Protestou em Vitória da Conquista, o Personagem 94 de André Cairo, Presidente do Movimento Contra a Morte Prematura, Dr. Cau Sakurta Sentra Moya, com Placa, “Vendo Produtos de Limpeza e sou Juiz Aposentado contra Corrupção em Brasília”, elogiado por motoristas, pedestres, comerciantes, bem reflexivos!
Final dos anos 80 a 1990, aos 15 anos, Cau Sakurta, vendendo produtos de limpeza em Conquista, acompanhou o escândalo dos Anões do Orçamento, ficou horrorizado, mudou para Brasília, passou no vestibular para Direito, ficando entre os cinco primeiros colocados, concluiu, passando no Concurso para Juiz, é Palestrante por 12 Temas e seguiu em frente.
Como Juiz Criminal, reagiu contra o Mensalão e Petrolão até se aposentar, continua vendedor e 70 % da aposentadoria para Instituições de Caridade, aos pobres com doenças degenerativas e segue a luta, para que o Brasil sem tramóia se transforme numa Singapura, hoje a Oitava Maravilha do Mundo em País! Finaliza Cairo, com Slogan do MCMP, Consciência, Lógica e Razão.
Por: André Barros Cairo – MCMP
Foto: Léo Carqueja
15 de fevereiro é o dia D de vacinação contra o sarampo, em todos os postos de saúde do município, para o público-alvo de crianças e jovens de 5 a 19 anos de idade
Para receber a dose da tríplice viral – que protege contra sarampo, caxumba e rubéola –, é necessário comparecer à unidade de saúde mais próxima de casa, das 8h às 17h, com caderneta de vacinação e documento pessoal em mãos.
O IBGE estima que existam hoje no município 81.190 pessoas entre 5 e 19 anos. O objetivo é alcançar a meta e cobertura de 95% das crianças e adolescentes dessa faixa etária que estão com a caderneta de vacinação desatualizada ou que nunca receberam as doses do imunizante.
Dados do sarampo em Vitória da Conquista – De acordo com informações do setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, em 2019 foram notificados 40 casos de sarampo em Vitória da Conquista, mas todos descartados laboratorialmente. Já em 2020, foi notificado apenas um caso de sarampo que também já foi descartado.
Segundo dados do último Censo do IBGE, quase 46 milhões de brasileiros declararam ter algum grau de dificuldade em pelo menos uma das habilidades investigadas (enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus), ou possuir deficiência mental / intelectual. Se considerarmos somente as pessoas que possuem grande ou total dificuldade em uma das habilidades investigadas, são mais de 12,5 milhões de pessoas com deficiência em nossa país, sendo 6,7% da população. Essas pessoas também necessitam se comunicar para poder ter acesso aos serviços das empresas. No setor de telecomunicações do Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mantém regras para serem cumpridas pelas operadoras, com o objetivo de levar acessibilidade a pessoas com deficiência. Conheça agora as regras e obrigações das operadoras para o atendimento às pessoas com deficiências.
● Atendimento tem que ser prioritário e especializado – Todas as operadoras devem possuir em suas lojas um aparelho de telefone adaptado.
● Orelhão adaptado – Todos os municípios com mais de 300 habitantes devem ter pelo menos 2,5% dos telefones públicos (TPs) adaptados para cada tipo de deficiência.
● Qualquer PCD ou seu representante, pode solicitar a instalação de TPs adaptados em sua região. Com prazo de 7 dias para ser realizada.
● Os custos da aquisição do Terminal Telefônico para Surdos (TTS) não podem ser repassados ao consumidor.
● É possível consultar a lista de terminais públicos TTS instalados em cada localidade através dos sistemas da Anatel.
● Linha residencial para PCDs – Nas cidades com mais de 300 habitantes, as operadoras devem realizar a instalação de linhas telefônicas residenciais compatíveis com o aparelho TTS num prazo de até sete dias, sendo o consumidor responsável pela compra do Terminal Telefônico para Surdos.
Acesse para mais informações sobre a Central de Atendimento das operadoras.
