Quem é essa figura do influenciador…? O que faz…? “qualquer coisa para aparecer”…? É um reflexo direto da economia virtual e do mundo da atenção, onde a relevância é medida por cliques e likes, engajamento e visualizações, e não pela qualidade ou ética, profundidade e densidade do conteúdo.
Esse tipo de personagem, muitas vezes descrito como sensacionalista ou tóxico, surge da necessidade de se destacar em um ambiente virtual saturado, individualista e com algoritmos que premiam o conteúdo extremo.
O que faz essa figura? O “Atentional Seeker”, (Buscador de Atenção): É o influenciador que exagera situações, cria dramas artificiais ou se coloca em risco para gerar engajamento. O “Controversial Commentator” (Comentarista de Controvérsias): Foca em postar conteúdos inflamatórios ou odiosos para forçar discussões e viralizar. Motivação: A busca incessante por validação externa, fama rápida e monetização (publicidade), baseando sua autoestima no número de seguidores e curtidas. Os tais influenciadores digitais são particularmente vulneráveis porque a sua “vida pessoal” é também o seu produto de trabalho. A construção de uma imagem inatingível (falsa realidade) cria uma pressão interna e externa para nunca mostrar vulnerabilidade, o que, a longo prazo é insustentável psicologicamente, emocionalmente, mentalmente, fisicamente e humanamente. Simplesmente, vão parar, vão esgotar, estafar, exaurir, sucumbir, colapsar, morrer… Perfil Psicológico: Pode envolver comportamentos de busca de atenção extremos, que, se não gerenciados, evoluem para atos perigosos. Economia da Atenção: O algoritmo da maioria das plataformas recompensa o conteúdo que mantém o usuário engajado por mais tempo (drama, choque, raiva), incentivando comportamentos desumanos. Individualismo Extremo: A cultura da “marca pessoal” transforma o indivíduo em um produto, onde a moralidade é secundária ao sucesso da audiência. Sensacionalismo e Crueldade: A necessidade de “um up” (superar) o último absurdo leva a exposições de dor, bullying, ou desafios perigosos, criando um ambiente desumano. O “Mercado da Personalidade”: A tendência de tratar as pessoas como mercadorias com valor comercial (vistos apenas pelos “likes”), desumanizando o próximo. A analogia entre a “escravidão dos influencers” e as “novas senzalas do século XXI” reflete uma crítica social e acadêmica crescente sobre a precarização do trabalho e o esgotamento mental na economia digital, onde a busca incessante por engajamento e lucro pode levar a condições análogas a jornadas exaustivas e degradação da saúde mental. O Paralelo com a Indústria Cultural e o Capitalismo. Tudo Vira Mercadoria: A crítica central baseia-se na teoria da indústria cultural, que argumenta que, sob o capitalismo, a cultura e até mesmo as relações humanas são transformadas em mercadorias a serem compradas e vendidas. No mundo dos influenciadores, a própria vida pessoal, imagem e interações sociais tornam-se produtos a serviço do marketing e das marcas. Razão Instrumental: Conceitos da Escola de Frankfurt sugerem que a razão instrumental — focada na eficiência técnica e no domínio para o lucro — prevalece sobre o desenvolvimento humano. Isso se manifesta na otimização de cada momento da vida do influencer para a produção de conteúdo rentável, esvaziando a dignidade humana em favor do capital.
Sociedade do Espetáculo: A onipresença do marketing e a interdependência entre acúmulo de capital e acúmulo de imagens ilustram a “sociedade do espetáculo”, onde a aparência e a performance constante são cruciais para a sobrevivência econômica na plataforma. As Condições de “Escravidão” na Era Digital: Embora não se trate de escravidão em seu sentido legal (que envolve trabalho forçado, condições degradantes e restrição de locomoção, conforme o Código Penal brasileiro), o termo “escravidão digital” é usado em discussões acadêmicas para caracterizar a exploração e a ausência de direitos trabalhistas em um ambiente de controle algorítmico. Exaustão Algorítmica e Burnout: Pesquisas e relatos de criadores de conteúdo apontam para altas taxas de problemas de saúde mental, incluindo ansiedade, depressão e burnout. A pressão para postar constantemente, crescer a audiência e manter a relevância, sem garantias de retorno financeiro, é descrita como um ciclo vicioso e exaustivo. Precarização e Autonomia Ilusória: O modelo de trabalho em plataformas digitais, como a “uberização”, frequentemente mascara a subordinação sob a ideia de “empreendedorismo” e autonomia. Isso resulta em jornadas exaustivas, flutuação de renda e dificuldade em estabelecer limites entre vida profissional e pessoal. Pressão por Perfeição e Stigma: A apresentação de uma “vida perfeita” nas redes sociais cria uma pressão por padrões inatingíveis, contribuindo para problemas de autoestima e transtornos psicológicos, tanto para o público quanto para os próprios criadores. O estigma de que o trabalho de influencer não é um “trabalho de verdade” dificulta o reconhecimento de suas lutas. Assim, a discussão vai propor que, embora os influencers possam desfrutar de privilégios e autonomia aparentes, eles estão sujeitos a um sistema de exploração intensa que mercantiliza sua existência e impõe custos significativos à sua saúde e dignidade, o que gera o debate sobre uma nova forma de servidão moderna, classificado pelo Professor filósofo sul coreano Byung-Chul Han (2015), vai nos remeter para algumas reflexões sobre quem é esse ser da “sociedade virtual digital”, o influencer que se encaixa nessa descrição — operando na “sociedade do cansaço”, onde a autoexploração é romantizada e tudo vira mercadoria — é o perfil que Byung-Chul Han descreveria como o “sujeito de desempenho” tornado influenciador.
Este influenciador não atua apenas como vendedor, mas como o “arauto da positividade tóxica”, que transforma a vida, a produtividade e a saúde mental em um “negócio” de marketing pessoal, ignorando a dignidade humana em prol do engajamento e do lucro. A Romantização da Autoexploração: Vendem a ideia de que “querer é poder”, transformando a exaustão em um troféu de “produtividade”. Eles escravizam os operários (e a si mesmos) ao vender a crença de que ser seu próprio patrão é liberdade, quando na verdade é uma escravidão interna. A Mercadoria Humana: Tudo é conteúdo para marketing: a rotina de exercícios, o sofrimento pessoal, a alimentação, as férias. A dignidade humana é substituída pela estética do desempenho. A “Sociedade do Doping”: Promovem um estilo de vida que exige dopamina e alta performance contínua, muitas vezes incentivando o uso de estimulantes cognitivos ou a negação de pausas essenciais para “dar conta de tudo”. Foco no “Eu”: O influenciador dessa sociedade foca intensamente na preservação e triunfo do seu “eu” econômico, criando uma bolha de positividade que ignora crises sociais e empatias reais. No contexto do hipercapitalismo digital, esse influenciador é o agente que dissolve relações humanas em transações comerciais, transformando o “ser” em “ter/mostrar” Autoexploração: O Indivíduo como Escravo de si mesmo O mito da liberdade: Ao contrário do escravo tradicional, o sujeito atual se explora voluntariamente sob a crença de que está “realizando a si mesmo”. Empreendedor de si: Cada indivíduo é visto como um “empreendedor de si”, o que gera uma cobrança incessante para aumentar o desempenho, resultando em autoexploração e uma exaustão silenciosa. Violência Neuronal: O inimigo não é mais externo (disciplina/proibição), mas interno (positividade excessiva e cobrança). Isso leva ao esgotamento (Burnout), depressão e transtorno de déficit de atenção. A Sociedade do Desempenho e o Excesso de Positividade: O “Yes, we can”: A sociedade substituiu o “não” (proibição) pelo “sim” (poder fazer tudo). A positividade do “poder” é mais eficiente que a negatividade do “dever”.
