Neste 25 de julho, Dia Nacional do Escritor, a Assembleia Legislativa, mais do que celebrar a data, comemora, ao lado dos autores, como uma espécie de patrona da literatura e da memória do Estado da Bahia, tendo editado mais de 300 títulos através do programa ALBA Cultural. Desde a década de 80, o Parlamento baiano apoia nossos escritores, resgatando publicações históricas e relevantes da literatura baiana, principalmente aquelas que se encontram fora de catálogo, além de livros sobre cidades e regiões, perfis biográficos de personalidades e edições artísticas retratando trabalhos de grandes nomes da nossa terra.
De acordo com a presidente do Poder Legislativo, deputada Ivana Bastos, o programa contribui com a preservação da cultura e literatura e denota todo apreço da Casa aos escritores, a quem ela aplaude pela passagem do dia. “Parabenizo, com todo carinho e respeito, cada escritora e cada escritor que constrói com palavras a história da nossa Bahia. São homens e mulheres que dedicam talento, sensibilidade e compromisso para preservar a nossa cultura e alimentar o nosso espírito com conhecimento, beleza e identidade. Conforme dizia Monteiro Lobato, um país se faz com homens e livros, e eu acrescento: com histórias que contam quem somos. É por isso que a ALBA tem orgulho de apoiar e valorizar nossos escritores, porque cultura é direito, é identidade e é compromisso com o nosso povo”, registrou a presidente, ratificando que a cultura é um bem público e direito de todos, e que o trabalho dos escritores publicados no programa ALBA Cultural enriquece o acervo editorial da Casa.
O ALBA Cultural segue inovando com publicações e reedições que contam a história política e econômica da Bahia, histórias de personagens baianas representadas nas diversas coleções, entre elas o “Gente da Bahia”, que já conta com 53 volumes, com o trabalho de perfis feito por escritores como Marcos Navarro (Calazans Neto), Symona Gropper (Diógenes Rebouças), Roberto Torres (Gordurinha), Claudius Portugal (Sante Scaldaferri), Maria José Quadros (Carlos Lacerda), Otto Freitas e José de Jesus Barreto (Carybé), entre outros.
Os novos escritores, ou autores ainda não publicados, também são acolhidos pelo programa, através do selo Primeira Edição. Ao longo dos anos, o programa consolidou a parceira editorial, através de convênios com a Academia de Letras da Bahia (ALB) e o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), para trazer à luz dos baianos obras literárias e históricas fundamentais para cultura e preservação da nossa memória escrita. Todos os livros editados pela Assembleia são distribuídos de forma gratuita para bibliotecas e cidadãos que procuram a Casa.
Foto: AscomALBA/AgênciaALBA
Vitória da Conquista vai respirar cinema mais uma vez. Está confirmada a realização da 16ª edição da Mostra Cinema Conquista – Um olhar para o novo cinema, entre os dias 7 e 12 de setembro de 2025, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. Considerada um dos mais importantes eventos de audiovisual da Bahia, a mostra apresenta ao público um panorama do cinema brasileiro contemporâneo, com obras que, em muitos casos, circulam apenas em festivais e ainda não chegaram ao circuito comercial.
Desde 2004, a Mostra promove acesso democrático à produção nacional, por meio de exibições de filmes, mesas temáticas, oficinas e encontros com realizadores e profissionais do audiovisual. A proposta é aproximar o público da diversidade estética e temática do cinema brasileiro atual, contribuindo para a formação de novos olhares e o fortalecimento da cultura cinematográfica no interior do estado.
Nesta edição, o evento presta uma homenagem aos 15 anos do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). A celebração reconhece a contribuição da universidade pública para a formação de profissionais e para o desenvolvimento da cadeia produtiva do audiovisual na região.
“A Mostra Cinema Conquista sempre esteve comprometida com a formação de público e o estímulo ao pensamento crítico em torno do cinema brasileiro. Ao homenagearmos o Curso de Cinema da Uesb, celebramos também uma trajetória de parceria e compromisso com a produção de conhecimento, a criação artística e o fortalecimento da produção e difusão do cinema feito no interior”, afirma Esmon Primo, coordenador do evento.
