito Osmar (Campo Grande). Kannário informa que, ao observar um tratamento agressivo de alguns policiais militares contra foliões, solicitou uma abordagem adequada dos profissionais. O deputado ressalta seu respeito e admiração pela instituição Polícia Militar, que tanto se dedica diariamente aos baianos. Contudo, Kannário enfatiza que não irá se calar quando excessos forem cometidos, como ocorreu nesta segunda. O parlamentar baiano frisa, ainda, que este foi um caso pontual da atuação da PM durante a passagem da pipoca do Kannário pelo Campo Grande. Inclusive, no início do desfile, o cantor pediu aplausos para a PM e para os policiais que estão trabalhando arduamente neste Carnaval. Destaca também que sua pipoca foi, mais uma vez, um grande sucesso de público, com uma linda festa no circuito Osmar, marcada pela paz e pela diversão dos foliões. Mantenho meu imenso respeito pela Polícia Militar, valorosa instituição que tanto orgulha a Bahia. Mas ressalto que não vou me calar diante dos excessos, ainda mais contra a minha pipoca, que saiu das favelas para fazer uma festa linda na Avenida. Sou um político que tenho lado, e meu lado é o povo”.
Fonte: Correio da Bahia
Em entrevista ao repórter Gerson Gonzaga do Redação Brasil, o secretário estadual de Segurança Pública, Maurício Barbosa, afirmou que o sistema de reconhecimento facial instalado em Salvador, que ajuda a polícia a solucionar crimes e identificar seus autores, deve ser instalado em breve em Vitória da Conquista.
De acordo com ele, o prazo máximo para instalação da nova tecnologia é de 1 ano. O sistema já resultou em mais de 50 prisões na capital e vai chegar às maiores cidades do interior baiano para auxiliar o trabalho da polícia.
O sistema deve ser instalado nas vias de maior circulação da cidade e em shows a fim de aumentar a segurança nesses locais.

A instalação do sistema de reconhecimento facial será mais uma ferramenta tecnológica para a polícia de Vitória da Conquista, que atualmente já conta com o sistema de videomonitoramento em vias com maior índice de criminalidade.
Confira a fala do Secretário Estadual de Segurança, Maurício Barbosa