O Governo do Estado publica nesta sexta-feira (6) um novo decreto que estabelece medidas relacionadas ao enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, flexibilizando algumas atividades, de acordo com a taxa de ocupação de leitos de UTI Covid. O novo decreto não estabelece mais a restrição de locomoção noturna, conhecida como toque de recolher.
De acordo com o decreto n° 20.623, que passa a vigorar a partir desta sexta, ficam autorizados, até 17 de agosto de 2021, os eventos e atividades com a presença de público de até 300 pessoas, tais como: cerimônias de casamento, eventos urbanos e rurais em logradouros públicos ou privados, circos, parques de exposições, solenidades de formatura, passeatas e afins, funcionamento de zoológicos, museus, teatros e afins. Esta liberação não inclui a realização de shows e festas.
Nos municípios integrantes de Região de Saúde em que a taxa de ocupação de leitos de UTI COVID se mantenha, por cinco dias consecutivos, superior a 60%, eventos e atividades poderão acontecer com público de até 100 pessoas. Eventos esportivos em todo o estado continuam a acontecer, porém sem a presença de público.
Os espaços culturais como cinemas e teatros devem funcionar obedecendo a limitação de 50% da capacidade do local. Já a lotação permitida em estabelecimentos comerciais, de serviços e financeiro, como mercados e afins, deverá ser definida em ato editado por cada município, considerado o tamanho do espaço físico, com o objetivo de evitar aglomerações.
O decreto manteve a orientação em relação às aulas. As atividades letivas, nas unidades de ensino, públicas e particulares, poderão ocorrer de forma semipresencial nos municípios integrantes de Região de Saúde em que a taxa de ocupação de leitos de UTI COVID se mantenha, por cinco dias consecutivos, igual ou inferior a 75%, obedecendo a ocupação de 50% da capacidade das salas de aula.
Leia a nota na íntegra:
Procurado pela imprensa e amigos de Vitória da Conquista para saber a minha opinião sobre o pronunciamento do líder da Prefeita na Câmara de Vereadores, o vereador Chico Estrela. Acredito, como diz na linguagem do futebol, o vereador conhece bem pois foi um grande goleiro do nosso futebol, que sua fala foi um verdadeiro gol contra.
É preciso lembrar o Líder do Governo que Dona Irma Lemos, mãe da prefeita, fez parte da última gestão, inclusive ela que passou a faixa de Prefeita para filha Sheila Lemos, fato inédito no meio político. Então, quando o Líder do Governo desfere um ataque a gestão anterior ele desfere um ataque a mãe da prefeita a Ex-vice-Prefeita de Herzem a Sra. Irma Lemos, que na condição de Vice-prefeita fazia parte do coração da administração anterior, sendo, por tanto, responsável pela herança administrativa da gestão atual que, diga-se de passagem, foi uma grande herança apesar do Líder do Governo afirmar o contrário.
Até porque a Prefeita não herdou apenas uma administração saneada mas herdou literalmente o cargo de Prefeita da cidade de Vitória da Conquista.
O Líder do Governo Chico Estrela com sua fala termina fazendo uma enorme intriga entre mãe e filha, pois Dona Irma abriu mão de seu lugar de Vice na chapa de Herzem para indicar sua filha Sheila Lemos. Ou seja, quando o Líder do Governo se pronuncia colocando a administração anterior – Herzem Gusmão e Irma Lemos – como insatisfatória, ele desfere um golpe contra a mãe da atual prefeita e contra os mais de 97 mil eleitores que reelegeram Herzem Gusmão.
Diante disso tudo, é meu dever registrar a minha discordância à fala do Líder do Governo e solidariedade a Dona Irma e a prefeita Sheila Lemos.
É equivocada a exaltação à administração do ex-prefeito Guilherme Menezes, pois funciona como lançamento da candidatura do ex-prefeito Guilherme Menezes para as eleições de 2024. Além de dizer implicitamente que a população de Conquista votou errado na chapa Herzem Gusmão e Sheila Lemos, atingindo diretamente a prefeita.
Por isso, nós do MDB responsáveis direto pela eleição da prefeita vamos trabalhar junto a base pela reeleição de Sheila Lemos, mesmo com o líder do governo jogando contra o nosso time.
É no mínimo deselegante atacar pessoas que já estão junto à Deus e não podem repelir as inverdades. Nós do MDB não permitiremos que esse comportamento continue a ocorrer sem a devida reação!
