Na manhã desta quarta-feira, 20, logo após a Sessão Especial do Assistente Social, o presidente da Câmara, vereador Luciano Gomes (PCdoB), recebeu dois representantes dos comerciantes e comerciários de um grupo que promovia uma manifestação em frente à sede do legislativo contra a não aprovação do PL 33/2020, que pedia a derrubada de um decreto do Executivo Municipal sobre o fechamento do comércio.
Lojistas e trabalhadores pedem a reabertura imediata de todos os setores do comércio local, sob a alegação de que não são apenas os segmentos essenciais que estão funcionando, a exemplo das concessionárias, o que não justifica deixar os demais de fora. Alegam também o fato de a cidade não estar totalmente em isolamento social, pois as feiras livres, feira do rolo, supermercados, bancos, lotéricas e oficinas funcionam normalmente. “O termômetro pra sabermos se houve grandes avanços da Covid-19 foram as filas dos bancos nos últimos dias”, ponderou Gilmar Queiroz, comerciante do setor de confecção.
Segundo os comerciantes, a Prefeitura não tem ouvido o apelo do comércio, que está à beira da falência, com várias lojas fechando e um índice alto de demissões. “Não temos como pagar os aluguéis de pontos comerciais, alguns com valores que chegam a R$ 17 mil, alem de salários, impostos e as nossas despesas pessoais, porque as contas não estão em quarentena, por isso muita gente está fechando definitivamente os seus estabelecimentos”, afirmou o lojista.
O comerciário Júnior Vieira da Luz também demonstrou preocupação com a situação, por conta da ameaça de novas demissões em massa no comércio. “Meu questionamento é sobre como essas pessoas vão sobreviver desempregadas e sem perspectivas futuras”, indagou.
O presidente disse ainda que a Câmara poderá intermediar o diálogo com o Comitê Gestor, pois é do interesse de todos os vereadores resolver o problema. “A Câmara não é contra os lojistas, a Câmara é a favor da reabertura com segurança. Não há um único parlamentar nesta Casa que esteja contra comerciantes e trabalhadores”, concluiu.
A piada do presidente Jair Bolsonaro sobre a cloroquina não foi bem vista pelo governador da Bahia, Rui Costa. Durante entrevista à rádios da Chapada Diamantina nesta quarta-feira (20), o gestor repudiou as palavras do chefe do Executivo e lamentou o fato do Ministério da Saúde estar sendo comandada interinamente pelo general Pazuello.
“Não dá para fazer piada quando o Brasil passa de mil mortes, como foi o caso de ontem. Piada, inclusive, sem graça. É uma lástima o Brasil estar sem ministro da Saúde e com um general de interino, com todo respeito a carreira militar”, declarou.
Rui voltou a falar sobre o fato do presidente ser um entusiasta da hidroxicloroquina, medicação que não tem eficácia comprovada contra a Covid-19.
“Pior do que a troca é o motivo. Os dois eram médicos e não aceitavam que pessoas que não entendem de saúde pública fizessem receita médica ou determinação de protocolo. É o único lugar do mundo onde o presidente quer passar receita médica. Acredito na ciência, na medicina. Tem gente que estuda a vida inteira para poder aprimorar. Nós montamos um comitê científico para trocar experiências. O vírus é novo e não há unanimidade”, afirmou.
Na última terça-feira (19), o Ministério da Saúde divulgou que o país tem 271.628 casos confirmados e 17.971 óbitos. Somente no último registro, foram contabilizados 1.179 óbitos.
Márcia São Pedro, diretora de saúde epidemiológica da Bahia esclareceu, em entrevista nesta quarta-feira (20), a respeito dos dados contidos no boletim de saúde da Sesab sobre o novo coronavírus.
O último boletim de saúde da Sesab trouxe um número superior a dois mil casos a mais de um para o outro. Esta elevação nos casos, num período tão curto e as divergências entre a informações da Sesab em relação aos boletins das cidades foi uma das pautas da entrevista.