Hiperatividade e Falta de Tédio: A busca por desempenho gera hiperatenção e multitarefa, destruindo a capacidade humana de contemplação (o “tédio profundo”), que, para o Professor Byung-Chul Han (2015), é essencial para a criatividade e a reflexão. Um não ao individualismo brutal, a Demência de Solidariedade e a “Agonia do Nós”. Hiperindividualismo: A ênfase na performance competitiva isola os indivíduos. O outro deixa de ser um parceiro para se tornar um concorrente ou um recurso para o próprio sucesso. Perda da Alteridade: Para o Professor Han (2022), vai dizer que a sociedade está se tornando, ainda mais narcisista, incapaz de aceitar a alteridade (o diferente). “O celular é um instrumento de dominação… age como um rosário, ou um crucifixo”, a um clic, do sim ou não, do bem e do mal”. A “agonia do Eros” destrói a verdadeira conexão com o outro, transformando relações em objetos de consumo. Solidão e Inimizade: O sistema capitalista de desempenho gera um cansaço solitário. Han propõe, em contrapartida, um “cansaçonós” — uma pausa coletiva que permita a retomada da comunidade. Sobre Relacionamentos (A Expulsão do Outro, 2016): “O inferno dos iguais é o que acontece quando o ‘outro’ desaparece e tudo se torna mais do mesmo”. Uma análise sociológica mais profunda dos fenômenos contemporâneos. A ideia de que o “influencer” pode “morrer” ou se perder na “sargenta do individualismo do lucro fácil” é uma metáfora que reflete debates reais sobre as consequências sociais do modelo de vida e trabalho promovido nas redes sociais. Numa discussão, ainda mais aprofundada, nos sugere que: Individualismo e Solidão: A busca incessante por engajamento e a construção de uma “marca pessoal” podem, paradoxalmente, aprofundar sentimentos de isolamento. Embora o marketing idealize a independência, o mundo digital, ao permitir que todas as necessidades (consumo, entretenimento) sejam atendidas online, pode tornar o encontro humano e a conexão social genuína menos frequentes e mais cansativos. Sociedade da Mercadoria e Consumo: Os influenciadores são peças-chave na sociedade de consumo, funcionando como a segunda maior fonte de informação para decisões de compra, atrás apenas de amigos e parentes. Segundo o Professor Han (2010), “A exploração é muito mais eficiente quando é disfarçada de liberdade.” “Na sociedade da informação, o influenciador se torna a mercadoria suprema. Ele transforma sua própria vida, seu corpo e seus sentimentos em objetos de consumo, promovendo a crença de que a exposição total é uma forma de liberdade, quando na verdade não se passa de uma grande prisão, só ele não enxerga.” Eles transformam o estilo de vida em produto e ou mercadoria e a felicidade em algo que pode ser adquirido, o que aprofunda a submissão aos critérios do sistema capitalista e da indústria cultural. “Escravidão Pós-Moderna” e “Novas Senzalas”: O uso de termos fortes como “escravidão pós-moderna” e “novas senzalas” sugere que, sob a aparência de liberdade e autonomia (ser
“seu próprio chefe”, trabalhar de casa), há uma nova forma de exploração. “O Capital, se encarrega de transformar tudo em mercadorias, uma sociedade de “teres humanos e não de seres humanos”. Na obra “A Sociedade do Espetáculo” (1967), do situacionista francês Guy Debord, é exatamente a análise clássica que descreve a transformação da vida humana em uma sucessão de mercadorias e aparências. Debord argumenta que o capitalismo avançou para um estágio onde a realidade foi substituída pela representação e o que vale não são as pessoas, mas o valor ($) que cada uma representa. Essa exploração se manifesta na pressão para manter um estilo de vida artificial e inautêntico, na dependência de algoritmos e marcas para sustento, e na subserviência a padrões sociais e de consumo que aprisionam os indivíduos em um ciclo de performance e aprovação externa. Em vez de uma “morte” literal, a sua frase sugere um esgotamento moral, social e psicológico desse modelo, que pode levar a crises de saúde mental, desinformação e a perda de um senso de comunidade e propósito mais profundo. A partir, do Professor Bauman (2015), vai nos dizer: “A rede social é uma armadilha. As pessoas não estão interessadas em ‘conectar’, em ter uma ponte. Elas estão, na verdade, do outro lado, apenas para não ficarem sós. Bauman (2020), argumenta que “o medo líquido (incerteza, fragilidade) permeia a existência”. Ele dirá que, nesse contexto de “modernidade líquida”, a tragédia familiar não é um acidente, mas o resultado de um sistema que se alimenta da transformação da vida humana em um produto consumível. É fácil adicionar amigos, mas é mais fácil ainda deletá-los.” Ou ainda, no seu clássico Vida para o consumo (2008), “Na sociedade de consumo, a capacidade de ser desejado é mais importante do que a capacidade de desejar. A vida de consumo é uma maratona de moda, não uma caça ao tesouro.” Ou ainda, no seu Modernidade líquida (2008),”A identidade, na modernidade líquida, não é algo herdado ou dado. Ela deve ser construída, e quando construída, precisa ser constantemente renegociada e atualizada. O ‘eu’ torna-se um produto, algo a ser exibido e comercializado.” Um dos principais fenômenos sociopsicológicos da economia digital atual. Os influenciadores digitais operam na interseção entre a sua identidade pessoal e o produto comercial, criando uma estrutura de trabalho onde a autenticidade é performada e a vulnerabilidade é frequentemente vista como um risco ao negócio. Vejam “risco ao negócio”, em nenhum momento fala-se em risco de vida, ou seja, à vida não importa, o que importa são os negócios, “tudo é mercadoria”, a vida humana, passa a ser um produto descartável, o que importa é a mercadoria, ou seja o negócio”. A “Vida-Produto” e o Esgotamento: Quando a vida pessoal se torna o produto (conteúdo), o descanso se torna ineficiência. Isso gera um ciclo constante de produção, facilitando o esgotamento profissional (burnout), ansiedade e problemas de saúde mental. Imagens Inatingíveis e a “Fake Reality”: A curadoria de uma vida perfeita cria uma falsa realidade. A pressão externa (seguidores, marcas) e interna (necessidade de manter o engajamento) para manter essa fachada inatingível impede a demonstração de vulnerabilidade genuína. O Capitalismo de Plataforma e a “Empresa-Eu”: A lógica capitalista de plataformas de redes sociais fomenta o “capitalismo de criadores”, onde a valoração do indivíduo é medida por taxas de clique e engajamento, não pelo caráter ou bem-estar. O influenciador transforma-se em uma “empresa-eu”, focada em desempenho e competição. A Insuportabilidade a Longo Prazo: A necessidade de “performar” um personagem perfeito é insustentável psicologicamente, pois o ser humano é vulnerável e inconstante. O distanciamento entre a vida real e a online pode levar a crises de identidade, onde o criador não sabe onde termina o personagem e começa a pessoa real. A questão central que nos traz à essa reflexão é se esse sistema é sustentável ou se, no limite, ele condena seus próprios participantes a uma existência vazia e solitária. O comportamento de boa parte dos influenciadores digitais, mas não se refere a uma única pessoa específica ou a um caso único, e sim a um perfil social generalizado no contexto da economia da atenção. A expressão refere-se ao influenciador que, impulsionado pela busca por “lucro fácil” e pela necessidade de engajamento a qualquer custo, transforma aspectos íntimos, trágicos ou problemáticos da sua vida pessoal em entretenimento. Principais aspectos dessa crítica: Individualismo e “Senzalas” do Séc. XXI: Sugere que influenciadores se tornam reféns (escravos) da necessidade de validação nas redes sociais, trabalhando intensamente para plataformas sob a promessa de fama e dinheiro rápido. Tragédia como Entretenimento: A denúncia destaca o uso de divórcios, doenças, brigas familiares e tragédias pessoais para gerar cliques, comentários e visibilidade. Precarização da Vida: O termo “escravidão pós-moderna” aponta para a perda de privacidade e a pressão psicológica constante para manter a relevância digital. O “influencer” que faz de tudo pela atenção é o subproduto de uma economia que transformou o olhar do outro em moeda de troca. Em um mundo virtual e individualista, o “eu” virou um produto que precisa de engajamento constante para existir. Como essa figura surge: A Democratização da Fama: Antes, a mídia era controlada por grandes canais. Hoje, qualquer um com um celular pode criar um palco. O algoritmo não julga a ética, apenas o tempo de tela. O Vício em Dopamina: O mecanismo de curtidas e comentários gera uma validação instantânea que alimenta o ego e a busca por atos cada vez mais extremos para manter o interesse do público. A “Espetacularização” do Eu: No vazio do isolamento moderno, a performance substitui a essência. Para não ser “cancelado” pelo esquecimento, o influencer recorre ao choque, à polêmica ou à superexposição da intimidade. Essa figura prospera porque o público, muitas vezes sedento por distração ou pelo prazer de julgar, consome esse conteúdo, fechando um ciclo onde a crueldade vira entretenimento e a atenção vale mais que a dignidade.