DIRETÓRIO ESTADUAL DO MOVIMENTO DEMOCRÁTICO BRASILEIRO – BAHIA
Tenho certeza se perguntarem a Prefeita Sheila Lemos se sua mãe fez junto com Herzem uma administração desastrosa, ela irá responder com certeza que não!
Se perguntarem a Prefeita se sua mãe seria capaz de indicá-la para um cargo sabendo que era um projeto falido, com certeza ela responderá que não .
Se perguntarem a Prefeita se concorda com seu líder que diz ter sido Guilherme Menezes o melhor prefeito que conquista já teve, ela responderá que não!
Por fim, quero me solidarizar com a mãe do falecido amigo e correligionário Herzem Gusmão, Dona Zilda, que depois de perder um filho, aclamado nas urnas e nas ruas como o melhor prefeito que Conquista já teve, é obrigada a ouvir tamanha falta de bom senso ou coisa pior.
Salvador, 05 de agosto de 2021
Alex Futuca
Presidente do Diretório Estadual
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a falar, nesta quinta-feira, 4, em ações “fora da linha da Constituição” e fez ataques a Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
“A hora dele [Moraes] vai chegar. Porque está jogando fora das quatro linhas da Constituição há muito tempo. Não pretendo sair das quatro linhas para questionar essas autoridades, mas acredito que o momento está chegando”, disse o presidente em entrevista à Rádio 93 FM, do Rio de Janeiro.
“Não dá para continuarmos com ministro arbitrário, ditatorial”, completou.Na quarta-feira, 4, o STF incluiu Bolsonaro como investigado no inquérito das fake news, relatado por Moraes.
Bolsonaro também atacou, mais uma vez, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, que se opõe à proposta de adoção do voto impresso.
Bolsonaro disse que está disposto a participar de protesto “daqui a 2 ou 3 domingos”, na avenida Paulista, “para a gente fazer mais um apelo” ao TSE e a Barroso sobre a mudança no sistema de voto.
O presidente também voltou a afirmar que o próprio TSE reconheceu que um hacker invadiu o seu sistema em 2018. Em nota, o tribunal disse que o episódio não representou qualquer risco às eleições.
O presidente voltou a sugerir que Barroso participa de um complô para eleger o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República em 2022. O petista lidera pesquisas eleitorais.
“Existe um plano, está na mídia, para me tornar inelegível. Se vier a acontecer, já sabemos, se eu não fizer nada, o presidente é o Lula”, afirmou.
Empresários, lideranças religiosas, entidades da sociedade civil e lideranças políticas divulgaram, nesta quarta-feira (4), um manifesto em apoio ao sistema eleitoral brasileiro.
O texto foi divulgado no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) incluiu o presidente Jair Bolsonaro em inquérito das fake news por ataques às urnas eletrônicas. Após a inclusão, Bolsonaro ameaçou agir fora da Constituição.
O comunicado, batizado de “Eleições serão respeitadas”, afirma que há confiança no sistema de votação eletrônica – colocado em dúvida pelo pelo presidente, que não apresentou provas –, e que “a sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias.”
Mais de 260 nomes constam da lista de primeiros signatários do manifesto, que segue aberto para novas assinaturas. Entre eles, estão empresários como Luiza Trajano (Magazine Luiza) Roberto Setúbal (Itaú), Guilherme Leal (Natura), Oskar Metsavaht (Osklen) e Pedro Parente (BRF e ex-presidente da Petrobras).
A lista inclui o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim – que também foi ministro da Justiça e da Defesa –, os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Loyola, Ilan Goldfajn e Pedro Malan, o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, o ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro e o ex-chanceler Celso Lafer.
Economistas como Alexandre Schwartsman, Andre Lara Rezende, Armínio Fraga, Bernard Appy, Elena Landau, José Roberto Mendonça de Barros, Luiz Carlos Bresser Pereira e Persio Arida e Samuel Pessôa também subscrevem o documento.
A lista de assinaturas inclui ainda as do cardeal Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, do rabino da Congregação Israelita Paulista Michel Schlesinger, e da Monja Cohen.
Assinam também Candido Mendes de Almeida, integrante da Academia Brasileira de Letras, o documentarista João Moreira Salles, o empresário e coordenador da Rede Nossa São Paulo Oded Grajew, os médicos Drauzio Varella e Margareth Dalcolmo e o jurista Joaquim Falcão. Matéria: G1.com
As sessões presencias na Câmera Municipal de Vitória da Conquista retornaram nesta quarta-feira (04), seguindo todos os protocolos indicados pelos órgãos de saúde.
De acordo com o vereador Subtenente Muniz (AVANTE), as sessões no legislativo são de suma importância para a comunidade de Vitória da Conquista.