A edição deste ano também acontece em um momento promissor do cinema brasileiro, que tem conquistado prêmios em festivais internacionais, ampliado sua presença no streaming e reafirmado sua potência criativa mesmo diante dos desafios do setor. A programação completa será divulgada em breve, com sessões gratuitas e ações que também alcançarão bairros periféricos e a zona rural de Vitória da Conquista.
A Mostra Cinema Conquista – Ano 16 é uma realização da Movimenta – Cultura e Arte. Tem a parceria do Janela Indiscreta e do Curso de Cinema e Audiovisual da Uesb. Recebe o apoio institucional da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, através Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. A Mostra Cinema Conquista conta com o apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura, via Lei Paulo Gustavo, direcionada pelo Ministério da Cultura, Governo Federal.
SERVIÇO
Mostra Cinema Conquista – Um olhar para o novo cinema (Ano 16)
Quando: 7 a 12 de setembro de 2025
Onde: Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima – Vitória da Conquista (BA)
Entrada: Gratuita
Mais informações: @mostracinemaconquista
Falta exatamente um mês para o Festival de Inverno Bahia 2025, e nesta terça-feira (22), foi anunciada a ordem das atrações do evento que acontece nos dias 22, 23 e 24 de agosto, no Parque de Exposições Teopompo de Almeida, em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia.
Entre as principais atrações deste ano, estão nomes como Ivete Sangalo, Leo Santana, Ney Matogrosso, João Gomes, Matuê, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo. A 19ª edição do evento traz diversas novidades, como a parceria entre a Salvador Produções e a Bahia Eventos na realização do festival.
As vendas dos ingressos acontecem através da plataforma Sympla, em Salvador na loja do Bora Tickets, no 2º piso do Shopping da Bahia e em Vitória da Conquista na Central de Ingressos (Shopping Conquista Sul e Galeria Panvicon), Banca Central (Praça Barão do Rio Branco), na Loja Taco (Av. Olívia Flores, 686), na loja DMK (Shopping Boulevard) e na Charlie Colt (Bairro Brasil).
Sexta-feira (22 de agosto)
➡️ Sábado (23 de agosto)
➡️ Domingo (24 de agosto)
A aula inaugural da Escola Pública do Forró, na manhã da última segunda-feira (14), deixou a deputada Fátima Nunes (PT), vice-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, empolgada. A deputada apresentou moção de aplausos pelo início dos trabalhos, certa de que tem uma grande participação na estruturação de todo o projeto. “A minha satisfação é porque eu faço parte do Fórum do Forró, que trabalhou insistentemente para tornar o forró patrimônio cultural e imaterial do Brasil”, disse, referindo-se ao reconhecimento desse fato pelo Iphan, em 2021. Ela conta que abraçou a causa desde o início do seu segundo mandato.
A deputada revela sua preocupação com a preservação do forró raiz. “A gente precisa chamar pra si essa missão”, assume. Por conta disso, ela apresentou projeto de lei reconhecendo a utilidade pública da Associação Cultural Asa Branca dos Forrozeiros da Bahia, entidade mantenedora da Escola Pública do Forró. Esta providência permitiu à instituição buscar recursos além da contribuição dos associados e da contribuição da sua própria presidente, Marizete Nascimento, professora universitária aposentada.
Na justificativa ao projeto de lei, Fátima aponta o objetivo da associação de prestar serviços socioeducativos para contribuir para o fomento e a nacionalização do forró. Como missões, a deputada aponta a promoção de atividades socioculturais de natureza interativa com crianças e adolescentes, bem como os primeiros passos nas aprendizagens musicais, entre outros.
A escola está localizada no nº 28, na Rua do Passo, próximo à Igreja do Passo, no Pelourinho, onde também fica a sede da Associação Cultural. As turmas de 16 alunos cada estão divididas pelos seguintes instrumentos: sanfona, zabumba, triângulo e pandeiro. A procura, no entanto, foi muito maior do que a demanda, já havendo expectativa sobre quando a escola reabrirá novas matrículas.
