O presidente Jair Bolsonaro divulgou nesta quinta-feira (9) um texto intitulado “Declaração à Nação” no qual afirma que nunca teve “intenção de agredir quaisquer dos poderes”. Segundo o texto, “as pessoas que exercem o poder não têm o direito de ‘esticar a corda’, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia”.
Em ato político na última terça-feira (7), em São Paulo, Bolsonaro afirmou que não mais cumpriria decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. “Dizer a vocês que, qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, este presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou, ele tem tempo ainda de pedir o seu boné e ir cuidar da sua vida. Ele, para nós, não existe mais”, declarou Bolsonaro a um público de apoiadores. O presidente da República chegou a fazer uma ameaça ao presidente do STF, ministro Luiz Fux: “Ou o chefe desse poder enquadra o seu [Alexandre de Moraes] ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos”.
A divulgação da “Declaração à Nação” foi um conselho a Bolsonaro do ex-presidente Michel Temer. Na manhã desta quinta, Bolsonaro mandou um avião para São Paulo, a fim de buscar o ex-presidente para um almoço no qual discutiram a crise institucional. Temer orientou Bolsonaro a divulgar um “manifesto de pacificação”.
A nomeação do deputado federal licenciando e secretário de Desenvolvimento Urbano (Sedur), Nelson Pelegrino (PT), para o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) pode ser barrada por conta de uma liminar concedida pela desembargadora Joanice Maria Guimarães de Jesus.
A magistrada acatou pedido da associação de servidores do Tribunal de Contas dos Municípios que reivindicam o direito de fazer a indicação. A Procuradoria Jurídica da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) prepara o recurso para reverter a medida.
A indicação de Pelegrino para ocupar a vaga deixada pelo conselheiro Paolo Marconi, foi aprovada nesta quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alba. A indicação agora segue para votação no plenário da Casa, prevista para a sessão da próxima terça-feira (14).
Bahia.ba
Durante a Sessão Ordinária desta quarta-feira (08), realizada na Câmara Municipal de Vitória da Conquista, o vereador Valdemir Dias (PT) criticou as manifestações antidemocráticas registradas nesta terça-feira, 7. “Aquela manifestação foi de uma bolha. Não representa o pensamento da maioria do povo brasileiro. O povo está sofrendo”, afirmou o vereador. Ele disse ainda que “àqueles manifestantes ocuparam os hotéis luxuosos de Brasília”, enfatizando a parcela da sociedade que tem se posicionado contra as instituições democráticas da República.
Valdemir também questionou o enquadramento dos aliados de Bolsonaro com quem se posiciona contra o governo. “Para os bolsonaristas, todos os que pensam diferente deles, torna-se petista e comunistas. Vejam que a pauta é ideológica, não é contra a corrupção”, afirmou. O vereador lembrou que os manifestantes de Bolsonaro querem o fechamento do Congresso Nacional, o fechamento do STF, intervenção militar e voto impresso. “Que patriotismo é esse? Que tá vendendo a Petrobras, vendendo as refinarias? Bolsonaro é um lobo vestido de cordeiro”, afirmou o parlamentar. Ele continuou criticando o governo, questionando o saldo de políticas públicas após três anos de gestão. “O que temos hoje são milhões de desempregados, inflação acima de 9%, energia com preço absurdo e uma realidade de consumo onde a carne é item de luxo”, lamentou Valdemir.
O vereador afirmou que Bolsonaro cravou a própria derrota com as manifestações antidemocráticas, no Dia da Independência. “Queremos democracia cada vez mais forte, comida no prato, moradia digna, queremos a volta do crescimento do PIB do país e a retomada do poder de compra do trabalhador”, pontuou.
Durante pronunciamento na Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Vitória da Conquista (CMVC), na manhã desta quarta-feira, 8, o vereador Ricardo Babão (PCdoB) cobrou respeito no uso do dinheiro público e ressaltou que ele deve ser utilizado na defesa dos interesses da população. “Existem políticos que não sabem gastar o dinheiro do povo”, apontou.
“O salário que recebemos aqui é o povo quem paga. Vamos respeitar o povo”, disse Babão, ressaltando que os salários dos parlamentares é pago com o resultado dos impostos pagos pela população.
Babão apontou que jamais faltará a uma sessão da Câmara para ir participar de uma manifestação, como chegou a ser feito. “Nunca vou faltar uma sessão para ir a uma manifestação”, assegurou.
Ricardo Babão criticou vereadores, que mesmo sendo membros de partidos que passaram a defender o impeachment, seguem dizendo defender Bolsonaro. “Por que vocês não ligam para o dirigente do partido de vocês para mudar o discurso? Peçam para sair dos partidos, vamos deixar de hipocrisia, de tentar enganar o povo”, provocou. “Vá na Zona Rural e fala que vota em Bolsonaro, que defende Bolsonaro, que terá a resposta deles”, finalizou Babão, apontando que a população carente não apoia Bolsonaro.