OUÇA:
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (19) o texto-base do projeto que obriga a população a usar máscaras em ruas, em prédios e no transporte público para conter a pandemia do novo coronavírus. A proposta prevê que a multa em caso de descumprimento será definida por estados e municípios.
O texto-base foi aprovado em votação simbólica. Os deputados, agora, apreciam mudanças no projeto. Na sequência, a proposta segue para o Senado. Se houver mudança, volta à Câmara, antes de seguir para sanção ou veto presidencial.
O projeto inclui o uso obrigatório de máscaras de proteção individual nas medidas adotadas para enfrentamento da emergência pública provocada pelo Covid-19.
O texto inicial previa imposição de multa de R$ 300, que dobrava em caso de reincidência. Os deputados, no entanto, aprovaram uma emenda que determina que o valor será definido por estados e municípios.
A multa também será regulamentada por decreto ou ato de governos estaduais ou prefeituras, que deverão ainda definir as autoridades responsáveis pela fiscalização e pelo recolhimento do dinheiro.
O projeto prevê o fornecimento de máscaras a populações pobres, como, por exemplo, os beneficiários do auxílio emergencial de R$ 600 e do Bolsa Família. Onde o poder público não fornecer o equipamento de proteção, aqueles que não tiverem recursos para comprar a máscara não poderão ser multados.
O uso do equipamento é dispensado para pessoas com transtorno do espectro autista, deficiência intelectual, deficiências sensoriais, ou quaisquer outras que impeçam o uso adequado de máscara de proteção facial.
Isso precisará ser atestado por declaração médica, que poderá ser obtida digitalmente.
Crianças com menos de 3 anos também não serão obrigadas a usar máscara facial.
O texto determina que os estabelecimentos autorizados a funcionar durante a pandemia deverão fornecer máscaras de proteção individual a seus funcionários e colaboradores. Em caso de descumprimento, a multa também será definida por estados e municípios.
Também será necessário regulamentar o dispositivo por decreto ou ato de governos estaduais ou municipais, que vão estabelecer a fiscalização e recolhimento da multa.
A obrigação de fornecimento de máscaras se estende a órgãos e entidades públicas, que deverão priorizar máscaras de proteção produzidas artesanalmente por costureiras ou produtores locais, sempre com preço de mercado.
?Os recursos arrecadados com as multas serão aplicados no enfrentamento da pandemia e os valores ficarão disponíveis em portais de transparência.
O texto estabelece ainda que Executivo poderá veicular campanhas publicitárias para esclarecer à população sobre a necessidade do uso de máscaras, obedecendo as recomendações do Ministério da Saúde.
Além disso, possui um dispositivo que prevê que profissionais de saúde diagnosticados com Covid-19 terão atendimento preferencial em estabelecimentos de saúde.
Os deputados incluíram no texto original uma emenda que obriga o uso de máscara de proteção individual aos trabalhadores de prisões e estabelecimentos do tipo, incluindo prestadores de serviço desses locais.
Mais cedo, os deputados haviam aprovado um projeto do senador Fernando Collor (PROS-AL) que autoriza restaurantes, supermercados, hospitais e estabelecimentos dedicados à produção e ao fornecimento de alimentos a doar produtos industrializados e refeições prontas para o consumo da população pobre.
O projeto determina que os itens devem estar dentro do prazo de validade e em condições próprias para consumo. A embalagem pode estar danificada, desde que isso não afete as propriedades nutricionais e a segurança sanitária dos produtos.
A doação poderá ser feita diretamente, em colaboração com governos locais, ou por meio de bancos de alimentos e outras entidades beneficentes de assistência social, ou mesmo por entidades religiosas.
O texto esclarece que a doação não configura relação de consumo e prevê punição por danos causados pelos itens fornecidos apenas se houver culpa ou dolo.
Os deputados incluíram dois dispositivos aos projetos. O primeiro cria o Certificado de Boas Práticas, concedido às empresas doadoras de alimentos. Uma emenda aprovada diz que os estabelecimentos, agropecuárias e petshops poderão fornecer os alimentos a cães e gatos de rua. Como foi alterado, o projeto volta ao Senado.
