O advogado criminalista Maurício Vasconcelos que também é colunista do Blog do Redação, sentiu muito pelo falecimento do cantor e compositor Moraes Moreira.
Além de ser seu fã, Dr. Mauricio é também muito próximo da família Pires (o nome completo de Moraes Moreira é Antônio Carlos Moraes Pires). O cantor tem dois irmãos advogados. Ao saber da triste notícia, Vasconcelos escreveu um poema homenageando o artista, intitulado DEPENDE e que o Blog do Redação transcreve abaixo:
DEPENDE
Dedicado à memória de Moraes Moreira.
Como se pode amar palavras que se juntam uma às outras e viram letras musicais?
Como amar sons vindos de um aço fino esticado em seis diferentes milimetragens sobre um pedaço de pau?
Tudo depende de quem ajunta palavras que viram letras, que combinam sons do aço sobre o pau e, enfim, melodias.
É com essa sutileza e talentos de uns que ouvimos o resultado: música no café, almoço e jantar.
Nem todos, porém, fizeram tão bem a combinação das letras e melodias em um só substantivo: ALEGRIA.
Moraes Moreira, cantor dos Novos Baianos e famoso também em carreira solo, morreu nesta segunda-feira (13), aos 72 anos
. Pouco antes, já no período de quarentena vivido por parte da sociedade brasileira por conta do coronavírus, ele falou sobre o isolamento, com um texto em forma de cordel.
Em um post nas redes sociais, ele pede a “aprovação” de seus seguidores, e fala dos medos relacionados à pandemia.
QUARENTENA (Moraes Moreira)
Eu temo o coronavirus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida,
A nossa fé é vacina
O professor que me ensina
Será minha própria lida
Assombra-me a Pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo,
Porque todo cidadão
Merece mais atenção
O sentimento é profundo
Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito,
Os males não são eternos
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito
De quem será esse lucro
Ou mesmo a teoria?
Detesto falar de estrupo
Eu gosto é de poesia,
Mas creio na consciência
E digo não violência
Toda noite e todo dia
Eu tenho medo do excesso
Que seja em qualquer sentido
Mas também do retrocesso
Que por aí escondido,
As vezes é o que notamos
Passar o que já passamos
Jamais será esquecido
Até aceito a Policia
Mas quando muda de letra
E se transforma em milícia
Odeio essa mutreta,
Pra combater o que alarma
Só tenho mesmo uma arma
Que é a minha caneta
Com tanta coisa inda cismo.
Estão na ordem do dia
Eu digo não ao machismo
Também a misoginia,
Tem outros que eu não aceito
É o tal do preconceito
E as sombras da hipocrisia
As coisas já foram postas
Mas prevalecem os reles
Queremos sim ter respostas Sobre as nossas Marielles,
Em meio a um mundo efêmero
Não é só questão de gênero
Nem de homens ou mulheres
O que vale é o ser humano
E sua dignidade Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não Tem tempo,
nem idade.
Poema: Moraes Moreira.
Informações: Uol.com
Por Márcio Walter Machado*
Alguém que distraidamente olhasse o pequeno e colorido carro modelo Ford T, carinhosamente chamado de Fobica, em exposição na Praça José de Anchieta, no Centro Histórico de Salvador, poderia até não ligar a sua história ao maior símbolo do Carnaval baiano, o trio elétrico. Mas o fato é que sem ele tudo o que sabemos do maior Carnaval de rua do planeta poderia não existir.
Completando 70 carnavais este ano, o equipamento – minúsculo quando comparado às versões atuais – que foi criado pelos músicos Adolfo Antônio do Nascimento, Dodô, e Osmar Macêdo, na década de 1950, é o responsável por dar à folia baiana o tempero que conquistou o mundo.
No entanto, longe dos pesados e brilhantes caminhões munidos de caixas de som de última geração, responsáveis por levar as vozes de estrelas da música baiana ao mundo inteiro e fazerem tremer os corpos e os edifícios por onde passam, movimentando pelo caminho cifras milionárias, a Fobica guarda uma história mais simples.
De acordo com o músico Armandinho Macêdo, filho de Osmar, a ideia de transformar um carro antigo em um palco itinerante surgiu dias antes do Carnaval de 1951. O clube de frevos pernambucano Vassourinhas estava passando em escala de navio por Salvador e arrastou uma multidão de soteropolitanos pelas ruas do centro da cidade a pedido do governador do estado.
“Quando meu pai viu o povo enlouquecendo com o ritmo do frevo, teve a ideia de tocar com Dodô. Ele disse: ‘Dodô, bora aprender mais frevo para tocar e vamos ligar lá na Fobica, a gente toca o frevo e a percussão sai tocando pelo asfalto’. O negócio foi assim, a orquestra estimulou e eles desenvolverem a ideia. Eles só tocavam para brincar no Carnaval, ninguém ganhava nada, era só diversão mesmo, não lucraram nada até o último ano deles, que foi 1961”, conta Armandinho.