“ Aqui importantes decisões serão tomadas para nossa cidade; projetos de lei, indicações e o acompanhamento e fiscalização constante dos atos do poder executivo. Assim estaremos firmes continuando nosso trabalho. Com essas nas ações, mas principalmente com nossos trabalhos do dia a dia, estaremos buscando sempre o melhor para a nossa gente, buscando a melhoria de qualidade de vida, com melhor saúde, educação e Segurança para todos”. Destacou o político.
Em sua fala, na sessão desta quarta-feira (04), o vereador homenageou os policiais militares assassinados no mês de julho, no distrito de José Gonçalves e criticou o fato de a Guarda Municipal de Vitória da Conquista não dispor de armas não letais para realizar o patrulhamento no município.
ASSISTA:
A engenheira ambiental Amanda Coqueiro passou num curso de mestrado na Alemanha e busca recursos para realizar o seu sonho. Através das redes sociais, ela conta sua história e explica como as pessoas podem contribuir com a viajem.
“ Desde o final do ano passado venho me preparando e me candidatando em várias seleções, e depois de muitas tentativas, fico feliz em compartilhar com vcs, familiares e amigos, que consegui o que tanto pedi a Deus. Passei em um mestrado na Alemanha.
Eu bem sei que é muito chato “pedir”, mas tenho que ir atrás dos meus sonhos e acredito que posso conseguir isso. Se vc não puder contribuir financeiramente, peço que continue orando por mim e minha família. Agradeço qualquer apoio.
As aulas na universidade se iniciam no começo de outubro, mas em meio a tantas incertezas, em relação a abertura das fronteiras por parte da Alemanha, questões de vistos e etc, possa ser que essa tentativa não dê certo. Claro que estou confiante, animada, mas tenho que pensar em outros cenários.
Visto isso, em caso negativo em relação à minha ida a Alemanha, todo dinheiro arrecadado será *devolvido* às devidas pessoas. Para contribuições por PIX, esse controle fica mais fácil, mas caso vc prefira realizar um *depósito*, peço que seja enviado o comprovante para o seguinte email: amandacoqueiroo@gmail.com.
De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia(Sesab), mais de 400 mil baianos não compareceram aos postos de vacinação para receber a segunda dose contra a Covid-19 dentro do prazo. Os dados informam que são 319 mil pessoas com o esquema vacinal da AstraZeneca incompleto e 86 mil da CoronaVac.
Em entrevista a equipe de reportagem do programa Redação Brasil, Vânia Broucke que é coordenadora de imunização da secretaria de saúde do Estado da Bahia, falou mais a respeito do assunto.
Ouça a entrevista:
João Melo – O povo de Conquista pode falar
Gordo Repórter – Cotidiano da cidade
Luciana Nery – Universo Diverso
Daniel Morais – Giro Brocado do Mamulengo
Verônica Ferraz – Destaques do Blog do Redação
Igor Novaes – Esporte
Marcus Vinicius (Boca) e Josué Marinho – Produção audiovisual
Por Nanda Feminella
Após saírem de suas casas ou serem expulsos, muitas pessoas vão morar nas ruas. Algumas, enquanto passam fome, frio, sede, perigo e agressões, são contempladas e chegam no Lar da Misericórdia. Segundo o dicionário online de português, Dicio, o substantivo feminino, “misericórdia”, tem como um dos significados: “sentimento de pesar ou de caridade despertado pela infelicidade de outrem; piedade, compaixão” ou “ação real demonstrada pelo sentimento de misericórdia; perdão concedido unicamente por bondade; graça”. Motivado por uma crença religiosa em servir o próximo com ações, o fundador e presidente do Lar da Misericórdia, fundado em 2016, João Paulo de Oliveira, abriga moradores de rua na cidade de Vitória da Conquista – Ba.
“Pra envolver com uma ação dessa você precisa dar uma pausa nas suas coisas”, quem diz é João Paulo, aos 38 anos de idade, ao lembrar do início do seu trabalho com a população de rua. Ainda adolescente, ele iniciava um trabalho social que mudaria todo seu estilo de vida. Nas noites quentes ou frias, secas e chuvosas dos dias de sábado, o adolescente entregava alimentos e palavras de esperança aos moradores de rua da terceira maior cidade do estado da Bahia. A ação individual de um adolescente aos 16 anos de idade, iniciada no ano de 1999, tornou-se plural. Outras pessoas se juntaram e com João Paulo, levavam comida aos marginalizados das ruas, dando início ao grupo denominado Pastoral de Rua. Apesar da pouca idade, o adolescente fez uma escolha de forma consciente. Abriu mão dos estudos, do trabalho, da juventude e do próprio conforto para fazer o bem aos indesejados da sociedade.