A vida de Joaquim Correia de Melo, último intendente conquistense durante a Monarquia (1822-1889) e o primeiro da fase republicana, proclamada em 1889, é tema da exposição “Conquista Republicana”, aberta ao público na noite desta quinta-feira (13). A iniciativa é da Câmara de Vereadores por meio do Memorial Câmara. Além de Joaquim Correia, a exposição também retrata o aniversário de 30 anos da Lei Orgânica de Vitória da Conquista, discutida e aprovada pela Câmara entre o final dos anos 80 e início dos 90, no contexto da redemocratização brasileira e promulgação da Constituição Cidadã, 1988.
Participaram da solenidade de estreia da exposição, o presidente da Casa, Luciano Gomes (PL), o prefeito Herzem Gusmão, os vereadores Luís Carlos Dudé (PTB), Edjaime Rosa Bibia (MDB) e Rodrigo Moreira (PP), além de membros da administração municipal, ex-vereadores das legislaturas que discutiram a Lei Orgânica, parentes de Joaquim Correia, historiadores e memorialistas.
O presidente Luciano Gomes afirmou que retomar as atividades do Memorial é uma grande oportunidade. Ele explicou que em 2019 foram feitos todos os esforços para que o espaço fosse reaberto ao público. Na época, a atividade de reestreia foi uma exposição sobre o político, jornalista e poeta Maneca Grosso. De acordo com Luciano, o saldo é positivo, pois o Memorial recebeu visitantes ao longo de todo o ano. Para o parlamentar, a exposição atual é um reconhecimento merecido a personalidades que têm grande contribuição para o desenvolvimento do município.
Já o prefeito Herzem Gusmão destacou a ação da Câmara e a importância de muitas autoridades ao longo da história conquistense. Ele ainda apoiou a proposta de se criar uma medalha em homenagem a João Gonçalves da Costa, fundador do Arraial da Conquista, núcleo que deu origem a Vitória da Conquista.
A coordenadora do Memorial, Fabiana Prado, ressaltou que a exposição enfatiza a importância da autonomia do município desde a proclamação da República. Ela explicou que Joaquim Correia de Melo foi presidente do Conselho Municipal naquele período e ainda se tornaria o primeiro intendente eleito a se tornar chefe do poder Executivo de Conquista naqueles primeiros anos de República.
Homenagem – Joaquim Correia de Melo foi o primeiro intendente eleito na cidade de Conquista no período republicano. Na época, ele havia sido nomeado intendente interino, já que presidia o Colegiado Municipal, nome dado à Câmara daquele período. Sua administração aconteceu de 1891 a 1896. Intendente era uma figura da administração pública, uma espécie do que viria a ser a função de prefeito.
Muitos foram os serviços prestados por Joaquim Correia. São exemplos:
• Busca pela extinção do banditismo, que assolava o município desde 1895;
• Construção de um barracão para feirantes;
• Iluminação de ruas com lampiões;
• Criação da guarda municipal;
• Também sancionou as primeiras leis municipais, dentre as quais a que obrigava o registro do ferro do gado nos livros de marca de fogo.
Lei Orgânica Municipal – A Constituição Cidadã, promulgada em 1988, é um marco de um dos mais importantes momentos da História do Brasil, a redemocratização. Entre as inovações, a nova Constituição trouxe a obrigatoriedade da Lei Orgânica para os municípios (art. 29). Naquele mesmo ano, cidades de todo o país passaram a discutir as competências das câmaras e prefeituras.
Em Vitória da Conquista, duas legislaturas participaram das discussões sobre a Lei Orgânica: vereadores do período de 1985 a 1988 iniciaram os debates e a legislatura seguinte, 1989-1992, finalizou o processo. Em 1990 foi promulgada a Lei Orgânica do Município de Vitória da Conquista, Lei 528/1990.
Os detalhes desse processo e sobre a vida de Joaquim Correia podem ser conferidos na exposição “Conquista Republicana”.