A Asa Branca foi criada em 2007, em Simões Filho, mas a presidente Marizete Nascimento resolveu trazer a sede para Salvador em busca de maior visibilidade. Desde então, a associação viveu da contribuição de associados e de recursos da própria dirigente, professora universitária aposentadoria.
A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia subvencionou a compra dos instrumentos musicais que vão ser utilizados nas aulas da Escola Pública do Forró. Fátima conta que tais recursos foram alocados no orçamento deste ano por meio de uma emenda de sua autoria.
Em mais um importante passo para o crescimento e fortalecimento da cultura no município, Vitória da Conquista foi aprovada para receber recursos do 2º ciclo da Lei Aldir Blanc por parte do Ministério da Cultura (MinC). A relação dos municípios habilitados foi divulgada na última sexta-feira (11), garantindo a continuidade de investimentos no fomento à cultura em todo o país.
A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab), instituída pela Lei nº 14.399/2022, exige que estados e municípios utilizem pelo menos 60% dos recursos recebidos do ciclo anterior para ter acesso a novas verbas. A Política Nacional Aldir Blanc prevê o repasse de R$15 bilhões a Estados e Municípios, por meio de cinco ciclos. Vitória da Conquista cumpriu as exigências de execução dos valores recebidos para o primeiro ciclo e foi habilitada pelo Ministério da Cultura para receber novos recursos.
Para o novo ciclo, o município receberá R$2.490.710,81 reais. A distribuição dos valores será feita pela Secretaria Municipal de Cultura (Secult) por meio de editais, como os realizados com os recursos do primeiro ciclo, além de um valor destinado à reforma de equipamentos públicos culturais. Essa distribuição foi discutida e aprovada em reunião do Conselho Municipal de Cultura.
Assessor especial de Cultura, Alecxandre Magno destacou a importância dos novos recursos para a manutenção de políticas públicas voltadas à cultura de Vitória da Conquista. “A cultura tem contribuído com o crescimento da nossa cidade, com políticas públicas culturais. Os editais estão aí para comprovar que a gente tem contemplado vários artistas da nossa cidade, da zona rural também. O São João vem numa crescente, com um novo espaço este ano. Temos feito um trabalho transparente, seguindo todas as regras e regulamentações, junto com o apoio da sociedade civil, representada pelo Conselho Municipal de Cultura, realizando também escutas com a população. Então sermos novamente contemplados valida esse trabalho”.
Alecxandre
Dentre as ações realizadas com os recursos do primeiro ciclo, Alecxandre apontou para os diferentes editais abertos ao longo desses últimos dois anos, que premiaram artistas, agentes culturais, entidades, coletivos e demais agentes envolvidos na cena cultural de Vitória da Conquista.
Um equipamento conquistado através da Lei Aldir Blanc é a Carreta da Cultura, que funcionará como um palco itinerante para levar diferentes linguagens artísticas para bairros, povoados e distritos, ampliando, descentralizando e democratizando o acesso à cultura para toda a população. O equipamento deve começar a operar ainda no segundo semestre de 2025.
A intenção da Secult é dar continuidade às homenagens, por meio dos editais, a artistas e importantes nomes da cultura conquistense, como as já feitas a Heleusa Câmara, J. Murilo, Geraldo Sarno, Mauré, entre outros. “Recentemente nós perdemos o nosso querido Evandro Correia, penso em homenageá-lo também com algum dos editais deste segundo ciclo, assim como outras figuras importantes. Estamos trabalhando pensando sempre no crescimento da nossa cultura. Neste segundo ciclo a gente colocou uma parte dele para a restauração de equipamentos culturais, e vamos cumprir essa meta. No primeiro ciclo conseguimos a Carreta Cultural, que estava nos planos, e esperamos que Vitória Conquista bata novamente a meta dos 60%, para a gente dar continuidade e receber esse recurso que é tão importante para as políticas públicas culturais”, completou o assessor especial de Cultura.