Essa crítica é comum a influenciadores que adotam a superexposição (o “exposed” de si mesmo) como estratégia de conteúdo principal, muitas vezes resultando em cancelamentos, crises de saúde mental ou desestruturação familiar. A análise se colocar a uma análise de um arquétipo crítico de influenciador digital contemporâneo, frequentemente discutido no contexto da “sociedade do espetáculo” e do marketing de influência, onde a busca por atenção e o lucro rápido prevalecem sobre a privacidade, a ética e a sanidade familiar. Esses perfis, muitas vezes citados em análises críticas como o de “influenciadores de tragédia” ou “marketing de superexposição”, caracterizam-se por: Transformar a vida privada em produto: A família, dramas pessoais e até momentos de luto ou crise são transformados em conteúdo monetizável (vídeos, stories, posts) para gerar engajamento. A “Escravidão Pós-Moderna”: A necessidade constante de produzir conteúdo para não perder relevância, tornando-se refém de métricas (curtidas, visualizações) e da pressão dos seguidores, uma espécie de servidão à atenção. Tragédia como conteúdo: A busca por likes a qualquer custo leva a situações extremas, como a exposição de crimes, a transformação de tragédias familiares em entretenimento e a superexposição da vida dos filhos, configurando um “trabalho” exaustivo e perigoso para a saúde mental e relações interpessoais. Individualismo e Lucro Fácil: A mentalidade de que “tudo vale a pena” para ganhar seguidores, muitas vezes associada à venda de produtos de procedência duvidosa, jogos de azar ou ostentação de uma riqueza que muitas vezes é uma ilusão do marketing, nada mais. Estes influenciadores “morrem” (no sentido figurado de perdem sua dignidade, humanidade ou autenticidade) nas “senzalas” da sociedade do século XXI, que podem ser interpretadas como o ambiente de alta pressão das redes sociais, onde se tornam
escravos de um algoritmo e de um público exigente.
Essas referências mostram que a tragédia familiar e pessoal citada é, na verdade, uma consequência estrutural de um modelo de negócio baseado na espetacularização da vida íntima, através de programas de reality show, ou exposição permanente dos influencers, sobre suas vidas transformadas em mercadoria, pelo capital. Essa visão realística sobre a “senzala digital” e a autodestruição em busca de cliques e likes, encontra eco em pensadores que analisam o esgotamento do indivíduo e a transformação da vida íntima em mercadoria. A premissa do influenciador que sacrifica a própria vida, família e sanidade no altar das redes sociais, movido pelo lucro fácil e pela necessidade de visibilidade, é um tema central na sociologia e filosofia contemporânea. Autores que analisam a “sociedade do espetáculo”, o “capitalismo de plataforma” e a “modernidade líquida” são algumas das melhores referências. E tem mais: quem é a figura do seguidor de influenciadores…? Quando analisada sob a ótica crítica da sociologia do trabalho e da filosofia e da economia política é frequentemente caracterizada como um agente imerso na alienação contemporânea e na sociedade do espetáculo. Este seguidor não é apenas um consumidor, mas um participante ativo — e muitas vezes passivo — na engrenagem que transforma comportamento e atenção em capital. O Seguidor como Alienado e “Escravizado” Escravizado pelo Capitalismo de Plataforma: O seguidor atua como o motor do influenciador. Ao dar “likes”, comentários e visualizar “stories”, ele gera engajamento e métricas que valorizam a mercadoria digital (o influencer). Ele é um produtor não remunerado de riqueza para as plataformas (Instagram, TikTok, YouTube) e para o influenciador. Consumo como Fuga e Padrão: O seguidor frequentemente adota o influenciador como referência, comprando produtos que prometem uma satisfação ilusória, agindo como um “consumidor alienado” que busca alívio de frustrações na compra contínua. O Jogo do Capital x Trabalho (Idiotas x Alienados). Algumas Considerações finais, longe da Conclusão, no processo cartográfico da Mercantilização do humano, ou ainda, degradação do humano, na era da psicose virtual. Essa é uma provocação ácida e muito pertinente sobre a configuração atual, da relação capital x vs. trabalho e da subjetividade. O que vem descrever — essa simbiose entre o influenciador (que performa uma vida mercadoria) e o seguidor (que consome essa ilusão enquanto se aliena de sua própria triste realidade alienante) — é o cerne de várias críticas contemporâneas. Com o auxílio de alguns Pensadores, que trouxemos para ilustrar o cenário das figuras dos seguidores (do influencers), um outro patético escravizado pelo neocapitalismo do espetáculo no trágico/jogo da velha.
**contribuição do Professor DsC Dirlei A Bonfim, Doutor em Desenvolvimento Econômico e Ambiental, Professor da Rede Estadual da Bahia, Professor Formador IAT/SEC/BA.*03/2026.1.**
O que está havendo com essa “camarotização” do São João, Pé de Serra e a invasão sertaneja nos festejos juninos do Nordeste.
Entre as grandes tradições populares do Nordeste, as Festas Juninas se destacam pela participação popular e pelo clima criado em torno aos festejos, uma espécie de Natal antecipado. Não é por menos que, para a maioria dos nordestinos, junho é melhor mês do ano.
Diferente do Carnaval, que concentra sua força em duas capitais da região – Salvador e Recife – os festejos juninos se espalham para além das metrópoles e ocupam as praças das médias e pequenas cidades. Caruaru e Campina Grande, que disputam o título de maior festejo junino, estão localizadas no Agreste de seus respectivos estados, Pernambuco e Paraíba. Na Bahia dos 417 municípios, 244 realizaram grandes festas no dia de São João.
Essas festas vêm crescendo a cada ano. As prefeituras têm investido em grandes estruturas de palco, na contratação de artistas nacionais e na construção de arenas para as realizações dos shows, a exemplo da prefeitura do município de Cruz das Almas, localizada no Recôncavo Baiano, que, desde o ano passado, retirou os grandes shows da praça localizada no centro da cidade e os levou para a arena Circuito Luiz Gonzaga, um amplo espaço preparado para receber mais de 200 mil pessoas por noite.
Todo esse investimento pelas prefeituras e pelos governos estaduais é justificado pelo impacto das festas na economia. De acordo com o Ministério do Turismo, só este ano foram movimentados R$ 6 bilhões e cerca 28 milhões de turistas circularam pelo Nordeste.
Essa forte mercantilização tem ocasionado dois processos que estão mudando o perfil das Festas Juninas no Nordeste. Coisas que tiveram início há alguns anos, mas que, neste, ganharam maiores dimensões e repercussão nacional: a “camarotização” e a invasão dos artistas sertanejos nas programações. Festa de São João longe do povo.
As festas nas praças públicas dão o tom dos festejos juninos no Nordeste. Enfeitadas com bandeirolas e outros símbolos que remetem à tradição junina, esses espaços públicos começaram a ser ocupados por camarotes, antes localizados nas laterais do palco. Este ano eles passaram a ocupar “espaços VIP”, em frente aos palcos, ofertados a quem desembolsasse centenas de reais.
Esse é um processo de privatização das festas públicas, incentivado pelo poder público, onde se reduz o espaço destinado ao público geral. Em Campina Grande, metade do espaço em frente ao palco principal foi destinado a um camarote privado, com capacidade para 6.800 pessoas, com ingressos que chegavam a R$ 600 por dia.
O processo de mercantilização da Festa Junina em Campina Grande é de tal forma avançado que, desde 2017, a prefeitura licita a organização da festa para uma empresa. Em 2023 e 2024, a responsável é a Artes Produções, vencedora da última licitação pelo valor de R$ 955.655,91.
Com esse avanço da mercantilização, o Pátio do Povo vai deixando de ser do povo. Isso também acontece com grande força em Caruaru. Um camarote privado também ocupou 50% do espaço, em frente ao palco principal do Pátio de Eventos.