Em 2002, a Pastoral de Rua passou a fazer parcerias com igrejas católicas e a partir delas, começou a utilizar espaços físicos para oferecer cuidados como: banho, alimentação e entretenimento aos moradores de rua. A caminhada não foi fácil. Em casas emprestadas, o grupo se juntava para cuidar dos ferimentos do corpo e da alma de homens e mulheres sem casa para morar. Em 2006, após muitas conversas e vínculos afetivos desenvolvidos com os indesejados da sociedade, João Paulo fundou uma casa de passagem responsável por dar assistência temporária àqueles que, por diversos motivos, saíram de suas casas. Contudo, foi em 02 de agosto de 2016 que o projeto Lar da Misericórdia tomou forma.

Membros da Pastoral de Rua cuidando de um morador
“Projetos não nascem no papel, nascem no coração” De forma calma e tranquila, o fundador conta que o Lar nasceu a partir do seu esforço ao alugar uma casa, com recursos próprios, para abrigar um casal que pedia por Membros da Pastoral de Rua cuidando de um morador ajuda. Logo em seguida, a ação se repetiu e novamente João Paulo fez o mesmo esforço para acolher Carlos Gomes. Alugou uma nova casa e a partir dela, muitos outros homens passaram a morar em um lar de misericórdia. A proposta da organização é hospedar e acompanhar, por um período que for necessário, moradores de rua. O Lar trabalha com a proposta de promoção humana e atualmente acolhe pessoas do sexo masculino. Para João Paulo, disponibilizar um espaço apenas para entrega de alimentação e recursos para promoção da higiene pessoal, não seria suficiente. É necessário oferecer condições de mudança. É crucial promover oportunidades para que homens consigam sair das ruas. Ou seja, em regime comunitário o Lar busca a reinserção dessas pessoas no mercado de trabalho, a reconstrução dos vínculos familiares e o regresso digno à comunidade.

João Paulo em frente da fachada do Lar da Misericórdia
Dos 17 moradores da casa, entrevistei o Carlos Gomes. Aos 63 anos de idade, natural de Cabo de Santo Agostinho, município do estado de Pernambuco, ele contou partes da sua história. “Eu sou do mundo. A mesma coisa de um hippie. Hippie tem casa? Hoje em dia quem tem casa é maribondo”, fala. Seu Carlos chegou no Lar da Misericórdia em 2016 e permanece até hoje. Com orgulho exibe sua coleção de DVD’s e com um sorriso sem dentes, mostra com felicidade o encarte do Marinheiro Popeye, Os Trapalhões, Amado Batista, Cavaleiros do Forró e diversos outros. Apesar da diversificada coleção, não pode assistir seus filmes. Não há mais televisão em seu quarto. Segundo o fundador do Lar, a medida foi necessária como forma de manter a ordem e a socialização entre os moradores, mas como uma criança que apresenta queixas, Seu Carlos logo falou da falta que o aparelho televisivo lhe traz. Quem nunca teve muito na João Paulo em frente da fachada do Lar da Misericórdia vida, sente falta do pouco que recebe. “Sem poder assistir, sem poder dar minha risadinha. Aí é uma dor pra pessoa, não é? É um aperreio para uma pessoa”, declara.

Carlos Gomes e sua coleção de DVD’s
Diferente do Seu Carlos, Fernando Joel Pedroso chegou há pouco tempo, durante a pandemia de Covid-19. Atualmente cumpre uma sentença condenatória em regime domiciliar. Para não viver de favor ou na rua, pediu abrigo no Lar da Misericórdia. Na casa, vive uma rotina determinada. Às 7h30, inicia-se o desjejum, às 10h é servido o lanche da manhã e às 12h, o almoço. O café da tarde acontece às 16h e por volta das 19h, o jantar. Natural de Santarém, município do Pará, aos 63 anos de idade Fernando Joel permanece compartilhando com outros homens, um dos cinco dormitórios disponíveis no Lar, além de ajudar com a manutenção da casa. “Eu presto uns serviços aí. Lavo uns prato, lavo uns copo, umas xícara. Lavo o quarto”, conta.