Diante do sucesso de vendas e da grande procura por ingressos, a cantora Analu Sampaio acaba de anunciar uma sessão extra do espetáculo “Analu canta Elis” em Vitória da Conquista. A nova apresentação será realizada no mesmo dia, sábado, 19 de julho, às 17h, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima.
A decisão de abrir uma sessão adicional atende ao desejo da artista de proporcionar ao maior número possível de pessoas a oportunidade de assistir ao espetáculo, que presta homenagem aos 80 anos de Elis Regina, ícone da música brasileira.
Indicada ao Grammy Latino em 2024 pelo álbum de estreia, um trabalho que transita entre a Bossa Nova, o Samba e o Jazz, Analu retorna à sua cidade natal em um momento especial da carreira. O show marca seu reencontro com o público conquistense e revisita, com banda completa, os clássicos imortalizados por Elis Regina.
Desde a infância, a artista se destacou pela forte conexão com a música brasileira. Ficou conhecida nacionalmente ainda criança, ao participar do Programa Raul Gil, onde recebeu o apelido de “mini Elis”, e mais tarde no The Voice Kids, onde consolidou sua presença como uma das jovens vozes mais marcantes da MPB contemporânea.
Os ingressos para as duas sessões — às 17h (sessão extra) e às 19h (sessão principal) — estão à venda pela plataforma Sympla.
SERVIÇO
Show “Analu canta Elis” – com Analu Sampaio e banda
Quando: 19 de julho de 2025 (sábado)
Sessão extra: 17h | Sessão principal: 19h
Onde: Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima (Av. Rosa Cruz, 45 – Recreio, Vitória da Conquista – BA)
Ingressos: Clique aqui no Link
O ano de 1964 seria marcado para sempre na história brasileira. A coincidência do dia 1º de abril ser o marco da idade das trevas da sociedade pindoramica veio por um acaso, mas a simbologia do dia com o fato histórico pode estar mais ligado do que refletimos. O primeiro momento em que vemos na história ocidental o nome “Idade das trevas” vem do período em que os dórios invadiram a península balcânica e transformaram uma sociedade em ascensão em uma dominada pelo medo e a violência. Assim, consequenciou o período da diáspora grega, onde com medo os helenos passaram a utilizar seu conhecimento marítimo e passaram por um processo de êxodo populacional que marcaria a queda de seu desenvolvimento no território e o espalhamento da cultura grega nas sociedades do mediterrâneo. Este é o momento em que os historiadores utilizam as odisseias de Homero para entender melhor o que se passava naquele contexto marcado por um declínio e submissão.
Para a arqueologia e a historiologia, os contos populares e as ficções são de extrema importância para entender o pensamento social daquele povo ou cultura estudada. Como no exemplo que expliquei, foi fundamental os contos homerísticos no estudo da formação da sociedade daquela época. No cenário político e social que se encaminhava o Brasil no ano de 1964 e após, não seria diferente utilizar a cultura para entender o que acontecia na realidade escondida pela elite que usurpou até os direitos mais básicos de uma República Democrática. E dentre vários Homeros que o Brasil foi capaz de produzir na ditadura, Glauber Rocha foi o que fez mais questão de mostrar para seu povo e o mundo o que realmente acontecia na “República” das Bananas.
Glauber Rocha nasceu no dia 14 de marçode 1939 em uma família protestante de Vitória da Conquista — BA e foi alfabetizado em seus primeiros anos de vida pela mãe Lúcia Rocha. Ingressou no colégio Padre Palmeira e no ano de 1947 mudou-se para a capital baiana, Salvador. Se formou no Colégio 2 de Julho e depois ingressou na Faculdade de Direito da Bahia — hoje a UFBA. Em sua vida escolar já começava seus estudos de teatro e escrevia e atuava e na faculdade, entrou para um grupo de cineastas amadores.