Na Bahia, a “camarotização” vem ganhando espaço desde o ano passado, em cidades como Santo Antônio de Jesus, Cruz das Almas, Senhor do Bonfim, Jequié e São Gonçalo dos Campos. Mas o processo ainda não avançou para cercadinhos, com “áreas vip” em frente ao palco.
“Sertanejização”
O outro filho da mercantilização dos festejos é a invasão sertaneja na programação. Os artistas do gênero mais tocado no mercado musical brasileiro foram atrações nas principais festas, recebendo os maiores cachês e exigindo mais tempo de apresentação que os demais artistas.
No início de junho, o cantor Flávio José, representante do tradicional forró pé-de-serra, protestou no palco de Campina Grande, por ter seu tempo de show reduzido. “Eu não tenho nenhum show para sair daqui correndo para fazer. Não foi ideia minha. Infelizmente, são essas coisas que os artistas da música nordestina sofrem”, disse. A atração seguinte, o sertanejo Gusttavo Lima, se apresentou por 2h30. ” Um show horroroso, que não tem absolutamente nada haver com as tradições Nordestina”… Esses Shows de personagens do Agro, são patrocinadores do Sul, Sudeste e Centro Oeste e das Redes de Comunicação, a Globo e as demais, que simplesmente, vão Alienando as pessoas, no cotidiano, para depois “Vender os seus produtos, o pacote do Agronegócio”, os mesmos financiadores dos tais Rodeios “…
O cantor cearense Fagner, que tem um disco histórico com Luiz Gonzaga, também reclamou durante seu show em Campina Grande: “Vamos fazer uma despedida porque tem uma programação, não é isso? Vai ter um sertanejo aí, desses patrocinados pelo Agro, não é isso?”, alfinetou. Portanto, querem silenciar a SANFONA, ZABUMBA E TRIÂNGULO do nosso Tradicional Forró de São João… Mas, não conseguirão, porque o nosso Povo Nordestino, não é besta e sabe exatamente quem é quem e separar, muito bem, quem presta, de quem não presta, ou seja quem são os Artistas que fazem o Verdadeiro FORRÓ PÉ DE SERRA, DE QUEM NÃO FAZ, NÃO SABE E NUNCA FARÁ… A não ser, o processo de INVERSÃO DE VALORES. O que está havendo com essa “camarotização” do São João, Pé de Serra e a invasão sertaneja nos festejos juninos do Nordeste.
Entre as grandes tradições populares do Nordeste, as Festas Juninas se destacam pela participação popular e pelo clima criado em torno aos festejos, uma espécie de Natal antecipado. Não é por menos que, para a maioria dos nordestinos, junho é melhor mês do ano.
Diferente do Carnaval, que concentra sua força em duas capitais da região – Salvador e Recife – os festejos juninos se espalham para além das metrópoles e ocupam as praças das médias e pequenas cidades. Caruaru e Campina Grande, que disputam o título de maior festejo junino, estão localizadas no Agreste de seus respectivos estados, Pernambuco e Paraíba. Na Bahia dos 417 municípios, 244 realizaram grandes festas no dia de São João.
Essas festas vêm crescendo a cada ano. As prefeituras têm investido em grandes estruturas de palco, na contratação de artistas nacionais e na construção de arenas para as realizações dos shows, a exemplo da prefeitura do município de Cruz das Almas, localizada no Recôncavo Baiano, que, desde o ano passado, retirou os grandes shows da praça localizada no centro da cidade e os levou para a arena Circuito Luiz Gonzaga, um amplo espaço preparado para receber mais de 200 mil pessoas por noite.
Todo esse investimento pelas prefeituras e pelos governos estaduais é justificado pelo impacto das festas na economia. De acordo com o Ministério do Turismo, só este ano foram movimentados R$ 6 bilhões e cerca 28 milhões de turistas circularam pelo Nordeste.
Essa forte mercantilização tem ocasionado dois processos que estão mudando o perfil das Festas Juninas no Nordeste. Coisas que tiveram início há alguns anos, mas que, neste, ganharam maiores dimensões e repercussão nacional: a “camarotização” e a invasão dos artistas sertanejos nas programações. Festa de São João longe do povo:as festas nas praças públicas dão o tom dos festejos juninos no Nordeste. Enfeitadas com bandeirolas e outros símbolos que remetem à tradição junina, esses espaços públicos começaram a ser ocupados por camarotes, antes localizados nas laterais do palco. Este ano eles passaram a ocupar “espaços VIP”, em frente aos palcos, ofertados a quem desembolsasse centenas de reais.
Esse é um processo de privatização das festas públicas, incentivado pelo poder público, onde se reduz o espaço destinado ao público geral. Em Campina Grande, metade do espaço em frente ao palco principal foi destinado a um camarote privado, com capacidade para 6.800 pessoas, com ingressos que chegavam a R$ 600 por dia.
O processo de mercantilização da Festa Junina em Campina Grande é de tal forma avançado que, desde 2017, a prefeitura licita a organização da festa para uma empresa. Em 2023 e 2024, a responsável é a Artes Produções, vencedora da última licitação pelo valor de R$ 955.655,91.
Com esse avanço da mercantilização, o Pátio do Povo vai deixando de ser do povo. Isso também acontece com grande força em Caruaru. Um camarote privado também ocupou 50% do espaço, em frente ao palco principal do Pátio de Eventos.
Na Bahia, a “camarotização” vem ganhando espaço desde o ano passado, em cidades como Santo Antônio de Jesus, Cruz das Almas, Senhor do Bonfim, Jequié e São Gonçalo dos Campos. Mas o processo ainda não avançou para cercadinhos, com “áreas vip” em frente ao palco.
Estamos contribuindo para a construção de um projeto inédito voltado ao controle populacional de cães e gatos em situação de vulnerabilidade em Vitória da Conquista. A iniciativa é fruto de uma parceria com a Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia da UFBA e conta com o apoio dos nossos mandatos, por meio de uma emenda parlamentar no valor de R$ 1 milhão.
Estiveram conosco nesse diálogo o diretor da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia da UFBA, Rodrigo Bittencourt; o diretor da UFBA, Márcio Vasconcelos; e os médicos veterinários Dr. Adamas Bonfada (UFBA) e Carmo Biscarde (IF Baiano – Campus Senhor do Bonfim).
Também participaram a vereadora Gabriela Garrido, o militante da causa animal Vitor Quadros, além de diversos protetores e protetoras independentes que cuidam dos animais por conta própria e desempenham um papel fundamental nessa luta.
Dinheiro traz felicidade?
Há quem afirme com toda convicção que sim, enquanto do outro lado da balança também pesa os que são contrários à essa opinião. É claro que sem dinheiro não conseguimos suprir nossas necessidades básicas e algumas extravagâncias que nos deixam (bem) felizes. Mas, sozinho, ele tem esse poder?
Para responder essa pergunta, é importante trazer fatos.
Uma pesquisa da SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) Brasil revelou que 80% dos inadimplentes sofrem emocionalmente por estarem em dívida. Somente com esta informação podemos concluir que o descontrole financeiro gera muita infelicidade. Segundo um estudo conduzido pela APA – American Psychological Association (Associação de Psicologia dos EUA), o dinheiro, ou a falta dele, é a principal fonte de estresse e ansiedade para a maioria das pessoas.
Ainda em dúvida sobre essa relação pessoal de dinheiro vs. felicidade? Vou te ajudar. Supondo que você é selecionado para duas vagas de emprego: uma com um salário bem alto, mas apenas isso; já a outra, com uma remuneração menor, te oferece uma série de benefícios, projeção de crescimento e estabilidade. Qual escolheria?
Não existe certo ou errado, mas quando entendemos que o dinheiro não é apenas matéria e sim energia, que propicia um fluxo de dar e receber, coisas incríveis começam a acontecer.
Se dinheiro é energia, como movimentá-lo?
Toda energia depositada nas boas escolhas lhe trará grandes resultados, seja na sua vida pessoal (envolvendo corpo, mente e espírito), ou no profissional, em relação à sua carreira. E quando falamos em boas escolhas, temos que ficar atentos, também, às pequenas coisas do dia a dia, como optar por ficar dormindo até mais tarde e ir direto para o trabalho ou acordar uma hora antes para se exercitar ou ler um livro.
