A Tribuna Livre da Câmara Municipal foi ocupada na manhã desta sexta-feira (24), por representantes do bairro Recreio (antiga Conquistinha), que utilizaram o espaço para denunciar o clima de insegurança, vandalismo e degradação social e ambiental que, segundo eles, foi intensificado pela presença do Centro Pop (unidade de acolhimento para população em situação de rua) na localidade. Os moradores foram enfáticos ao cobrar da Prefeitura uma data definitiva para a mudança do equipamento público, alegando que a comunidade vive sob um “protocolo de guerra” para sair de casa.
Caio César Aguiar, um dos representantes da comunidade, afirmou que o bairro enfrenta o problema há mais de uma década, mas que a situação atingiu um ponto insuportável recentemente. Ele descreveu um cenário de “cracolândia sob supervisão da prefeitura”. “Não vamos admitir a instauração de uma cracolândia no bairro. […] É uso de crack indiscriminado na porta de nossas casas, pessoas fazendo xixi, propriedades privadas invadidas e carros quebrados. Isso é normal? Você não poder sair de casa para levar o filho para brincar?”, questionou Caio.
A moradora Poliana Silva de Jesus Alexandrino reforçou as críticas à gestão municipal, especificamente ao secretário de Desenvolvimento Social, Michel Farias. Com um abaixo-assinado de 800 assinaturas em mãos, ela relatou que os canais de diálogo com a prefeitura foram cortados. “O secretário Michel me bloqueou do celular, como bloqueou vários outros moradores. Nós queremos data para a retirada do Centro Pop do bairro. São 14 anos disso lá. A biblioteca está toda depredada, pichada por delinquentes. Onde estão as crianças que iam para lá? Estamos cansados”, desabafou Poliana.
O vereador Nelson de Vivi (PSD), que solicitou a antecipação da fala dos moradores, solidarizou-se com a causa e confirmou que a situação é “insustentável”. Ele destacou o impacto negativo no comércio local e os danos materiais sofridos por proprietários de veículos na região. “O comércio tem passado por dificuldades, eles [usuários] trazem danos quando não recebem doações. Nosso mandato está unido a essa comunidade. Já temos reunião marcada com o secretário Michel para que ele dê um prazo urgente de retirada”, afirmou Nelson.
O vereador Xandó (PT) também se manifestou, apontando falhas na gestão e na segurança pública. Ele ressaltou que a falta de policiamento fixo permite que traficantes atuem no entorno do Centro Pop, coagindo aqueles que buscam ajuda.
“A notícia que tive da Guarda Municipal é que existia um serviço diário ali e que foi suspenso. Não dá para a Guarda chegar e sair. O usuário do Centro Pop muitas vezes quer sair dessa situação, mas está cercado o tempo inteiro de traficantes. Falta gestão efetiva para lidar com isso”, pontuou Xandó.
O presidente da Casa, Ivan Cordeiro (PL), assegurou que a Câmara continuará acompanhando o caso de perto. Os moradores prometem manter as mobilizações nas ruas e nas redes sociais até que a Prefeitura apresente um cronograma oficial para a transferência do Centro Pop para um local mais adequado, que não comprometa a segurança dos residentes e ofereça estrutura digna aos assistidos.
Por Camila Brito
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A sessão ordinária da Câmara Municipal de Vitória da Conquista desta quarta-feira (25) trouxe à tona um tema central para o futuro da educação pública: a valorização dos professores da rede municipal. Durante a Tribuna Livre, a presidente do Sindicato do Magistério Municipal Público (Simmp), Greissy Leôncio Reis, apresentou uma defesa firme da mudança na data-base da categoria e reforçou a importância de políticas concretas de reconhecimento profissional.
O principal ponto abordado foi o Projeto de Lei nº 01/2026, que propõe a alteração da data-base dos professores de maio para janeiro. A medida, segundo a representante sindical, busca alinhar o reajuste salarial municipal à Lei do Piso Nacional do Magistério, evitando prejuízos financeiros recorrentes enfrentados pela categoria. Atualmente, com a data-base em maio, os professores deixam de receber, na prática, quatro meses de reajuste anual, o que representa perdas acumuladas ao longo dos anos.
De acordo com Greissy, essa mudança não é recente na pauta da categoria. Trata-se de uma reivindicação histórica, construída ao longo de oito anos de mobilização e negociação. A possível aprovação do projeto simboliza, portanto, uma conquista significativa para os profissionais da educação municipal e evidencia a força da organização coletiva.
Além da questão da data-base, a presidente do Simmp destacou outros desafios enfrentados pelos professores. Entre eles, a estagnação do plano de carreira — sem avanços há quase uma década — e a redução de gratificações, que já ultrapassa 10 pontos percentuais. Esses fatores, somados, impactam diretamente na valorização profissional e nas condições de trabalho dos educadores.
A fala também reforçou um ponto essencial: não é possível discutir educação de qualidade sem colocar o professor no centro do debate. São esses profissionais que estão diariamente nas salas de aula, lidando com desafios diversos e desempenhando um papel fundamental na formação de cidadãos.
Outro aspecto importante foi o pedido de apoio à Comissão de Educação da Câmara Municipal, buscando fortalecer o diálogo com o Executivo e ampliar as chances de avanço nas pautas da categoria. A articulação política, nesse contexto, aparece como peça-chave para transformar reivindicações em conquistas concretas.
Ao final, a mensagem foi clara: valorizar os professores é valorizar a escola pública. E, mais do que isso, é reconhecer o papel estratégico da educação na construção de uma sociedade mais justa e desenvolvida. Em um cenário onde a escola pública atende majoritariamente a classe trabalhadora, investir nos profissionais da educação é investir no futuro coletivo.
Comentando a tribuna, o líder do governo na casa, Jorge Bezerra disse o ex-vereador já tem um histórico de se revoltar contra o prefeito que ele apoia. “Na gestão passada apoiou Guilherme e depois se revoltou” e perguntou se quando ele era secretário de Herzem ele era fantasma. “Tinha funcionário fantasma na sua secretaria?” Bezerra falou ainda que havia votado em Rebouças para prefeito nas últimas eleições, mas que se arrependeu. “Votei para vossa senhoria no primeiro turno. Me arrependi. É difícil dar credibilidade a uma oposição dessa. Quando está do lado apoia, quando é exonerado se revolta contra o governo” e finalizou dizendo que “sempre foi oposição ao PT e continuarei sendo. Não pulo de galho em galho”.