Sua carreira no cinema começou no curta Um Dia Na Rampa, quando colaborou na produção de Luiz Paulino dos Santos, além de produzir outros como diretor principal como O Pátio (1959) e Cruz na Praça (1960). Glauber tomou uma decisão ousada quando largou o curso de direito e decidiu investir na carreira de cineasta, mas foi nessa decisão que o diretor já mostrava o que seus filmes mais tinham de característico: o risco que o diretor sempre levava em suas histórias e posições.
Glauber Rocha sempre demonstrou em suas entrevistas que queria um novo cinema no Brasil. Uma reformulação pela cultura, um cinema que mostrasse a realidade crua e que fosse anti-imperialista. Assim ele criaria um movimento que seria um marco cultural como o da Semana de Arte de 22, uma arte que não só fosse brasileira, mas uma arte que fosse cruelmente brasileira. O Cinema Novo.
“Mas esse problema de colonização cultural é um problema complexo do Brasil porque inclusive a vanguarda da intelectualidade brasileira, é colonizada pela ideologia norte-americana. De forma que o problema de cinema é um problema trágico porque os empresários não compreendem o problema industrial, os intelectuais são colonizados, o governo encara o cinema com desconfiança.”
O protesto do cineasta no Festival de Veneza de 1980 mostra muito bem isso. Após perder para Louis Malle, o diretor foi nas câmeras em “bom” italiano dizer algumas verdades sobre a nova fase do cinema que andava de lado a lado com a ascensão do neoliberalismo:
“Eles que são pobres e decadentes, reacionários!(…)Porque meu filme é muito superior a isso! Meu filme fala do futuro, do novo mundo. Com uma ideologia e uma linguagem novas. Foi demais para esses críticos decadentes que gostam de Louis Malle, de Hitchcock e de toda esta merda que está aí!”
O protesto do cineasta no Festival de Veneza de 1980 mostra muito bem isso. Após perder para Louis Malle, o diretor foi nas câmeras em “bom” italiano dizer algumas verdades sobre a nova fase do cinema que andava de lado a lado com a ascensão do neoliberalismo:
“Eles que são pobres e decadentes, reacionários!(…)Porque meu filme é muito superior a isso! Meu filme fala do futuro, do novo mundo. Com uma ideologia e uma linguagem novas. Foi demais para esses críticos decadentes que gostam de Louis Malle, de Hitchcock e de toda esta merda que está aí!”
Seu primeiro longa foi Barravento (1962), premiado no Festival de Karlovy Vary, Tchecoslováquia. Seu primeiro filme de longa metragem seria o que Rocha mais trabalharia nos seus filmes mais premiados e reconhecidos da carreira, no caso, a vida das comunidades esquecidas da Bahia e a tentativa de quebrar as correntes da submissão das classes mais prejudicadas brasileiras. O filme foi um choque para os críticos brasileiros e a elite. Mas não seria nem perto do barulho do próximo filme do baiano.
Três meses após o golpe militar brasileiro, Glauber Rocha lançaria o que muitos consideram sua obra prima. Deus e o Diabo na Terra do Sol é a mistura de vários elementos que compõem a cultura nordestina. Mas de jeito nenhum é romantizada ou estereotipada, o que foi o caso de várias representações dessa cultura principalmente por uma classe intelectual sudestina e elitista.