A apresentação das ações de Carnaval incluiu um pocket show de Armandinho Dodô e Osmar, com participação da cantora Daniela Mercury. Na ocasião, alguns artistas e entidades foram homenageados pelos serviços prestados ao Carnaval, dentre eles os Irmãos Macêdo, Bloco Alvorada, o cantor Nelson Rufino, Bloco Olodum e Bloco Cheiro de Amor.Entre os dias 17/02 e 27/02/2020 acontecerá em toda área de atuação da CIPRv/Brumado a *OPERAÇÃO CARNAVAL 2020 com o Lema : “Brinque no Carnaval mas não brinque com a sua vida” . Durante 10 (dez dias) todos os Policiais Militares da Companhia estarão mobilizados nos Postos e nas Rodovias com objetivo de reduzir os acidentes no trânsito através de ações de fiscalização e prevenção. Durante a Operação serão priorizadas as ações de combate as infrações que podem causar ou potencializar os acidentes de trânsito. Além do aumento do fluxo de veículos, o período carnavalesco é marcado pelo uso abusivo de bebida alcoólica por parte dos condutores que trafegam nas estradas. Dessa forma, a Polícia Rodoviária Estadual vai fiscalizar ainda o uso do cinto de segurança, da cadeirinha infantil, do capacete para motociclistas, o excesso de velocidade, as ultrapassagens proibidas, os documentos de porte obrigatório, tanto do veículo quanto dos condutores, bem como as condições de conservação dos veículos. Além disso, haverão também abordagens policiais para combater o tráfico de armas de fogo, de drogas e de pessoas.
A primeira etapa da Operação será realizada na Sede da CIPRv, com uma instrução a todos os Policiais Militares sobre a Legislação de trânsito vigente, Operação de fiscalização de Trânsito e Técnicas de abordagem.
“É importante que todo motorista que for pegar a estrada nesse período momesco, primeiramente faça um planejamento prévio da viagem, prepare uma revisão completa e total do seu veículo, checando os níveis de água, óleo e as condições dos pneus; E ao dirigir, mantenha redobrada a atenção na rodovia, não exceda a velocidade, não se distraia enquanto estiver ao volante, que todos os ocupantes estejam com o cinto de segurança e principalmente não beba se for dirigir” frisou bem o Coronel PM Vasconcelos, Comandante da CIPRv/Brumado.”
#ConteConosco
#Companhia Independente de Policiamento Rodoviário/Brumado
#pmecomunidadenacorrentedobem
Uma das atrações patrocinadas pelo governo do estado no Carnaval de Salvador, o cantor Bell Marques exaltou a homenagem da gestão estadual aos 70 anos do trio elétrico no tema da festa deste ano. Nesta quinta-feira (13), o artista disse que é necessário repetir os tributos e pediu o grupo Novos Baianos na rua.
“Sempre eu me refiro aos Novos Baianos, a Dodô e Osmar, a Moraes Moreira, aos Tapajós, que foram pessoas que lutaram muito. Eu acho que é necessário fazer isso e incentivar mais ainda esses momentos. Fazer com que o trio elétrico Dodô e Osmar e os próprios Novos Baianos vão à rua de uma forma brilhante e bacana. Eu acho que o governo fazendo isso só ajuda a todos nós”, afirmou, em entrevista ao Bahia Notícias.
O grupo Novos Baianos é formado por Baby do Brasil, Moraes Moreira, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor e Pepeu Gomes.
Por Ian Meneses / Matheus Caldas
Fonte: Bahia Notícias
Por Marcos Nunes, Vera Araújo e Juliana Dal Piva
Fonte: O Globo
A polícia da Bahia descobriu que o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Adriano Magalhães da Nóbrega circulava pelo estado há pelo menos dois anos, e investiga a possibilidade de ele ter iniciado a formação de milícias em cidades do interior. Agentes do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco) vêm rastreando a origem do dinheiro que gastava nas viagens — todas as suas despesas eram pagas em dinheiro vivo —, e tentam levantar os bens que comprou no Nordeste.
Morto por policiais no último domingo em Esplanada, município localizado a 170 quilômetros de Salvador, Adriano havia sido investigado pelos homicídios, em março de 2018, da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Acusado de chefiar um grupo de assassinos de aluguel e de integrar a milícia de Rio das Pedras, ele estava foragido desde janeiro do ano passado.
Há duas semanas, Adriano escapou por pouco de uma equipe de agentes que o localizou na Costa do Sauípe. Ele estava numa mansão com a mulher e as duas filhas e conseguiu fugir por uma área de mangue. De lá, foi para Esplanada, onde mudou de esconderijo na véspera de sua morte — uma testemunha disse que o ex-capitão do Bope ficou nervoso enquanto trocava mensagens por celular. Investigadores suspeitam que o foragido recebia informações privilegiadas sobre as buscas.