Criação
Ele também afirma que o nome “trio elétrico”, intrinsecamente ligado à imagem do caminhão de som e luz que faz a alegria de milhões de pessoas mundo afora, foi popularizado pelos foliões, não por seus inventores, que sequer haviam pensado em batizar a própria criação.
“Trio Elétrico era o nome da banda que meu pai tinha com Dodô e outro músico. Eles começaram a fazer um sucesso danado com a Fobica, ficava todo mundo na rua esperando o tal trio elétrico; e o povo, com o passar dos anos, quando viu outros veículos semelhantes como o Conjunto Atlas e 5 Irmãos chegando, começavam a gritar ‘lá vem outro trio elétrico!’. Foi o povo que popularizou o nome, que era, na verdade, o nome do conjunto de meu pai com Dodô”.
Fato que passa despercebido para muitos foliões que hoje se juntam ao coro das grandes vozes da música, o trio elétrico tocou apenas músicas instrumentais por mais de 20 anos. Só a partir de 1975, pela iniciativa de Moraes Moreira, é que as vozes dos artistas começaram a ser ouvidas.
“O trio era todo som, todo cavaquinho elétrico, Moraes, que tinha estourado com a música Jubileu de Prata, pegou o microfone que a gente só usava para puxar os foliões e começou a dar uma cantadinha aqui e outra ali. Nessa de cantar uma horinha ou outra, o negócio foi pegando e quando a gente menos pensou, Baby do Brasil e Paulinho Boca de Cantor, nos anos seguintes, começaram a cantar também”, lembra Armandinho.


Memórias da primeira cantora de trio elétrico
Seguindo a onda de cantar no trio, Baby do Brasil revela como foi sua primeira experiência. De acordo com ela, tudo partiu de uma grande inquietação quando ouvia o público responder a um solo de Pepeu Gomes na avenida.
O solo que saía do som distorcido da guitarra de Pepeu eram as notas da música Campeão dos campeões.
“Eu tocava bumbo e o prato no trio com os Novos Baianos, eu tinha um microfone para amplificar o som do meu bumbo. O trio elétrico naquela época era somente instrumental, mas sempre que Pepeu solava a parte da música que diz: ‘Quem é o campeão dos campeões?’, a praça inteira cantava, respondendo: ‘É o Bahia!’. Isso me contagiava tanto que uma hora quando chegamos à praça não aguentei e peguei aquele microfone e cantei a plenos pulmões: ‘Quem é o campeão dos campeões?’. A massa respondeu calorosa”, diz Baby.


Cornetas
A artista, que foi a primeira mulher a cantar em um trio elétrico, até recorda o fato curioso de ter o seu trio apelidado de O Morcegão da Madrugada e de como ele ajudou no formato dos trios atuais. “Eu e Paulinho Boca fomos para a rua para conseguir um trio, quando chegamos à garagem onde o carro estava, vimos que não havia nele as famosas cornetas que distorciam o som. Então, decidimos colocar nele o equipamento de som que usávamos nos shows. Depois de pronto, tivemos que derrubar o muro da oficina para o carro sair, pois com os equipamentos ele ficou enorme, para espanto do público”.
Parada diante da fobica, no Centro Histórico, a fonoaudióloga Anandrielle Santos, 30 anos, disse estar extasiada com a história que o pequeno Ford T adaptado representa.
“Eu fiquei imaginando como surgiu, me senti contemplando algo histórico, como a Monalisa. Não conheço os detalhes da história, mas sei de nomes importantes como Dodô e Osmar, Orlando Tapajós. Graças a eles nosso Carnaval é o melhor do mundo”, avalia.
*Sob a supervisão do jornalista Marcos Dias
Fonte: A Tarde
Uma das atrações patrocinadas pelo governo do estado no Carnaval de Salvador, o cantor Bell Marques exaltou a homenagem da gestão estadual aos 70 anos do trio elétrico no tema da festa deste ano. Nesta quinta-feira (13), o artista disse que é necessário repetir os tributos e pediu o grupo Novos Baianos na rua.
“Sempre eu me refiro aos Novos Baianos, a Dodô e Osmar, a Moraes Moreira, aos Tapajós, que foram pessoas que lutaram muito. Eu acho que é necessário fazer isso e incentivar mais ainda esses momentos. Fazer com que o trio elétrico Dodô e Osmar e os próprios Novos Baianos vão à rua de uma forma brilhante e bacana. Eu acho que o governo fazendo isso só ajuda a todos nós”, afirmou, em entrevista ao Bahia Notícias.
O grupo Novos Baianos é formado por Baby do Brasil, Moraes Moreira, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor e Pepeu Gomes.
Por Ian Meneses / Matheus Caldas
Fonte: Bahia Notícias