Um dos maiores exemplos de como o sertanejo nordestino era visto como um ser diferente aos olhos do Estado está na obra Os Sertões (1902) de Euclides da Cunha. O carioca vindo de uma base militar e extremamente aristocrático em sua escrita, descreve os acontecimentos da quarta invasão do exército na Guerra de Canudos (1896–1897) de maneira especificamente científica. Apesar de em sua época o Brasil estar sofrendo uma influência do positivismo e eugenismo — e Euclides ser um homem de sua época — o jeito em que o ex-militar descreve os jagunços, é quase como se o mesmo estivesse descrevendo um rato de laboratório:
“Convindo em que o meio não forma as raças, no nosso caso especial variou demais nos diversos pontos do território as dosagens de três elementos essenciais. Preparou o advento de sub-raças diferentes pela própria diversidade das condições de adaptação. Além disso (é hoje fato inegável) as condições exteriores atuam gravemente sobre as próprias sociedades constituídas, que se deslocam em migrações seculares aparelhadas embora pelos recursos de uma cultura superior. Se isto se verifica nas raças de todo definidas abordando outros climas, protegidas pelo ambiente de uma civilização, que é como o plasma sangüíneo desses grandes organismos coletivos, que não diremos da nossa situação muito diversa ? Neste caso — é evidente — a justaposição dos caracteres coincide com íntima transfusão de tendências e a longa fase de transformação correspondente erige-se como período de fraqueza, nas capacidades das raças que se cruzam, alterando o valor relativo da influência do meio. Este como que estampa, então, melhor, no corpo em fusão, os seus traços característicos. Sem nos arriscarmos demais a paralelo ousado, podemos dizer que, para essas reações biológicas complexas, ele tem agentes mais enérgicos que para as reações químicas da matéria.”
E apesar de fazer elogios aos moradores de Canudos como homens fortes e considerar isso de todos os sertanejos do nordeste, estava bem longe do que Euclides considerava como raça pura — a branca neste caso (lembrando que Euclides da Cunha foi formado pela escola politécnica militar, ou seja, suas influências são positivistas que no caso, tentava descrever uma sociedade avançada aos padrões europeus).
Com o tempo, a cultura do sertão foi jogada como secundária para uma recém república que começou um breve processo de urbanização. Foi aí que cada vez mais o sertanejo foi mostrado como um estereótipo de várias visões preconceituosas e negativas, como o exemplo do personagem Jeca Tatu de Monteiro Lobato.
O processo que estava ocorrendo de subjugação dos que viviam à margem do Estado nunca foi um problema para uma intelectualidade que sempre surgiu de famílias influentes do Brasil. Mas o Cinema Novo de Glauber Rocha vinha justamente para quebrar a visão que a elite dava sobre o Brasil, e sim mostrar a visão do povo.
Deus e o Diabo na Terra do Sol é bastante teatral e místico, mas a experiência do teatro de Rocha é o que deixa as coisas mais interessantes e visualmente mais complexas. O uso da religião católica é presente explicitamente e implicitamente. No caso explícito, as figuras religiosas estão sempre presentes para demonstrar a forte presença da cultura católica do sertão nordestino — e principalmente de forma crítica — e no implícito a dialética do purgatório.
O purgatório seria a síntese do céu e o inferno, a virtude e o pecado. As almas que precisam passar ainda por um processo de purificação e que, entretanto, não irão para o inferno. Porém, o purgatório é um lugar de sofrimento em que a alma precisa superar para chegar no paraíso.
A igreja católica não descreve o purgatório como um Estado de Espírito. Todavia, o clero da Idade Média e a Divina Comédia de Dante popularizaram o purgatório como um espaço, apesar de metafísico, um lugar. A perspectiva que o diretor escolheu foi a mais comum, a segunda, afinal o que importa para o filme não é a explicação da igreja pela teologia e sim pelo povo.
E o sertão, nesse caso nordestino, é realmente mostrado como um purgatório real. Onde apesar do sofrimento parecer um inferno, o estado em que os protagonistas Manuel e Rosa estão vivendo é de um abandono e de várias tentativas de uma salvação.
A salvação que os protagonistas encontram se mostram dialéticas também. O messianismo pregado por Sebastião e o Cangaço de Corisco.
Após matar o coronel da região, Manuel e Rosa fogem da roça de onde moravam para tentar achar algum destino para suas vidas. O messiânico Sebastião entra em cena mostrando para um povo carente que ele iria levá-los para uma terra sem seca e sofrimento. Manuel já perdeu sua face de herói da história quando se une ao movimento, liderando a parte da força de uma seita que o líder era um religioso que ocultava sua face perversa. A dialética entra quando percebemos que Sebastião apesar de ser um homem que lidera um destino para a vida daqueles sofridos jagunços, é na verdade um louco que em algumas cenas realiza sacrifícios humanos como o de um bebê e de uma mulher, nesse caso Rosa. A mulher então consegue matar Sebastião e fugir com Manuel para frente, realmente vivendo apenas o cenário da secura e solidão daquele sertão esquecido pelo Estado.