Uma das lavradoras beneficiadas pelo projeto, Aulenice Maria de Jesus (acima), 70 anos, vendeu, ilegalmente, por R$50 mil, uma área de 100 metros quadrados à familiares de Geanne Oliveira. Segundo ela, logo após ficar doente e muito debilitada os compradores identificados como o casal Sílvio Azevedo da Silva e Bene, cunhado e irmã de Geanne, se aproveitaram do seu estado de saúde debilitado, em 2018 e a fizeram assinar um documento para a cessão das terras.
As filhas da lavradora intermediaram a negociata. A reportagem tenta contato com o casal.
Quando criado, o Casulo abrigava 40 famílias de baixo poder econômico. No levantamento atual, feito pela Prefeitura, ficou demonstrado que hoje algumas famílias abastadas ocupam a área. – NOTA DA PMVC
“A suspensão da regularização vai servir para que a Procuradoria Geral do Município possa construir todo o processo administrativo e histórico e, só a partir desse levantamento, dar continuidade à regularização”, continua a nota.
LEIA O RESTANTE DA NOTA
De acordo com a procuradora geral, Nadjara Régis, houve, no passado, uma descaraterização do projeto. Esta descaraterização ocorreu há pelo menos 10 anos e é preciso entender como as atuais famílias passaram a ocupar a área, entre outros levantamentos que serão feitos.
“Precisamos ver de que forma o Incra reconhece, ou não, a área. Teremos que fazer uma pesquisa árdua, precisa e consistente. Somente depois de trabalharmos todas as etapas poderemos definir de que forma a regularização será feita, respeitando todos os requisitos legais possíveis. Esta foi a determinação que recebi do prefeito”, afirmou a procuradora.
Fonte: Sudoeste Digital
Por James Martins/Metro1
“Me pinte aqui de Jota Morbeck”, esse bem que poderia ter sido o pedido da Rosa, a personagem de Emanuelle Araújo, para o Roque vivido por Lázaro Ramos, na cena inicial de “Ó Paí, Ó” (2007), filme de Monique Gardenberg. Mas, como todo mundo se lembra, o original é: “Me pinte aqui pra Timbalada”. E agora muita gente deve estar se perguntando: “Jota quem?”. Pois é do artista semi-anônimo para as novas gerações, mas a quem os mais velhos não se acanham de chamar “o maior cantor de trio de todos os tempos”, que vamos tratar nessa matéria. Jota Morbeck — o elo perdido do Axé.
Jucelino de Oliveira Morbeck, que detestava o próprio nome e por isso adotou o Jota, numa operação kafkiana, nasceu em Ruy Barbosa, perto de Itaberaba, em 1962, mas entrou para o mundo do Carnaval pela via de Feira de Santana, a mesma que revelou, entre outros, Luiz Caldas. Foi o primeiro a cantar em um trio elétrico na Micareta de Feira e um inovador da folia momesca soteropolitana em muitos sentidos.
A pintura da Timbalada, por exemplo, referida no início, já estava em Jota nos anos 1980. “Com uma diferença básica”, destaca o percussionista e produtor musical Jonga Cunha, “ele se pintava com tinta de parede, e as reações alérgicas eram um inferno (risos)”. Com isso, Jonga, um dos jovens diretores do bloco EVA à época, introduz uma característica fundamental do cantor. “Ele era louco. Doido de pedra! Mas, isso por que era um gênio, muito à frente de seu tempo”, afirma.
A questão é que Jota Morbeck, com todo seu talento, genialidade e loucura, ficou espremido entre a geração Dodô & Osmar e o Axé Music. Uma espécie de elo perdido mesmo entre Moraes Moreira e Bell Marques. E, embora tenha sido o introdutor de um dos hinos do nosso Carnaval, “Eva” (música da banda paulista Rádio Táxi, que por sua vez é uma versão de sucesso homônimo do italiano Umberto Tozzi), e estourado mais tarde com o “Melô do Halley”, o cantor caiu no esquecimento e, atualmente, é difícil encontrar informações a seu respeito até mesmo na internet.