Com o dinheiro não seria diferente: se você poupar R$500,00 por mês durante 30 anos, terá R$180.000,00, mas se investir essa mesma quantia mensalmente, dentro deste mesmo período, o retorno será de R$1.000.000,00. Este é o movimento.
Existem métodos para fazer o dinheiro trabalhar para você. E para aprender a investir ao invés de só economizar, como mostrado acima, não é necessário se tornar um gênio das finanças, mas buscar ajuda e iniciar uma boa organização financeira.
Você pode escolher entre pagar um carro à vista, por exemplo, ou pegar seu capital disponível e investir, utilizando o rendimento extra para pagar o tão sonhado veículo. Assim, ao final, você terá seu carro novo mais o dinheiro. Faz sentido este movimento?
Xô crenças limitantes!
Mas tome cuidado com os ideais que te impedem de aprender e crescer.
Sabe aquelas crenças enraizadas dentro de nós, que carregamos por muitos anos, vindas de nossos pais e demais ancestrais? Várias delas envolvem dinheiro.
Quem nunca ouviu que depois de mexer em dinheiro tem que lavar a mão, pois ele é sujo? Você sabia que esta mensagem impacta negativamente o seu subconsciente? Sem contar as histórias de pessoas que falam que ter muito dinheiro só traz problemas e por isso está associado ao mal. E são anos escutando que temos que trabalhar muito para ter dinheiro, não é mesmo?
Quanta crença que nem nossa é…
Mas quando paramos e entendemos que nossas escolhas de hoje refletem no amanhã e, principalmente, que dinheiro é energia, conforme explicado anteriormente, começamos a quebrar essas afirmações tão negativas e podemos dizer que fazemos novos contratos com nós mesmos. Contratos estes de prosperidade, merecimento e abundância.
Até porque, se pararmos para pensar, o dinheiro não tem poder nenhum. Mas nós damos poder a ele. E aqui, vale um exemplo: uma faca é um utensílio bom ou ruim? Podemos usá-la para cortar um alimento que alimentará nossa família, mas ela também pode servir para matar alguém. Consegue entender a diferença?
Entre ser a pessoa que corre atrás do dinheiro ou a que faz o dinheiro correr atrás de você, tudo dependerá de pequenas escolhas diárias.
Correr atrás do dinheiro é um dos nossos maiores erros. Por isso, a educação financeira, que ensina a lidar de forma planejada e consciente, é o caminho.
*Patrícia Benini é especialista em vendas, empresária, empreendedora e investidora
instagran: @patriciabeninii
Por Kelly Pinheiro e Denis Zanini Lima*
No admirável mundo das multitelas e em que todos são produtores de conteúdo, falar em conteúdo de marca se tornou tão urgente quanto sensível. Nos jargões do marketing, o branded content é uma forma de comunicação que busca “capturar” o cliente não pela publicidade tradicional, mas sim prestando um serviço informacional.
Cada vez mais distante dos “informes publicitários” que tentavam se travestir de jornalismo, e que ninguém (ou quase ninguém) lia, o conteúdo de marca se vale de originalidade, informação (correta!), utilidade e surpresa para promover relevância e reputação. E, a partir daí, ganhar corações e mentes. O que pode ser traduzido no mundo dos negócios, de forma geral, por likes e vendas.
Na TV aberta – sim, ela continua e continuará sendo importante ainda por décadas no Brasil! – os merchandisings e campanhas sociais são os antecessores do branded content com enorme sucesso. As emissoras conseguem segmentar o público em seus programas com enorme assertividade e hoje esse conteúdo se sofisticou, estando inserido na teledramaturgia, por exemplo, com maestria.
Ou alguém não acha perfeitamente natural que a empreendedora, sofrida e resiliente Sol (Sheron Menezes), protagonista de “Vai na Fé”, novela recém transmitida pela TV Globo, tenha procurado o Painel PJ, do Banco do Brasil, para se qualificar e ter sucesso no negócio das quentinhas?
Pois é… E aos poucos o jornalismo vem se abrindo. Até bem pouco tempo as marcas não apareciam nem como referência geográfica. A notícia era “acidente em frente a um shopping na região Norte da Capital”. Não se falava o nome do shopping nem em notícia negativa.
Pois bem, além dos clássicos patrocínios que assinavam o nome do programa – aposto que você se lembrou do Repórter Esso – até o infalível “num oferecimento de…” as marcas avançaram, mas isso ainda não é conteúdo.
De fontes nas matérias com seus especialistas, aos poucos as marcas estão não só aparecendo nos créditos, como gerando informações a análises estratégicas, capazes de ganhar minutos em alguns dos espaços mais disputados da programação.
O jornalismo, é, por sinal, a última fronteira para o avanço das marcas. O farol da imparcialidade – jamais alcançado, mas ainda assim, um farol – é a marca indelével do bom jornalismo e isso precisa ser respeitado. Quando quebrado, perde valor e, nesse caso, deixa de ser interessante para as marcas.
Mas o Jornal Nacional, apresentado pela Rede Globo, quebrou paradigmas e hoje é “oferecido” pelo Nubank. É isso mesmo que você leu! O telejornal mais assistido há décadas no Brasil é patrocinado pela instituição financeira, com a presença da marca na vinheta de abertura do programa, antes da escalada apresentada por William Bonner e Renata Vasconcellos. Vale dizer que anteriormente os patrocinadores eram exibidos somente em um intervalo de 10 segundos antes do início do programa.
Além disso, a grande novidade que chamou a atenção dos telespectadores foi o merchandising durante a exibição dos indicadores de mercado financeiro pelos âncoras. Ou seja, conteúdo de marca. Uma ação como esta só foi vista uma vez, em 2010, no projeto JN no Ar, patrocinado pelo Bradesco. Na época, a marca da instituição financeira era exibida no avião utilizado pelo jornalista Ernesto Paglia, durante suas viagens pelo país.
Não pense que esta iniciativa corrompeu o jornalismo! Para que isso acontecesse foi preciso esforço, capacitação, estratégia e muito estudo para que o patrocínio não afetasse a credibilidade das notícias. E é justamente isso que agrega valor à marca patrocinadora, afinal, se a empresa se associa ao telejornal de maior credibilidade no país, significa que também é uma marca de confiança.
Compreender o que o público quer e admite em cada plataforma não é uma tarefa fácil. Produzir conteúdos interessantes é parte do processo, mas torná-los suficientemente interessantes para ficar na memória do consumidor e – mais! – se converter em negócios, é uma outra história.
E aí, o seu branded content é capaz?
*Kelly Pinheiro é jornalista e fundadora e sócio-diretora da Mclair Comunicação
*Denis Zanini Lima é diretor da Ynusitado Marketing Digital Intelligence
Na onda do filme, entenda como a Mattel potencializou o projeto de branding da marca
Por Kelly Pinheiro e Denis Zanini Lima*
Desejo de meninas do mundo inteiro há mais de seis décadas, eis que a Barbie cresceu e chegou ao mundo adulto. Sim, o tema de hoje é o live action “Barbie”, mas não foi só lá que a boneca se mudou para o mundo real. O filme – que não é para crianças – vem causando uma verdadeira comoção mundial. O que se viu na estreia foram filas intermináveis de gente – homens e mulheres – vestida de rosa (movimento Barbie-core) e até fantasiada de Barbie, brigando por um balde de pipocas igualmente rosa (o balde e a pipoca!)
De milk-shake cor de rosa a linha de roupas e maquiagem na paleta usada pela personagem, a Mattel fez parceria com mais de 100 marcas. Barbie, a marca, já foi capaz de elevar o valor das ações da fabricante. No dia 20 – estreia no Brasil – os papéis avançaram 1,09% na Bolsa de Nova York. Mas o movimento começou bem antes. No último mês o avanço foi de 18,95%, levando o valor de mercado da companhia para US$ 7,53 bilhões.
E até quem não fez parceria com a marca, anda lucrando. A OLX, por exemplo, uma das maiores plataformas de compra e venda online, já registra um crescimento de 104% na busca por acessórios e de 30% de pesquisas de bonecas. Enquanto isso, o sistema também apurou uma alta de 30% nas buscas por itens ligados ao personagem Ken, na comparação com os mesmos produtos no ano de 2022.