Novamente eles encontram um possível refúgio, dessa vez seguem um lado que seria a antítese do messianismo, o cangaço. No bando de Corisco, Manuel ganha o apelido de Satanás e aceita a promessa imediatista dos cangaceiros de acabar com os ricos para que um dia os pobres não passem fome. Porém, a face perversa dialética aparece novamente, o cangaceiro Corisco se mostra um homem que também é perverso e cruel. E em um confronto com o pistoleiro Antonio das Mortes, todo o cangaço, menos Manuel e Rosa, é morto e resulta na fuga novamente dos protagonistas.

A Bahia segue com tudo quando o assunto é turismo. Só nos primeiros seis meses de 2025, o estado recebeu quase 100 mil turistas internacionais, ou 99.958 para ser mais exato. Este é o segundo melhor resultado da história. O primeiro foi em 2007, quando bateu pouco mais de 101 mil. Os dados são do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), órgão vinculado ao Ministério do Turismo, com apoio da Polícia Federal (PF).
De acordo com o secretário do Turismo, Maurício Bacelar, esse desempenho é resultado do trabalho da gestão baiana na qualificação da mão-de-obra, nas obras de infraestrutura nas treze zonas turísticas e também na promoção do destino em outros mercados. “As ações desenvolvidas pelo Governo do Estado na estruturação da atividade aqui na Bahia tornaram o nosso Estado um destino global. Somos o principal portão de entrada de turistas estrangeiros do Norte e Nordeste brasileiro. Isso significa um maior fluxo de recursos na economia, com aumento de renda e da geração de empregos”, afirmou o secretário.
O número de visitantes internacionais registrados no 1º semestre de 2025 é 62% maior que no mesmo período de 2024, quando foram recepcionadas 61.669 pessoas. Em junho, o movimento também foi forte: mais de oito mil turistas internacionais chegaram ao estado, um crescimento de mais de 50% comparado ao mesmo mês de 2024. Especialistas no setor também estão animados.
Para Isac Lima, que é proprietário da agência Cassi Turismo, os destinos baianos têm atrativos que encantam. “Não foi nenhuma novidade ter recebido mais de 100 mil turistas no primeiro semestre de 2025, porque a Bahia é o estado propício para o turismo, porque além de termos natureza exuberante, temos história, temos cultura, casarões seculares, igrejas centenárias. Além da Bahia ter a fama de ser um estado hospitaleiro”.
Nos dias 5 e 6 de julho, o Shopping Conquista Sul sediará uma experiência gastronômica imersiva com o evento Conquista de Sabores. O evento reunirá produtores, fornecedores, consumidores e especialistas do café, vinhos e da culinária local, em um ambiente cuidadosamente preparado para valorizar o potencial desses sabores de nossa região.
A programação foi desenvolvida para proporcionar experiências marcantes, incluindo uma mostra digital com a temática do café, que reunirá obras da artista plástica Valéria Vidigal e do fotógrafo Rodrigo Wanderley. Haverão, ainda, bate-papos sobre a relação entre vinho e gastronomia regional, turismo rural, além de aulas shows sobre cafés filtrados, harmonização de drinks de café com sobremesas e vinhos brancos com queijos. O evento aborda principalmente a relação do consumidor com essas bebidas, buscando ampliar as eferências sobre os diferentes estilos e seus potenciais para cada ocasião. “Esta é uma oportunidade dos pequenos produtores e negócios da região mostrarem seu trabalho em uma atmosfera acolhedora e interativa, para despertar o interesse das pessoas pela diversidade e originalidade de cada produto”, reforça Otto Maia, um dos idealizadores do
evento.