Quem pôde ver e ouvir o artista em ação, no entanto, não esquece. E o impacto radiativo de Jota Morbeck inspirou muitos outros talentos. “Eu nunca vou esquecer disso na minha vida. A gente saiu da Barroquinha e subiu a Ladeira do Couro. Quando chegou na Praça Castro Alves, eu olhei, tava descendo um trio... Minha mãe era evangélica, da Igreja do Evangelho Quadrangular, imagine! Vinha aquele trio com um homem com um cabelão, cantando assim, eu falei 'mãe, quando eu crescer eu quero ser igual a esse cara’", conta Sarajane, uma das maiores representantes do gênero. E completa, com a resposta da mãe que, graças a Deus, não foi capaz de impedir sua carreira: "Tomei uma broca! 'Cala a boca, você é maluca? Aquilo é o diabo!’".
Sara, que acabou fazendo amizade com o ídolo tempos depois, quando o substituiu no Tapajós, reforça: “Eu fiquei apaixonada. Aquele negócio não saiu da minha cabeça. Era Jota Morbeck! Que cantor maravilhooooso! Eu cantei no trio por causa dele”. E a sedução do Diabo Louro enredou também os foliões, é claro. Hoje diretora de programação da TVE Bahia, Silvana Moura fala do cantor como se fosse a mesma menina de 13 anos que ficou totalmente louca por ele quando o viu pela primeira vez. Mesmo não tendo sido no trio elétrico, seu habitat natural.
“Na época, meu carnaval, infelizmente, era em clube e eu ia para o Baiano de Tênis com minhas vizinhas. Lembro que vi um show de Jota no EVA no Baiano. Ele entrou no palco como um rockstar. Uma imponência e uma indumentária psicodélica: cabelos coloridos, corpo todo pintado, calça de couro. Fiquei fã. Passei a fugir dos clubes e ir andando até o Campo Grande ou fugir de casa para ouvir aquela voz potente e carismática”, conta.
Agora sejamos um pouco cronológicos: Jota Morbeck chegou em Feira de Santana entre 1973/74 e ali cantou em barzinhos e também em bandas como Mic Five, Lordão e Gaiola Mágica. Já em Salvador, gravou no disco “Jubileu de Prata”, do trio elétrico Tapajós, em 1981, e, no ano seguinte, ingressou no bloco EVA, alçando a formação à posição de destaque do Carnaval 82. Já em 86 ele passou para os Novos Bárbaros, onde pegou carona na cauda do cometa e emplacou o “Melô do Halley”. Foi quando gravou também a música “Deboche”, de Paulinho Camafeu, irmã mais velha do “Fricote”.
Inspirada em Jota, Laurinha também aderiu à pintura corporal (Acervo Pessoal).
“Na minha opinião, foi o maior cantor de trio do mundo”, afirma o empresário Jorginho Sampaio, um dos responsáveis pela contratação de Morbeck no EVA. É o mesmo que diz a cantora Laurinha, sua companheira de vocais nos Novos Bárbaros: "A primeira vez que subimos juntos no trio eu fiquei impactada. Era uma figura muito forte! Eu acho que Jota foi o maior cantor de trio de todos os tempos".
Entre as características marcantes de sua performance, os contemporâneos destacam o jeito de segurar o microfone com o pedestal (“À maneira de Freddie Mercury, que ele admirava”, pontua o percussionista Palito), o fato de Jota subir nas caixas de som, a cabeleira loura oxigenada, o repertório sempre bem escolhido (um dos introdutores de xotes, mas também de baladas rock no trio) e o carisma docemente roqueiro. “Você não perdia uma palavra do que ele cantava, interpretava como ninguém”, diz Silvana.
Capa e encarte do compacto do Eva, de 1983, com Jota nos vocais.
A loucura do cara, certamente um dos motivos de seu brilho, talvez o tenha impedido, porém, de manter o sucesso e seguir a carreira brilhante que todos viam à sua frente, quando o Axé Music estourou no país inteiro e no mundo. “Ele pode ser comparado aos outros gênios que não têm a menor capacidade de logística, estruturação, controle comercial de sua carreira… zero!”, analisa Jonga. E conclui: “Era um malucão. Gente muito boa, com um coração imenso, de relacionamento fácil (aí é que está!), mas de trabalho difícil, porque era irresponsável como os gênios são”.