O sucesso da onda rosa
A “onda rosa” ainda atingiu prédios, assistentes virtuais do varejo, contas oficiais de governos e até o transporte coletivo.
Logo na estreia, o filme arrecadou R$ 22,7 milhões em bilheterias no Brasil, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex (Abraplex). O filme reuniu 1,2 milhão de brasileiros nas salas de cinemas e foi a maior bilheteria de estreia desde 2019, atrás apenas de Vingadores Ultimato.
Se Barbie fosse um filme infantil, talvez pudéssemos explicar o sucesso pelo incrível poder de persuasão das crianças, mas não é esse o caso. Existe até (pasmem!) um movimento que propõe algo como “não leve seu filho para ver Barbie”. Não porque ele não é indicado para crianças, mas porque elas “atrapalhariam” a concentração dos adultos.
Mas como compreender, então, a força da marca Barbie para além do saudosismo de mães e avós que partilharam seus sonhos com o brinquedo ou tiveram, justamente, na impossibilidade de ter a boneca, algo que marcou fortemente a infância delas?
Marketing e investimento
Bem… um bom roteiro cheio de referências, atuações seguras, uma direção firme e o uso da tecnologia em prol da diversão e não dela mesma, também colaboram muito, mas sabemos de grandes obras cinematográficas que não atraíram público.
Fontes do mercado estimam que a Mattel tenha investido cerca de US$ 100 milhões no lançamento do filme. Os primeiros teasers começaram a circular há quase um ano. Mas também conhecemos histórias de retumbantes fracassos que escoaram milhões de dólares pelo ralo. Dinheiro resolve quase tudo, mas só quase.
Barbie, lançada em 1959, nos Estados Unidos, e introduzida no Brasil em 1982, soube se transformar para continuar sendo ela mesma. Se na década de 1960 a boneca exalava os valores norte-americanos, hoje ela é engajada com temas globais, se preocupa com o futuro do planeta e (eventualmente) se veste de cores locais.
A construção de uma marca forte exige dedicação e persistência. Desde os primeiros burburinhos sobre o filme, em 2021, quando o live action foi anunciado, a Warner Bros soube fomentar o assunto nas redes sociais, engajando os fãs da boneca e aguçando a curiosidade de quem ainda não estava convencido.
“Barbie – o filme” – é candidatíssimo a blockbuster do ano e tem potencial para se desdobrar em incontáveis licenciamentos, ações de marketing, exibições em diferentes plataformas, além de uma franquia de cinema. Se com o mesmo apelo, não sabemos. Mas o certo é que “Barbie – marca” segue fazendo história.
E aí, já separou o look rosa para próxima sessão de cinema?
*Kelly Pinheiro é jornalista e fundadora e sócio-diretora da Mclair Comunicação
*Denis Zanini Lima é diretor da Ynusitado Marketing Digital Intelligence
“Ruas desertas, janelas fechadas, Meletes, Peduros, quase Balaiada …
Tempos vetustos, menino Deusdete Dias voando com Severo Sales nos recados … emboscadas. Maneca Grosso, Natur de Assis, Laudionor Brasil (Silvio Jessé ainda sob encomenda), janelas fechadas, sol a pino, estampido de mosquetão, tá lá mais um corpo estendido no chão … devia ser um dos nossos (ou deles, quem sabe?) e a vida seguia como um fábrica de silêncio mortal … até que veio a primavera e depois todos nasceram como em Noite de Natal” Paulo Pires.
Com auxílio da tecnologia, campanhas nostálgicas ganham notoriedade
Por Denis Zanini Lima e Kelly Pinheiro*
O fato do mês – talvez do ano – no mundo da publicidade brasileira foi a propaganda comemorativa dos 70 anos da Volkswagen no Brasil. O comercial, que causou as mais diferentes emoções e reações do público e dos especialistas, trouxe, por meio da inteligência artificial, Elis Regina (falecida em 1982) de volta para um dueto com a filha Maria Rita.
Bom… isso você já sabe e, muito provavelmente, já tenha se inteirado da repercussão e até tomado um partido. Sobre o uso da inteligência artificial, o quanto ganhou a família da cantora e do autor da música, se a letra da música é ou não compatível com a história da montadora do Brasil, muito já se discutiu e é bem possível que não haja uma conclusão sobre nenhum desses temas.
Mas é inegável que a campanha prestou um grande serviço à marca Elis Regina, apresentando a cantora gaúcha – considerada por muitos a maior da história do Brasil – a gerações que não tinham conhecimento do seu repertório e seu talento. Quem sabe, nem da sua fisionomia.
A partir dessa propaganda, a Pimentinha (como era conhecida a cantora) passou a figurar entre os temas mais comentados e pesquisados da internet. Numa pesquisa rápida no Google, as quatro primeiras sugestões foram: “comercial Elis”, “comercial Elis Regina”, “comercial Volkswagen” e “comercial Kombi”. Talvez isso seja um bom indicativo não apenas do sucesso da peça publicitária, mas do quanto o interesse do público se voltou para a artista.
Certamente, essa onda também reverberou no Spotify, onde a música da campanha aparece como melhor resultado para a busca da artista. A canção tema chegou a mais de 71 milhões de audições, perdendo apenas para “Águas de Março”, parceria com Tom Jobim, com 141 milhões. Por tabela, a ação publicitária foi capaz de jogar holofotes também em Belchior (o compositor de “Como os nossos pais”).
Mas não é de hoje que marcas e artistas falecidos fazem uma dobradinha de sucesso, em uma sinergia que dá projeção a ambos.
Parceria com figuras eternas
Em 2011, a Vivo produziu uma das primeiras campanhas virais da publicidade brasileira, usando o YouTube e outras redes sociais para divulgar a peça do Dia dos Namorados da operadora com a música “Eduardo e Mônica”, a história de amor mais cantada do Brasil, composta por Renato Russo – já falecido na época – e eternizada pela Legião Urbana.
Com a criação da Africa e produção da 02 Filmes, o vídeo de 4 minutos é como um clipe – que nunca existiu – para a música, contando a jornada do casal mais famoso da música brasileira. Além da internet, a campanha foi veiculada nos cinemas e na televisão, em uma versão mais resumida. A Vivo chegou a criar perfis no Facebook para os artistas que interpretavam o Eduardo e a Mônica, contando os bastidores da produção.
Pelo gatilho emocional embutido na música tema, a repercussão foi estrondosa, sendo o assunto mais comentado nas redes por dias e dias e, claro, serviu para que os mais jovens conhecessem mais sobre a famosa banda de Brasília que seus pais amam.
Em 2017, a Skol convidou a filha do cantor Raul Seixas, Vivi Seixas, para comandar um coro coletivo de “Metamorfose Ambulante” com centenas de sósias e músicos para participar da homenagem. O objetivo da campanha foi convidar as pessoas para se unirem por uma vida sem preconceitos e mostrar que a Skol prefere ser uma metamorfose ambulante a ter as mesmas ideias quadradas do passado.
Em seu novo posicionamento, a marca revolucionou o mercado da categoria intensificando em todas as suas ações a necessidade de romper com preconceitos, sem julgamentos de estereótipos. De quebra, apresentou o eterno Maluco Beleza para uma geração que não o conhecia.
Rita Lee nos deixou há pouco, mas não seria nada estranho se daqui algum tempo marcas voltassem a usar suas músicas e sua imagem. Afinal, além de ser a Rainha do Rock brasuca, ela era a Rainha da Publicidade.
Para citar alguns exemplos, em 1983 a música “Felicidade” (Lupicínio Rodrigues), interpretada por Rita, deu o tom a uma publicidade da Rider. A mesma marca escalou Marina Lima para interpretar “Nem luxo, nem lixo”, de Rita e Roberto, tempos depois. Em 1985, foi a All Star que convidou a dupla para estrelar uma peça comercial. E em 2021, a cantora fez a narração do anúncio de lançamento de uma nova fragrância da Natura, com trechos da sua música “Jardins da Babilônia”.
Voltando ao caso da campanha dos 70 anos da Volks, do ponto de vista de branding, os filhos de Elis e a montadora acertaram em cheio. Fizeram com que antigos fãs se lembrassem da cantora, apresentaram a mãe às novas gerações e, de quebra, fizeram o mesmo pela marca “Maria Rita”.