A Bahia destaca-se nacionalmente tanto na produção de café quanto de vinho, com relevância crescente na região de Vitória da Conquista. O estado é atualmente o maior produtor de café do Nordeste e o quarto maior do Brasil, devendo alcançar em 2025 um volume recorde de 3,68 milhões de sacas beneficiadas, cultivado em áreas como o Planalto da Conquista e a Chapada Diamantina. Paralelamente, a produção de vinhos baianos também ganha destaque: o Vale do São Francisco, por exemplo, produz uma média de 1,5 milhão de litros de vinho e cerca de 3 milhões de litros de espumantes anualmente, sendo reconhecido internacionalmente e agora detentor da primeira indicação de procedência de vinhos tropicais do Brasil.
Mais do que uma feira, o Conquista de Sabores busca fortalecer negócios locais, estimular o consumo consciente e promover a educação do público sobre esses produtos, incentivando o compartilhamento de novas experiências e convidando o público a reviver memórias afetivas em torno da gastronomia.
O evento acontecerá na praça de eventos do piso superior do Shopping Conquista Sul, contará com 20 expositores do café, vinho e da gastronomia; e será realizado com o apoio do SEBRAE, Agência Patuá, Alline Trancoso Arquitetura e da Dente de Leão. O Conquista de Sabores é patrocinado pelo Café Vidigal, Coopmac, Cafeteria Rigno, Café Requinte da Serra e Café Caseirinho DuBom.
O acesso ao evento será totalmente gratuito, com degustações de cafés, queijos, chocolates e outros produtos associados. Haverá, ainda, uma experiência de degustação de vinhos que dará direito, além da degustação, a uma taça personalizada. “Desejamos tornar essa prova de vinhos o mais acessível possível, por meio de um meio-ingresso solidário:
levando 1kg de alimento não perecível, a degustação pode ser adquirida por metade do valor.”, afirma Victor Teles, reiterando o propósito do evento de democratizar a cultura do vinho e incentivar o consumo responsável. A inscrição para a degustação de vinhos poderá ser adquirida pelo Sympla, somente para maiores de 18 anos, com link de acesso no Instagram oficial do evento. Todos os alimentos arrecadados serão doados à Casa do Amor
ao final do evento.
Ao final, espera-se que todos os participantes saiam inspirados, levando consigo novos conhecimentos e um sentimento de valorização sobre os sabores disponíveis na região.
Para mais informações, o contato pode ser feito pelo Instagram do Evento @conquistadesabores ou pelo e-mail conquistadesabores@gmail.com.
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Evento: Conquista de Sabores
Data: 5 e 6 de julho
Local: Shopping Conquista Sul
Contato: @conquistadesabores (Instagram) e conquistadesabores@gmail.com
Pipa lança nesta sexta-feira, 4, seu primeiro trabalho solo autoral, o EP “Ela, o mar e eu”. O disco reúne quatro músicas com letras escritas exclusivamente por compositoras, que, acompanhadas por arranjos com referências do indie e da MPB, exploram o universo dos amores entre mulheres.
Gravado no Estúdio Drakkar, em Vitória da Conquista (BA), entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, o EP traz a produção de Diego Oliveira e conta com a força de uma banda formada por músicos que fazem parte da cena autoral da cidade. Os arranjos foram construídos ao lado de Andresa Sampaio e Luget, integrantes da banda Dost, e de Gui Piccoli, ex-guitarrista da Há Vida Em Marte.
Pipa começou sua trajetória aos 10 anos, quando ganhou seu primeiro violão. Nos anos seguintes, passou por bandas de rock e metal, como Charlotte e Pectus Maculosus, e se consolidou como baixista e percussionista em diversos projetos liderados por mulheres.

O repertório do EP é formado por composições que se entrelaçam em torno de uma mesma figura: a musa, a mulher-mar, presença afetiva e mitológica. As faixas Maresia, Quando Você Dança, Janeiro e Íris Negra evocam atmosferas distintas, mas dialogam entre si como se fossem partes de uma mesma correnteza. Íris Negra, parceria com Marlua e Fernanda Conegundes, foi premiada com o 1º lugar municipal e 3º lugar regional no Festival de Música da Unimed Sudoeste (FAMUS).