A defesa da democracia e o papel das políticas públicas de incentivo à cultura marcaram a mesa redonda “Cultura e Democracia”, realizada na noite desta terça-feira (12), no Auditório Magalhães Netto, na sede da Academia de Letras da Bahia, em Salvador. O encontro reuniu representantes do meio acadêmico, cultural e político em torno do debate sobre a relação entre produção cultural, cidadania e fortalecimento do Estado Democrático de Direito.
Representando a presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputada Ivana Bastos, o deputado estadual Zé Raimundo Fontes compôs a mesa, reforçando a importância do compromisso das instituições públicas com a promoção da cultura, da educação e da democracia.
Atual presidente da Comissão de Finanças, Orçamento, Fiscalização e Controle da ALBA, Zé Raimundo destacou, durante sua participação, a necessidade de fortalecimento das políticas públicas culturais e da ampliação do acesso ao livro, à leitura e às manifestações artísticas, especialmente no interior do estado.
O parlamentar também ressaltou o papel da cultura e da educação como instrumento de resistência democrática, formação crítica e valorização da cidadania. “A democracia precisa passar, talvez muito, pela educação. Se não apontarmos nossas reflexões e nossos fazeres acadêmicos para pensar e repensar o Brasil, o saber continuará concentrado em poucas mãos, como privilégio. Precisamos ter coragem de inventar caminhos para uma democracia mais ampliada e verdadeiramente participativa”, afirmou Zé Raimundo.
Falando em nome da presidente da da Assembleia Legislativa, ele destacou a produção editorial da Alba Cultural, que tem prestigiado autores e a cultura baiana, com a publicação de livros.
Zé Raimundo também falou do trabalho e investimento que desenvolve em parceria com o deputado federal Waldenor Pereira, apoiando a realização de mais de 12 feiras literárias no interior do estado, dentre as quais a Fligê, em Mucugê, e a FliConquista, em Vitória da Conquista. Como também no apoio festivais culturais e de cinema nas escolas e outras atividades culturais.
A abertura do evento foi conduzida pelo presidente da Academia, Aleilton Fonseca, que destacou a trajetória da instituição como espaço permanente de defesa da cultura e da democracia. “A Academia de Letras da Bahia tem sido, ao longo de seus 109 anos, um espaço exemplar de cultura e democracia: uma casa da cultura, uma casa da democracia”, afirmou. Em sua fala, Aleilton ressaltou ainda que “não há democracia substancial sem cultura crítica”, defendendo o papel da educação, das artes e da literatura na formação cidadã e na preservação das liberdades democráticas.
A mesa foi coordenada pelo professor e acadêmico Ordep Serra, que abriu o debate enfatizando a necessidade de enfrentamento de ameaças à democracia. A mesa reuniu ainda o escritor e militante do MST Víctor Passos Lopes; a ex-presidenta da Fundação Nacional de Artes e pré-candi
data a deputada federal Maria Marighella; e Gabriela Sanddyego, Diretora das artes da Fundação Cultural da Bahia, represendo o secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro.
Os participantes destacaram a importância do diálogo entre instituições culturais, universidades e Poder Legislativo na construção de políticas permanentes de incentivo à cultura, especialmente diante dos desafios contemporâneos à democracia e à diversidade cultural brasileira.