Quanto tempo esse movimento na web vai continuar, não se sabe, mas ele pode ser muito bem aproveitado e prolongado. A agência AlmapBBDO – responsável pela peça – não escolheu mãe e filha como “garotas-propaganda” da montadora à toa. Mas a excelência do filme também proporcionou a elas uma grande visibilidade e oportunidade de valorização das obras (e marcas) de Elis, Belchior e Maria Rita.
*Denis Zanini Lima é diretor da Ynusitado Marketing Digital Intelligence
*Kelly Pinheiro é jornalista e fundadora e sócio-diretora da Mclair Comunicação
*Artigo publicado na Exame.com
*Foto Elis – (Wikimeia Commons/Wikimedia Commons)
Passe sua mensagem para o seu consumidor e exponha seus valores
Por Kelly Pinheiro*
Nos dias atuais, percebo que o conceito de propósito ainda não tem fácil compreensão e, principalmente, aplicabilidade para muitas pessoas, serviços e negócios. Digo isso não apenas em relação aos clientes que me procuram com a finalidade de construirmos uma marca forte ou os consolidarmos como autoridade em determinado assunto, mas por muitos que estão estagnados ou vivem uma rotina frenética. E sabe por quê? Justamente por não saberem transmitir a mensagem correta, de forma assertiva. Não encontraram seus porquês.
Há sete anos, uma pesquisa da GlobeScan já mostrava que 40% dos consumidores preferiam marcas ou serviços com um propósito claro, que agissem para o bem ou de acordo com os interesses da sociedade. Um novo estudo, publicado em janeiro deste ano pela Bain & Company, afirma que os consumidores pertencentes à geração Z e os millennials são os mais sensíveis para o consumo de marcas com propósito, mais do que outras gerações.
Inicialmente, é importante reforçar que não estamos em um concurso de miss, no qual precisamos criar um propósito mirabolante para impactar juízes. Então, salvar o mundo das guerras ou as baleias da extinção são possibilidades fora de cogitação, caso você não seja ativista de algum tipo de organização com este fim. Inclusive, se um profissional de marketing lhe disser que precisa criar o propósito para a sua marca se destacar no mercado, fuja!
Propósito não deve ser criado. Nunca! É a essência, o que te move!
E por se tratar de algo tão genuíno, tem o poder de conectar e engajar. E é justamente essa a base de uma reputação sólida.
Hoje pela manhã eu conversei com uma profissional de educação física que trabalha onde eu treino. Ela me relatou que dorme no máximo 4 horas por dia, pois a primeira aula de personal training começa às 6h e assim segue o dia com seus alunos particulares, emendando ao trabalho fixo como instrutora da academia, de onde vai embora depois da meia-noite. Questionei se valia a pena tudo isso e a resposta foi que financeiramente sim.
Aí você me pergunta: “Kelly, o que isso tem a ver com comunicação com propósito ou marketing de autoridade?”
Eu digo: tudo!
Vanessa (nome fictício, é claro) ama o que faz. Principalmente porque ela ajuda a devolver qualidade de vida e resgatar a autoestima das pessoas. Ela é uma promotora de saúde. Mas… Essa balança não está equilibrada! Para ganhar o que considera “bem”, precisa trabalhar 18 horas por dia. É aqui que a comunicação com propósito bem aplicada pode fazer toda a diferença!
Ao utilizar o poder da comunicação e suas diversas ferramentas para mostrar não apenas seu trabalho, mas a aplicação de seus conhecimentos e os resultados conquistados pelos alunos, por exemplo, além de oferecer dicas sobre atividade física, falar sobre os perigos do sedentarismo entre outros temas ligados à sua profissão, Vanessa pode construir sua imagem como autoridade. Claro que não se trata de estratégia “receita de bolo”, visto que não existe fórmula mágica, muito menos padronizada para todo o tipo de perfil e objetivo. Mas entre tantos profissionais como ela, a forma como comunicar o seu propósito e a maneira de se posicionar (com presença constante) são poderosos trunfos.
Aprendi com uma colega de profissão e mentora Camila Cusatis (grande amiga, diga-se de passagem!), que é fundamental construir uma proposta de valor única, posicionando a marca/solução/serviço no mercado de forma diferente, real e relevante, baseada nas dores e expectativas do público. Isso, nada mais é do que deixar explícito os valores que te orientam. Comunicar o que te inspira a ser quem é e a entregar o melhor dentro daquilo que se propõe. Qual é a energia que te move? Você já encontrou o seu propósito?
Quem consegue se comunicar desta forma, gera conexões genuínas e se transforma em referência. Cria autoridade e constrói uma reputação sólida, com valor agregado ao serviço oferecido. Converte o engajamento em clientes e monetiza. E isso vale para pequenos e grandes negócios, independentemente da área de atuação.
Como criar um conteúdo relevante?
Expliquei, “na prática” o potencial que a comunicação com propósito tem para ajudar marcas a se destacarem em meio à concorrência e conquistarem a confiança dos clientes. Vanessa, minha personagem real (de nome fictício), praticamente ganhou uma consultoria, caso leia esse artigo. Mas, como vimos, para se tornar referência em um determinado assunto, é necessário criar conteúdos relevantes e de qualidade, que agreguem valor ao público-alvo.
Como? Existem diversas estratégias que podem ser adotadas:
*Mantenha-se informado (de notícias e tendências)
*Utilize diferentes formatos de conteúdo (artigos, infográficos, vídeos, lives, podcasts e e-books), apostando em plataformas variadas. Lembre-se que cada rede social tem um objetivo e um perfil diferente e você não precisa estar em todas
*Produza conteúdo original. Seja você
*Pessoas se conectam com pessoas. Humanize sua marca
*Mantenha uma frequência de publicação. Constância é essencial!
*Invista em SEO
*Interaja com o público e crie conexões verdadeiras.
E assim iniciamos um novo e promissor ciclo:
Comunicação com propósito bem trabalhado -> Conexões e engajamento -> Diferenciação no mercado -> Reputação -> Valor agregado -> Alta demanda -> Aumento do tíquete médio por cliente -> Diminuição do tempo de trabalho (produtividade sustentável).
*Kelly Pinheiro é jornalista e fundadora e sócio-diretora da Mclair Comunicação
*Artigo publicado na Exame.com
* (We Are/Getty Images)
Por Nanda Feminella
Após saírem de suas casas ou serem expulsos, muitas pessoas vão morar nas ruas. Algumas, enquanto passam fome, frio, sede, perigo e agressões, são contempladas e chegam no Lar da Misericórdia. Segundo o dicionário online de português, Dicio, o substantivo feminino, “misericórdia”, tem como um dos significados: “sentimento de pesar ou de caridade despertado pela infelicidade de outrem; piedade, compaixão” ou “ação real demonstrada pelo sentimento de misericórdia; perdão concedido unicamente por bondade; graça”. Motivado por uma crença religiosa em servir o próximo com ações, o fundador e presidente do Lar da Misericórdia, fundado em 2016, João Paulo de Oliveira, abriga moradores de rua na cidade de Vitória da Conquista – Ba.
“Pra envolver com uma ação dessa você precisa dar uma pausa nas suas coisas”, quem diz é João Paulo, aos 38 anos de idade, ao lembrar do início do seu trabalho com a população de rua. Ainda adolescente, ele iniciava um trabalho social que mudaria todo seu estilo de vida. Nas noites quentes ou frias, secas e chuvosas dos dias de sábado, o adolescente entregava alimentos e palavras de esperança aos moradores de rua da terceira maior cidade do estado da Bahia. A ação individual de um adolescente aos 16 anos de idade, iniciada no ano de 1999, tornou-se plural. Outras pessoas se juntaram e com João Paulo, levavam comida aos marginalizados das ruas, dando início ao grupo denominado Pastoral de Rua. Apesar da pouca idade, o adolescente fez uma escolha de forma consciente. Abriu mão dos estudos, do trabalho, da juventude e do próprio conforto para fazer o bem aos indesejados da sociedade.