O senador Jaques Wagner falou sobre “Eleições de 2020 e as crises sanitária, econômica e política” no quinto seminário remoto realizado pelos mandatos dos deputados Waldenor Pereira (federal) e Zé Raimundo estadual.
O evento reuniu na sala de aplicativo de Sistema de Deliberação Remota (SDR), na noite desta terça-feira (19), 149 lideranças de 40 municípios do Sudoeste, Serra Geral, Bacia do Paramirim, Chapada Diamantina e Médio São Francisco, além de participantes da Bahia e de outros estados através da transmissão nas redes sociais dos deputados.
As eleições municipais previstas para outubro devem ser adiadas, na expectativa de Wagner, que informou sobre a tramitação de várias emendas constitucionais no Senado, neste sentido, propondo inclusive a sua realização no último domingo de novembro e o segundo turno em dezembro. Enquanto falava sobre a imprevisibilidade desse momento, envolvendo as questões sanitária, econômica e política, o senador também se manteve atento a sessão plenária do Senado, em que votaria favorável ao adiamento de Enen 2020- Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), também por conta da pandemia.
Wagner aproveitou o tempo de exposição no seminário para bater firme no presidente Jair Bolsonaro, que na sua opinião deve ser responsabilizado por “crime contra a vida”, pelas suas atitudes contrárias às orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), estimulando as pessoas à total vulnerabilidade ante a pandemia (aglomeração em público, não uso de máscaras) e ainda de “receitar sem ser médico”, defendendo o uso de medicamento à base da hidroxicloroquina. “Ele brinca com a vida das pessoas”, criticou.
O senador e ex-governador da Bahia por duas vezes também respondeu às questões de participantes do seminário, dentre os quais seis prefeitos e 19 vereadores. Ele elogiou e parabenizou Waldenor Pereira e Zé Raimundo pela iniciativa do evento. “Sem dúvida que esses são dois dos mandatos mais organizados. Não é por menos que Waldenor e Zé Raumundo são reeleitos com votações tão expressivas”, disse ao iniciar a sua intervenção. Antes de Wagner, os mandatos realizaram seminário na terça-feira da semana passada com a participação do secretário estadual da Educação, Jerônimo Rodrigues. Na próxima quinta-feira, 21, terão como convidada a secretária estadual de Relações Institucionais(Serin), Cidele Carvalho.
O Senado aprovou nesta terça-feira (19) o projeto que adia automaticamente as provas que dão acesso aos cursos de graduação, entre as quais o Exame Nacional do Ensino Médio Enem.
A aprovação não resulta automaticamente no adiamento do Enem. Isso porque o texto ainda precisa ser analisado pela Câmara dos Deputados para, então, ser enviado para a sanção do presidente Jair Bolsonaro. O presidente poderá sancionar o texto, integral ou parcialmente, ou vetar.
Em um primeiro momento da sessão, os senadores aprovaram o chamado texto-base. O texto foi aprovado por 75 votos a 1. O único senador que votou contra o texto foi Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho de Jair Bolsonaro.
Depois, os parlamentares passaram à análise dos destaques, isto é, propostas que visavam modificar a redação original. Com a conclusão desta etapa, o texto seguirá para a Câmara.
O calendário do Enem prevê as provas presenciais nos dias 1º e 8 de novembro, e o exame no meio digital, nos dias 22 e 29 (leia detalhes mais abaixo). O texto do Senado não define uma nova data para as provas.
Pelo texto, o adiamento vale em cenário de calamidade pública. O decreto de calamidade pública, reconhecido em razão da pandemia do novo coronavírus, começou a valer em 20 de março e irá vigorar até 31 de dezembro deste ano.
A proposta, de autoria da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), prevê o adiamento de todas as provas para todas as instituições de ensino do país, inclusive universidades privadas.
O projeto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, para estabelecer que os vestibulares serão prorrogados automaticamente até que o ano letivo do ensino médico seja concluído.
Os senadores aprovaram ainda uma emenda, sugestão de mudança ao texto, do senador Romário (Podemos-RJ). O Enem, em suas versões impressa e digital, terá de disponibilizar “a acessibilidade necessária de todos os instrumentos utilizados no exame, às pessoas com deficiência”, diz a proposta.
Aconteceu na noite desta terça-feira (19), uma audiência pública da Câmara de Vereadores, realizada pelo Sistema de Deliberação Remota (SDR), para discutir os cortes nos salários dos servidores da educação. A Prefeitura Municipal efetivou os cortes sob a justificativa da grave crise causada pela pandemia do novo coronavírus que levou à suspensão das aulas da rede. Participaram da audiência os vereadores Valdemir Dias (PT), autor da proposição, Viviane Sampaio (PT) e o Professor Cori (PT), além de representantes do Sindicato do Magistério Municipal Público de Vitória da Conquista (SIMMP), do Conselho Municipal de Educação e do Conselho Municipal do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB). A audiência foi transmitida pela página oficial da Casa no Facebook e também pela Web Rádio Câmara.
Não há justificativa para os cortes – Abrindo os trabalhos, o vereador Valdemir Dias (PT) traçou os antecedentes da situação atual dos profissionais da rede municipal de ensino e lembrou que a prefeitura lançou uma plataforma virtual de atendimento remoto para os alunos, fazendo com que os professores se mantivessem ativos em meio à pandemia e ressaltou que o dinheiro do FUNDEB não sofreu reduções. “O que justifica os cortes salariais dos professores se a principal fonte de financiamento aos profissionais da educação não foi reduzida?”, comentou. Por fim, o vereador salientou que a audiência servirá para conscientizar o Executivo da necessidade de imediata reposição dos valores aos salários.
Tem professores trabalhando até mais de 40 horas – A presidente do SIMMP, Ana Cristina Silva, iniciou sua fala lamentando a ausência dos demais vereadores. “Os poderes do município devem participar dessa discussão sobre a situação do corte dos servidores da educação”, lamentou. Ela ainda acrescentou: “Vitória da Conquista está entre os poucos municípios que optaram por esse corte. Prefeituras com orçamentos menores não cortaram os salários dos professores”. A sindicalista disse que o corte foi de cerca de 50%, apesar de os educadores estarem desenvolvendo atividades. “Inclusive existem professores que estão trabalhando até mais de 40 horas”, explicou. Ana Cristina lembrou da importância desse assunto e que o mesmo deve ser bem debatido: “Precisamos que se restabeleça a vontade de dialogar. É um momento difícil, os professores utilizam da sua internet, luz, celulares trabalham até mais do que deveriam”. Ela finalizou relatando que teve a informação que “esse mês também haverá corte nos salários e isso é lamentável. Cargos de confiança com salários altíssimos e a gente com cortes grandes”.
Ausência de vereadores é criticada – Ana Cláudia da Mata, representante do SIMMP, criticou a ausência de vereadores, especialmente os da Situação. Para ela, é um descaso com a categoria da educação municipal a ausência de todos os parlamentares da base do prefeito. Mata afirmou que o bloco poderia intervir a favor da classe junto à prefeitura. A sindicalista frisou que o corte nos salários não tem justificativa, já que não houve diminuição de receita. Segundo ela, de março para abril a prefeitura registrou um aumento de mais de R$ 3 milhões nos recursos da educação. Mesmo assim, a gestão efetivou os cortes. “Não tem um pingo de respeito”, falou, referindo-se à gestão municipal.
A educadora falou que os problemas se acumulam – De acordo com seu relato, falta diálogo já que a Prefeitura Municipal não respondeu aos mais de dez ofícios encaminhados pelo sindicato. Além disso, a prefeitura não concedeu reajuste em 2019, comprometendo o rendimento dos educadores. Cláudia afirmou que a prefeitura tira dos servidores num momento em que mais eles precisam, diante da pandemia e seus impactos. “Até quando vai ficar massacrando o servidor público?”, questiona. Ela cobrou uma postura mais enérgica da Justiça e do Legislativo, que estariam fazendo “vista grossa” diante dos ataques da prefeitura à educação.
Em uma postagem em suas redes sociais, o prefeito de Vitória da Conquista Herzem Gusmão divulgou assinatura de uma carta que ele juntamente com o prefeito de Feira de Santana Colbert Martins e o prefeito de Itapetinga Rodrigo Hagge, solicita a mediação da Direção Nacional do Movimento Democrático Brasileiro – MDB junto a Direção Estadual do partido, com o objetivo de “adquirir a representatividade política de que carece a nossa histórica agremiação política”.
Na postagem Herzem Gusmão ainda pede uma “reformulação da Executiva Estadual, para reestabelecer o diálogo entre prefeitos dos maiores municípios que são geridos pelo Movimento Democrático Brasileiro na Bahia.
Confira a postagem na Íntegra:
“Assinei uma carta, em conjunto com o prefeito de Feira de Santana Colbert Martins e o prefeito de Itapetinga Rodrigo Hagge, solicitando mediação da Direção Nacional do MDB junto a Direção Estadual do partido, no sentido de adquirir a representatividade política de que carece a nossa histórica agremiação política.
Não recomendamos nenhuma medida intervencionista. Pedimos, legitimamente, uma reformulação da Executiva Estadual, no sentido de reestabelecer o diálogo que nos cabe como prefeitos dos maiores municípios geridos pelo MDB na Bahia.
Também credenciamos o senador Fernando Bezerra (MDB-PE) para nós auxiliar nas tratativas junto à Executiva Nacional”.

Confira a postagem completa aqui:
https://www.instagram.com/p/CAYLZcAD3jK/?igshid=18hz9zdiu8ojc
Em entrevista ao Redação Brasil na manhã desta terça-feira (19), o Vereador Rodrigo Moreira (Progressista) falou a respeito da fiscalização que ele juntamente com os vereadores Nildma Ribeiro (PCdoB) e Valdemir Dias (PT) acerca da última seleção pública que aconteceu na Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista.
Segundo ele, é importante que a população saiba que não existe nenhum favorecimento nas seleções públicas em Vitória da Conquista.
“Estamos verificando se tudo está correto diante da lei; se não estiver, estamos ali para fiscalizar”. Afirma o Vereador.
Rodrigo Moreira ainda falou sobre outras ações feitas em vários pontos de Vitória da Conquista à respeito da fiscalizações do Covid-19.
OUÇA:
A fibromialgia, síndrome clínica que se manifesta com dor no corpo todo, principalmente na musculatura, além de outros sintomas, foi tema de uma audiência pública realizada virtualmente na tarde desta segunda-feira (18), pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista. O encontro, proposto pelo mandato da vereadora Viviane Sampaio (PT), trouxe para o debate a importância da conscientização das pessoas sobre o problema, que há alguns anos não recebia a devida atenção pela dificuldade em se chegar a um diagnosticado. A audiência contou com a participação de especialistas, pessoas portadoras da doença e representantes da sociedade.
Dia da Conscientização da Fibromialgia – Abrindo os trabalhos, a vereadora Viviane Sampaio (PT) ressaltou o quanto os portadores de fibromialgia passam por desafios e dificuldades no município de Vitória da Conquista. A parlamentar relatou que conseguiu aprovar a Lei nº 2310, de 02 de agosto de 2019, que reserva o dia 12 de maio como o dia de conscientização dessa patologia, fruto da iniciativa do grupo de portadores na cidade, e qualificou a ação como uma vitória muito grande para o grupo. Finalizando, a vereadora afirmou que é um momento de conscientização para a população sobre a doença e seus portadores.
Grupo Fibromialgia de Conquista – Representando o grupo de Fibromialgia de Vitória da Conquista, Maria Margarida relatou um pouco as dificuldades encontradas pelas pessoas portadoras da doença. “Fui diagnosticada com a doença há quatro anos e sofri muito até conseguir o tratamento correto”, contou, lembrando que “essa é uma patologia horrível que acomete principalmente as mulheres”. Margarida relatou que o processo de formalização do grupo se deu no início de 2019, através de Projeto de Lei que garantem direitos às pessoas portadoras de fibromialgia: “Pedimos prioridade em filas e já estamos com outros pedidos, a exemplo de uma equipe multidisciplinar para dar andamento ao tratamento, a luta é grande, mas vamos continuar”, disse.
Demanda por acompanhamento multidisciplinar – Paciente diagnosticada com fibromialgia após uma peregrinação por vários especialistas que deram diversos diagnósticos, Poliana Policarpo disse ter se sentido aliviada por ter recebido o diagnóstico da doença. “Senti naquele momento um grande alívio”, disse ela, apontando que, com o diagnóstico, pôde buscar o tratamento ideal. Policarpo apontou que a grande demanda das pessoas com fibromialgia é a oferta de assistência multidisciplinar pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Nós precisamos de uma assistência médica multidisciplinar, que é o que nós não temos”, disse ela. “O meu apelo como paciente é que o SUS tenha um olhar diferenciado para nós e que possa criar esse núcleo multidisciplinar para atender a todos nós. São inúmeros sintomas que causam muitos transtornos”, disse Poliana.
Uma doença muito complexa – O reumatologista Dr. Kayson Dias ressaltou o quanto a doença é difícil para o paciente e também para o médico. Ele definiu a fibromialgia como uma síndrome de dor crônica em todo o corpo, cujos sintomas são fadiga, sono não-reparador, insônia e outros quadros como alteração de humor, depressão. “É muito complexa”, afirmou. Por fim, Dr. Kayson salientou o quanto um paciente com fibromialgia sente muito mais dor que as demais pessoas e muitas vezes sem haver qualquer estímulo.
Secretaria Municipal de Saúde – Representando a Saúde do Município, Dra. Milena Magalhães, neurologista do CEMAE, explicou que o diagnóstico da fibromialgia é muito complexo, pois o problema muitas vezes atinge o sono das pessoas e o tratamento vai depender da causa. Ela lembrou que o acesso a alguns exames importantes como, por exemplo, a polissonografia, é muito difícil. Lembrou da importância do tratamento multidisciplinar. “O diagnóstico é muito complexo, precisamos excluir todos os problemas neurológicos e então encaminhar o paciente ao médico especialista apto em realizar o tratamento que é o reumatologista”, explicou.
Causa não identificada – O fisioterapeuta Leonardo Xavier apontou que a doença atinge atualmente 7 milhões de pessoas somente no Brasil e ainda não tem causa identificada. “Essa patologia não tem uma causa confirmada ainda”, apontou ele. De acordo com Xavier, é de suma importância que seja disponibilizado no SUS o tratamento multidisciplinar. “Eu peço aos poderes públicos que tenham um olhar diferenciado para essas mulheres”, disse. “O estudos já mostram a importância da equipe multidisciplinar, o acompanhamento psiquiátrico e psicológico é muito importante”, finalizou ele.
Depressão como consequência da fibromialgia – A psicóloga Karine Gusmão falou como profissional e também como portadora da fibromialgia e salientou que a dor crônica causada pela doença se estende em 18 pontos do corpo humano. Em sua fala, ela pontuou que além das dores, a depressão também pode ser uma consequência da doença que acomete um público formado em 90% por mulheres. A psicóloga relatou que muitas pacientes suas obtiveram melhora através da psicoterapia e afirmou que cada portador deveria ser assistido por diversos profissionais de saúde para terem um cuidado mais completo.
Conselho de Saúde da OAB – Joana Rocha, representante do Conselho de Saúde da OAB de Vitória da Conquista, explicou que o papel do órgão é aproximar a saúde às pessoas e zelar e respeitar a Constituição. “A gente tem hoje uma grande dificuldade porque os direitos desses pacientes ainda não estão regulamentados, ainda temos o desafio de mostrar que os pacientes portadores dessa patologia precisam ser reconhecidos pelos gestores públicos”, contou. Joana disse que “em uma pesquisa rápida no site da Câmara dos Deputados, encontrou 47 itens ligados a fibromialgia, diversas preposições como redução de impostos em compra de medicamentos e veículos, redução de jornada de trabalho e tantos outros, muitas iniciativas em andamento, mas ainda nada de concreto. Finalizou propondo uma audiência sobre os direitos das pessoas portadoras de fibromialgia.