Há quase cinco meses, Fernando Joel Pedroso vive no Lar
Para João Paulo, a sociedade não deve caracterizar uma pessoa de rua por meio de uma fala, um rótulo, uma experiência. Trabalhar com o propósito de oferecer estrutura para uma futura independência não é fácil. “Há muitas dificuldades pra se manter um trabalho, ainda mais com pessoas em situação de rua. Eles têm toda uma situação de demanda. Você encontra situações mais dolorosas que uma pessoa pode chegar: perda do vínculo familiar, perda da credibilidade com a sociedade, dependência, transtorno”, explica.


Almoço sendo servido no Lar da Misericórdia
No momento, o Lar oferece moradia para 17 pessoas e apesar das dificuldades, funciona com o objetivo de resgatar a identidade dos moradores de rua, por meio da promoção humana. Ao todo, cerca de 150 pessoas já moraram na casa e para que todo o trabalho funcione, o Lar da Misericórdia conta com voluntários e alguns prestadores de serviço. Segundo o fundador da organização, atualmente há duas pessoas fixas responsáveis pela cozinha e limpeza do local, além de um prestador de serviço responsável pela alimentação, concedido pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, e três diaristas que realizam os serviços de limpeza e de acompanhamento, conforme a demanda. A casa é mantida por meio de doações, financeira e alimentícia, que acontecem de forma espontânea, mas a organização também conta com a contribuição mensal de cerca de 50 pessoas. “O intuito é ter nossa sede própria. A gente foi ao poder público, solicitou um terreno, mas o poder público vai fazer outro pedido de novo. A gente precisa de um terreno grande para fazer nossa casa”, explica. Hoje, o Lar encontrase localizado no bairro Jurema, na avenida Yolando Fonseca, nº 34.
Viver é administrar sofrimentos, tristezas, angústias, escolhas, erros. Essa realidade atinge a todos, porém, em graus diferentes. Quando falamos de pessoas em situação de rua, falamos de pessoas abatidas, sem assistência e para atendê-las, se faz necessário conhecer suas demandas. Por isso, João Paulo decidiu permanecer morando no Lar. Apesar de trabalhar por mais de 20 anos com esse público, o fundador e presidente nunca viveu uma dependência química, nunca perdeu o vínculo familiar. Sendo assim, precisa estar perto para conhecer em profundidade uma realidade que nunca foi a sua: morar na rua. “Você tem que ter o conhecimento profundo e esse conhecimento não é seu, é da experiência do outro”, diz.
É com ajuda da sociedade que o Lar da Misericórdia permanece há cinco anos oferecendo moradia às pessoas que não tinham onde morar. Assim aconteceu com Márcio Lima de Souza, natural do Rio de Janeiro. Após vivenciar problemas com a família, decidiu sair de casa e morar na rua por um período de um ano. “Quando minha vó morreu, ficou aquela briga pela casa, aí eu fiquei meio chateado com aquilo. Minha vó tinha nem esfriado no caixão”, fala aos 37 anos de idade. Ao chegar em Vitória da Conquista, pediu abrigo no Lar, foi recebido, cuidado e hoje é um acolhido externo, ou seja, presta serviços na casa, recebe auxílio, mas não faz morada. Márcio é a prova viva que é possível sair das ruas.
Com o início da Pandemia muitos moradores de rua procuraram abrigo, mas o Lar não pode recebê-los devido à pouca quantidade de vagas e recursos humanos. Contudo, ainda permanece a esperança em conseguir um lugar maior para abrigar uma parcela da população que busca fugir da rota do vento das noites frias de Vitória da Conquista e que caminha pelas ruas da cidade em busca de alimentação e guarida. Até esse dia chegar, o Lar da Misericórdia permanecerá acolhendo homens como Carlos Gomes ou Fernando Joel, para que um dia possam se tornar como Márcio: ex-morador de rua. Dormir sob as estrelas, dia após dia, não passa de uma visão romântica e clichê sobre liberdade.

Ação médica prestada aos moradores do Lar da Misericórdia

Para que seja possível o Lar continuar oferecendo acompanhamento psicológico, assistência jurídica, suporte psicossocial e abrigo às pessoas em situação de rua, doações financeiras podem ser realizadas por meio da conta da Caixa Econômica Federal, 00001415-5, operação: 003 e agência: 3543. As doações alimentícias podem ser entregues no endereço da casa: avenida Yolando Fonseca, nº 34 – Jurema – Vitória da Conquista, Ba.
As valetas, falta de sinalização e o lixo, além da falta de segurança no parque Lagoa das Bateias tem sido motivo para as reclamações entre a população da zona Oeste de Vitória da Conquista. De acordo com moradores, a guarda municipal tem atuado no local, porém ainda existem muitos problemas estruturais no entorno do parque:
Ouça a reportagem: