O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quarta-feira (14) a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, publicada em edição extra do Diário Oficial da União. O texto, aprovado pelo Congresso Nacional no fim do ano passado, fixa as despesas e estima as receitas do governo federal para o próximo ano.
O Orçamento da União para 2026 totaliza R$ 6,54 trilhões, com meta de superávit de R$ 34,2 bilhões. O salário mínimo foi reajustado de R$ 1.518 para R$ 1.621. As áreas de Saúde e Educação receberão, respectivamente, R$ 271,3 bilhões e R$ 233,7 bilhões. Para o Bolsa Família, estão previstos R$ 158,63 bilhões; o programa Pé-de-Meia contará com R$ 11,47 bilhões; e R$ 4,7 bilhões serão destinados ao auxílio para compra de botijão de gás.
A lei também prevê cerca de R$ 61 bilhões em emendas parlamentares, sendo R$ 37,8 bilhões em emendas impositivas. As emendas individuais somam R$ 26,6 bilhões, as de bancada R$ 11,2 bilhões e as de comissão R$ 12,1 bilhões. O presidente vetou quase R$ 400 milhões em emendas, e o governo ainda avalia editar atos para remanejar cerca de R$ 11 bilhões para outras ações.
Ao longo de 2025, os partidos políticos brasileiros movimentaram centenas de milhões de reais. A maior parte desses recursos teve origem no Fundo Partidário, mecanismo público de financiamento das legendas, mas os balanços enviados à Justiça Eleitoral também revelam a participação de doações de filiados, dirigentes partidários e pessoas físicas externas às siglas.
Todos os valores arrecadados precisam ser informados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ficam disponíveis para consulta pública. O prazo final para a entrega das prestações de contas referentes ao ano passado é 30 de junho, o que significa que os números ainda podem sofrer alterações.
Contribuições internas
Além dos repasses públicos, alguns partidos adotam regras internas que obrigam filiados com cargos eletivos ou funções de confiança a contribuir regularmente com a legenda. É o caso, por exemplo, do PT e do MDB, cujos estatutos preveem esse tipo de contribuição partidária.
O PT declarou ao TSE, até o último sábado (10), uma arrecadação total de R$ 151,5 milhões em 2025. Desse montante, cerca de R$ 126,6 milhões vieram do Fundo Partidário. O restante inclui contribuições de filiados e dirigentes. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez 13 repasses ao longo do ano, que somaram quase R$ 74 mil. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contribuiu com R$ 40 mil, distribuídos em 11 doações.
O MDB informou ter arrecadado R$ 51,5 milhões no mesmo período, valor composto quase integralmente por recursos públicos, com complementação modesta de doações internas. O senador Renan Calheiros (AL), por exemplo, realizou 11 contribuições que totalizaram R$ 11 mil.
Doações externas
Além das contribuições internas, a legislação permite que partidos recebam doações de pessoas físicas ou jurídicas que não tenham vínculo partidário. É nesse ponto que aparecem os maiores valores individuais.
O Republicanos declarou uma arrecadação de R$ 110,3 milhões em 2025, sendo R$ 96,3 milhões provenientes do Fundo Partidário. Parte relevante do restante veio de doações privadas. A maior delas, no valor de R$ 1,74 milhão, foi feita pelo empresário Rubens Ometto, controlador do Grupo Cosan, que atua nos setores de energia e logística.
Não foi a primeira vez que Ometto, conhecido como “rei do etanol”, figurou entre os maiores doadores do sistema político. Nas eleições municipais de 2024, o empresário destinou mais de R$ 18 milhões a 211 candidaturas em todo o país, segundo dados oficiais da Justiça Eleitoral.
Quanto cada partido declarou ao TSE
Até o momento, os valores informados pelas legendas incluem:
Agir, Democracia Cristã, Mobiliza, Novo, PCB, PCO, PRTB, PSTU e UP não atingiram a cláusula de desempenho e, por isso, não tiveram acesso ao Fundo Partidário em 2025. Nesses casos, a arrecadação dependeu exclusivamente de contribuições privadas. O Psol e o Cidadania ainda não haviam enviado sua prestação de contas ao TSE até a última atualização.
Fundo Partidário x Fundo Eleitoral
Embora frequentemente confundidos, os dois fundos têm finalidades distintas. O Fundo Partidário é permanente e serve para custear o funcionamento cotidiano das legendas: despesas administrativas, salários, aluguel, contas básicas, passagens aéreas e, desde 2019, também impulsionamento de conteúdo na internet e serviços jurídicos e contábeis.
Já o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, só é distribuído em anos eleitorais e pode ser usado exclusivamente para campanhas.
O Fundo Partidário é formado por recursos do Orçamento da União, multas eleitorais e outras fontes previstas em lei. A maior parte (95%) é distribuída de acordo com o desempenho dos partidos na última eleição para a Câmara dos Deputados; os 5% restantes são divididos igualmente entre as legendas que cumprem os requisitos legais.
Doações: o que é permitido e o que é proibido
A legislação eleitoral autoriza partidos e candidatos a arrecadar recursos de pessoas físicas, de filiados, de outros partidos e de seus próprios candidatos. Também são admitidos recursos provenientes da comercialização de bens, da realização de eventos de arrecadação e de rendimentos financeiros.
As doações devem ser feitas por meios rastreáveis, como transferência bancária, Pix identificado ou plataformas de financiamento coletivo autorizadas. Toda movimentação financeira precisa passar por contas bancárias específicas e respeitar os limites de gastos fixados pelo TSE.
Por outro lado, é expressamente proibido receber recursos de pessoas jurídicas, de origem estrangeira ou de fontes cuja procedência não possa ser identificada. Valores ilegais devem ser devolvidos ao doador ou, se isso não for possível, recolhidos ao Tesouro Nacional.
O uso de recursos acima do teto legal pode resultar em multa de até 100% do valor excedente, aplicada durante a análise das prestações de contas.
A Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista participou, na tarde desta terça-feira (13), do ato de assinatura da Ordem de Serviço para a reconstrução de canais abertos e de galerias de drenagem pluvial do município. A solenidade foi realizada no Museu Lagoa das Bateias e marcou o início de um conjunto de intervenções voltadas ao fortalecimento da infraestrutura urbana e à prevenção de danos causados pelas chuvas.

Representando o Poder Legislativo, estiveram presentes o presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, e os vereadores Luís Carlos Dudé, Cris de Lúcia Rocha e Ricardo Babão. O investimento total é de R$ 6.690.381,00, com recursos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.
As obras têm como foco a recuperação de canais de drenagem em áreas historicamente afetadas por alagamentos, incluindo os canais do Recreio, Lagoa das Bateias, bairro Bateias, Terras do Remanso, Rua Yolanda Fonseca e Panorama. O repasse federal está vinculado a um plano de trabalho elaborado pelo município no início de 2022, em resposta aos severos impactos das chuvas ocorridas no final de 2021.
Durante o ato, o presidente da Câmara Municipal, Ivan Cordeiro, ressaltou que as obras de macrodrenagem representam um avanço importante no enfrentamento de um problema histórico da cidade e reafirmou o papel do Legislativo no debate e na construção de soluções estruturais.
“A questão da macrodrenagem é uma demanda recorrente em Vitória da Conquista, e a assinatura dessa Ordem de Serviço é um passo fundamental para minimizar os impactos das chuvas. A Câmara de Vereadores tem atuado de forma permanente nesse debate e segue à disposição do Poder Executivo para contribuir na busca por mais recursos, permitindo a ampliação do sistema de drenagem do município”, afirmou.
Ivan Cordeiro destacou ainda que o tema vem sendo tratado de forma técnica e participativa no âmbito do Legislativo, citando a audiência pública realizada no dia 10 de novembro de 2025, que reuniu representantes de diversos órgãos e instituições.
“Recentemente, a Câmara promoveu uma audiência pública com ampla participação de especialistas e representantes da sociedade. Estiveram presentes secretarias municipais, órgãos de fiscalização, universidades, conselhos profissionais como o CREA e o CAU, além de lideranças comunitárias e moradores de áreas afetadas. Todos foram unânimes em apontar a necessidade de investimentos contínuos tanto em macrodrenagem quanto em microdrenagem, especialmente nos bairros mais vulneráveis”, explicou.
O presidente da Câmara reforçou que o Legislativo continuará acompanhando a execução das obras e cobrando novos investimentos para garantir mais segurança à população.
“A Câmara é sensível a essa demanda, seguirá acompanhando esses investimentos e cobrando avanços, porque sabemos que, nos períodos de chuvas intensas, a população é quem mais sofre. Nosso objetivo é contribuir para que Vitória da Conquista esteja cada vez mais preparada para enfrentar esses desafios”, concluiu.
Durante a solenidade, a prefeita Sheila Lemos destacou que o recurso é resultado de um processo iniciado após as fortes chuvas que atingiram a cidade no final de 2021.
“Esse é um recurso aguardado desde 2022, quando demos entrada no Ministério logo após aquelas chuvas que arrasaram a cidade. Hoje ele chega, com mais de 6 milhões e 600 mil reais destinados à recuperação dos canais de drenagem. Desse total, cerca de 4 milhões e 400 mil reais são para os canais que chegam até a Lagoa das Bateias. Esse investimento vai permitir a recuperação desses canais e o avanço da pavimentação asfáltica dos bairros do entorno”, destacou a prefeita.
O secretário municipal de Infraestrutura, Jackson Yoshiura, detalhou que o projeto contempla sete metas, com intervenções concentradas, principalmente, na região das Bateias e em outros pontos críticos da cidade.
“Aqui no Remanso e nas Bateias está uma das principais situações de escoamento das águas que vêm da Vila Serrana, da Urbis e descem pela Avenida Brumado até a Lagoa das Bateias. Já estamos executando a rede da Avenida Brumado, e esse recurso chega em um momento importante para complementar essa drenagem. Também teremos intervenções na Rua Yolanda Fonseca, no bairro Jurema, e em outros canais estratégicos”, explicou.

Ainda segundo o secretário, a empresa IFC Engenharia LTDA, vencedora do certame, terá até 15 dias para mobilizar equipes e iniciar os trabalhos. A previsão é que, em cerca de 30 dias, a população já possa perceber o avanço das obras, que têm prazo total de execução de 12 meses, conforme o Contrato nº 013-35/2025, firmado em dezembro de 2025
A prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, sancionou, na última terça-feira (13) a Lei nº 3.104, que institui o programa “Ruas do Lazer”. A iniciativa busca a interdição temporária de vias públicas para que a população consiga ocupar o asfalto com atividades esportivas, culturais e recreativas.
De acordo com o texto da lei, trechos de ruas e avenidas serão selecionados para a interdição, que vai acontecer preferencialmente aos domingos e feriados. Durante a interdição, o tráfego de veículos motorizados será proibido, abrindo espaço para pedestres, ciclistas, skatistas e famílias.
Nos dias de interdição, veículos de emergência, transporte público, moradores que residam no trecho interditado e serviços essenciais devidamente autorizados terão passagem permitida. O Poder Executivo vai trabalhar em conjunto com associações de bairro, Organizações não Governamentais (ONGs) e empresas privadas para organizar eventos e atividades específicas dentro do programa.
A implementação das “Ruas do Lazer” não será impositiva, o Artigo 5º determina que haverá ampla divulgação e consulta à comunidade local antes que qualquer via seja integrada ao programa.
O substituto do ministro Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça e Segurança Pública pode vir da Bahia. O nome que circula com mais intensidade nos corredores do poder em Brasília é o do ex-procurador-geral de Justiça da Bahia (PGJ-BA) por dois mandatos, Wellington César Lima e Silva. Em apuração nos bastidores, foi confirmado que o baiano não só está entre os favoritos, como conta com o endosso de figuras políticas de peso que dão tração à sua possível indicação.
Padrinhos
O principal padrinho político de Wellington é o senador e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). Foi Wagner quem o nomeou como PGJ-BA, inicialmente a partir da lista tríplice, onde Wellington foi o terceiro mais votado, em 2010. Ele foi posteriormente reconduzido ao cargo, demonstrando a confiança do grupo político, mas já com apoio da classe, sendo o mais votado na lista tríplice, no ano de 2012.
Além de Wagner, o ex-governador e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e o secretário de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, também manifestam apoio à indicação do baiano.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu uma política de segurança pública baseada em método, inteligência e responsabilidade, em entrevista às Páginas Amarelas da revista Veja, publicada nesta sexta-feira. Para ele, o combate ao crime organizado não deve ser tratado como disputa ideológica, mas como uma política de Estado.
Jerônimo afirmou que a esquerda precisa enfrentar o tema sem preconceitos e rejeitou o rótulo de leniência. “Bandido bom é bandido preso e entregue à Justiça”, disse, ao sustentar que a atuação policial deve ser firme, mas dentro da lei, com respeito aos direitos humanos e ao devido processo legal.
O governador reconheceu os altos índices de violência no estado e assumiu a responsabilidade pelo enfrentamento do problema. Segundo ele, a resposta passa por investimentos em inteligência policial, formação continuada, controle externo e uso de tecnologias como câmeras corporais e sistemas de monitoramento.
Na entrevista, Jerônimo também defendeu que o Estado esteja preparado para enfrentar facções armadas. “O crime organizado tem armamentos potentes. O Estado também precisa ter para enfrentá-lo”, afirmou, ressaltando que o uso da força deve ser técnico, planejado e supervisionado.
Além da repressão qualificada, o governador destacou ações preventivas, como a ampliação de escolas em tempo integral, serviços de saúde e políticas sociais em áreas mais vulneráveis, integrando segurança pública e desenvolvimento social.
Jerônimo ainda cobrou maior cooperação federativa e criticou a redução de investimentos federais em segurança durante o governo de Jair Bolsonaro, que, segundo ele, fragilizou o combate ao crime organizado nos estados.
No campo político, o petista minimizou pesquisas desfavoráveis e lembrou que levantamentos erraram em eleições anteriores na Bahia. A entrevista projeta a imagem de um gestor que busca conciliar pragmatismo, princípios e a defesa de uma polícia forte, aliada a um Estado presente e à justiça social.
O senador Otto Alencar (PSD) garantiu que vai apoiar a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na eleição deste ano, mesmo que o senador Angelo Coronel (PSD) não faça parte da chapa governista que vai disputar o pleito deste ano.
Em entrevista ao Programa Política ao Vivo, concedida nesta quinta-feira (8), Otto Alencar, que é presidente do PSD na Bahia, revelou ainda que o partido não deve fazer qualquer exigência caso Coronel não faça parte da chapa.
“O PSD só indicará um nome para a chapa, que é o de Angelo Coronel. Se por acaso ele não for, o partido permanece na aliança, mas não indica ninguém, para não parecer que houve troca ou compensação política”, pontuou.
Ao comentar a decisão de Coronel em não aceitar ser candidato a vice-governador, Otto afirmou que respeita a posição do correligionário. “Eu até disse que nasci para ser vice-governador, mas respeito a opinião dele. É meu compadre, meu amigo”, declarou.
Fonte: Bahia.ba
Foto: Pedro França/ Agência Senado
Nesta sexta-feira dia 9 de janeiro, às 9 horas, na Praça 9 de Novembro, centro de Vitória da Conquista, movimentos sociais, entidades do movimento negro, estudantes e organizações populares realizarão protesto denunciando o fechamento da Casa do Estudante Quilombola Dandara dos Palmares.
A Adusb estará presente no ato, reafirmando sua solidariedade de classe e seu compromisso histórico com a defesa da educação pública, do direito à permanência, diplomação e da luta antirracista.
Desmonte sistêmico: das escolas rurais à universidade
O fechamento da Casa do Estudante Quilombola, realizado em 5 de dezembro de 2025, não é um fato isolado, mas faz parte da política municipal em se recusar a assegurar condições dignas para que a classe trabalhadora possa estudar com dignidade. Dados levantados com base no cruzamento de diferentes fontes e documentos, incluindo informações obtidas via Lei de Acesso à Informação, levantamento do Conselho Quilombola do Sudoeste Baiano e pesquisa da UESB sobre o encerramento das atividades de escolas do campo, revelam que a Prefeitura de Vitória da Conquista fechou 14 escolas em comunidades quilombolas num intervalo de cinco anos. Esta situação reafirma o projeto de exclusão social dirigida especialmente à população negra, reafirmando assim um projeto de sociedade racista do governo Sheila Lemos, que contou com a devida conivência do legislativo local .
A política de “nucleação”, então instituída, obriga crianças e adolescentes a percorrerem longas distâncias para estudar, desenraizando-os de seus territórios. Essa estratégia adotada pelo governo, principalmente na área da educação, consiste em fechar escolas pequenas (geralmente rurais, indígenas ou quilombolas) e transferir estudantes para unidades maiores e centralizadas, chamadas de escolas-núcleo. Agora, ao fechar também a citada Casa do Estudante, o poder público municipal ataca a outra ponta do ciclo educacional, inviabilizando a permanência daquelas/es que conseguiram, com muita luta, chegar à universidade. Trata-se de um projeto de exclusão que atinge a juventude negra do ensino fundamental ao superior.
O fechamento de escolas e a recente desativação da Casa do Estudante Quilombola não são apenas escolhas administrativas equivocadas; são violações de direitos garantidos por lei. A postura da Prefeitura desrespeita a Lei nº 12.960/2014, que proíbe o fechamento de escolas do campo sem justificativa técnica e anuência da comunidade, e ignora a Convenção 169 da OIT, que obriga os governos a consultarem os povos de comunidades tradicionais, mediante procedimentos apropriados, cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente. Trata-se de uma política de apagamento que, ao negar a pedagogia quilombola e as condições de permanência estudantil, aprofunda o racismo estrutural e institucional no município.
Prioridades invertidas: R$ 400 milhões para obras, zero para permanência
A violência simbólica e política do fechamento da Casa do Estudante se agrava pelo contexto orçamentário. A medida foi anunciada no mesmo dia em que a Prefeitura encaminhou à Câmara de Vereadores um pedido de empréstimo de R$400 milhões, sem a devida transparência sobre a destinação dos recursos.
A mensagem deixada pela gestão municipal é que para o capital e para obras de infraestrutura sem explicação detalhada, há pressa e verba abundante. Para políticas públicas voltadas à população negra e quilombola, como a manutenção de um espaço de moradia, sobram o abandono, o descaso e o corte de verbas.
A invisibilidade de uma população majoritária
Segundo o Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Bahia é o estado com a maior população autodeclarada quilombola do Brasil, com aproximadamente mais de 397 mil pessoas integrando esse grupo étnico, o que corresponde a cerca de 30% da população quilombola recenseada no país. Vitória da Conquista figura entre os dez municípios com maior população quilombola do Brasil, somando cerca de 12 mil pessoas e 33 comunidades certificadas pela Fundação Palmares, sendo apenas uma urbana, o Beco de Vó Dôla.
Apesar dessa força demográfica, a presença quilombola não se traduz em direitos. O reconhecimento formal das comunidades não tem garantido acesso à terra, saúde ou educação. Pelo contrário, a retirada de equipamentos públicos demonstra que, no plano municipal, prevalecem decisões racistas e voltadas aos interesses da elite.
O gargalo do Ensino Superior na Uesb
A luta pela Casa do Estudante Quilombola é vital porque o acesso à universidade já é, por si só, restrito. Na Uesb, embora existam ações afirmativas, os números ainda são insuficientes para a demanda regional. Das mais de 1.000 vagas anuais (1.019 em 2025; 1.029 em 2026), mais da metade vai para ações afirmativas, mas sem cota específica exclusiva para quilombolas nessa modalidade, diluindo essa população em categorias amplas. Houve avanço com a oferta de vagas extras, mas ainda insuficiente para atender a real necessidade desta população. No PSAI 2026.1, foram 38 vagas exclusivas para quilombolas, uma por curso.
Contudo, de nada adianta garantir a vaga para ingressar na educação superior se a Prefeitura Municipal nega a estrutura para que o estudante do campo possa viver e estudar na zona urbana. É necessário e urgente ampliar o acesso na educação superior, defender políticas afirmativas efetivas, não só para a entrada na universidade, mas também lutar para que estes estudantes tenham reais condições de permanência e diplomação.
Por reparação e justiça
Investir em políticas públicas para a população quilombola não é favor, é obrigação constitucional e reparação histórica. Educação pública de qualidade, permanência estudantil e respeito aos territórios são inegociáveis.
A Adusb convoca a categoria e a sociedade para somar forças neste dia 9. Sem reparação não há justiça, e sem investimento público não há inclusão.
Fonte: ADUSB
As comissões técnicas da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) tiveram um 2025 bastante produtivo. O balanço das atividades dos 13 colegiados — 11 permanentes e dois temporários — foi positivo e mereceu elogios da presidente Ivana Bastos, que destacou o trabalho dos deputados estaduais, tanto em plenário quanto nas comissões temáticas, e manifestou a expectativa de que, neste ano, a produção legislativa seja ainda mais profícua.
Ao longo do ano passado, as comissões temáticas promoveram 166 ações, sendo 94 reuniões ordinárias, quatro conjuntas e duas extraordinárias, estas realizadas pelas comissões de Constituição e Justiça, e de Direitos Humanos e Segurança Pública. Também foram realizadas três visitas técnicas por deputados das comissões de Saúde e Saneamento, e de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo, além de dez sessões de instalação dos colegiados.
Com foco em debater e analisar temas que impactam diretamente a vida dos baianos, as 13 comissões se debruçaram sobre assuntos específicos em 54 audiências públicas realizadas ao longo de 2025.
Para o secretário-geral das Comissões, Bira Corôa, os colegiados tiveram um ano profícuo, não apenas pelos números, mas, sobretudo, pela riqueza dos debates, “muito qualificados tanto nas reuniões ordinárias quanto nas audiências públicas e itinerantes, em diversos temas de interesse da população baiana”. Ele destacou ainda que a produção legislativa de deputados e deputadas ganhou relevo, com proposições aprovadas nas diversas comissões por onde tramitaram e, posteriormente, apreciadas e aprovadas em plenário.
AUDIÊNCIAS VARIADAS
A Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo, por exemplo, discutiu a prestação dos serviços da Neoenergia/Coelba no Oeste da Bahia; o andamento das obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol); a implantação do VLT do Subúrbio e em Simões Filho; além da terceirização, pejotização e do fechamento de agências bancárias no estado. Ao final do ano, o colegiado contabilizou 21 reuniões ordinárias, 12 audiências públicas, duas reuniões conjuntas e uma visita técnica.
A Comissão de Finanças, Orçamento, Fiscalização e Controle também iniciou o ano legislativo em ritmo intenso. Já em fevereiro, realizou sua primeira audiência pública, quando foram analisadas as metas fiscais do 3º quadrimestre de 2024. Na sequência, em mais duas audiências públicas, os deputados ampliaram os debates sobre as metas fiscais referentes ao 1º e ao 2º quadrimestres de 2025. O colegiado encerrou o ano registrando, ainda, outras 11 sessões ordinárias.
A Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos iniciou seus trabalhos em março, com a primeira das quatro audiências públicas realizadas em 2025, que teve como tema a apresentação do Canal do Sertão. A cobrança pelo uso da água e o pagamento por serviços ambientais, o fim dos lixões e a coleta seletiva estiveram entre os assuntos debatidos ao longo do ano.
A jaca e suas potencialidades inauguraram, ainda em março do ano passado, a série de nove audiências públicas realizadas pela Comissão de Agricultura e Política Rural em 2025, além de 18 reuniões ordinárias e duas conjuntas com a Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo. O colegiado debateu, em encontros com ampla participação popular, temas como as invasões de terra no Sul da Bahia; as ações do ICMBio em Una; as cadeias produtivas do vinho e do leite no estado; as ações do governo no combate à seca, além de celebrar o Dia do Fiscal Agropecuário.
A Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviço Público abriu a agenda de audiências públicas analisando as políticas públicas de valorização do teatro na Bahia. Ao longo do ano, promoveu ainda dez reuniões ordinárias e 18 audiências públicas, discutindo temas que incluíram a regulamentação da atividade dos motoristas de aplicativos, o transporte universitário intermunicipal, as políticas públicas voltadas às comunidades ciganas, a reforma administrativa e o futuro do serviço público, encerrando o calendário com o debate sobre a construção da Casa dos Artistas na Bahia.
A oferta dos serviços de saúde do Planserv aos servidores públicos estaduais; a Semana Estadual de Conscientização e Informação sobre a Dislexia e Transtornos de Aprendizagem; e a análise do tema “Diabetes: a epidemia invisível que mais onera o sistema de saúde” estiveram entre os assuntos debatidos pela Comissão de Saúde e Saneamento, que realizou cinco audiências públicas e nove reuniões ordinárias em 2025. Coube à Comissão de Defesa do Consumidor e Relações de Trabalho discutir a situação do plano de saúde dos aposentados do Banco Itaú.
Secretário-geral das Comissões, Bira Corôa
Foto: Ascom ALBA/Agência ALBA
A Bahia voltou a se destacar no cenário global do turismo. Em 2025, o estado recebeu mais de 211 mil turistas estrangeiros, registrando um crescimento expressivo de quase 50% em relação ao ano anterior. O desempenho confirma a força do destino baiano no mercado internacional e contribuiu diretamente para que o Brasil alcançasse o maior número de visitantes estrangeiros de sua história.
Crescimento consistente ao longo do ano
O avanço do turismo internacional na Bahia não se limitou à alta temporada. Somente no mês de dezembro, o estado registrou um aumento de 28% na chegada de visitantes estrangeiros, reforçando uma tendência de crescimento contínuo e sustentável ao longo do ano.
Esse desempenho positivo ajudou o Brasil a fechar 2025 com mais de 9,28 milhões de turistas internacionais, um salto de 37% em comparação com o ano anterior — a maior marca já registrada no país.
Principais mercados emissores
Entre os países que mais enviaram turistas ao Brasil e à Bahia, destacam-se:
Esses mercados têm sido estratégicos nas ações de promoção internacional, especialmente pela proximidade cultural, conectividade aérea e crescente interesse pelas experiências únicas oferecidas pelo Nordeste brasileiro.
A força da cultura e dos atrativos baianos
Segundo o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, a Bahia ocupa um papel central nas campanhas de promoção do Brasil no exterior. A diversidade cultural, o patrimônio histórico, as belezas naturais e a identidade única do estado são fatores decisivos na escolha dos turistas internacionais.
A combinação entre praias, gastronomia, música, religiosidade, festas populares e hospitalidade torna a Bahia um dos destinos mais completos e desejados do país.
Impacto positivo na economia local
O crescimento do turismo internacional reflete diretamente na geração de emprego e renda, fortalecendo setores como hotelaria, transporte, comércio, gastronomia e serviços. Além de movimentar a economia, o turismo contribui para o desenvolvimento regional e para a valorização da cultura local.
Bahia como protagonista do turismo brasileiro
Os números de 2025 consolidam a Bahia como um dos principais motores do turismo no Brasil, mostrando que investir em promoção, infraestrutura e valorização cultural traz resultados concretos. O cenário é promissor e reforça o potencial do estado como destino global, capaz de atrair cada vez mais visitantes e oportunidades.
Foto: Matheus Landim / GOVBA