Conselho Municipal de Saúde atento – A representante do Conselho Municipal de Saúde, Lúcia Dórea, infirmou que o Conselho está atento e preocupado com a situação das pessoas acometidas pela fibromialgia. “O CMS tem uma preocupação muito grande. Esse trabalhadores têm um duplo prejuízo, físico e moral, além do prejuízo financeiro”, analisou ela. “Nas empresas, a gente tem uma dificuldade porque os médicos do trabalho afastam, estão nas empresas, acompanham o dia a dia dos trabalhadores. No INSS, muitos (médicos) não concedem o benefício ao qual o trabalhador tem direito. Quando consegue, ele tem uma diminuição no seu rendimento”, apontou ela, relatando as dificuldades dos trabalhadores acometidos pela doença. Ela apontou também que outra dificuldade é o fato de alguns médicos sequer reconhecerem a fibromialgia como uma doença. “Segundo alguns profissionais de saúde, a fibromialgia é uma doença autoimune, só que isso não está registrado. Outros profissionais não consideram, muitos até não reconhecem a doença”, apontou Dórea.
Dor no corpo e também na alma – Também representando o Conselho Municipal de Saúde, a Dra. Maria de Lourdes parabenizou as vereadoras Viviane Sampaio (PT) e Nildma Ribeiro (PCdoB) pela iniciativa e disse que mais uma vez tem a convicção de que o controle social é que vai fazer uma melhoria no país. Dra. Lourdes pediu que toda a classe médica lute cada vez mais pelo fortalecimento do SUS. A médica, que falou como profissional e como portadora, qualificou a patologia como uma dor no corpo e na alma.
“Eu não tinha saída” – Também acometida pela doença, Gicélia Felício contou que, sem condições de entender o que sentia e a origem daquelas dores, chegou a desistir de viver, e acabou tendo de lidar com a dificuldade de ser rotulada como suicida. “Quando chegou ao ápice eu desisti de viver e eu tentei suicídio. Além de enfrentar a fibromialgia, eu tinha que enfrentar o rótulo de que eu era uma suicida”, contou. “Eu não tinha saída, não tinha profissionais para dizer: ‘olha, você tem isso, vamos tratar assim’”, desabafou.
Ela disse que só soube que era portadora de fibromialgia quando procurou um reumatologista, após ser atendida por vários profissionais. “Depois de passar por profissionais de todas as áreas eu cheguei ao reumatologista que me acolheu, compreendeu a situação que eu estava vivenciando, me direcionou a uma equipe multidisciplinar”, contou Felício. “Lamento muito que essa situação não esteja aberta para todos. Infelizmente nosso SUS ainda é muito pobre em relação às políticas direcionadas para a saúde”, lamentou.
Fazer valer as Leis – A vereadora Nildma Ribeiro (PCdoB) lembrou que o tema é muito importante e que poucas pessoas não dão a atenção devida. “Muitas pessoas dizem que é frescura, mas não é. É a realidade, um problema de saúde pública”, lamentou. Ela lembrou que as mulheres são as mais atingidas e por isso pediu união para “juntas, buscar melhorias, fazer valer as leis sancionadas, faremos parte dessa luta e das diversas pautas levantadas por vocês que sofrem dessa doença”, disse. Destacou que muitas são as pautas a serem conquistadas como o passe livre, auxilio doença, criação da associação. “Queremos fazer com que a sociedade enxergue cada uma de vocês”, afirmou, acrescentando a garantia de remédios pelo SUS e acompanhamento multidisciplinar. Finalizou com um texto em homenagem às portadoras de fibromialgia.