Em 2002, a Pastoral de Rua passou a fazer parcerias com igrejas católicas e a partir delas, começou a utilizar espaços físicos para oferecer cuidados como: banho, alimentação e entretenimento aos moradores de rua. A caminhada não foi fácil. Em casas emprestadas, o grupo se juntava para cuidar dos ferimentos do corpo e da alma de homens e mulheres sem casa para morar. Em 2006, após muitas conversas e vínculos afetivos desenvolvidos com os indesejados da sociedade, João Paulo fundou uma casa de passagem responsável por dar assistência temporária àqueles que, por diversos motivos, saíram de suas casas. Contudo, foi em 02 de agosto de 2016 que o projeto Lar da Misericórdia tomou forma.

Membros da Pastoral de Rua cuidando de um morador
“Projetos não nascem no papel, nascem no coração” De forma calma e tranquila, o fundador conta que o Lar nasceu a partir do seu esforço ao alugar uma casa, com recursos próprios, para abrigar um casal que pedia por Membros da Pastoral de Rua cuidando de um morador ajuda. Logo em seguida, a ação se repetiu e novamente João Paulo fez o mesmo esforço para acolher Carlos Gomes. Alugou uma nova casa e a partir dela, muitos outros homens passaram a morar em um lar de misericórdia. A proposta da organização é hospedar e acompanhar, por um período que for necessário, moradores de rua. O Lar trabalha com a proposta de promoção humana e atualmente acolhe pessoas do sexo masculino. Para João Paulo, disponibilizar um espaço apenas para entrega de alimentação e recursos para promoção da higiene pessoal, não seria suficiente. É necessário oferecer condições de mudança. É crucial promover oportunidades para que homens consigam sair das ruas. Ou seja, em regime comunitário o Lar busca a reinserção dessas pessoas no mercado de trabalho, a reconstrução dos vínculos familiares e o regresso digno à comunidade.

João Paulo em frente da fachada do Lar da Misericórdia
Dos 17 moradores da casa, entrevistei o Carlos Gomes. Aos 63 anos de idade, natural de Cabo de Santo Agostinho, município do estado de Pernambuco, ele contou partes da sua história. “Eu sou do mundo. A mesma coisa de um hippie. Hippie tem casa? Hoje em dia quem tem casa é maribondo”, fala. Seu Carlos chegou no Lar da Misericórdia em 2016 e permanece até hoje. Com orgulho exibe sua coleção de DVD’s e com um sorriso sem dentes, mostra com felicidade o encarte do Marinheiro Popeye, Os Trapalhões, Amado Batista, Cavaleiros do Forró e diversos outros. Apesar da diversificada coleção, não pode assistir seus filmes. Não há mais televisão em seu quarto. Segundo o fundador do Lar, a medida foi necessária como forma de manter a ordem e a socialização entre os moradores, mas como uma criança que apresenta queixas, Seu Carlos logo falou da falta que o aparelho televisivo lhe traz. Quem nunca teve muito na João Paulo em frente da fachada do Lar da Misericórdia vida, sente falta do pouco que recebe. “Sem poder assistir, sem poder dar minha risadinha. Aí é uma dor pra pessoa, não é? É um aperreio para uma pessoa”, declara.

Carlos Gomes e sua coleção de DVD’s
Diferente do Seu Carlos, Fernando Joel Pedroso chegou há pouco tempo, durante a pandemia de Covid-19. Atualmente cumpre uma sentença condenatória em regime domiciliar. Para não viver de favor ou na rua, pediu abrigo no Lar da Misericórdia. Na casa, vive uma rotina determinada. Às 7h30, inicia-se o desjejum, às 10h é servido o lanche da manhã e às 12h, o almoço. O café da tarde acontece às 16h e por volta das 19h, o jantar. Natural de Santarém, município do Pará, aos 63 anos de idade Fernando Joel permanece compartilhando com outros homens, um dos cinco dormitórios disponíveis no Lar, além de ajudar com a manutenção da casa. “Eu presto uns serviços aí. Lavo uns prato, lavo uns copo, umas xícara. Lavo o quarto”, conta.

Há quase cinco meses, Fernando Joel Pedroso vive no Lar
Para João Paulo, a sociedade não deve caracterizar uma pessoa de rua por meio de uma fala, um rótulo, uma experiência. Trabalhar com o propósito de oferecer estrutura para uma futura independência não é fácil. “Há muitas dificuldades pra se manter um trabalho, ainda mais com pessoas em situação de rua. Eles têm toda uma situação de demanda. Você encontra situações mais dolorosas que uma pessoa pode chegar: perda do vínculo familiar, perda da credibilidade com a sociedade, dependência, transtorno”, explica.


Almoço sendo servido no Lar da Misericórdia
No momento, o Lar oferece moradia para 17 pessoas e apesar das dificuldades, funciona com o objetivo de resgatar a identidade dos moradores de rua, por meio da promoção humana. Ao todo, cerca de 150 pessoas já moraram na casa e para que todo o trabalho funcione, o Lar da Misericórdia conta com voluntários e alguns prestadores de serviço. Segundo o fundador da organização, atualmente há duas pessoas fixas responsáveis pela cozinha e limpeza do local, além de um prestador de serviço responsável pela alimentação, concedido pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, e três diaristas que realizam os serviços de limpeza e de acompanhamento, conforme a demanda. A casa é mantida por meio de doações, financeira e alimentícia, que acontecem de forma espontânea, mas a organização também conta com a contribuição mensal de cerca de 50 pessoas. “O intuito é ter nossa sede própria. A gente foi ao poder público, solicitou um terreno, mas o poder público vai fazer outro pedido de novo. A gente precisa de um terreno grande para fazer nossa casa”, explica. Hoje, o Lar encontrase localizado no bairro Jurema, na avenida Yolando Fonseca, nº 34.
Viver é administrar sofrimentos, tristezas, angústias, escolhas, erros. Essa realidade atinge a todos, porém, em graus diferentes. Quando falamos de pessoas em situação de rua, falamos de pessoas abatidas, sem assistência e para atendê-las, se faz necessário conhecer suas demandas. Por isso, João Paulo decidiu permanecer morando no Lar. Apesar de trabalhar por mais de 20 anos com esse público, o fundador e presidente nunca viveu uma dependência química, nunca perdeu o vínculo familiar. Sendo assim, precisa estar perto para conhecer em profundidade uma realidade que nunca foi a sua: morar na rua. “Você tem que ter o conhecimento profundo e esse conhecimento não é seu, é da experiência do outro”, diz.
É com ajuda da sociedade que o Lar da Misericórdia permanece há cinco anos oferecendo moradia às pessoas que não tinham onde morar. Assim aconteceu com Márcio Lima de Souza, natural do Rio de Janeiro. Após vivenciar problemas com a família, decidiu sair de casa e morar na rua por um período de um ano. “Quando minha vó morreu, ficou aquela briga pela casa, aí eu fiquei meio chateado com aquilo. Minha vó tinha nem esfriado no caixão”, fala aos 37 anos de idade. Ao chegar em Vitória da Conquista, pediu abrigo no Lar, foi recebido, cuidado e hoje é um acolhido externo, ou seja, presta serviços na casa, recebe auxílio, mas não faz morada. Márcio é a prova viva que é possível sair das ruas.
Com o início da Pandemia muitos moradores de rua procuraram abrigo, mas o Lar não pode recebê-los devido à pouca quantidade de vagas e recursos humanos. Contudo, ainda permanece a esperança em conseguir um lugar maior para abrigar uma parcela da população que busca fugir da rota do vento das noites frias de Vitória da Conquista e que caminha pelas ruas da cidade em busca de alimentação e guarida. Até esse dia chegar, o Lar da Misericórdia permanecerá acolhendo homens como Carlos Gomes ou Fernando Joel, para que um dia possam se tornar como Márcio: ex-morador de rua. Dormir sob as estrelas, dia após dia, não passa de uma visão romântica e clichê sobre liberdade.

Ação médica prestada aos moradores do Lar da Misericórdia

Para que seja possível o Lar continuar oferecendo acompanhamento psicológico, assistência jurídica, suporte psicossocial e abrigo às pessoas em situação de rua, doações financeiras podem ser realizadas por meio da conta da Caixa Econômica Federal, 00001415-5, operação: 003 e agência: 3543. As doações alimentícias podem ser entregues no endereço da casa: avenida Yolando Fonseca, nº 34 – Jurema – Vitória da Conquista, Ba.