Jota Morbeck faria 58 anos no próximo dia 16. No entanto, um dos motes dessa matéria é pontuar os 20 anos de sua morte. E a dupla lacuna deixada por ele em nossa música carnavalesca: tanto a ausência física, quanto de registros e menções. Em abril de 2000, durante as celebrações dos 500 anos do Brasil, o cantor foi dar um mergulho nas águas de Porto Seguro, sentiu-se mal e morreu afogado. Mas, um artista capaz de gerar o impacto que ele gerou em tantos e tão bons não pode ser apagado da história.
"Não é que ele seja o cantor mais importante do Axé. Não dá pra dizer isso em vista de carreiras como as de Bell, Tatau etc. Mas, nunca vi ninguém melhor", arremata Jonga.
E por falar em loucuras daquelas que, invariavelmente, depois que passam viram graça, Jota merece uma pequena antologia das suas.
Conta Palito: “Quando a gente viajava de carro próprio, pra tocar, Jota tinha um Gol e um Opala, e a gente não passava em nenhum posto da Polícia Rodoviária, porque a documentação do carro dele só andava atrasada (risos). Então ele já sabia onde eram os postos e por onde desviar, entrava em uma fazenda, saía em outra, e já aparecia lá na frente… (mais risos)”.
Outra de Palito: “Uma vez, em Rio Verde, estado de Goiás, onde os Novos Bárbaros cresceram muito, fizemos um show para uma campanha política e Jota tinha aquela onda de roqueiro, de se jogar, mas, nesse dia ele esqueceu de colocar a joelheira. A gente cantando aquela música de Kiko Zambianchi (‘Se um dia eu pudesse ver, meu passado inteiro…’), a banda afiadíssima, ele pulou de cima das caixas de som e caiu de joelho, sem joelheira, começou a urrar no chão e a gente ‘bora, levanta Jota’, e ele urrando… (risos), tivemos que carregar”.
Diabo louro e pintado.
Elza Tripodi, viúva de Alberto Tripodi, com quem o artista manteve um relacionamento de pai e filho até o fim, tem muitas lembranças: “Jota aprontava muito e Beto sempre passava a mão pela cabeça. Novos Bárbaros era a casa dele, tanto que ele ia e voltava. Beto era um paizão pra Jota. Nós vivemos muito juntos. E ele tinha tanta confiança em Beto que ele chegava, por exemplo, em Jaguaquara, botava gasolina no posto e dizia ‘bota na conta de Tripodi’, porque sabia que tava tudo certo. Era incrível!”.
Laurinha: “A gente tinha uma relação de irmão mesmo, vivíamos na molequeira. Uma vez, em Natal (RN), com a banda Novos Bárbaros, Jota se juntou com Pedrinho Rego e eles jogaram uma bomba pelo cobogó do banheiro onde eu tava. Quase morro do coração! Resultado: a gente foi expulso do hotel e eu nunca esqueço que Beto, que, é claro, ficou danado com a gente, pra nos castigar, nos mandou pro Hotel São Francisco, nunca esqueço esse nome, que era tipo um hotel fantasma, não tinha ninguém, a comida uma miséria, tudo ruim… e mesmo assim eles continuaram perturbando, sendo que Jota era o cabeça da esculhambação (risos)”.
Capa do LP Novos Bárbaros de 1986.
Já a lembrança de Silvana nos traz de volta à música: "Uma vez ele tava no trio Novos Bárbaros e rolou um problema no som, alguns alto-falantes pifaram. Tinha uns 4 cantores. Alberto Trípodi, enlouquecido, gritou: 'Pode ir embora todo mundo, só Jota tem gogó pra segurar uma coisa assim'. E Jota continuou com a mesma empolgação e o mesmo povão embaixo. Ele fazia o que queria com o público. E era só música, não tinha esse negócio de conversinha, não".
E foi com performances assim, épicas, tanto na vida elétrica quanto nos trios elétricos, que o cantor deu uma contribuição indelével para a construção do Axé e sua galeria de ídolos. A Micareta de Feira tem um palco Jota Morbeck, mas é pouco. Ídolo dos ídolos, ele merece chegar também ao conhecimento dos mais novos foliões. Assista abaixo um mini-doc sobre o “melhor cantor de trio”, com material inédito do filme “Axé - Canto do Povo de um Lugar”: